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TAXAS NO SISTEMA TRIBUTRIO

BRASILEIRO}

YOSHIAKIICHIHARA

o articulista Juiz de Direito Substituto de Segundo Grau, atualmente auxiliando na 9' Cmara Cvel,

Seo de Direito Pblico, do Tribunal de Justia do Estado de So Paulo e Mestre em Direito Tributrio pela PUC-SP.

INTRODUO

As taxas como especle de tributo, exigidos pela Unio, Estados, Municpios e Distrito Federal, no mbito de suas respectivas competncias, apesar da constncia e da infinidade de atuaes onde este tributo cobrado, pouco se tem escrito.

Mesmo na anlise casustica dos precedentes jurisprudenciais, verifica-se que no tm sido examinadas as questes com a profundidade que o tema exige.

Pode-se afirmar, sem perigo de erro, que as questes que envolvem as taxas no sistema jurdico brasileiro, especialmente no que se refere fixao de sua base de clculo, so difceis e muito controvertidas.

1 - Artigo desenvolvido a partir das anotaes da palestra proferida no Instituto dos Advogados de So Paulo em maio de 1997.

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INSTITUIO TOLEDO DE ENSINO 44

A falta de um questionamento mais profundo, em geral, decorre principalmente do pequeno valor da exao envolvida, se considerada a taxa, individualmente e por contribuinte.

Evidentemente, j que o Estado (no sentido amplo), como de..:orrncia do princpio da moralidade, no deveria instituir tributos de duvidosa constitucionalidade e/ou legalidade, mas, na prtica, a teoria ou os princpios constitucionais que limitam o poder de tributar, nem sempre tem sido respeitado pelos legisladores competentes.

Com este enfoque iremos desenvolver o tema proposto.

CONCEITO DE TRIBUTO

A Constituio Federal de 1.988, no obstante tratar exaustivamente de quase todas as matrias, inclusive no que se refere ao sistema tributrio nacional, no chega a definir e nem conceituar o que seja tributo?

Entretanto, examinando sistematicamente as normas integrantes do sistema tributrio, no resta dvida de que a nossa Carta Magna traa os contornos indispensveis conceituao do tributo, alm de outorgar lei complementar a incumbncia de definir o que seja tributo?

Assim, o art. 3 da Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1.966, . . 4

assIm conceItua:

"Tributo toda prestao pecuniria compulsria, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que no constitua sano de ato ilcito, instituda em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada".

2 - Conceito e definio diferem no que se refere ao enfoque e forma de analisar o objeto. De forma singela, pode-se dizer que o conceito delimita o objeto sob o enfoque do contedo e a definio d maior nfase ao aspecto da extenso do objeto.

3 - Confira o art. 146. m, letra "a", da CF. 4 - A Lei n 5.172, de 25 de outubro de 1.966, por fora do art. 7 do Ato Complementar n 36. de

13 de maro de 1.967, foi guindada categoria de Lei Complementar e recebeu a denominao de Cdigo Tributrio Nacional.

YOSHIAKllcHlHARA

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INSTITUIO TOLED DE ENSINO

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Esta conceituao legal sofreu mumeras crticas, que deixaremos de levar em considerao, ressaltando que o legislador no tcnico e cabe ao profissional do direito interpretar e extrair o sentido jurdico da norma posta.

Com efeito, a questo relevante que cabe examinar, numa viso eminentemente jurdica, a da constitucionalidade ou da inconstitucionalidade do conceito.

A verdade que nenhum jurista especializado em direito tributrio argiu a inconstitucionalidade do conceito de tributo previsto no art. 3 do Cdigo Tributrio Nacional.

Assim, analisando o conceito legal, passaremos a destacar as caractersticas do tributo, para concluir que para ser uma obrigao tributria, no basta que algum esteja na contingncia de ter que levar dinheiro aos cofres pblicos, mas deve cumulativamente tipificar:

1) a prestao em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir deve ser compulsria ou obrigatria;

2) no deve ser decorrente de sano de ato ilcito;

3) deve ser institudo ou decorrente de lei; e

4) deve ser cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada vontade legal.

