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  • Manual de manejo de abelhas

    sem ferroAstrid de Matos Peixoto Kleinert

    & Paulo Csar Fernandes

    agosto/2007n. 001

  • SumrioCriao e manejo de abelhas indgenas sem ferro pg. 05

    Diferenas entre abelhas sem ferro e abelhas europias pg. 05

    Abelhas sem ferro pg. 06

    Localizao dos ninhos pg. 07

    Material de construo dos ninhos pg. 08

    Arquitetura dos ninhos pg. 09

    Manejo de abelhas sem ferro pg. 14

    Diviso de ninho pg. 18

    Manuteno da criao pg. 19

    Livros e sites pg. 21

  • IntroduoO Instituto de Desenvolvimento Ambiental Sustentvel-IDEAS uma ONG que tem como misso a proteo da biodiversidade, a conser-vao do meio ambiente e a promoo de aes para o desenvolvimento hu-mano, social, institucional e ambiental na regio do Alto Paranapanema e demais reas de domnio da Mata Atlntica.

    O Instituto atua como catalisa-dor de mudanas, atravs de aes interinstitucionais pr-ativas e parti-cipativas, que integrem e promovam o conceito de desenvolvimento sus-tentvel.

    Dentre os seus projetos destaca-se o Agroecolgico, que visa uma

    mudana nas praticas agr-colas utilizadas na regio do Alto Paranapanema, especialmente no entorno do Parque Estadual Interva-

    les, buscando a implantao de prticas sustentveis de produo. Dentre estas,

    destacam-se a produo em sis-temas agroflorestais (SAF s), o manejo racional de pastagens, a produo em sistemas agrosilvopastoris, a re-cuperao das reas de preservao

    permanente (por exemplo, as matas ao longo dos rios), propiciando a con-servao dos recursos hdricos e do solo. Todas estas prticas so prprias para a produo familiar e com grande potencial de atuar na melhoria da qualidade de vida do produtor e de sua fam-lia, tanto na segurana alimentar, quanto na agregao de valor devido produo ecologicamente correta e socialmente justa.

    Para isso o IDEAS busca parcerias nos setores p-blico e privado para atuar diretamente na questo. Age na extenso rural, apresentando tais tcnicas e prticas aos produtores, alm de promover cursos de sensibilizao e capacitao ambiental, tambm auxilia na recupe-rao das florestas e na implantao destes modelos de produo. Neste contexto, este curso de manejo de abelhas nativas central, uma vez que pode agir tanto no processo de sensibilizao, restabelecendo uma relao entre o produtor e a natureza, quanto na gerao de renda atravs de praticas agrcolas sustentveis.

  • autores:

    A Profa. Dra. Astrid de Matos Peixo-to Kleinert professora associada do Departamento de Ecologia da Univer-sidade de So Paulo, desenvolvendo importante trabalho de pesquisa com abelhas nativas. Alm disso, possui larga experincia na extenso aca-dmica, onde busca levar os conheci-mentos produzidos na academia para as comunidades externas a ela, pos-sibilitando a difuso e a pronta utiliza-o destes por toda a comunidade.

    Paulo Csar Fernandes tcnico do Departamento de Ecologia da Univer-sidade de So Paulo e graduado em comunicao social com especiali-zao em jornalismo, onde participa de diversas pesquisas nas diferentes linhas do departamento. Tm partici-pado ativamente de vrios trabalhos do Laboratrio de Abelhas, onde vm tendo particular importncia na ex-tenso universitria, especialmente nos cursos de manejo oferecidos aos mais diversos pblicos, incluindo ai os produtores de mel.

    Diretoria Executiva:

    Nelson Batista (Presidente), Emma-nuel Scrates Batista Dias de Souza (Vice-presidente), Eduardo Pires de

    Campos (1Tesoureiro), Jos Gilberg da Cunha (2 Tesoureiro).Conselho Fiscal:

    Saul Batista da Silveira, Matheus Viotto Bezerra, Antonio Mauro Men-dona Barbosa, Rubens de Lima.

    Secretaria Executiva:

    Paulo Ricardo Silva Gobbo (Secret-rio executivo), Cristina Beatriz Cruz (Assistente tcnico e administrativo), Michele de Souza (Estagiria).

    Coordenao do Projeto:

    Alexandre Camargo Martensen, Ana Claudia Rocha Braga.

    Equipe tcnica:

    Clayton Nunes, Adriano Arruda, Juarez Ferreira, Denis Carvalho

  • Pg.

    Criao de abelhas indgenas sem ferro

    As abelhas indgenas sem ferro, ou meliponneos, so encontradas exclusivamente nas regies tropicais e subtropicais do mundo. No Brasil, mais de 300 espcies j foram descritas, e estima-se que existam cerca de 800 espcies (J.M.F. Camargo & S. Pedro, comunicao pessoal).

    Como quase todas as outras espcies de abelhas, as abelhas indgenas sem ferro coletam seu alimento nas flores: plen, fonte de protenas, e nctar (fonte de acares). O nctar depois transformado em mel dentro da colnia. Existem algumas excees, como a abelha limo (Lestrimelitta), que no coleta seu prprio alimento, roubando-o das colnias de outras espcies, e algumas espcies necrfagas, isto , que se alimentam de carnia (como por exemplo, Trigona hypogea).

