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    Supremo Tribunal Federal

    AO PENAL N 470

    VOTO

    MINISTRO LUIZ FUX

    ITEM VI Primeira Parte

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    VOTO

    ITEM VI DA DENNCIA PRIMEIRA PARTE

    Senhor Presidente, Senhores Ministros, Senhor Procurador-

    Geral da Repblica, eminentes advogados.

    O item VI da denncia oferecida pelo Ministrio Pblico Federal

    narra a distribuio de vantagem indevida a parlamentares com o

    propsito de compor a base de sustentao poltica do governo federal.

    Nessa seo, a exordial aponta a configurao dos seguintes crimes: (i)

    corrupo ativa (CP, art. 333), (ii) corrupo passiva (CP, art. 317), (iii)

    quadrilha (CP, art. 288) e (iv) lavagem de dinheiro (Lei n 9.613/1998,

    art. 1, V, VI e VII).

    Os ilcitos narrados teriam sido praticados pelos seguintes rus:

    Jos Dirceu de Oliveira e Silva (1 denunciado), Jos Genono Neto (2

    denunciado), Delbio Soares (3 denunciado), Marcos Valrio (5

    denunciado), Ramon Hollerbach (6 denunciado), Cristiano Paz (7

    denunciado), Rogrio Tolentino (8 denunciado), Simone Vasconcelos

    (9 denunciado), Geiza Dias (10 denunciada), Pedro Corra (18

    denunciado), Pedro Henry (20 denunciado), Joo Cludio Genu (21

    denunciado), Enivaldo Quadrado (22 denunciado), Breno Fischberg

    (23 denunciado), Carlos Alberto Quaglia (24 denunciado), Valdemar

    Costa Neto (25 denunciado), Jacinto Lamas (26 denunciado), Carlos

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    Alberto Rodrigues (28 denunciado), Roberto Jefferson (29

    denunciado), Emerson Palmieri (30 denunciado), Romeu Queiroz (31

    denunciado), Jos Borba (32 denunciado), Paulo Rocha (33

    denunciado), Luiz Carlos da Silva (35 denunciado), Joo Magno (36

    denunciado) e Anderson Adauto (37 denunciado).

    Visando ao julgamento mais clere e racional deste feito, o

    Plenrio da Corte entendeu por bem subdividir em tpicos o Item VI

    da acusao. Nesta primeira parte, sero analisadas apenas as condutas

    dos rus que integravam os partidos polticos alegadamente cooptados

    pelo esquema criminoso cognominado de mensalo. So eles:

    (i) 18 denunciado (Pedro Corra) e 20 denunciado (Pedro

    Henry), integrantes do Partido Progressista (PP), e seu

    assessor, o 21 denunciado (Joo Cludio Genu);

    (ii) 22 denunciado (Enivaldo Quadrado) e o 23 denunciado

    (Breno Fischberg), scios da corretora Bnus Banval;

    (iii) 25 denunciado (Valdemar Costa Neto) e o 28 denunciado

    (Bispo Rodrigues), integrantes do Partido Liberal (PL), e o

    tesoureiro do Partido Liberal, poca, o 26 denunciado

    (Jacinto Lamas) e o 27 denunciado (Antnio de Pdua de

    Souza Lamas).

    (iv) 29 denunciado (Roberto Jefferson) e 31 denunciado

    (Romeu Queiroz), integrantes do Partido Trabalhista

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    Brasileiro (PTB), e seu assessor, o 30 denunciado

    (merson Palmieri);

    (v) 32 denunciado (Jos Borba), integrante do Partido do

    Movimento Democrtico Brasileiro (PMDB).

    Imputam-se-lhes, conforme descrio individualizada adiante,

    os crimes de corrupo passiva (CP, art. 317), quadrilha (CP, art. 288)

    lavagem de dinheiro (Lei n 9.613/1998, art. 1, V, VI e VII).

    esse o breve contexto referente ao item VI da denncia, na

    extenso que interessa a esta fase do julgamento. No voltaremos s

    premissas tericas j apresentadas quando do voto exteriorizado em

    relao aos fatos descritos nos itens III, V e IV, nem tampouco ser

    feita, nesta ocasio, uma anlise dos crimes imputados aos rus em

    outros itens da pea vestibular de acusao. Este voto relativo ao item

    VI da denncia cingir-se-, essencialmente, anlise das condutas

    praticadas pelos rus j indicados, segundo a organizao articulada

    na pea acusatria.

    Partido Progressista (PP)

    Dos fatos imputados

    O 18 ru (Pedro Corra), o 20 ru (Pedro Henry) e o 21 ru

    (Joo Cludio Genu) respondem a esta ao penal pelos ilcitos de

    quadrilha (CP, art. 288), de corrupo passiva (CP, art. 317) e de

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    lavagem de dinheiro (Lei n 9.613/1998, art. 1, incisos V, VI e VII). J o

    22 ru (Enivaldo Quadrado) e o 23 ru (Breno Fischberg) respondem

    pelos crimes pelos crimes de quadrilha (CP, art. 288) e de lavagem de

    dinheiro (Lei n 9.613/1998, art. 1, incisos V, VI e VII), no lhes tendo

    sido imputado o ilcito penal de corrupo passiva.

    Segundo narra a denncia, o 18 ru (Pedro Corra) e o 20 ru

    (Pedro Henry) teriam recebido, por intermdio 21 ru (Joo Cludio

    Genu), o montante de R$ 2.905.000,00, em razo da condio de

    deputados federais e, respectivamente, presidente de sua agremiao

    (Pedro Corra) e lder do partido na Cmara dos Deputados (Pedro

    Henry) durante o perodo referente ao escndalo do mensalo.

