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Download TCNICAS DE REDAO JURDICA - DIREITO  Victor Gabriel. Argumentao jurdica: tcnicas de persuaso e lgica informal. So Paulo: Martins Fontes, 2005. SCHPENHAUER Arthur

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  • 1UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO

    TCNICAS DE REDAO JURDICA

    Material didtico organizado pela prof Alice Yoko Horikawa e

    Prof Srgio Simes

    So Paulo2013

  • 2CURSO: DireitoDISCIPLINA: Tcnicas de Redao Jurdica PROFESSORA: Magda Mulati Gardelli

    1. DATAS IMPORTANTES:

    1 avaliao - _______ 2 avaliao - _______ 3 avaliao - _______

    2. CRONOGRAMA (aulas s sextas-feiras)

    FEVEREIRO15 - Apresentao do curso

    22 - Reviso de texto

    MARO1 - A linguagem jurdica Caractersticas da linguagem jurdica: formalidade e preciso

    8 - Caractersticas da linguagem jurdica: conciso Anlise de textos: preciso e conciso

    15 - Atividade de produo textual: enfoque em formalidade, preciso e conciso

    22 - Anlise de produes de texto Alguns aspectos semnticos, textuais e gramaticais observados nos textos dos alunos

    29 - FERIADO - PAIXO DE CRISTO

    ABRIL

    5 - Coerncia textual: a estrutura frasal

    12 - Coerncia textual: a estrutura frasal 19 - Coerncia textual: a estrutura frasal 26 - Coerncia textual: a articulao entre as idias (coordenao e subordinao); o uso dos conectivos exerccios Produo de texto

    28 - Anlise das produes dos alunos Subordinao MAIO

    3 - Coeso textual: uso dos pronomes, a parfrase, a sinonmia

  • 3

    10 - AVALIAO - DISCURSIVA

    17 - Paragrafao e estilo de linguagem: estrutura do pargrafo, frases curtas e perodos longos A paragrafao nos textos jurdicos

    24 - Paragrafao pargrafos descritivos, narrativos, de relato e dissertativos (o valor dos verbos na descrio, na narrao/relato e na dissertao a questo do aspecto verbal) Produo de pargrafos

    26 - O texto argumentativo: argumentao, persuaso e retrica (tipos de argumentao; a argumentao como forma de construir a verdade; argumentao e lgica; anlise de textos argumentativos relao entre tese e argumentos)

    31 - EMENDA DE FERIADO

    JUNHO7 - Caractersticas do texto argumentativo (impessoalidade e objetividade) Modalizadores, voz ativa e voz passiva, pressupostos e inferncias, ordem direta e indireta da orao (estratgias para manter a impessoalidade, mas deixar implcito um posicionamento) O estilo da argumentao jurdica

    14 - Recursos argumentativos; erros na argumentao; argumentao fraca; validade dos argumentos

    21 - AVALIAO

    28 - Planto de dvidas da avaliao 3. BIBLIOGRAFIA DE APOIO:BECHARA, Evanildo. Lies de portugus pela anlise sinttica. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002DAMIO, Regina T.; HENRIQUES, Antnio. Curso de portugus jurdico 10 ed. , So Paulo: Atlas, 2008MACEDO, Iraelcio Ferreira, et. al. Lies de gramtica aplicadas ao texto jurdico. Rio de Janeiro, Forense, 2007. MEDEIROS, Joo Bosco, TOMASI, Carolina. Portugus forense: a produo do sentido. So Paulo: Atlas, 2004MORENO, Cludio; MARTINS, Tlio. Portugus para convencer: comunicao e persuaso em direito. So Paulo: tica, 2006.RODRGUEZ Victor Gabriel. Argumentao jurdica: tcnicas de persuaso e lgica informal. So Paulo: Martins Fontes, 2005.SCHPENHAUER Arthur. Como vencer um debate sem precisar ter razo em 38 estratagemas (dialtica erstica). Rio de Janeiro: Topbooks, 1997.WALTON Douglas N. Lgica informal. So Paulo: Martins Fontes, 2006.

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    TPICO 1 - A LINGUAGEM JURDICA

    Questes para reflexo:1. Ao produzir um texto (oral ou escrito), em contexto jurdico, quais aspectos

    da linguagem voc observaria para obter sucesso na interlocuo?

    2. Voc considera importante que o Direito constitua um uso prprio e especfico da linguagem?

    3. Voc considera a linguagem jurdica acessvel?

    4. Qual a sua opinio a respeito do uso que os profissionais do Direito fazem da linguagem?

    5. Como voc avalia o uso que o juiz mencionado na notcia abaixo transcrita faz da linguagem?

    Jornal Folha de S. Paulo, 03/02/2009Juiz chama "BBBs" de "gostosas" em sentena Ao justificar indenizao por televisor quebrado, magistrado do RJ citou as participantes do programa DA SUCURSAL DO RIO

