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UNIO DAS INSTITUIES EDUCACIONAIS DO ESTADO DE SO PAULO UNIESP FACULDADES INTEGRADAS TERESA MARTIN LICENCIATURA EM HISTRIA 2007-2010

DORVAL F AGUNDES FURTADO JUNIOR

OS SILNCIOS DA MEMRIA (1969-1974)

So Paulo 2010

DORVAL F AGUNDES FURTADO JUNIOR

OS SILNCIOS DA MEMRIA (1969-1974)

Tese de Concluso de Curso, apresentada para avaliao, para obteno do ttulo de Licenciatura. Perodo noturno. Professor Orientador:

DR. GUTEMBERG ALEXANDRINO RODRIGUES

SO P AULO 2010

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DEDICATRIAEntre todas as pessoas que puderam me auxiliar, dentro de suas possibilidades pessoais, dedico de todo corao este trabalho colaborao pessoal de minha amada esposa ANDRA DOS REIS FURTADO, cujos prstimos inestimveis no se podem calcular. Devido ao seu incentivo e dedicao pude concluir meus estudos bsicos distncia, visto que a natureza do meu servio profissional me impedia de assistir a um curso regular presencial. A ela devo em parte no somente esse quesito, mas tambm meu prprio ingresso no nvel superior de formao. Sem o seu incentivo, sua compreenso, escapar-se-me-iam todas as esperanas de progresso intelectual.

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AGRADECIMENTOSDe forma alguma deixaria de agradecer inspirao de meu professor, Mestre ALEXANDRE CLARO MENDES , Coordenador Geral do Curso de Licenciatura em Histria, cuja presena tem me acompanhado desde o princpio das atividades deste curso. Sempre suas idias, seus argumentos e seus recursos pedaggicos foram exitosos em transmitir o conhecimento e o amor Histria, numa viso subjetiva que lhe pec uliar. Ao meu Professor Orientador, Doutor GUTEMBERG ALEXANDRINO RODRIGUES , cuja presena tambm tem sido uma constante desde os primeiros meses de curso, sendo uma fonte de incentivo devido ao seu prprio exemplo de dedicao e esforo pessoal, mantendo cabedal de conhecimento terico e viso subjetiva muito alm do seu te mpo; forjando em si mesmo algum que prima por transmitir um sentido da historiografia que lhe muito peculiar: introjetar em seus alunos a paixo pela Histria. Ao Professor e Amigo, Mestre KARLENO MRCIO, dedicado, prestativo e compreensivo amigo cristo, defensor de princpios raros no meio acadmico hodierno, como sadia confiana em Deus e respeito por ideais que esto em ameaa de extino: os princpios cristos e uma boa experincia com o Divino. Ao Licenciando DAVID PEREIRA, nobre colega, tem sido um exemplo de pontualidade e participao nas atividades curriculares, no respeito tica entre colegas de curso: solidrio e prestativo. Com alegria, de moto prprio, fao questo que seu nome seja lembrado onde quer que este trabalho seja lido ou analisado. Ao Pastor J OS APARECIDO CORTE, Presidente da Associao Paulista (ASPA) dos Adventistas do 7 Dia Movimento de Reforma, pelos seus prstimos especficos, liberando- me ocasionalmente das minhas atividades ordinrias, como secretrio da entidade acima referida, e das minhas obrigaes especficas como Missionrio para que pudesse concluir meus objetivos intelectuais. De corao agradeo-lhe pelo altrusmo e pela iniciativa em apostar na capacidade do semelhante, em especial do subalterno, sem ter quaisquer obrigaes estatutrias ou interinas que exigissem tal atitude.

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Abri de novo o zper para enfiar mais dois livros comprometedores, que no reparara antes. [...] Ento os homis j no tinham apreendido A Capital, de Ea de Queiroz, por confundir com o homnimo masculino do subversivo Marques? [sic] (SIRKIS, Alfredo. Os Carbonrios Memrias da Guerrilha Perdida. So Paulo: Global, 1980. Pg. 101)