    Diferenas entre abelhas sem ferro e abelhas europias

    As abelhas sem ferro (como a jata, a mandaaia, a guaraipo, etc.) so diferentes das abelhas europias (Apis mellifera) em 4 aspectos principais:

    a) Os favos de cria so horizontais, formando discos, ou em cachos; nas abelhas europias todos os favos so verticais.

    Favos de cria horizontal Favo de cria em cacho

    Favos de abelhas europias

  • Pg.

    abelhas sem ferro

    b) O alimento (plen e mel) guardado em potes especiais, geralmente ovalados; nas abelhas europias, o alimento armazenado em favos iguais aos favos onde a cria co-locada

    c) A alimentao da cria massal, ou seja, todo o alimento necessrio para que o ovo se desenvolva at chegar o adulto colocado de uma s vez na clula de cria; nas abelhas europias, as larvas so alimentadas progressivamente pelas operrias.

    Potes de plen - abelhas sem ferro Favo de abelhas europias

    Favo de cria de abelhas sem ferro Favo de abelhas europias

    d) Quando vo formar uma nova colnia, a rainha virgem quem parte com o enxame; nas abelhas europias, o enxame parte com a rainha velha; a nova (virgem) fica na colnia. Nas abelhas sem ferro, o contato entre a colnia nova e a antiga pode durar at 6 meses; nas abelhas europias, depois da partida, no existe mais contato entre as abelhas que ficaram e as abelhas que foram com o enxame.

  • Pg.

    localizao dos ninhos

    A maior parte das espcies de abelhas sem ferro faz seus ninhos dentro de ocos (em rvores, em muros de pedra; ou subterrneos, em ninhos abandonados de savas e de cupins). Algumas espcies, como a irapu, fazem ninhos areos, que so geralmente apoiados em forquilhas de rvores.

    Rainha virgem de abelha sem ferro Enxame de abelhas europias

    Ninho de jata em oco de rvore Ninho de jata em muro de pedra

    Ninho de guiruu no cho Ninho areo de irapu

  • Pg.

    Material de construo dos ninhos

    O principal material de construo do ninho o cerume, que uma mistura de cera, fabricada pelas abelhas, e de prpolis, resina vegetal que elas coletam das plantas.

    Materiais de construo de ninhos de abelhas sem ferro: cerume, cera e prpolis

    Cerume

    Cera

    Prpolis

    Algumas espcies utilizam barro para construo de partes do ninho, como a entrada. comumente encontrado nos ninhos de abelhas do gnero Melipona, como a mandaaia, a manduri, a guaraipo.

    Entrada de ninho de Melipona feita de barro e prpolis

  • Pg.

    arquitetura dos ninhos

    a) Batume.As abelhas sem ferro revestem seus ninhos externamente com uma mistura de pr-

    polis e cerume. Este revestimento externo chamado de batume e, nas espcies do gne-ro Melipona, alm de prpolis e cerume, adicionado barro. O batume pode ser perfurado, facilitando a entrada e circulao do ar dentro do ninho. Desta forma, as abelhas protegem seus ninhos e vedam todo acesso ao exterior que no seja a entrada do ninho.

    Batume perfurado da jandara do Acre Batume revestindo a parte externa do ninho de jata

    b) Entrada dos ninhos.A forma das entradas dos ninhos de abelhas sem ferro caracterstica da espcie e

    pode auxiliar na sua identificao.

    Entrada de ninho de mandaaia Entrada de ninho de mandaguari

  • 10Pg.

    Entrada de ninho de mirim-preguia Entrada de ninho de mirim

    Entrada de ninho de jata-da-terra Entrada de ninho de mirim

    A entrada comunica o ambiente externo com o interior dos ninhos. por ela que as abelhas saem para coletar alimento, gua, barro, etc. A entrada geralmente desemboca na regio de cria, onde esto os favos.

    c) Favos de cria e invlucro.Na maior parte das espcies que constri favos de cria horizontais, os favos so envol-

    tos por lminas de cerume, chamadas, no conjunto, de invlucro. Algumas espcies, como a mirim-guau, no constroem invlucro, e os favos so presos no cho do ninho por meio de trabiques, que so estruturas feitas tambm de cerume. Nas espcies que tm clulas em cacho, como a moa-branca, no existe invlucro.

  • 11Pg.

    Invlucro

    Favos de cria e invlucro de guaraipo Favos de cria e trabiques de mirim-guau

    Trabiques

    As clulas de cria so construdas pelas operrias. Quando esto prontas, ou seja, com um colar acima do nvel do favo (que vai ser usado para fechar a clula), o alimento colocado dentro, a rainha pe o ovo e a clula fechada pelas operrias. Todo o desenvol-vimento do ovo at o indivduo adulto se d dentro da clula fechada. Depois de 30, 40 dias ou mais (dependendo da espcie), nasce um indivduo adulto, que pode ser uma operria, um macho ou uma rainha virgem.

    Clula de cria na fase de colar

    Operrias

    rainha

    Favos de cria em construo Rainha fecundada colocan