    Assistir s "gostosas" do "Big Brother Brasil" foi uma das justificativas de um juiz do Rio para dar ganho de causa a um homem que ficou meses sem poder ver televiso. O juiz Cludio Ferreira Rodrigues, 39, titular da Vara Cvel de Campos dos Goytacazes (278 km do Rio), justificou sua sentena dizendo que procura "ser sempre o mais informal possvel". Ao determinar o pagamento de indenizao de R$ 6.000 por defeito em um aparelho de TV, o juiz afirmou na sentena: "Na vida moderna, no h como negar que um aparelho televisor, presente na quase totalidade dos lares, considerado bem essencial. Sem ele, como o autor poderia assistir s gostosas do "Big Brother'?". O magistrado disse que procura ser direto para que o autor da ao entenda por que ganhou ou perdeu. Para ele, quem reclama na Justia quem mais deve ser respeitado, porque " o cara que paga o tributo". "No adianta ficar falando s o que os advogados sabem sem chegar cognio do juridicionado. Fiz aquela folha de brincadeira para deixar informal." Ele argumenta que a expresso foi usada para fundamentar o autor da ao, um senhor que contou ter ficado por seis meses sem assistir ao "BBB", ao "Jornal Nacional" e a jogos de futebol, por um defeito da TV. O juiz diz que no se arrepende. "[As garotas que participam do "BBB'] No so escolhidas pelo padro de beleza? 90% das mulheres que vo para l so bonitas realmente. Talvez eu tenha pecado pela linguagem. Poderia ter falado: "Deixando de observar as meninas com um padro fsico'", ironizou. Na sentena, ele ainda faz piada com dois times cariocas. Assim como o autor da ao, que contou ser flamenguista, ele brinca com a situao do Fluminense e do Vasco, que foi rebaixado no ano passado. "Se o autor fosse

  • 5torcedor do Fluminense ou do Vasco, no haveria a necessidade de haver TV, j que para sofrer no se precisa de TV", diz, na sentena. "Eu sou flamenguista, mas todo mundo sabe disso. Tem um outro processo em que eu sacaneio o meu prprio time. E no provocou nenhuma celeuma. Eu podia ser criticado se eu fosse moroso demais. Estou fazendo o que meu antecessor no fez." (MALU TOLEDO)

    Leia a ntegra da sentena "Foi aberta a audincia do processo acima referido na presena do Dr. Cludio Ferreira Rodrigues, Juiz de Direito. Ao prego responderam as partes assistidas por seus patronos. Proposta a conciliao, esta foi recusada. Pela parte r foi oferecida contestao escrita, acrescida oralmente pelo advogado da Casas Bahia para arguir a preliminar de incompetncia deste Juizado pela necessidade de prova pericial, cuja vista foi franqueada parte contrria, que se reportou aos termos do pedido, alegando ser impertinente a citada preliminar. Pelo MM. Dr. Juiz foi prolatada a seguinte sentena: Dispensado o relatrio da forma do art. 38 da Lei 9.099/95, passo a decidir. Rejeito a preliminar de incompetncia deste Juizado em razo de necessidade de prova pericial. Se quisessem, ambos os rus, na forma do art. 35 da Lei 9.099/95, fazer juntar presente relao processual laudo do assistente tcnico comprovando a inexistncia do defeito ou fato exclusivo do consumidor. No o fizeram, agora somente a si prprias podem se imputar. Rejeito tambm a preliminar de ilegitimidade da r Casas Bahia. To logo foi este fornecedor notificado do defeito, deveria o mesmo ter, na forma do art. 28, 1, da Lei 8078/90, ter solucionado o problema do consumidor. Registre-se que se discute no caso concreto a evoluo do vcio para fato do produto fornecido pelos rus. No mrito, por omisso da atividade instrutria dos fornecedores, no foi produzida nenhuma prova em sentido contrrio ao alegado pelo autor-consumidor. Na vida moderna, no h como negar que um aparelho televisor, presente na quase totalidade dos lares, considerado bem essencial. Sem ele, como o autor poderia assistir as gostosas do Big Brother, ou o Jornal Nacional, ou um jogo do Americano x Maca, ou principalmente jogo do Flamengo, do qual o autor se declarou torcedor? Se o autor fosse torcedor do Fluminense ou do Vasco, no haveria a necessidade de haver televisor, j que para sofrer no se precisa de televiso. Este Juizado, com endosso do Conselho, tem entendido que, excedido prazo razovel para a entrega de produto adquirido no mercado de consumo, h leso de sentimento. Considerando a extenso da leso, a situao pessoal das partes neste conflito, a pujana econmica do ru, o cuidado de se afastar o enriquecimento sem causa e a deciso judicial que em nada repercute na esfera jurdica da entidade agressora, justo e lcito parece que os danos morais sejam compensados com a quantia de R$ 6.000,00. Posto isto, na forma do art. 269, I, julgo parcialmente procedente o pedido, resolvendo seu mrito, para condenar a empresa r a pagar ao autor, pelos danos morais experimentados, a quantia de R$ 6.000,00 (seis mil reais), monetariamente corrigida a partir da publicao deste julgado e com juros moratrios a contar da data do evento danoso, tendo em vista a natureza absoluta

  • 6do ilcito civil. Publicada e intimadas as partes em audincia. Registre-se. Aps o trnsito em julgado, d-se baixa e arquivem-se os autos. Nada mais havendo, mandou encerrar. Eu, Secretrio, o digitei. E eu, , Resp. p/ Exp., subscrevo. (Sentena extrada do site www.espacovital.com.br)

    Para nos auxiliar nessa reflexo, vejamos o que dizem Adalberto Kaspary e Viviane Rodrigues de Melo, em seus artigos de opinio que analisam a linguagem jurdica:

    LINGUAGEM DO DIREITO1(Espao Vital Artigos - 30.06.2003) Adalberto J. Kaspary 2

    O Direito uma profisso de palavras. (D. Mellinkoff)

    Em toda profisso a palavra pode ser til, inclusive necessria. No mundo do Direito, ela indispensvel. Nossas ferramentas no so mais que palavras, disse o jurista italiano Carnelutti. Todos empregam palavras para trabalhar, mas, para o jurista, elas so precisamente a matria-prima de sua a

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