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  • Sumrios de Acrdos do Supremo Tribunal de Justia Seces Cveis

    Fevereiro de 2017 1

    Responsabilidade extracontratual

    Dever de vigilncia

    Dever de diligncia

    Menor

    Morte

    Condomnio

    Propriedade horizontal

    Partes comuns

    Ilicitude

    Pressupostos

    Omisso

    Presuno de culpa

    Posse

    Domnio pblico

    I - O pressuposto da ilicitude que integra a responsabilidade civil extracontratual no prescinde da

    verificao de alguma situao que traduza a violao de direito de outrem ou de normas

    destinadas a tutelar interesses alheios.

    II - A morte de um menor resultante da queda num reservatrio de gua atravs de uma das tampas

    que estava sem cadeado apenas susceptvel de determinar a responsabilidade civil dos

    terceiros, por omisso de dever de diligncia, se os mesmos, relativamente a essa estrutura,

    tinham o dever de conservao ou de vigilncia decorrente de lei ou de negcio jurdico, nos

    termos dos arts. 492., n. 1, e 493., n. 1, do CC.

    III - Tratando-se de um reservatrio de gua que estava colocado no subsolo de uma parcela

    integrada no domnio pblico municipal e fora dos limites de implantao dos edifcios, a

    prova de que o mesmo estava ligado a um sistema de bombagem colocado no interior de um

    dos edifcios para abastecer as bocas de incndio dos pisos superiores insuficiente para

    responsabilizar os proprietrios de fraces autnomas pelo acidente que nele ocorreu, por

    falta de demonstrao de um vnculo que obrigasse os condminos dos referidos prdios a

    vigiar e conservar o referido reservatrio.

    IV - Para o efeito contribui o facto de o depsito no constar do processo de licenciamento

    urbanstico como estrutura particular, nem ser considerada nos ttulos constitutivos da

    propriedade horizontal como parte comum de algum ou de todos os edifcios, alm de no se

    ter provado sequer uma situao de posse dos condminos relativamente ao reservatrio (art.

    492., n. 1, do CC), nem qualquer outro vnculo de natureza real ou obrigacional que lhes

    impusesse o dever de vigiar a referida estrutura, nos termos do art. 493., n. 1, do CC.

    02-02-2017

    Revista n. 658/07.0TBBRR.L2.S1 - 2. Seco

    Abrantes Geraldes (Relator) *

    Tom Gomes

    Maria da Graa Trigo

    Nulidade de acrdo

    Excesso de pronncia

    Poderes do Supremo Tribunal de Justia

    Matria de direito

    Matria de facto

    Confisso

    Fora probatria plena

    Prescrio

    Interrupo da prescrio

    Processo pendente

    Processo penal

  • Sumrios de Acrdos do Supremo Tribunal de Justia Seces Cveis

    Fevereiro de 2017 2

    I - O STJ julga essencialmente matria de direito e so excepcionais as interferncias na matria de

    facto. Apesar disso, h que contar com a excepo prevista no art. 674., n. 3, do CPC e, alm

    disso, com a necessidade de ponderar integrar no acrdo matria plenamente provada.

    II - Assim acontece, designadamente, quando o confronto com os articulados revelar que existe

    acordo das partes quanto a determinado facto, quando o facto alegado por uma das partes foi

    objecto de declarao confessria com fora probatria plena que no foi atendida ou quando

    esse facto encontra demonstrao plena em documento junto aos autos, naquilo que dele

    emerge com fora probatria plena, incluindo a eventual confisso nele manifestada.

    III - Sem embargo de no n. 3 do art. 674. do CPC estas situaes no se encontrarem formalmente

    assinaladas nos preceitos que especificamente delimitam a esfera de poderes do STJ e o

    mbito do recurso de revista, parece evidente que a ponderao de factualidade que esteja

    plenamente provada, como questo de direito que realmente , deve ser considerada (art. 5.,

    n. 3, do CPC). Tal concluso pode ser ainda reforada mediante a invocao da aplicao

    remissiva ao recurso de revista (com as devidas adaptaes) do disposto no art. 607., n. 2, ex

    vi, arts. 663., n. 2, e 679. do CPC.

    IV - Constando do acrdo da Relao os factos essenciais relacionados com a instaurao,

    pendncia e arquivamento do processo-crime e com a deduo do pedido cvel por parte da

    me do ora autor, agindo em representao deste, e tendo sido a partir deles que, com diversa

    argumentao, se assumiu no acrdo reclamado que a extino do prazo prescricional no

    ocorreu no fim do perodo normal, no se verifica a nulidade apontada pelos rus de excesso

    de pronncia.

