TCC eva (1)

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<p>1</p> <p>FACULDADE EVANGLICA DO PARAN TEOLOGIA</p> <p>EVA VANDERLI R. GROH</p> <p>CUIDADO HUMANO UMA ATITUDE DE AMOR</p> <p>CURITIBA 2008</p> <p>2</p> <p>EVA VANDERLI R. GROH</p> <p>CUIDADO HUMANO - UMA ATITUDE DE AMOR</p> <p>Trabalho de Concluso de Curso apresentado Faculdade Evanglica do Paran, como requisito parcial para obteno do grau de Bacharel em Teologia. Orientadora: Roldo. Profa. Ms. Flvia Diniz</p> <p>CURITIBA</p> <p>2008</p> <p>3</p> <p>FOLHA DE APROVAO</p> <p>Eva Vanderli Ribeiro Groh Cuidado Humano uma atitude de amor</p> <p>Trabalho de Concluso de Curso apresentado Faculdade Evanglica do Paran para obteno do grau de Bacharel em Teologia.</p> <p>Aprovado em:</p> <p>Banca Examinadora</p> <p>Prof. (Ms/Dr.)_________________________________________________________ Instituio:______________________________Assinatura:____________________</p> <p>Prof. (Ms/Dr.)_________________________________________________________ Instituio:______________________________Assinatura:____________________</p> <p>Prof. (Ms/Dr.)_________________________________________________________ Instituio:______________________________Assinatura:____________________</p> <p>4</p> <p>DEDICATRIA</p> <p>Toda dedicatria um ato de amor.</p> <p>Ao meu esposo Paulo e meus filhos, Kauhan e Renan, que me fizeram sentir a emoo do presente maior da vida, dedico este trabalho que s aconteceu pelo amor, apoio e companheirismo dirio.</p> <p>Tambm aos amigos, pelo incentivo que foi fundamental, bem como pelo cuidado dispensado durante os momentos de incertezas.</p> <p>5</p> <p>AGRADECIMENTOS</p> <p>A Deus, pelo cuidado amoroso e pela graa renovada a cada dia.</p> <p>A todos os professores que, com seus conhecimentos, enriqueceram e iluminaram os meus pensamentos.</p> <p>Ao Prof. Dr. Agemir de Carvalho Dias, pela ateno e incentivo.</p> <p>A Profa. Ms. Flvia Diniz Roldo, por cada orientao recebida e pelo apoio na construo deste trabalho. Externo meu carinho e respeito, desejando:</p> <p>Que Deus lhe d... A serenidade necessria para aceitar as coisas que no pode mudar, a coragem para modificar quelas que pode mudar, e a sabedoria para distinguir umas das outras.</p> <p>Reinhold Niebuhr</p> <p>6</p> <p>... Eu fui algum... Que se associou a quem nada tinha, que se uniu a quem era de carter tranqilo... Que expulsou a tristeza, que levou a srio a queixa da viva, algum que salvou quem estava a afogar-se. Alimentei quem se encontrava em necessidade, fui um protetor do fraco. Defendi a viva espoliada de seus haveres. Fui o pai de quem no tinha pai nem me, fui algum que salvou o pequeno. Fui uma ama para meu povo, que os conduziu pelo bom caminho. Fui um pastor para seus..., que os preservou de toda desgraa Fui o querido dos pequeninos, E com presentes alegrei os coraes das pessoas. tive a mo aberta para quem nada tinha, E dei nova vida a quem estava cansado. Fui algum que chorou por uma desgraa, que cuidou do abatido. Ouvi o grito de angstia da menina rf, e fiz tudo quanto ela precisava. Fui algum que ajudou as crianas abatidas pelos cuidados, que...lhes deu um destino e enxugou suas lgrimas, Algum que afastou as preocupaes de uma mulher que gemia desesperada.</p> <p>(Inscrio em um tmulo do Antigo Egito, Boff, 2000, p. 42).