Delimitadas as caractersticas do tributo, extrado do conceito legal, quando algum estiver na contingncia de ter que levar dinheiro aos cofres pblicos, preenchidos os requisitos dos tens 1 a 4, respondendo afirmativamente, sem dvida alguma, estamos diante de uma obrigao tributria.

No basta, todavia, identificar a obrigao como sendo de natureza tributria: necessrio identificarmos a espcie tributria.

Dependendo da espcie, diferem no que se refere aos princpios aplicveis, fatos geradores diferentes etc., o que leva a concluir sobre a importncia da identificao no s do tributo, mas da espcie correspondente.

YOSHIAKIICHIHARAINSTITUIO TOLEDO DE ENSINO 40

3 - CLASSIFICAO DE TRIBUTOS

o direito positivo parece classificar o tributo em trs espcies: I) Impostos;

2) Taxas; e

3) Contribuio de melhoria. 5

No obstante, os doutrinadores do direito tributrio tm apresentado divergncias nesta matria.

RUBENS GOMES DE SOUSA,6 PONTES DE MIRANDA7 e ALFREDO AUGUSTO BECKERs entendem que existem apenas duas espcies, ou seja, impostos e taxas.

Por outro lado, o Prof. GERALDO ATALIBA, 9 tambm adotando a posio bipartida, classifica os tributos em vinculados (taxas e contribuio de melhoria) e no vinculados (impostos). No caso dos tributos vinculados, subdivide em vinculados diretamente (taxas) e vinculados indiretamente (contribuio de melhoria).

A maioria dos doutrinadores do direito tributrio adotam a classificao tripartida10, dentre os quais nos inclumos (impostos, taxas e contribuio de melhoria) (Cf. art. 145, I, 11 e 111, da CF e art. 5 do CTN).

LUCIANO DA SILVA AMARO I I classifica adotando uma tese onde identifica quatro espcies, ou seja, impostos, taxas (de servio, de polcia, de utilizao de via pblica e de melhoria),

5 - Art. 145, I, 11 e m, da CF e art. 5 do CTN. Apenas cabe ressalvar que o termo "contribuies de melhoria", previsto no art. 50 do CTN, deve ser entendido como sendo "contribuio de melhoria". Tal concluso decorre da existncia de apenas uma contribuio de melhoria, bem corno pela aplicao dos critrios hicrrquico e cronolgico a que se referem NORBERTO BOBBIO e MARIA HELENA DINIZ, dentre outros.

6 - Compndio de legislao tributria, So Paulo, Resenha Tributria, 1.975. 7 - Comentrios Constituio de 1.967, com a emenda na I. de 1.969, So Paulo, Revista dos

Tribunais, 1.973. S - Teoria geral do direito tributrio, So Paulo, Saraiva, 1.972. 9 - Hiptese de incidncia tributria, So Paulo, Malheiros, 1.992. 10 - Hugo de Brito Machado, Hamilton Dias de Souza, Paulo de Barros Carvalho, Sacha Calmon

Navarro Coelho, Kiyoshi Harada, Vitria Cassone, Vagner Balera. Eduardo Marcial Ferreira Jardim, dentre outros.

II - Direito tributrio brasileiro, So Paulo, Saraiva, 1.997.

contribuies (sociais, econmicl compulsrios,

IVES GANDRA DA SIL' existncia de cinco espcies contribuio de melhoria, contl compulsrios,

De nossa parte, adotamos a ( taxas e contribuio de melho positivo oferece critrios objeti' dos problemas prticos decorren dos arts. 30 ,4,5 0 ,16,77 e 81 d<

Uma vez identificada a obriga do CTN), diz o art. 40 do CT tributo determinada pelo fato; sendo irrelevantes para qualifi( demais caractersticas formaij destinao legal do produto da s

Evidentemente, se para identi a natureza do fato gerador, SI caractersticas formais e destina< arts. 16,77 e 81 do CTN, oferee classificao tripartida.

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IMPOSTO o tributo cuja uma situao independente especifica relativa ao contribuin

Assim sendo, qualquer obri que tenha como fato gerador qualquer atividade estatal independentemente

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