Som direto 1960

Download Som direto 1960

Post on 20-Dec-2014

1.404 views

Category:

Documents

96 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

TRANSCRIPT

<ul><li> 1. UNIVERSIDADE DE SO PAULO - USP ESCOLA DE COMUNICAOES E ARTES - ECA CAMPUS DE SO PAULO PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM CINCIAS DA COMUNICAO CLOTILDE BORGES GUIMARESA INTRODUO DO SOM DIRETO NO CINEMA DOCUMENTRIO BRASILEIRO NA DCADA DE 1960So Paulo -2008-</li></ul><p> 2. CLOTILDE BORGES GUIMARESA INTRODUO DO SOM DIRETO NO CINEMA DOCUMENTRIO BRASILEIRO NA DCADA DE 1960 Dissertao apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Cincias da Comunicao, rea de concentrao em Estudos dos Meios e da Produo Meditica, linha de pesquisa Tcnicas e Poticas da Comunicao, da Escola de Comunicaes e Artes da Universidade de So Paulo, como exigncia parcial para a obteno do ttulo de Mestre em Comunicao. Orientador: Prof. Dr. Eduardo Simes dos Santos MendesSo Paulo2008 3. CLOTILDE BORGES GUIMARESA INTRODUO DO SOM DIRETO NO CINEMA DOCUMENTRIO BRASILEIRO NA DCADA DE 1960Dissertao apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Cincias daComunicao, rea de Concentrao em Estudos dos Meios e da Produo Meditica, linhade pesquisa tcnicas e poticas da Comunicao, da Escola de Comunicaes e Artes daUniversidade de So Paulo, como exigncia parcial para a obteno do ttulo de Mestre emComunicao. Banca ExaminadoraOrientador: Prof. Dr.Eduardo Simes dos Santos MendesInstituio:_____________________________Assinatura:___________________________1 Examinador: Prof .Dr.Instituio:____________________________Assinatura:____________________________2 Examinador: Prof. Dr.______________________________________________________Instituio:____________________________ Assinatura:___________________________1 Examinador-Suplente: Prof. Dr.______________________________________________Instituio:_____________________________Assinatura:___________________________2 Examinador-Suplente: Prof. Dr.______________________________________________Instituio:____________________________ Assinatura:___________________________Aprovada em: 4. Dedico este trabalho ao meu companheiro e amado marido, Umberto Martins, por seu incentivo, leitura e crticas. 5. AgradecimentosAgradeo ao meu orientador, Prof. Dr. Eduardo Simes dos Santos Mendes, peloincentivo e dedicao dispensados a mim e a este trabalho. minha companheira de trabalho Lia Camargo pelo apoio.A todas as pessoas entrevistadas pela ateno dispensada.s filhas de Joaquim Pedro de Andrade, Alice e Maria de Andrade. minha amiga Wylma Mouradian pela traduo de um texto em francs.E aos meus familiares e amigos pelo carinho e apoio. 6. No tem traduo(Noel Rosa, 1934)O cinema falado o grande culpado da transformaoDessa gente que sente que um barraco prende mais que o xadrezL no morro, seu eu fizer uma falsetaA Risoleta desiste logo do francs e do inglsA gria que o nosso morro criouBem cedo a cidade aceitou e usouMais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinoteNa gafieira danar o Fox-TroteEssa gente hoje em dia que tem a mania da exibioNo entende que o samba no tem traduo no idioma francsTudo aquilo que o malandro pronunciaCom voz macia brasileiro, j passou de portugusAmor l no morro amor pra chuchuAs rimas do samba no so I love youE esse negcio de al, al boy e al JohnnyS pode ser conversa de telefone.. 7. RESUMOGUIMARES, C. B. A introduo do som direto no cinema documentrio brasileiro nadcada de 1960. 182 fls. 2008. Dissertao (Mestrado em Estudos dos Meios e da ProduoMeditica). Escola de Comunicaes e Artes, Universidade de So Paulo, So Paulo. Esta dissertao tem como objetivo pesquisar como se deu a introduo no Brasil datcnica de gravao de som sincrnico para o cinema (som direto) com equipamento leve, nocomeo dos anos 1960, alm de estudar como esta nova tcnica influenciou a linguagem dosdocumentrios brasileiros. Para isso foram realizadas pesquisas bibliogrficas, entrevistas eanlises de filmes do perodo. A pesquisa enfatiza o contexto histrico no qual se insere ouso do som direto. Na anlise dos filmes so empregados os conceitos de monologia edialogia, concebidos por Mikhail Bakhtin, para designar a forma como usado o registro deoutras vozes obtidas atravs do som direto. tambm apresentada a evoluo da formaodos profissionais da rea de som cinematogrfico ao longo da histria do cinema brasileiro.Palavras-chave: Cinema brasileiro. Documentrio. Som direto. Voz do outro. Dialogia. 8. AbstractGUIMARES, C. B. The introduction of the direct sound in the Brazilian documentarycinema in the 1960 decade. 182 pages. 