situação de aprendizagem 11 1 a crÍtica a razÃo de kant .immanuel kant nasceu, estudou, lecionou

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    S o resultado permite imediatamente julgar

    se a elaborao dos conhecimentos

    pertencentes aos domnios prprios da razo

    segue ou no a via segura da cincia. (Kant)

    Situao de Aprendizagem 11 A CRTICA A RAZO DE KANT

    1. Introduo

    Immanuel Kant nasceu, estudou, lecionou e morreu em Knigsberg. Nunca saiu dessa cidade da Prssia Oriental,

    centro da intelectualidade e comercial. A vida de Kant foi austera e, costuma-se dizer, regular como um relgio.

    Kant era de famlia protestante, da Igreja Luterana, o que deixou profunda influncia sobre o seu pensamento,

    marcado pelo racionalismo e pelo culto moralidade interior do homem.

    A primeira obra importante de Kant foi o Ensaio sobre o mal radical, em que estuda o problema do mal. Nessa

    obra, o mal no visto apenas como a simples privatio bone (ausncia do bem, como entendia o antigo filsofo

    neoplatnico Plaotino), mas o objeto muito positivo de uma liberdade malfazeja.

    Kant distingue o conhecimento sensvel que abrange as instituies sensveis e o conhecimento inteligvel, ou

    seja, das ideias metafsicas. As obras seguintes expem o pensamento chamado crtico do filsofo: a Crtica da Razo

    Pura (1781), em que explica essencialmente porque as metafsicas so voltadas ao fracasso e porque a razo humana

    impotente para conhecer o fundo das coisas; e a Crtica da Razo Prtica (1788), obra em que estuda o problema

    da moralidade humana. Escreveu tambm outras importantes obras: Fundamento da Metafsica dos Costumes, a

    Crtica do Juzo e outros.

    2. O significado do termo Crtica

    O termo crtica pode ser entendido como o mtodo kantiano da reflexo

    analtica ou da anlise reflexiva. Esse mtodo parte do exerccio de remontar

    do conhecimento s condies que o tornariam legtimo. Kant no duvidava

    das verdades cientficas de sua poca, tampouco dos princpios morais,

    contudo, achava necessrio buscar os fundamentos racionais que

    sustentavam essas verdades universais. Assim, os juzos rigorosamente

    verdadeiros, e, portanto, necessrios e universais, so juzos a priori, isto ,

    independentes dos azares da experincia, sempre particular e contingente.

    3. Texto sobre o pensamento Kantiano

    Por Julin Maras (Filsofo espanhol cristo, autor de inmeros livros)

    (Esse texto resulta de uma conferncia do curso Los estilos de la Filosofa, em

    Madrid, entre 1999 e 2000. Edio: Jean Lauand. Traduo: Elie Chadarevian)

    Hoje vamos falar de Kant. Kant uma das maiores figuras da Histria da Filosofia, mas, alm disso,

    representa algo de muito especial neste curso, cujo tema Os estilos da Filosofia. Como veremos, ele no s

    representa um estilo novo, mas tambm tem uma particular conscincia disto.

    Kant, nasceu em 1724 e morreu em 1804. Nasceu, viveu e morreu em Knigsberg, no saiu de sua cidade

    natal. Era um homem metdico, as pessoas acertavam seus relgios quando o senhor Kant passava, por certo lugar,

    porque passava sempre na mesma hora.

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    Era de uma famlia modesta, muito religiosa, protestante, pietista, teve uma vida de professor, solitrio, uma

    vida enormemente singela e simples. curioso o fato de que tinha boa imaginao: dava cursos de geografia e, ao

    que parece, descrevia pases que no conhecia, que nunca tinha visitado, com grande imaginao.

    Seu pensamento filosfico comeou cedo, sem muita precocidade, mas h uma longa poca em sua vida

    que o que depois se denominou o perodo pr-crtico na qual mais ou menos segue os caminhos do

    pensamento dominante das primeiras e mdias dcadas do sculo XVIII. Depois h uma poca bastante longa em

    que no escreve, medita, pensa... e ento comea o perodo crtico: em 1781 publica seu livro principal, Crtica da

    razo pura, que depois voltou a publicar uma edio bastante modificada em 1787. Justamente a palavra crtica

    essencial nesse perodo; ele publica outros livros importantes: Crtica da razo prtica, Crtica do juzo,

    Fundamentao da metafsica dos costumes...

    O interessante que nessas obras de maturidade, mais propriamente pessoais, que marcam um estilo novo

    ele tem conscincia disto diz que se trata de uma revoluo copernicana. Ele pensa na inverso da concepo

    astronmica de Ptolomeu feita por Coprnico e apresenta sua filosofia como sendo uma revoluo copernicana,

    ou seja, ele tem plena conscincia de um novo estilo. Este estilo tem a ver, evidentemente, com a tendncia que j

    temos encontrado (e a vimos claramente em Descartes): a tendncia a evitar o erro. Mais do que a descoberta da

    verdade, com mais fora ainda, o que se busca evitar o erro.

