teatro de revista (1859-1970) ufpr – artes cênicas prof. jean carlos gonçalves

20
TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Upload: david-ponte

Post on 07-Apr-2016

217 views

Category:

Documents


1 download

TRANSCRIPT

Page 1: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

TEATRO DE REVISTA(1859-1970)

UFPR – Artes CênicasProf. Jean Carlos Gonçalves

Page 2: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

"Comidas, Meu Santo!""Comidas, Meu Santo!" de Marques Porto e Ari Pavão, encenada no Teatro Recreio, do Rio de Janeiro, em 1925.

Page 3: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Definições

• Passar em revista acontecimentos importantes do ano anterior,

• Veículo de difusão de modos e costumes, • Retrato sociológico,• Estimulador de riso e alegria através de falas

irônicas e de duplo sentido e canções "apimentadas“,

• Crítica de costumes

Page 4: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Características

• Enredo Frágil: elo de ligação entre os quadros que, independentes, marcam uma estrutura fragmentária (compère/commère),

• Paródia: recurso do teatro popular que consiste em denegrir a classe dominante,

• Acompanhamento musical,• Cenários fantasiados e multicoloridos,• Figurinos exóticos,• Desnudamento opulento.

Page 5: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

"Penas de Pavão""Penas de Pavão", de Marques Porto e Afonso de Carvalho, foi encenada em janeiro de 1923, no Teatro Recreio, do Rio de Janeiro.

Page 6: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Primeira Fase – 1859...• Primeiro Espetáculo: "As surpresas do Sr. José da

Piedade", de Justino de Figueiredo Novais, em 1859

• Revistas e burletas de Artur Azevedo,• Linguagem é marcada pela valorização do texto

em relação à encenação,• Crítica de costumes abordada com versos e

personagens alegóricos,• Fio narrativo• Destaque para “O BILONTRA - 1886”

Page 7: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Cartaz – O Bilontra1886

Page 8: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Segunda Fase – 1920...

• Companhia francesa Ba-ta-clan, traz influências...• O corpo feminino é desnudado, despido das

grossas meias,• Equilíbrio entre quadros cômicos e crítica política• Rivalidade entre as estrelas das companhias,• Início do elemento espetacular,• Destaque para Manoel Pinto – Teatros: Recreio e

João Caetano (Praça Tiradentes)

Page 9: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

"Ai se eu pudesse voá""Ai se eu pudesse voá", montada no Rio de Janeiro, no final dos anos 20.

Page 10: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Teatro Carlos GomesCia Margarida Max – Fundada por Manoel Pinto

Page 11: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Teatro João CaetanoPraça Tiradentes, palco da revista carioca

Page 12: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Terceira Fase (Féerie) – Anos 40...

• Gestão Walter Pinto,• Music Hall,• Ênfase à fantasia, por meio do luxo, de grandes

coreografias, cenários e figurinos suntuosos,• Ar inspirado nas produções da Broadway, em que

imperavam o clima sensual e os números de dança,

• A maquinaria, a luz e os efeitos equivalem ao intérprete em importância,

Page 13: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Cia Walter Pinto – Teatro RecreioUma das primeiras luxuosas montagens de Walter Pinto, no Teatro Recreio, no Rio de Janeiro, nos anos 40.

Page 14: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Cia Walter PintoVedetes da Companhia Walter Pinto, no Teatro Recreio (1944).

Page 15: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Virgínia Lane – Vedete 1950 Mara Rúbia –

VedeteDécada de 40

Page 16: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Decadência

• A Revista começa a apelar fortemente para o escracho, para o nu explícito, em detrimento de um de seus alicerces: a comicidade, e, assim, entra em um período de decadência,praticamente desaparecendo na década de 1960;

• A chegada da TV é um dos fatores;• Último espetáculo:"Tem Banana na Banda", de

Paulo Pontes, em 1970 - uma tentativa de recuperar a Revista

Page 17: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

TEM BANANA NA BANDA-1970 /Estrelando Leila Diniz Tentativa de reviver o Teatro de Revista / Última manifestação oficial desse tipo no país

Page 18: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

FOLHA - Como era o teatro de revista? (Folha SP-2007)DERCY - Era a coisa mais linda que havia no teatro. Pouca gente freqüentava a comédia, a não ser a dos grandes, como Procópio [Ferreira], o Jaime Costa, o Cazarré, Malberi Silva, que faziam um teatro mais para subúrbio, mas eram bons também.O teatro de revista era escrachado, considerado marginal. Vivia lotado, mais de homens. As famílias se recusavam a ir à praça Tiradentes, ao Recreio, ao Carlos Gomes, ao João Caetano. Mas, quando eu fazia o Glória, lotava o teatro, muita gente ia escondida.Uma vez, uma espectadora levantou a voz dizendo que não podia falar tantos palavrões. Eu disse: "Vai pra puta que te pariu" e desci do palco em direção a ela, que correu e foi embora.Tô na minha casa, o que ela veio fazer aqui?

FOLHA - Por que o teatro de revista acabou?DERCY - Foi o seguinte. O [empresário] Walter Pinto não tinha prática nenhuma de teatro.Morreu o pai, morreu o irmão e ficou ele tomando conta, sem saber patavinas de teatro. Ele era um homem muito rico, audacioso. Cheguei a dirigir a companhia dele. Depois de um tempo, ele se aventurou a exibir atrações internacionais.Trouxe um companhia inteira do Liberté, aquelas mulheres parisienses, e isso acabou com o teatro de revista brasileiro, que era feito por mulheres surradas, algumas velhas já, trabalhando como coristas.Aqui no Brasil, nada tinha valor, não passava do chão. Aqui, para ser artista, você precisava ter empresária, para fazer seu nome. Ninguém te ajudava.Não tinha televisão. Tinha uma, a Tupi, que só funcionava com porcaria. E a TV Rio, que transmitia mais futebol.

Dercy GonçalvesAnos 40

Page 19: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

• "Ao se falar em teatro de revista, que nos venham as idéias de vedetes, de bananas, de tropicália, de irreverência e,

principalmente, de humor e de música, muita música. Mas que venha também a consciência de um teatro que

contribuiu para a nossa descolonização cultural, que fixou nossos tipos, nossos costumes, nosso modo genuíno do

'falar à brasileira'. Pode-se dizer, sem muito exagero, que a revista foi o prisma em que se refletiram as nossas formas

de divertimento, a música, a dança, o carnaval, a folia, integrando-os com os gostos e os costumes de toda uma

sociedade bem como as várias faces do anedotário nacional combinadas ao (antigo) sonho popular de que Deus é

brasileiro e de que o Brasil é o melhor país que há“

NEYDE VENEZIANO - Pesquisadora

Page 20: TEATRO DE REVISTA (1859-1970) UFPR – Artes Cênicas Prof. Jean Carlos Gonçalves

Sugestões

• Filme BUBUBU NO BÓBÓBÓ – Revive os temos do teatro de revista no Brasil

• Livro O TEATRO DE REVISTA NO BRASIL, Neyde Veneziano (Editora Unicamp – 1991)

• Livro SE A MODA PEGA..., Vera Collaço (org)(Editora UDESC – 2007)