</p> <p>7</p> <p>SUMRIO</p> <p>INTRODUO ............................................................................................................8 1. O ATO DE CUIDAR ............................................................................................11 2. CUIDADO DE SI .................................................................................................18 3. CUIDADO DO OUTRO........................................................................................23 4. CUIDADO PASTORAL........................................................................................28 5. CUIDADO ESPIRITUAL .....................................................................................34 CONCLUSO............................................................................................................40 REFERNCIAS.........................................................................................................42 REFERNCIA COMPLEMENTAR ............................................................................46</p> <p>8</p> <p>INTRODUO</p> <p>A elaborao deste trabalho parte de uma reflexo sobre o cuidado humano, na perspectiva do amor. Visto que o cuidado tambm pode ser praticado sem amor e o que pior, muitas vezes um cuidado interesseiro, que reflexo da realidade da vida contempornea. como Bonhoeffer dizia, tudo o que estamos acostumados a chamar de amor, o que vive nas profundezas da alma e na ao visvel, at aquilo que brota do corao piedoso em termos de fraterno servio ao prximo, pode estar sem amor. (BONHOEFFER, 2005, p. 32). Mas, o amor verdadeiro aquele que procede de Deus gape. Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama nascido de Deus e conhece a Deus"1 (1 Jo. 4.7). deste amor que fala este trabalho, um amor que deve presidir todos os nossos relacionamentos, que no comea em ns, mas em Deus [...] o amor que nos faz amar alm das nossas foras, pois, ele se encontra sob o poder de Deus (MARCONDES FILHO, 2007 p.30). Mas, qual a importncia de um cuidado humano amoroso que contempla o outro na sua totalidade? Se a questo relevante, num contexto onde os atos muitas vezes so efetivados por diversas motivaes, h que se pensar. Para mim, filha nica, que aos dez anos sofri pela morte sbita de meus pais, questo fundante. Recebi cuidados, mas no aqueles que contemplam a dimenso invisvel do ser humano. A questo o resultado ao longo de anos, de um cuidado que no faz uso do amor, afeto, abrao, solicitude pelo objeto cuidado. Foi com esta motivao, somada ao contexto vivido na prtica de estgio, que se deu esta pesquisa. Creio que a relevncia terica seja suscitar uma reflexo a respeito do cuidado integral, enquanto prtica que requer compromisso, ao pautada em princpios e valores cristos. A relevncia prtica aquela que conduz o indivduo a sentir-se bem ao menor toque fsico, pois a atitude de cuidar a disposio em responder ou agir de um determinado modo, ou seja, sair da inrcia e promover o bem estar do outro. Com este pensamento, abordar-se- o cuidado</p> <p>1</p> <p>Bblia de Estudo de Genebra. (usada em todo o trabalho)</p> <p>9</p> <p>enquanto atitude de amor. Trabalhando ento cinco captulos, que contemplam o cuidado em algumas de suas caractersticas. No primeiro captulo, aborda-se o cuidado enquanto caracterstica intrnseca do ser humano, ou seja, um ser de cuidado; A forma como o cuidado entendido e praticado ao longo da histria; A importncia de uma viso holsta no processo do cuidado; bem como, a importncia em buscar desenvolver as potencialidades na arte de cuidar, tendo em vista a relevncia do cuidado para a sobrevivncia humana. Mesmo que em alguns momentos ...o ser humano, infelizmente, em sua trajetria, apresenta paradoxos e ambigidades entre comportamentos de cuidado e nocuidado (WALDOW, 2008, p.2). O segundo captulo descreve o cuidado de si, como elemento a priori de todas as outras prticas de cuidado, pois, como poder cuidar do outro se no estiver bem consigo mesmo? Nesse processo, tomar conscincia de si prprio, ter coragem de buscar o que no lhe agrada e precisa ser mudado, aprender a reconhecer seus limites, valorizando suas potencialidades e principalmente fortalecer sua identidade como filho de Deus, fator fundamental. O terceiro captulo trata do cuidado com o prximo, e para tal, requer