sumário executivo - pesquisa diagnóstico da cultura de acesso à informação no brasil

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Pesquisa diagnstico sobre a cultura de acesso informao no Brasil coordenada pelo Prof. Phd Roberto DaMatta a pedido da Controladoria Geral da Unio - CGU

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  • 1. CONTROLADORIA-GERAL DA UNIO Sumrio Executivo Pesquisa Diagnstico sobre Valores, Conhecimento e Cultura de Acesso Informao Pblica no Poder Executivo Federal Brasileiro Coordenao: Professor PhD Roberto DaMatta Dezembro/2011A anlise dos resultados desta pesquisa e os comentrios apresentados no expres- sam necessariamente as opinies da Controladoria-Geral da Unio
  • 2. SUMRIOINTRODUOMETODOLOGIA DE PESQUISAPRINCIPAIS RESULTADOS DA PESQUISA A percepo da relao Estado-Sociedade Reconhecimento do direito de acesso informao pblica O atual tratamento da informao pblica Capacidade da Administrao para implementao da Lei de Acesso Informao Responsabilizao funcionalCONCLUSES
  • 3. INTRODUOEste documento se constitui no Sumrio-Executivo da Pesquisa intitulada Diagnsticosobre valores, conhecimento e cultura de acesso informao pblica no Poder ExecutivoFederal Brasileiro, promovida pela Controladoria-Geral da Unio (CGU) em parceriacom a Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura (UNES-CO), sob a coordenao do Professor Rober to da Matta.A pesquisa est inserida no contexto do Projeto denominado Poltica Brasileira de Aces-so a Informaes Pblicas: garantia democrtica do direito a informao, transparnciae par ticipao cidad, que objetiva wa cooperao tcnica entre a UNESCO e o PoderExecutivo Federal brasileiro para que o direito de acesso informao seja efetivamentegarantido a cidados e cidads brasileiros. Este projeto tem como concepo central aurgncia em desenvolver mecanismos institucionais e organizacionais que permitam ad-ministrao pblica brasileira promover e assegurar o acesso a informaes pblicas comoum direito fundamental do indivduo e uma ferramenta sine qua non para consolidaodas democracias contemporneas.Como par te desse amplo projeto, a pesquisa teve como principal objetivo analisar valores,cultura, experincia e percepo de servidores pblicos federais em relao temtica deacesso a informao.A pesquisa foi aplicada no mbito do Poder Executivo Federal em duas etapas: a primeira,de carter qualitativo, foi orientada a servidores ocupantes de cargos de direo e asses-soramento superior, e outra, de carter quantitativo, aplicada a um grupo de servidorespblicos, de variados escales hierrquicos e de diversos rgos federais.Os resultados da pesquisa trazem contribuies em dois aspectos: primeiro, possibilitamidentificar a presena de fatores culturais que favorecem a transio para uma cultura delivre acesso informao, ou que, por outro lado, e em sentido contrrio, ensejam a manu-teno de uma cultura do segredo; em segundo lugar, os resultados da pesquisa permitemidentificar outras condies, de natureza organizacional, operacional e tecnolgica dos pro-cessos de tratamento da informao, tendentes a facilitar ou dificultar essa mudana.METODOLOGIA DE PESQUISAAntes do incio dos trabalhos de campo, a equipe responsvel pela coordenao e realizaoda pesquisa cuidou de estabelecer as suas hipteses orientadoras, as quais serviram de basetanto para a realizao das entrevistas e aplicao dos questionrios, quanto para posterioranlise e interpretao dos resultados encontrados, em consonncia com os prprios dispositi-vos do Projeto de Lei de acesso a informaes pblicas, que poca estava em tramitao noCongresso Nacional posteriormente convertido na Lei n 12.527, de 18 de novembro de 2011.
  • 4. As hipteses que orientaram a seleo dos dados relevantes e a anlise dos resultadosencontrados foram as seguintes: 1. A concepo que o servidor pblico tem do papel do Estado interferir na sua capacidade de operacionalizar uma poltica de acesso. Uma concepo mais republicana levar melhor implementao da poltica; uma concepo mais patrimonialista, a uma pior implementao; 2. A informao concebida como bem pblico ser outro fator de sucesso (ou insucesso) na implementao da Lei de Acesso. Aqueles agentes pblicos que entendem as informaes produzidas no mbito de suas funes pblicas como um bem pblico implementaro melhor a lei. Aqueles que entendem essas in- formaes como um bem privado (e, na melhor das hipteses, sua ofer ta como um favor) iro implement-la de maneira insatisfatria; 3. Mesmo entre aqueles que tm uma predisposio a abrir as informaes, a maioria ter uma percepo de que o acesso a informaes pblicas se trata, sobretudo, de informaes financeiras (oramento) ou dos arquivos sensveis do passado. Novamente, aqueles que tiverem uma viso mais ampla do que informao tero uma melhor capacidade de implementao e vice-versa.A