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Processo n. 15 / 2010 1

Processo n. 15 / 2010

Recurso de Deciso Jurisdicional em Matria Administrativa

Data da conferncia: 14 de Maio de 2010

Recorrente: Sociedade de Transportes Colectivos de Macau, SARL

Recorridos: Chefe do Executivo

Sociedade de Transportes Pblicos Reolian, SA

Transmac Transportes Urbanos de Macau, SARL

Principais questes jurdicas:

- Suspenso de eficcia de actos administrativos

- Admissibilidade de prova testemunhal

- Natureza do acto

- Prejuzo de difcil reparao

- Grave leso do interesse pblico

SUMRIOS

inadmissvel a prova testemunhal no processo de suspenso de eficcia de

actos administrativos.

O acto que no admite a proposta de uma concessionria a concorrer no

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concurso pblico tendente renovao da concesso de contedo negativo com

vertente positiva.

A dificuldade de reparao do prejuzo deve avaliar-se atravs de um juzo de

prognose relativo a danos provveis, tendo em conta o dever de reconstruo da

situao hipottica pela autoridade administrativa na sequncia de uma eventual

sentena de anulao.

O encerramento e liquidao duma empresa concessionria de transportes

colectivos pblicos com o despedimento de cerca de 380 trabalhadores constituem

prejuzos provveis a ser causados pelo acto de no admisso de proposta de

requerente para o respectivo concurso pblico e de difcil reparao.

A suspenso do acto de no admisso de proposta ao concurso pblico para

servio pblico de transportes colectivos rodovirios de passageiros no determina

grave leso do interesse pblico concretamente prosseguido pelo acto.

O Relator: Chu Kin

Processo n. 15 / 2010 1

Acrdo do Tribunal de ltima Instncia

da Regio Administrativa Especial de Macau

Recurso de deciso jurisdicional em matria administrativa

N. 15 / 2010

Recorrente: Sociedade de Transportes Colectivos de Macau, SARL

Recorridos: Chefe do Executivo

Sociedade de Transportes Pblicos Reolian, SA

Transmac Transportes Urbanos de Macau, SARL

1. Relatrio

Sociedade de Transportes Colectivos de Macau, SARL requereu perante o

Tribunal de Segunda Instncia a suspenso de eficcia do acto do Chefe do Executivo

de 19 de Dezembro de 2009 que indeferiu o recurso hierrquico interposto da deciso

de no admisso da proposta apresentada em 24 de Novembro de 2009 pela

requerente ao concurso pblico para servio pblico de transportes colectivos

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rodovirios de passageiros de Macau.

Por acrdo do Tribunal de Segunda Instncia de 4 de Maro de 2010

proferido no processo n. 82/2010/A, o pedido de suspenso de eficcia de acto

administrativo foi indeferido.

Inconformada com a deciso, a requerente recorreu deste acrdo para o

Tribunal de ltima Instncia, apresentando as seguintes concluses teis nas suas

alegaes:

- A prova testemunhal requerida pela recorrente, a par de toda a prova

documental junta aos autos, manifestamente relevante para a boa deciso da causa;

- Se certo que da lei no resulta prevista a possibilidade da indicao de

prova testemunhal e respectiva inquirio, certo tambm que dela no resulta a sua

proibio, ou sequer a sua inadmissibilidade;

- O douto acrdo recorrido violou, nesta parte, o disposto nos art.s 6. e 8.

do CPC, aplicveis ex vi art. 1. do CPAC;

- A recorrente uma empresa que se dedica exclusivamente ao transporte

pblico de passageiros na RAEM, sendo esta a sua nica actividade, sendo pois, a

consequncia necessria e directa da sua excluso do Concurso Pblico a sua

dissoluo e liquidao;

- Encontrando-se designado o ms de Maro de 2010 para a Comisso de

Avaliao propor a adjudicao das seces aos proponentes aceites e, sendo certo

que a concesso de explorao do servio pblico de transporte de passageiros

atribuda recorrente e ora em vigor, expira a 14 de Outubro de 2010, a deciso a

proferir sobre o recurso contencioso de anulao nunca ser tomada em tempo til de

reintegrar, como se espera, a recorrente no referido Concurso Pblico;

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- Muitos dos bens que constituem o patrimnio da recorrente tero que ser

vendidos a baixo preo, e outros tero forosamente que ser destrudos porque no

sero absorvidos em qualquer outra actividade;

- Todos os danos econmicos que se repercutiro na esfera jurdica da ora

recorrente so insusceptveis de uma avaliao pecuniria rigorosa, de uma

quantificao ou determinao, pelo que tero que ser considerados como prejuzos

de difcil reparao;

