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Governo do Estado do ParanSecretaria de Estado da EducaoDepartamento de Educao Bsica

Simpsio de Filosofia

FILOSOFIA DA CINCIAConcepes de Cincia

A questo do mtodo cientifico

Prof. Eduardo Salles de O. BarraDepartamento de Filosofia

Universidade Federal do Paranwww.filosofia.ufpr.br

A Funo do Dogma na Investigao Cientfica 1/47

http://www.filosofia.ufpr.br/

A FUNO DO DOGMA NA INVESTIGAO CIENTFICA

Kuhn, T.S. "The Function of Dogma in Scientific Research". pp. 34769 in A. C. Crombie (ed.). Scientific Change (Symposium on the History of

Science, University of Oxford, 915 July 1961). New York and London: Basic Books and Heineman, 1963.

Thomas S. Kuhn(1922-1996)

A Estrutura das Revolues Cientficas1962

O Caminho desde a Estrutura2000

A Funo do Dogma na Investigao Cientfica 2/47

Parte IIntroduo ao dogmatismo e seus

condicionantes

A Funo do Dogma na Investigao Cientfica 3/47

Uma imagem difundida da atividade cientfica

"Ser cientfico ser objetivo e ter esprito aberto"

o investigador sem preconceitos em busca da verdade;

o explorador da natureza;

o homem que rejeita preconceitos quando entra no laboratrio,

que coleciona e examina os fatos crus, objetivos,

que fiel a tais fatos e s a eles.

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Confuso entre a CINCIA e o CIENTISTA

o cientista conhece de antemo pormenores dos resultados que sero alcanados com a sua pesquisa se o resultado aparecer rapidamente, melhor; mas, se no, ele lutar com os seus instrumentos e com as suas equaes at que, se for possvel, lhe forneam os resultados que estejam conformes com o modelo que ele tinha previsto desde o comeo;

o mesmo se verifica nas suas rplicas ao trabalho de outros cientistas as novidades factuais ou tericas encontram resistncias e, com frequncia, so rejeitadas por muitos membros da comunidade profissional cientfica.

"Uma verdade cientfica nova no geralmente apresentada de maneira a convencer os que se opem a ela... simplesmente a pouco e pouco eles morrem, e nova gerao que se forma familiariza-se com a verdade desde o princpio" (PLANCK, 1948).

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Como conciliar esses fatos com com a imagem acima?

Soluo da tradio

resistncias e preconceitos so elementos estranhos cincia;

so produtos das inevitveis limitaes humanas;

em um verdadeiro mtodo cientfico no h lugar para tal, pois ele de tal modo poderoso que a mera idiossincrasia humana no pode por muito tempo impedir o seu xito.

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Soluo kuhniana

Preconceito e resistncia parecem ser mais a regra do que exceo no desenvolvimento cientfico avanado em condies normais eles caracterizam a melhor investigao e a mais criativa e tambm a mais rotineira;

no est tambm em questo qual a sua origem, pois no se trata de caractersticas anmalas de indivduos, mas de caractersticas da comunidade com razes profundas no processo como os cientistas so treinados para trabalhar na sua profisso;

as fortes convices que existem antes da prpria investigao frequentemente aparecem como precondies para o sucesso das cincias.

O dogmatismo das cincias maduras

Embora o preconceito e a resistncia s inovaes possam muito facilmente paralizar o progresso cientfico, a sua onipresena , porm, sintomtica como caracterstica requerida para que a investigao tenha continuidade e vitalidade.

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A necessidade de uma adeso profunda a uma maneira de ver o mundo e de praticar a cincia

Dois aspectos dessa adeso que a tornam fundamental para a investigao:

O cientista como solucionador de quebra-cabea (primeiro aspecto)

a adeso define os problemas suscetveis de ser analisados e a natureza das solues aceitveis para eles;

Normalmente, o cientista um solucionador de quebra-cabeas como um jogador de xadrez, e a adeso induzida pela educao o que lhe d as regras do jogo que se pratica no seu tempo.

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O sucesso como resultado do fracasso prvio (segundo aspecto)

o objeto da adeso fornece um detector imensamente sensvel dos focos de dificuldades de onde surgem inevitavelmente as inovaes importantes nos fatos e nas teorias.

Nas cincias maduras, a maior parte das descobertas de fatos inesperados e todas as inovaes fundamentais da teoria so respostas a um fracasso prvio usando as regras do jogo estabelecido.