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RESUMO

A presente monografia pretende trazer uma anlise acerca do desenvolvimento da memria existente nas geraes hodiernas a respeito da estrutura repressiva do Regime Militar, em especial o perodo entre 1968 e 1974. Foi efetuado um levantamento referente construo da Doutrina de Segurana Nacional e seu vnculo com os acontecimentos de 31 de maro e 1 de abril de 1964, por ocasio da deposio do ento Presidente da Repblica, Joo Belchior Marques Goulart (popularmente conhecido como Jango). Acompanhou-se o desenvolvimento da Doutrina durante os Atos Institucionais at a deflagrao dos eventos de 13 de dezembro de 1968, com a instaurao do AI-5. A partir desse momento analisa-se a historicidade dos grupos de oposio ao Regime pelos rumos que escolheram como forma de protesto ao endurecimento do Estado de Exceo: luta armada, as expropriaes de capital (assaltos a banco e a carrospagadores) e a formao dos principais grupos clandestinos de esquerda. Apurou-se a contra reao das Foras Armadas atravs da legalizao da tortura como mtodo eficiente de levantamento de informaes. Reconstruiu-se o processo prisional do opositor e do ento considerado subversivo, desde a voz de priso at aos acontecimentos das cmaras de tortura. Aps a tentativa de compreenso do contexto histrico do perodo, proposta uma reflexo sobre a eficincia, a tica e a legalidade do uso da tortura em situaes consideradas emergenciais para a segurana nacional. Aps a anlise crtica, avaliada a memria social resultante do perodo conturbado verificada na comunidade que no conheceu o perodo repressivo: a gerao do sculo XXI. Palavras-Chave: ditadura, tortura, represso, golpe militar, socialismo, totalitarismo.

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ABSTRACT

This monograph aims to bring about an analysis of memory development that was built on the generations of today regarding the structure of the repressive military regime, especially the period between 1968 and 1974. We performed a survey on the construction of the National Security Doctrine and its link with the events of March 31 and April 1, 1964, during the deposition of the then President of the Republic, Joo Be lchior Marques Goulart (popularly known as Jango). Was accompanied by the development of doctrine during the Institutional Acts until the outbreak of the events of December 13, 1968, with the introduction of the AI-5. Thereafter it explores the historicity of the groups opposed to the scheme by paths they have chosen as a protest to the hardening of the State of Exception: armed struggle, the "expropriation" of capital (bank robberies and car-payers) and the formation the main left-wing underground groups. It was found that the reaction against the Armed Forces through the legalization of torture as a method "efficient" information gathering. Rebuilt the process of prison opponent and then considered subversive, since the arrest until the events of torture chambers. After the attempt to understand the historical context of the period, it proposes a reflection on the efficiency, ethics and legality of the use of torture in emergency situations considered for national security. After the review, is valued social memory res ulting from the troubled period found in the community who did not know the period of repression: the generation of the XXI century. Keywords: dictatorship, torture, repression, military coup, socialism, totalitarianism.

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SUMRIO ContedoINTRODUO ........................................................................................................10 A CONCEPO DA DOUTRINA DE S EGURANA NACIONAL .............................. 13 JOO GOULART E O CONTEXTO DE 31 DE MARO DE 1964 .............................. 16 O GRANDE COMCIO NA CENTRAL DO BRASIL, RJ........................................... 19 A REVOLTA DOS MARINHEIROS ....................................................................... 21 O DISCURSO AOS SARGENTOS NO AUTOMVEL CLUBE, RJ ............................ 22 O GOLPE .......................................................................................................... 23 CAPTULO 2 O ATO INSTITUCIONAL N 5 E SUAS CONSEQUNCIAS PARA OS O POSITORES DO REGIME MILITAR ....................................................................................26 OS ATOS INSTITUCIONAIS ................................................................................ 26 O DIA 13 DE DEZEMBRO DE 1968 E A LUTA ARMADA ..................................... 28 IMPLICAES DO AI-5...................................................................................... 28 A ORGANIZAO DA LUTA ARMADA............................................................... 31 ALN (AO LIBERTADORA NACIONAL) .......................................................... 37 COLINA (COMANDO DE LIBERTAO NACIONAL) ......................................... 37 MR-8 (MOVIMENTO REVOLUCIONRIO 8 DE OUTUBRO) ................................. 38 VPR (VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONRIA) ........................................... 39 CAPTULO 3: A CUNHA DE P ENETRAO DAS FORAS ARMADAS ...............42 A TORTURA COMO CUNHA DE PENETRAO ............................................... 42 TECNOLOGIA DO TERROR................................................................................. 43 A PRISO:..................................................................................................... 43 A CHEGADA NO CENTRO DE INFORMAES : .................................................. 45 AS SEVCIAS :................................................................................................. 48 8

CONTRADIES E QUESTIONAMENTOS ............................................................ 50 CAPTULO 4 M EMRIA SOCIAL DA REPRESSO ............................................52 REFLEXO........................................................................................................ 52 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ............................................................................56

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INTRODUONo perodo de pr-estruturao deste trabalho acadmico fui grandemente impressionado pelo impacto que a tomada de poder e a instaurao do Estado de Exceo causaram sociedade brasileira como um todo. Atravs do estmulo do prprio curso de licenciatura, emulando o aluno busca do saber, estive em contato com literatura especfica do perodo, e assisti a dramatizaes cinematogrficas que retratavam essa fase de nossa hist