envolvimento, responsabilidade e, sobretudo, amor, que assiste a pessoa na sua totalidade. Tambm, disposio, doao e uma escuta atenciosa, pois em diversas situaes, o indivduo no necessita de grandes movimentos de cuidado, apenas, sentir-se amado e ter algum que se importa com ele. No quarto captulo, aborda-se o cuidado pastoral como elemento chave no processo de cuidado, um instrumento teraputico na vida das pessoas. Pois seu objetivo assistir-las com uma mensagem significativa, a partir do evangelho. Uma mensagem que deve buscar promover a cura e a libertao, orientando-a e conduzindo-a at que se sinta capaz de seguir sozinha. O quinto captulo reflete sobre o cuidado espiritual e a contribuio do telogo junto comunidade. Sua responsabilidade de cuidar enquanto prxis. Bonhoeffer em seu pensamento tico, fala que no basta uma proclamao dogmaticamente correta da mensagem crist, nem tampouco princpios ticos genricos; preciso orientao concreta na situao concreta (BONHOEFFER, 2005, p. 197). Em fim, uma ao transformadora, que possa promover o bem estar das pessoas onde elas vivem ou esto inseridas; escolas, hospitais, instituies de longa permanncia...</p> <p>10</p> <p>Neste processo, reconhecer e valorizar a dimenso espiritual do ser humano de suma importncia. Fortalecendo sua f, pois atravs dela a esperana se renova. H que se fazer esta reflexo, tendo em vista, a realidade que se impem diante de ns. Que o conformismo no faa calar a nossa mensagem. Que a nossa reflexo, resulte em uma atitude de amor, a ponto de promover uma interao e contribuio pela causa da vida. Espero que este trabalho estimule as pessoas a fortalecerem os vnculos umas com as outras, tornando-se mais acolhedoras, afetuosas e resgatando o mais essencial do ser, que a capacidade de cuidar e amar. Pois, o amor ...como um guia que conduz o ser pela estrada da vida (PORTO, 1999, p. 11). Portanto, s faz sentido falar do amor, se este puder ser vivido nas relaes humanas, que se estendero as outras dimenses do cuidado. Cuidar um estilo de vida. Com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. Porque estas coisas, existindo em vs e em vs aumentando, fazem com que no sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Pe 1.7-8). Portanto, coloquemos esmeradamente em prtica as direes j dadas acerca do cultivo e do cuidado ao princpio do amor de Cristo (WILBERFORCE, 2006, p. 63).</p> <p>11</p> <p>1. O ATO DE CUIDAR</p> <p>Quando algum chega a ti e te pede ajuda, no te compete recomend-lo piedosamente: tem confiana e entrega a Deus tuas necessidades, mas deves ento agir como se no existisse Deus, como se em todo o mundo no existisse seno uma pessoa que pudesse ajudar a este homem, tu, somente tu.</p> <p>Martin Buber</p> <p>Para definir o significado de cuidado vrios conceitos foram cunhados. HOUAISS (2001, p.885) no seu Dicionrio da Lngua Portuguesa, define o verbo cuidar como, meditar com ponderao; cogitar, pensar, preocupar-se com, interessar-se por, responsabilizar-se por (algo). Sua origem latina, deriva do verbo cogitare, que sinnimo de pensar, refletir, meditar, cuidar, o que significa tambm agitar no esprito, remover no pensamento, etc., encontramos tambm referncias na palavra latina curare, que significa empregar seus cuidados em alguma coisa. O substantivo cuidado do latim cogitatus, refere-se atividade do pensamento, remoer no pensamento, pensar, refletir. Para Macedo &amp; Dias (s/d), possvel supor que a prtica de cuidado tem duplo sentido, um no campo da ao do pensamento, reflexo e outro no campo da aplicao do esprito, materializando-se em atitudes para com o outro. Cuidado pode ser entendido como atitude mental que envolve um conhecimento, uma preocupao. Outra possibilidade na definio do termo o que o relaciona com a questo do sofrimento, cuidar mostrar interesse por