    As operaes ocorreram nos dias 17 de setembro de 2003 (R$

    300.000,00), 24 de setembro de 2003 (R$ 300.000,00), 8 de outubro de

    2003 (R$ 100.000,00), 13 de janeiro de 2004 (R$ 200.000,00) e 20 de

    janeiro de 2004 (R$ 200.000,00). Segundo narra a denncia, Joo Carlos

    Genu admitiu as operaes, sempre precedidas, segundo ele, de

    autorizao de Pedro Corra e Jos Janene (depoimento s folhas 576 a

    583). Simone Vasconcelos tambm confirmou as operaes (folhas 588

    a 595).

    Ademais, o 18 ru (Pedro Corra) utilizou outra sistemtica

    para a obteno de recursos ilcitos, valendo-se da intermediao das

    empresas Bnus Banval e Natimar Negcios e Intermediaes Ltda.,

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    especializadas em lavagem de dinheiro. Aponta a ocorrncia de saques

    nos dias 23 e 24 de maro de 2004 (R$ 300.000,00, responsvel ureo

    Marcato), 16 de junho de 2004 (R$ 50.000,00, responsvel Luiz Carlos

    Masano) e 10 de setembro de 2004 (R$ 255.000,00, responsvel Benoni

    Nascimento), que totalizaram R$ 605.000,00, todos efetuados

    empregados da Bnus Banval. Alude aos depoimentos de Marcos

    Valrio e Enivaldo Quadrado, que confirmam as operaes.

    A capitalizao da Bnus Banval era efetuada, igualmente,

    mediante obteno de emprstimos junto ao Banco BMG, contrados

    por Rogrio Lanza Tolentino & Associados. Em 26 de abril de 2004 foi

    contrado o mtuo no importe de R$ 9.962.440,00, sendo que, no

    mesmo dia, o dinheiro foi transferido para a Bnus Banval e 2S

    Participaes, esta ltima de propriedade de Marcos Valrio (folhas

    33.596/33.600). Alude existncia de laudo pericial comprobatrio de

    que todos os recursos recebidos pela Bnus Banval foram

    encaminhados internamente para a conta da empresa Natimar (folhas

    483 a 495, Apenso n 85, Volume 2).

    Demonstrou-se, ainda, a ocorrncia de sete operaes de

    lavagem de dinheiro feitas por intermdio das referidas empresas

    mencionadas em valores menores. So elas: 13 de setembro de 2004 (R$

    12.000,00 Gisele Merolli Miranda e Regina Merolli Miranda), 13 de

    setembro de 2004 (R$ 10.000,00 Aparcio de Jesus e Selmo Adalberto

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    de Carvalho), 7 de julho de 2004 (R$ 25.000,00 Frederico Climaco

    Schaefer, Mariana Climaco Schaefer e Adolfo Luiz de Souza Gis), 2 de

    setembro de 2004 (R$ 7.900,00 Emerson Rodrigo Brati e Danielly

    Cintia Carlos), 13 de setembro de 2004 e julho de 2004 (dois depsitos

    de R$ 10.000,00 Valter Colonello), 2 de setembro de 2004 (R$

    11.000,00 Laurito Defaix Machado), 2 de setembro de 2004 (R$

    11.400,00 Jos Rene de Lacerda e Fernando Cesar Moya). Os

    documentos dos aludidos beneficirios sempre revelaram alguma

    conexo com a agremiao partidria do 18 ru.

    Em contrapartida, o 18 ru (Pedro Corra) e o 20 ru (Pedro

    Henry) ofereceriam o apoio poltico do seu partido aos projetos do

    Partido dos Trabalhadores, ento no comando do Governo federal. O

    objetivo era facilitar a governabilidade do pas. J o 21 (Joo Cludio

    Genu), assessor dos parlamentares, auxiliaria-os na empreitada

    criminosa.

    O 18 ru (Pedro Corra) na sua defesa articula a negativa de

    sua participao em todos os fatos que lhes so imputados. Nesse

    contexto, os principais argumentos da sua defesa podem ser assim

    sintetizados: i) o acusado no teve qualquer participao nos ilcitos

    narrados pelo MPF, na medida em que toda a aproximao entre os

    supostos integrantes da quadrilha fora feita pelo falecido Jos Janene;

    ii) o MPF no descreveu qualquer conduta especfica adotada pelo 18

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    ru nas operaes realizadas pela Bnus Banval; iii) o 18 ru sequer

    conhecia as empresas Bnus Banval e Natimar ou seus scios Enivaldo

    Quadrado, Breno Fischberg e Carlos Alberto Quaglia; iv) todos os

    recursos transferidos pelas empresas NATIMAR e BNUS BANVAL

    para as pessoas mencionadas na denncia tiveram por destino o

    Estado do Paran e pessoas ligadas a campanhas polticas aliadas do

    Deputado JOS JANENE, o que comprova que o 18 ru (Pedro

    Correa) no participou do recebimento e distribuio dos recursos

    supostamente ilcitos; v) ainda que Joo Cludio Genu tivesse recebido

    R$ 2.900.000,00 dois milhes e novecentos mil reais), e no apenas os

    R$ 700.000,00 (setecentos mil reais) por ele reconhecidos, no existe

    qualquer tipo de prova no sentido de que o 18 ru (Pedro Corra)

    tivesse conhecimento deles ou de que estes lhe tenham sido, de

    qualquer forma, entregues para finalidades ilcitas; vi) toda a

    importncia recebida por GENU foi destinada ao pagamento do

    advogado Paulo Goyaz nomeado para a defesa do Deputado Ronivon

    Santiago, um dos membros da bancada, que era ru em diversos

    processos judiciais. Dessa maneira, os valore