    02-02-2017

    Incidente n. 366/13.2TNLSB.L1.S1 - 2. Seco

    Abrantes Geraldes (Relator) *

    Tom Gomes

    Maria da Graa Trigo

    Recurso de revista

    Admissibilidade de recurso

    Oposio de julgados

    Taxa de justia

    Reduo

    Matria de direito

    Especial complexidade

    Reclamao para a conferncia

    I - A admissibilidade do recurso de revista ao abrigo do art. 629., n. 2, al. d), do CPC com

    fundamento em oposio ou contradio de acrdos implica que os tribunais decidam

    diferentemente em caso de mesma ou idntica situao de facto, gerando naturalmente a

    necessidade de apreciao por tribunal superior.

    II - No est, por conseguinte, em causa saber se qualquer deles decidiu bem ou no, nem apurar se

    a fundamentao de ambos permitiria ou no diferena das decises.

    III - O que importa apurar se objectivamente existe ou no divergncia entre as duas decises em

    comparao, sobre a mesma questo de direito e no domnio da mesma legislao.

    IV - Se o art. 6., n. 7, do RCP faz depender do critrio de complexidade processual a eventual

    reduo da taxa de justia, tal critrio no constitui, embora esteja plasmado em norma legal,

    uma questo jurdica passvel de divergncias de entendimentos hermenuticos ou de

    enquadramentos normativos divergentes.

    V - A complexidade do caso um conceito valorativo, um critrio de avaliao para a reduo

    adequada da taxa de justia, que se funda na apreciao da dificuldade ou actividade intrnseca

    da causa, desenvolvida pelos tribunais em cada processo apreciado e decidido, e, como tal,

    insusceptvel de originar uma contradio sobre a mesma questo de direito legitimadora da

    admissibilidade do recurso de revista.

  • Sumrios de Acrdos do Supremo Tribunal de Justia Seces Cveis

    Fevereiro de 2017 3

    02-02-2017

    Revista n. 137/08.8TBLSA-C.L1.S1 - 2. Seco

    lvaro Rodrigues (Relator)

    Bettencourt de Faria

    Joo Bernardo

    Caso julgado

    Limites do caso julgado

    Extenso do caso julgado

    Bem imvel

    Venda judicial

    Trnsito em julgado

    Prdio

    Terreno

    Registo predial

    Inscrio matricial

    Omisso

    Acesso industrial

    Enriquecimento sem causa

    Usucapio

    Posse

    Aco executiva

    Ao executiva

    Penhora

    I - O caso julgado tem como limites os que decorrem dos prprios termos da deciso (art. 673. do

    CPC). Trata-se de um corolrio do conhecido princpio dos praxistas enunciado na frmula

    latina: tantum judicatum quantum disputatum vel disputari debetat.

    II - Mesmo para quem entenda que relativamente autoridade do caso julgado no exigvel a

    coexistncia da trplice identidade, ser sempre em funo do teor da deciso que se mede a

    extenso objectiva do caso julgado e, consequentemente, a autoridade deste.

    III - Estando a moradia em causa nos autos omissa no registo predial, onde apenas estava registado

    o terreno em que a mesma foi edificada, sem aluso a qualquer construo, a dita construo

    no revela autonomia jurdica em relao ao terreno, acompanhando o destino deste como

    mera coisa nele implantada.

    IV - No tendo os tribunais nem as conservatrias conhecimento de tal construo, e no tendo os

    executados que a haviam erguido informado o tribunal nem mesmo na fase executiva

    quando ningum melhor do que eles poderia ter esclarecido a situao predial daquela

    construo no se verificam os pressupostos da acesso industrial imobiliria nem do

    enriquecimento sem causa pelo facto do ttulo de transmisso da propriedade para os

    arrematantes em aco executiva, transitada em julgado, apenas referir o terreno tout court,

    no mencionando qualquer construo nele implantada em resultado da omisso do dono do

    terreno em inscrever tal construo no registo predial e na matriz.

    V - O conceito de prdio amplo, abrangendo construes edificadas no mesmo terreno, pelo que

    se impunha uma inscrio predial e matricial que individualizasse a construo em causa,

    autonomizando-a do solo onde est implementada, sob pena desta dualidade material, por no

    se encontrar individualizada, estar integrada num nico prdio, como aconteceu.

    VI - Tendo ocorrido a penhora do terreno por fora da execuo instaurada contra o pai da

    recorrente, deixou de haver posse para efeitos de usucapio pelo ento executado e,

    logicamente, pelos seus familiares com ele conviventes.

    02-02-2017

    Revista n. 4553/11.0TBMAI.P1.S1 - 2. Seco

    lvaro Rodrigues (Relator)

  • Sumrios de Acrdos do Supremo Tribunal de Justia Seces Cveis

    Fevereiro de 2017 4

    Bettencourt de Faria

    Joo Bernardo

    Investigao de paternidade

    Legitimidade activa

    Legitimidade ativa

    Caducidade

    Constitucionalidade

    Princpio do contraditrio

    Princpio da igualdade

    Deciso surpresa

    Audio prvia das partes

    Conhecimento oficioso

    Descendente

    Tribunal Constitucional

    Sucesso de leis no tempo

    Prazo de caducidad