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INTRODUO

A vontade de lecionar em minha vida surgiu desde a primeira srie do ensino fundamental, hoje ciclo um, fiquei encantada pelo mundo mgico das descobertas, inspirada pela minha professora na poca, professora Nasciete. Pois, digo que no escolhi e sim fui escolhida.Escolhi pedagogia porque estava buscando formao completa para atuar com registro de professor/educador, habilitado a trabalhar em ambientes escolares e no escolares, admitindo perspectivas diferenciadas de insero no mercado de trabalho. E no somente dar aulas. Fao parte do Movimento Escoteiro do Brasil, e sei que a pedagogia me auxiliar muito neste movimento. Quero focar essa pesquisa em educao fundamental ciclo I, pois, pressuponho que seja uma idade que precisa de ateno.Cheguei ao curso movido pelo meu desejo de ser educadora, fazer a mudana, outrora fiz curso tcnico em enfermagem, porem meu desejo estava em ser professora. Conversando com um amigo ele me sugeriu a Uniesp pela competncia dos professores, e aqui estou eu.Escolhi realizar essa pesquisa com o tema, Escotismo: sua contribuio na formao social e na educao ambiental. Pois ao analisar o meu filho e seus companheiros do grupo de escoteiros do ar capelo capito Vicente Aguiar, e vendo que as atividades desenvolvidas com os objetivos de prepar-los para a vida, para a vida em sociedade, para a preservao ambiental, o auxilio na educaoescolar, me admirei com o crescimento e o dinamismo que as crianas apresentam questionei me Ser que realmente faz a diferena? Qual o tamanho do desenvolvimento infantil atravs desse jeito de aprender? Ensinando a pratica de uma cooperao, trabalho em equipe teremos crianas mais sociais e menos egostas? Dentre tantas inquietaes foquei-me em quais as contribuies do movimento escoteiro na formao social e educao ambiental dessas crianas e dos adultos que j so formados? Ou seja, que j passaram pelo movimento.Ento ao perceber que atualmente existe essa lacuna no desenvolvimento da socializao e da educao ambiental nas nossas crianas. Pois, estamos formando muitas crianas egocntricas e individualistas por isso, desejo abordar o impacto da pouca nfase dada atualmente ao desenvolvimento de crianas, onde as mesmas esto sem vcios e so estritamente curiosas.Querendo experimentar o novo, o misterioso. Sedentas por novidades, um bom comeo para se ampliar esse modelo de educao no formal, onde auxilia no desenvolvimento dessas crianas, pois no movimento eles so envolvidos com a unio, trabalho em equipe, cooperao, solidariedade, diversidade.A pesquisa ter como base analise textual das referencias bibliogrficas e estudos de caso, sabendo que minhas palavras chave sero: escotismo, formao social, educao no formal e educao ambiental.A presente pesquisa que venho desenvolvendo est fundamentada nas concepes de Piletti (1991), Aranha (2006), Layrargues (coord.) (2004). E nas entrevistas de integrantes do Movimento Escoteiro do ar Capelo Capito Vicente Aguiar. A pesquisa ser organizada em trscaptulos: o primeiro captulo ser exposto os conceitos sobre educao no formal, educao ambiental, escotismo.O segundo capitulo ser observado o cenrio do estudo de caso, a histria do grupo analisado.O terceiro captulo ser os conceitos e a proposta pedaggica com a analise do estudo de caso e a reflexo sobre o questionamento. Pois o movimento tem pensamentos de socializao, com conceito de incluso e sem ser individualista. A pedagogia que usa a cooperao fundamental para a insero na sociedade atual.O uso dos jogos no contexto educacional s pode ser situado corretamente a partir da compreenso dos fatores que colaboram para uma aprendizagem ativa Piaget afirma que O jogo um tipo de atividade particularmente poderosa para o exerccio da vida social e da atividade construtiva da criana,voc acrescentaria algo a esta afirmao?Aprender com o outro mais rpido e mais afetivo porque mais prazeroso. Uma das coisas que a cooperao assegura esse espao de prazer e aprendizagem. Dependendo de como conduzido, o jogo ativa, desenvolve os esquemas de conhecimento, aqueles que vo poder colaborar na aprendizagem de qualquer novo conhecimento, como observar e identificar, comparar e classificar, conceituar relacionar e inferir.

CAPTULO 1 EDUCAO NO FORMAL, FORMAO SOCIAL DA CRIANA E EDUCAO AMBIENTAL.

Este captulo far a exposio dos conceitos de educao no formal, tendo como fundamentao Gohn (2006), Gadotti (2005); Formao social,tendo como fundamentao Aranha (2006) e Peleti (1996), Educao ambiental tendo como fundamentao, Layrargues(coord.) (2004) e Escotismo, tendo como fundamentao,Fagundes (2009), Borba (2007), Barden Powell.