- A Doutrina e a Jurisprudncia so unanimes em reconhecer que os prejuzos

decorrentes de actos que importem inibio ou restrio do exerccio de indstria,

comrcio ou cessao de actividades profissionais livres so de considerar como

irreparveis ou de difcil reparao, por se tratar de situaes que, normalmente,

originam lucros cessantes de montantes indeterminveis com rigor, e que acarretam

outras consequncias de difcil quantificao, entre as quais, a satisfao dos

compromissos j assumidos ou a cessao de relaes laborais;

- Da extino e liquidao da sociedade advir o inevitvel despedimento

colectivo dos seus 383 trabalhadores, fazendo-a incorrer em pagamentos de avultadas

indemnizaes compensatrias;

- A liquidao do patrimnio da recorrente que possa ser vendido ser

realizada por um valor substancialmente inferior quele que se encontra contabilizado,

o que constitui um facto notrio;

- A recorrente no poder assumir os seus compromissos para com a banca, e

cujas dvidas ascendem ao montante global de MOP$14,662,912.00, as quais se

vencem de imediato com a liquidao da sociedade;

- Ainda que se entenda que estamos perante danos susceptveis de restaurao

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natural, o que no se concede, essa reparao, por se mostrar excessivamente

dolorosa para a recorrente (e de difcil execuo), sempre ser susceptvel de

provocar danos excessivos comparados com aqueles (danos irreversveis) que

resultariam da suspenso;

- A execuo imediata do acto suspendendo impe recorrente o nus de

suportar um extenso e penoso encargo, conduzindo-a para o desfecho final da sua

morte antecipada, suportando ainda avultados encargos com os pagamentos das

compensaes pecunirias aos seus trabalhadores e com as dvidas banca,

obrigando-a venda forada de parte do seu patrimnio e destruio do patrimnio

restante;

- O interesse pblico invocado para impedir a suspenso no pode ser um

interesse genrico subjacente prtica de qualquer acto administrativo, mas antes um

interesse especfico, concreto, que exija a produo imediata do acto suspendendo, o

que no sucede in casu;

- No se vislumbra in casu qualquer razo concreta e real de interesse pblico

relevante que se possa sobrepor ao interesse da requerente;

- O princpio da tutela judicial efectiva atribui aos juzes amplos poderes

cautelares, legitimando-os a adoptarem a medida cautelar que, em cada situao, se

afigure mais idnea para assegurar a eficcia e utilidade da sentena final;

- A deciso recorrida violou nesta matria o disposto nos art.s 2. e 121. do

CPAC.

Pedindo que seja dado provimento ao recurso e deferida a requerida suspenso

da eficcia do acto impugnado.

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O Chefe do Executivo, ora recorrido, apresentou as seguintes concluses nas

suas alegaes:

1. O acto cuja eficcia se pretende suspender ser negativo sem qualquer

vertente positiva, pelo que no rene os pressupostos para ser suspensa a sua eficcia;

2. Sem conceder, os prejuzos alegados pela Impetrante no tm nexo de

causalidade que permitam ser imputados ao acto a suspender mas, outrossim, ao

Contrato de Concesso com termo certo;

3. Os alegados prejuzos encontram-se perfeitamente liquidados pela

recorrente, pelo que sempre podero ser compensados pecuniariamente;

4. Se demonstrou o grave prejuzo para o interesse pblico na no imediata

execuo da deciso impugnada, por:

I) paralisar a actividade da administrao na implementao da nova rede de

transporte pblico rodovirio, a qual, por um lado, prejudicar por tempo

indeterminado a implementao de medidas de promoo da mobilidade pblica em

Macau;

II) e por outro tornar incerta e provavelmente agravar as condies

contratuais aps a caducidade do contrato de 8 de Outubro de 2008, dependentes do

acordo com os actuais concessionrios;

III) dado o prazo legal relativo a validade das propostas a eventual suspenso

ir determinar a possibilidade dos concorrentes de no manterem as condies da

proposta, o que poder onerar o concurso ou mesmo determinar a sua anulao, com

prejuzos de tempo irrecuperveis;

5. Em suma, todo o alegado pela recorrente no presente recurso improcede por

a mesma no beneficiar em nada com a eventual suspenso de eficcia do acto, bem

Processo n. 15 / 2010 6

como no ter ficado provado nem o nexo de causalidade nem to pouco que o

prejuzo seja de difcil reparao, acrescendo ainda a demonstrada grave leso para o

in

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