Portanto, embora uma adeso quase dogmtica seja, por um lado, uma fonte de resistncia e controvrsia, tambm um instrumento inestimvel que faz das cincias a atividade humana mais consistentemente revolucionria. Uma pessoa no precisa fazer da resistncia ou do dogma uma virtude para reconhecer que as cincias maduras no poderiam viver sem eles.

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A educao cientfica como instrumento da adeso ao paradigma

A educao cientfica "semeia" o que a comunidade cientfica, com dificuldade, alcanou at a uma adeso profunda a uma maneira particular de ver o mundo e praticar a cincia.

Uma vista rpida que seja da pedagogia cientfica sugere que ela pode induzir uma rigidez profissional praticamente impossvel de alcanar noutros campos, exceto talvez na teologia.

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O papel dos manuais

At que ele esteja preparado, ou quase preparado para fazer a sua dissertao, o estudante de qumica, fsica, astronomia, geologia, ou biologia, raramente posto ante o problema de conduzir um projeto de investigao, ou colocado ante os produtos diretos da investigao conduzida por outros isto , as comunicaes profissionais que os cientistas escrevem para os seus colegas.

As colees de "textos originais" jogam um papel limitado na educao cientfica.

Igualmente o estudante de cincia no encorajado a ler os clssicos da histria do seu campo obras onde poderia encontrar outras maneiras de olhar as questes discutidas nos textos, mas onde tambm poderia encontrar problemas, conceitos e solues padronizados que a sua futura profisso h muito ps de lado e substituiu.

Aparentemente os cientistas esto de acordo sobre o que que cada estudante deve saber da matria, por isso para a preparao dos futuros cientistas eles podem usar manuais em vez de uma combinao ecltica de originais de investigao.

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os manuais apresentam, desde o comeo, solues concretas de problemas que a profisso aceita como paradigmas, e ento pede-se aos estudantes, quer usando um lpis e papel quer servindo-se de um laboratrio, que resolvam por si mesmo problemas modelados semelhana, na substncia e no mtodo, dos que o manual lhes deu a conhecer;

por tudo isso que, embora o desenvolvimento cientfico seja particularmente produtivo em novidades que se sucedem, a educao cientfica continua a ser uma iniciao relativamente dogmtica a uma tradio preestabelecida de resolver problemas, para a qual o estudante no convidado e no est preparado para apreciar.

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O papel dos "clssicos" da cincia

At o incio do sculo XIX, esse esquema de educao sistemtica por meio dos manuais no existia em nenhuma parte e em nenhuma cincia.

Onde no existiam manuais, havia feitos cientficos descritos em livros que todos os praticantes daquele campo de investigao conheciam intimamente e admiravam e que forneciam os modelos para as suas prprias investigaes e os padres para avaliar os seus prprios resultados:

A Fsica de Aristteles, o Almagesto de Ptolomeu, os Principia e a Optica de Newton, a Eletricidade de Franklin, a Qumica de Lavoisier e a Geologia de Lyell

Embora esses livros sejam clssicos da cincia, eles no se assemelham aos grandes clssicos em outros campos criativos, um Rembrandt ou um Adam Smith eles so genuinamente paradigmas, pois so exclusivos.

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A exclusividade dos paradigmas

Muitos clssicos, mas um s paradigma:

A comunidade dos artistas pode se inspirar simultaneamente em Rembrandt e Czanne a comunidade dos astrnomos no tinha alternativa seno escolher entre os modelos em competio fornecidos por Coprnico e Ptolomeu.

Feita a escolha, deve-se esquecer a obra rejeitada

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A unanimidade do paradigma

Ao aceitar um paradigma, a comunidade cientfica adere toda ela, conscientemente ou no, atitude de considerar que todos os problemas resolvidos, o foram de fato, de uma vez para sempre.

Em virtude disso as novas geraes podem comear por onde os homens que antes deles partilhavam o mesmo paradigma tinham alcanado

Os paradigmas determinam todo o desenvolvimento futuro nas cincias maduras. Mas eles so uma aquisio a que se chega relativamente tarde

no processo de desenvolvimento cientfico.

A Funo do Dogma na Investigao Cientfica 15/47

Parte IIA eletricidade nos scs. XVII e XVIII: um exemplo de prtica

cientfica pr e ps-paradigma

A Funo do Dogma na Investigao Cientfica 16/47

O perodo pr-paradigmtico: Hauksbee, Gray, Desaguliers, Du Fay, Nollet, Watson e Franklin

no comeo do sculo XVIII, bem como no sculo XVII, havia quase tant

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