2008. Dissertation. Masters degree of Studies ofthe Means and Production of Media. School of Communication and Arts, Universidade deSo Paulo, So Paulo. The aim of this dissertation is to do research on how it has occured the introductionof the technique of the synchronic sound recording into the cinema (direct sound), usinglight equipment, in the beginning of the 1960s. Furthermore, this research has also studiedhow this new technique has influenced the Brazilian documentary language. In order toidentify so, some bibliographic research, interviews and films analysis have been done aboutthe period. The research emphasises the historical context in wich the use of the the directsound is inserted. The concepts of monology and dialogy, conceived by Mikhail Bakhtin, areapplied in the analysis of the films, to point out the way how the registration of other voices,gotten through the direct sound, is used. Finally, the evolution of the education of theprofessionals in the sound of cinematography area is also presented, throughout the historyof the Brazilian cinema.Key- words: Brazilian Cinema. Documentary. Direct sound. Other voices. Dialogy. 9. SUMRIO1 INTRODUO..................................................................................................................101.1 Bases tericas de referncia ..........................................................................................132 CONTEXTO HISTRICO..............................................................................................182.1 A gravao de som direto com equipamento porttil..................................................182.2 A formao dos nossos cineastas e dos profissionais de som......................................262.3 1950: a luta por um cinema independente....................................................................302.4 Cinema Novo: herdeiro das conquistas do cinema independente..............................342.5 Joaquim Pedro de Andrade, o cinema verdade e o cinema direto: garrincha, alegriado povo..................................................................................................................................393 O CINEMA NOVO E O CURSO DE ARNE SUCKSDORFF NO RIO DE JANEIROEM 1962................................................................................................................................463.1 O Cinema Novo e os documentrios.............................................................................533.2 Os primeiros documentrios produzidos com som direto no Rio de Janeiro...........553.3 Maioria Absoluta............................................................................................................583.3.1 Um discurso retrico...................................................................................................593.3.2 O uso do som e da palavra em Maioria Absoluta......................................................633.4 Integrao racial.............................................................................................................653.4.1 O uso do som e da palavra em Integrao Racial.....................................................663.5 O Circo.............................................................................................................................673.5.1 O uso do som e da palavra em O Circo......................................................................683.6 Bethnia Bem de perto....................................................................................................693.6.1 O uso do som e da palavra em Bethnia Bem de Perto.............................................703.7 A Opinio Pblica............................................................................................................703.7.1 O uso do som e da palavra em A Opinio Pblica.....................................................734 A PONTE CLNADESTINA DE VLADIMIR HERZOG..............................................754.1 Os quatro documentrios produzidos por Thomaz Farkas em So Paulo em 1964.774.2 Memria do Cangao.......................................................................................................784.2.1 O uso do som e da palavra em Memria do Cangao ..............................................794.3 Subterrneos de Futebol..................................................................................................814.3.1 O uso do som e da palavra em Subterrneos do Futebol .........................................814.4 Viramundo........................................................................................................................824.4.1 O uso do som e da palavra em Viramundo................................................................824.5 Nossa Escola de Samba...................................................................................................834.5.1 O uso do som e da palavra em Nossa Escola de Samba............................................845. CONCLUSO...................................................................................................................86Referncias............................................................................................................................98Anexos..................................................................................................................................104 10. 