    Lembrem como Descartes pe em dvida muitas possibilidades de conhecimento, ele acha que no so

    seguras e busca evitar o engano, e procura um fundamento indubitvel, que vai ser o cogito, a mente que pensa:

    algo do qual no se pode duvidar. Isto aparece tambm no empirismo, especialmente em Locke, tambm h uma

    espcie de renncia a muitos problemas j os vimos outro dia justamente porque se trata de poder estar seguro

    mediante a experincia. Pois bem, isto capital. No esqueamos que Kant recebe uma poderosa influncia no s

    de Locke, mas tambm de Hume, a quem chama esse homem adulto, que chega a uma forma inclusive quase

    ctica do empirismo de Locke e questiona uma srie de possibilidades de conhecimento: isto faz com que Kant fique

    em alerta, e ele vai se concentrar sobre os objetos da razo e seus limites, suas possibilidades. a crtica da razo.

    Cabe aqui um esclarecimento terminolgico: em Kant a palavra puro quer dizer independente da

    experincia. Kant dir em algum lugar: Todo conhecimento comea com a experincia, mas nem todo

    conhecimento se funda na experincia. H conhecimentos que no se fundam na experincia, isto quer dizer puro

    ou tambm, com outro termo que ele usa muito, a priori. A priori ou puro quer dizer independente da

    experincia, oposto a posteriori, que fundado na experincia.

    Em segundo lugar, outro esclarecimento terminolgico, quando Kant fala de crtica da razo pura e de crtica

    da razo prtica o leitor no filsofo supe que h uma contraposio entre puro e prtico. E no: a razo pura

    toda a razo; a razo pura terica e a razo pura prtica. Ou seja, o adjetivo puro corresponde s duas, a

    diferena que uma terica e outra prtica.

    Kant vai empreender a tarefa da crtica da razo, de estabelecer os limites da razo, suas possibilidades, sua

    justificao e isso justamente no momento em que a Fsica de Newton tem um enorme prestgio. E as trs perguntas

    fundamentais que Kant lana na Crtica da Razo Pura so: Como possvel a matemtica pura? Como possvel a

    fsica pura? possvel a metafsica?

    Vejam a diferena entre as perguntas: toma como certo que so possveis a matemtica e a fsica puras e

    pergunta se possvel a metafsica. E diz que ainda no se encontrou o caminho seguro da filosofia: enquanto a

    matemtica e as cincias encontraram um caminho seguro e progridem, avanam, se consolidam; em filosofia, em

    metafsica no se chegou a ter o caminho seguro da cincia e isto justamente o que ele vai buscar, o que vai

    determinar a obra de Kant.

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    Isto vai levar Kant a uma reflexo muito profunda. Normalmente considera-se que o pensamento conhece as

    coisas; conhece as coisas tal como so. E Kant diz: no, isto no possvel. O que chama de a coisa em si, no se

    pode conhecer; porque eu conheo a coisa em mim. O que eu conheo, conheo submetido a mim; submetido ao

    meu espao, ao meu tempo, s minhas categorias, isto a coisa em mim, que ele chamar fenmeno, opondo-o

    ao noumenon, a coisa em si.

    Quando eu conheo algo, transformo, modifico a coisa em si, que, como tal, inadmissvel. contraditrio

    que eu conhea a coisa em si porque quando a conheo est em mim, ingressa em minha subjetividade, que a

    modifica. algo capital, decisivo, que vai iniciar uma nova maneira de propor os problemas filosficos e justamente

    isto que a Crtica da Razo Pura vai explorar.

    Ento faz uma crtica muito profunda da qual, naturalmente, s podemos dar umas poucas amostras. Por

    exemplo, recordem como, por meio de Deus, esse famoso problema da comunicao das substncias foi resolvido

    na filosofia do sculo XVII (Deus como garantia da evidncia em Descartes: no h um gnio maligno que nos

    engana, etc.). A abordagem de Kant diferente: fala-se da existncia como se fosse uma qualidade das coisas... e

    no! O ser no um predicado real. O que isto quer dizer? No que uma coisa seja o que e, alm disso, exista;

    no! A existncia no um predicado real. Ele diz Cem tleres - a moeda da poca - pensados so o mesmo que

    cem tleres reais (bem, no meu bolso, no, no o mesmo... [risos] se tenho mil pesetas possveis ou se tenho mil

    pesetas reais, h uma pequena diferena...). Mas, em que consiste a diferena? No no contedo, mas na conexo

    com a experincia. Digamos: os cem tleres reais esto aqui, tenho-os na mo, esto nesta mesa, esto em conexo

    com a experincia; os outros, no. Portanto um carter que no intrnseco prpria coisa: a existncia

    justamente algo que a conexo de alguma coisa com o conjunto da experincia: o que os filsofos dessa poca

    e Kant o primeiro chamaro a posio, est posto: o ser no um predicado real. Por exemplo, Fichte, o

    discpulo mais prximo de Kant dir, em sua forma de idealismo: o eu, se pe a si mesmo e ao no eu; o no eu, o

    mundo, posto pelo eu por isto idealismo.

    4. H um ato de posio: isto muito importante no pensamento ps-kantiano.

    Isto leva a uma ideia que o que se vai chamar o s

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