pesquisa foi realizada em duas etapas distintas, mas complementares. A primeira, de-nominada de qualitativa, foi orientada por questionrio semi-estruturado (Anexo I), queserviu de base para a realizao de entrevistas com uma amostra de autoridades p-blicas. A segunda etapa constituiu-se em pesquisa quantitativa de opinio, baseada emquestionrio estruturado para a coleta dos dados (Anexo II), com perguntas fechadas eaber tas, que foi encaminhado por meio eletrnico para a amostra de servidores selecio-nada, composta de um grupo diversificado de servidores pblicos.Na pesquisa qualitativa, as entrevistas foram conduzidas por quatro consultores, que ouvi-ram ao todo 73 (setenta e trs) autoridades pblicas servidores com vnculo permanentecom a administrao ou ocupando cargos em confiana detentores de postos de direo,chefia e assessoramento de elevado nvel hierrquico e oficiais das Foras Armadas.A etapa quantitativa baseou-se em uma amostra representativa do universo de aproxi-madamente 580.000 servidores do Poder Executivo Federal. Selecionou-se cerca de 15 milendereos eletrnicos, para os quais foi enviado um link para acesso exclusivo ao site ondeo servidor poderia responder pesquisa com segurana. Da amostra selecionada, cercade 986 servidores representativos dos mais diversos rgos do Poder Executivo Federalpar ticiparam voluntariamente da pesquisa. O intervalo de confiana da amostra foi de95%, com margem de erro de 3,5%.Quanto ao perfil dessa amostra, observou-se que 91,9% dos respondentes so servidorespblicos efetivos, ou seja, ingressaram no servio pblico federal mediante concurso pblico:
  • 5. Grfico 1 Distribuio do perfil da amostra por forma de ingresso no servio pblicoAinda em relao ao grupo de respondentes, 60,14% so servidores do sexo masculino,30,53% dos servidores situam-se na faixa etria entre 46 e 55 anos, e 89,7% afirmarampossuir ensino superior completo e/ou algum curso de ps-graduao.PRINCIPAIS RESULTADOS DA PESQUISAA percepo da relao Estado-SociedadeA percepo dos servidores sobre a relao entre o Estado e a sociedade uma questorelevante para que se possa entender suas posturas com relao s demandas por acesso informao originadas da sociedade.De modo geral, a pesquisa demonstrou que a percepo dos respondentes foi predomi-nantemente no sentido de considerar a relao entre Estado e sociedade como distante,apesar de existir o reconhecimento de que houve cer ta aproximao ao longo dos lti-mos vinte anos:Grfico 3 Percepo dos servidores sobre a relao Estado-Sociedade no Brasil
  • 6. Ao tratar de questes abstratas referentes distncia ou proximidade do Estadoe sua independncia ou no da sociedade, identif icou-se uma tendncia positiva nodiscurso dos entrevistados, bem como a percepo quanto aproximao gradualdessa relao. O marco inicial de aproximao para boa par te dos respondentes foio incio do processo de democratizao dos anos 1980.Para a maioria dos entrevistados, na pesquisa qualitativa, o Estado hoje se encontramais capacitado para se relacionar com grupos organizados e atender a demandasde organizaes da sociedade civil, sindicatos, associaes, par tidos polticos, emboraainda enfrente problemas para atender satisfatoriamente a demandas individuais decidados.Alguns entrevistados, entretanto, no identif icaram esse processo de aproximao econsideraram que a distncia entre Estado e sociedade ainda muito grande e quea sociedade dependente do Estado, seja pelo vis social, relacionado s polticaspblicas e servios prestados, seja pela tendncia da sociedade brasileira de buscarsempre a tutela do Estado para a soluo dos seus problemas.Um compor tamento que se destaca na pesquisa o de alguns servidores que tendema infantilizar o cidado, que no seria capaz de se comunicar diretamente com o Es-tado, por no saber quais informaes solicitar ou como utiliz-las. Assim, embora sereconhea que o cidado tem um impor tante papel na consolidao da democraciabrasileira, acredita-se que os cidados necessitam contar, ou com a tutela do Estadopara acessar e compreender as informaes, ou com a intermediao de entidadesda sociedade civil e da imprensa neste processo.Quando questionados sobre qual seria mais impor tante, se o Estado ou a socieda-de, a maioria dos servidores considerou a sociedade mais impor tante e, apesar dapercepo geral ser de distncia na relao entre Estado e sociedade, o servidor noapresenta dvidas quanto ao seu papel de estar a servio do cidado, pois o dever deservir sociedade enfatizado mesmo entre aqueles que veem o cidado como umconsumidor dos servios de aber tura de dados, de sistematizao das informaese disponibilizao ativa de dados por meios eletrnicos.Duas foram as categorias eleitas pelos servidores para def inirem a si prprios: com-promisso e responsa

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