1.1 Educao No Formal

Define-se educao no-formal como toda atividade educacional organizada, sistemtica, executada fora do quadro do sistema formal para oferecer tipos selecionados de ensino a determinados subgrupos da populao. (La Belle, 1982:2). Uma definio que mostra a ambiguidade dessamodalidade de educao, j que ela se define em oposio (negao) a um outro tipo de educao: aeducao formal. Usualmente define-se a educao no-formal por uma ausncia, em comparao com aescola, tomando a educao formal como nico paradigma, como se a educao formal escolar tambmno pudesse aceitar a informalidade, o extra-escolar. Gostaria de definir a educao no-formal por aquilo que ela , pela sua especificidade e no porsua oposio educao formal. Gostaria tambm de demonstrar que o conceito de educao sustentadopela Conveno dos Direitos da Infncia ultrapassa os limites do ensino escolar formal e engloba asexperincias de vida, e os processos de aprendizagem no-formais, que desenvolvem a autonomia dacriana. Como diz Paulo Freire Se estivesse claro para ns que foi aprendendo que aprendemos ser possvel ensinar, teramos entendido com facilidade a importncia das experincias informais nas ruas, nas praas, no trabalho, nas salas de aula das escolas, nos ptios dos recreios, em que variados gestos de alunos, de pessoal administrativo, de pessoal docente se cruzam cheios de significao (Freire, 1997:50).

A educao no-formal mais difusa, menos hierrquica e menos burocrtica.Os programas de educao no-formal no precisam necessariamente seguir um sistema seqencial ehierrquico de progresso. Podem ter durao varivel, e podem, ou no, conceder certificados deaprendizagem.Toda educao , de certa forma, educao formal, no sentido de ser intencional, mas o cenriopode ser diferente: o espao da escola marcado pela formalidade, pela regularidade, pelaseqencialidade. O espao da cidade (apenas para definir um cenrio da educao no-formal) marcadopela descontinuidade, pela eventualidade, pela informalidade. A educao no-formal tambm umaatividade educacional organizada e sistemtica, mas levada a efeito fora do sistema formal. Da tambmalguns a chamarem impropriamente de educao informal. So mltiplos os espaos da educao noformal. Alm das prprias escolas (onde pode ser oferecida educao no-formal) temos as OrganizaesNo-Governamentais (tambm definidas em oposio ao governamental), as igrejas, os sindicatos, ospartidos, a mdia, as associaes de bairros, etc. Na educao no-formal, a categoria espao toimportante como a categoria tempo. O tempo da aprendizagem na educao no-formal flexvel,respeitando as diferenas e as capacidades de cada um, de cada uma. Uma das caractersticas da educaono-formal sua flexibilidade tanto em relao ao tempo quanto em relao criao e recriao dos seusmltiplos espaos.Trata-se de um conceito amplo, muito associado ao conceito de cultura. Da ela estar ligadafortemente a aprendizagem poltica dos direitos dos indivduos enquanto cidados e participao ematividades grupais, sejam esses adultos ou crianas. Segundo Gohn ela define a educao no formal como sendo um processo que forma para a vida,a educao no-formal designa um processo de formao para a cidadania, de capacitao para o trabalho, de organizao comunitria e de aprendizagem dos contedos escolares em ambientes diferenciados. Por isso ela tambm muitas vezes associada educao popular e educao comunitria. Gohn (1999:98-99).

A educao no-formal estendeu-se de forma impressionante nas ltimas dcadas em todoo mundo como educao ao longo de toda a vida (conceito difundido pela UNESCO), englobando todasorte de aprendizagens para a vida, para a arte de bem viver e conviver. A difuso dos cursos de autoconhecimento, das filosofias e tcnicas orientais de relaxamento, meditao, alongamentos etc. deixaram de ser vistas como esotricas ou fugas da realidade. Tornaram-se estratgias de resistncia, caminhos de sabedoria. tambm um grande campo de educao no-formal (Gohn, 1999:99).

No se trata, portanto, aqui, de opor a educao formal educao no-formal. Trata-se deconhecer melhor suas potencialidades e harmoniz-las em benefcio de todos e, particularmente, dascrianas.Gostaria, a seguir, de me referir a um exemplo concreto de um espao cada vez mais utilizadopara na educao tanto formal quanto no-formal.A educao no-formal tem outros atributos: ela no , organizada por sries/ idade/contedos; atuasobre aspectos subjetivos do grupo; trabalha e forma a cultura poltica de um grupo.Desenvolve laos de pertencimento. Ajuda na construo da identidade coletiva dogrupo (este um dos grandes destaques da educao no-formal na atualidade);ela pode colaborar para o desenvolvimento da auto-estima do grupo, criando o que alguns analistas denominam, o capital social de um grupo.Fundamenta-se no critrio da solidariedade e identificao de interesses comuns e parte do processo de construo da cidadania coletiva e pblica do grupo. A educao no- formal poder desenvolver, como resultados, uma srie de processos tais como: conscincia e organizao de como agir em grupos coletivos; A construo e reconstruo de concepo (es) de mundo e sobre o mundo; contribuio para um sentimento de identidade com uma dada comunidade; forma o indivduo para a vida e suas adversidades (e no apenas capacitao para entrar no mercado de trabalho); quando presente em programas com crianas ou jovens adolescentes a e