uma pessoa que sofre. O conceito de cuidado tem como objeto uma reflexo prvia e uma disposio de atender uma necessidade. Por outro lado, o cuidado tem tambm uma dimenso prtica que envolve ao e atitude. Considerando que cuidado uma palavra polissmica e abrangente, Boff (1999, p.90) comenta que precisamos descobrir as riquezas escondidas e contidas nas mesmas, pois segundo ele As palavras nascem dentro de um nicho de sentidos originrios e a partir da desdobram outras significaes afins. Para ele, cuidado</p> <p>12</p> <p>inclui duas significaes bsicas, primeiro, a atitude de desvelo, de solicitude e de ateno para o outro. A segunda, de preocupao e de inquietao, porque a pessoa que tem cuidado se sente envolvida e afetivamente ligada ao outro (BOFF 1999, p. 91-92). Entendemos que independente do sentido ou da categoria, a atitude de cuidar no uma ao mental somente, mas uma ao que gestada na mente e concretizada na prtica. Na rea da sade, o tema cuidar/cuidado vem sendo estudado e pesquisado por Waldow2 ao longo de quase duas dcadas. Para ela o cuidado abrange vrias categorias e pode ser definido como: um resultado, deliberaes e aes de cuidar/assistir oportunizando o crescimento atravs de atitudes morais. (WALDOW, 2001, p. 103). No aspecto holstico Waldow descreve cuidado como uma maneira de ver o outro de forma global, respeitando suas caractersticas e se possvel, planejar junto aes teraputicas, tanto a nvel preventivo como curativo [...] ver o outro, que um ser que pensa, v, age (...) (WALDOW, 2001, p. 101). No incio da era crist a filosofia tambm estava envolvida com as questes relacionadas ao cuidado do ser. Para mencion-la usa-se a traduo escrita por Leloup (2007), sobre o filsofo Flon3 de Alexandria. Flon entendia o cuidado numa dimenso holstica, que abrangia o homem na sua totalidade. Na poca, existiam comunidades chamadas de terapeutas do deserto, onde o verdadeiro papel do terapeuta era de cuidar, colocar-se junto ao necessitado utilizando seu saber, a fim de oferecer o melhor cuidado possvel, portanto, destacavam-se na ateno ao Ser em todas as suas dimenses: corpo, alma e esprito. O Dicionrio Vine (2003, p. 526) define curar como: therapeu, que significa principalmente servir como therapn, assistente; ento cuidar dos doentes, tratar, curar, sarar. Assim, sua funo era:Antes de tudo, cuidar do que no doente em ns, do Ser, do Sopro que nos habita e inspira. Tambm cuidar do corpo, templo do Esprito, cuidar do desejo, reorientando-o para o essencial; cuidar do imaginal, as grandes imagens arquetpicas que estruturam a nossa conscincia e cuidar do outro,</p> <p>2</p> <p>Waldow enfermeira, Mestre em Educao pela Universidade do Rio Grande do Sul e Doutora em Educao, na rea de Educao em Enfermagem, pelo Teachers College da Columbia University de New York, Estados Unidos. Faz pesquisas sobre o cuidado humano na rea da sade.3</p> <p>Flon de Alexandria, judeu de cultura helenista, foi contemporneo de Cristo. Precursor de Orgenes, Flon conhecido, sobretudo por sua arte de interpretao dos sonhos e dos textos sagrados.</p> <p>13</p> <p>o servio, a comunidade, o prprio centramento do ser. (LELOUP, 2007, p. 9-10).</p> <p>Sua principal ferramenta para o cuidado era o ouvir, inclinavam-se at o leito e de forma atenciosa e amorosa procuravam ouvir no s o que era dito, mas tambm buscavam compreender o que permanecia no silncio. Vine (2003, p. 210) diz que ter um corao que ouve ter discernimento ou entendimento. interessante olhar para o passado e contemplar pessoas que tinham este discernimento e no estavam s preocupadas, mas, dispostas ao cuidado do Ser na prtica. Aqueles que se tornaram terapeutas no o fizeram por exortao ou solicitao de outrem, mas impulsionados pelo amor divino. (LELOUP, 2007, p.39). No cristianismo, Jesus o prprio Ser-de...</p>