101. INTRODUOEste trabalho partiu da minha necessidade de produzir uma reflexo sobre a atividade profissional que exero no Brasil: sou tcnica de som direto para cinema, isto , sou a pessoa que grava os sons que acontecem durante uma filmagem.Som direto um termo utilizado para designar um som gravado sincronicamente com a imagem durante uma filmagem. Este som precisa ter boa qualidade para que possa ser utilizado na finalizao sonora do filme. So considerados sons sincrnicos principalmente os dilogos, os depoimentos e as entrevistas, ou seja, o registro do ato da fala.Graduei-me em Comunicao Social, com habilitao em cinema, na ECA / USP em 1983, mas desde 1982 comecei a trabalhar com gravao de som para cinema.Comecei minha carreira profissional gravando som guia para dublagem em filmes de Alberto Salv, Andr Klotzel, Suzana Amaral, Srgio Bianchi, Walter Hugo Khouri e Joo Batista de Andrade e tambm trabalhando como assistente para Marian Van de Ven em Feliz Ano Velho (1986), de Roberto Gervitz, e para Juarez Dagoberto em Jubiab (1986), de Nelson Pereira dos Santos. Trabalhei com tcnica de som direto para vrios curtas e longas- metragens, ficcionais e documentais como Memria do Ao (1987), de Silvio Tendler, O Corpo (1989), de Jos Antnio Garcia, Hip Hop SP e Rota ABC (1990), de Francisco Csar Filho, Em Trnsito (2005), de Henri Gervaiseau, Olho de Boi (2007), de Hermano Penna e Hotel Atlntico (em finalizao) de Suzana Amaral.Em 1985, quando estava trabalhando no filme A Marvada Carne, tive a oportunidade de conhecer um antigo gravador Nagra III. Nos captulos seguintes vou explicar a importncia que os gravadores Nagra tiveram para a gravao de som direto para o cinema.Fiquei muito impressionada com aquele Nagra III, pois apesar de ter sido fabricado por volta de 1962 ele estava em perfeito estado de funcionamento. Descobri que pertencia a Thomaz Farkas e que era o mesmo gravador que havia sido utilizado nos famosos documentrios produzidos por Thomaz na dcada de 1960 Nossa Escola de Samba, Subterrneos do Futebol, Viramundo e Memria do Cangao.Enquanto o manuseava me interessei em conhecer a sua histria, que na verdade se confunde com a histria do moderno documentrio brasileiro. 11. 11 Entrevistei Thomaz Farkas, em abril de 2004, sobre aqueles documentrios e pergunteisobre o gravador, e ele o mostrou, guardado com muito carinho e ainda em perfeito estadode funcionamento e conservao. Thomaz Farkas e seu Nagra III Achei curioso que de todos os equipamentos adquiridos naquela poca, ele, umfotgrafo, s havia guardado aquele gravador de som. Este fato despertou o meu interesse em pesquisar o momento em que chegaram osprimeiros gravadores de som portteis para o cinema no Brasil: 1962, os documentrios queforam produzidos naquela poca com som direto utilizando essa tecnologia e a importnciadeles para a nossa cinematografia. O interesse em acompanhar as reflexes existentes sobre o uso do som direto tambmme levou a ficar atenta a qualquer bibliografia que surgisse a respeito do uso do som emcinema, e comecei a descobrir algumas publicaes. 12. 12 Observei que era possvel encontrar obras nas lnguas inglesa e francesa desde asegunda metade da dcada de 1970. No Brasil, h que se destacar os trabalhos que Jean-Claude Bernardet publicou sobre o documentrio brasileiro, em que analisa a trilha sonorade alguns documentrios produzidos entre as dcadas de 1960 e 1970 e uma srie de artigossobre o som do cinema brasileiro, escritos e organizados por ele em 1981 para a revistaFilme Cultura. Surgiram ainda no Brasil alguns livros e pesquisas acadmicas na dcada de 2000, masno consegui encontrar quase nada relacionado ao som direto no cinema brasileiro. A necessidade de refletir sobre a minha atividade profissional no Brasil e a falta deuma bibliografia consistente provocou em mim o desejo de voltar a estudar e de realizar umapesquisa sobre este assunto. Comecei a fazer algumas entrevistas em 2003 e, incentivada pelo professor EduardoSantos Mendes, me inscrevi no programa de Ps-Graduao da ECA em 2005. Os primeiros gravadores Nagra III que vieram para o Brasil chegaram em 1962, juntocom uma cmera, luzes e uma mesa de montagem para a realizao do Seminrio de CinemaDireto no Rio de Janeiro, cujo professor convidado foi o documentarista sueco ArneSucksdorff. Assim, foram surgindo para mim vrias perguntas: - Quem articulou e quais foram os interesses envolvidos na organizao deste curso? - Por que Arne Sucksdorff foi escolhido para ministrar o curso? - Como foi o curso e quem foram os alunos? - Quais foram os primeiros filmes produzidos com som direto utilizando a novatecnologia trazida por Arne? - Qual foi o diferencial em relao ao som direto nestes filmes? A estas perguntas foram se somando outras: - Os novos equipamentos trazidos por Arne para o curso e depois doados ao IPHANtiveram algum impacto na produo dos filmes do Cinema Novo? - Como se deu a transferncia dessa tecnologia para o crculo de cinema de So Paulo? - Qual foi a influncia de Fernando Birre e da Escola de Santa F para o documentrioneste perodo no Rio e em So Paulo? - Como foram produzidos os filmes com som direto neste perodo por Thomaz Farkas? 13. 13 - Quais as contribuies que o som direto trouxe para o cinema documentrio dapoca? - Qual era a formao dos profis...</p>