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    SIMPSIO 17

    ENSINO DE LNGUA PORTUGUESA NUMA PERSPECTIVA

    SISTMICO-FUNCIONAL

    O objetivo deste Simpsio viabilizar discusses acerca das contribuies que a Lingustica

    Sistmico-Funcional de Michel Halliday tem a oferecer no mbito do ensino-aprendizagem da

    lngua materna na Escola Bsica. Diante da nova realidade que se apresenta e das exigncias

    da vida em sociedade e do mundo do trabalho, o foco das aulas de Lngua Portuguesa no

    pode ser mais a gramtica com objetivo e fim em si mesma, como ainda vem acontecendo em

    nossas escolas. O desafio que se coloca para os professores, hoje, como condutores do

    processo de ensino-aprendizagem da lngua, ampliar a competncia comunicativa dos

    alunos. Para que esse objetivo seja alcanado, a nfase precisa estar no trabalho com textos,

    ou seja, com a lngua em funcionamento. As pesquisas sobre a linguagem desenvolvidas nas

    Universidades tm contribudo para o questionamento de conceitos e mtodos que orientam o

    trabalho dos professores com a linguagem verbal na Escola Bsica, e um dos caminhos

    apontados o enquadre terico proposto pela Lingustica Sistmico-Funcional, que muito tem

    a oferecer no que diz respeito ao trabalho com a gramtica. Esse modelo investigativo

    representa uma tentativa de descrio do funcionamento da lngua o que deveria ser o foco

    do trabalho na escola , examinando-a como uma entidade no suficiente em si, e

    investigando a estrutura lingustica vinculada a seu contexto de uso o que confere especial

    relevncia correlao entre as propriedades das estruturas gramaticais e as propriedades dos

    contextos em que ocorrem. Assim, este Simpsio contemplar trabalhos que, com base em

    uma concepo funcionalista de gramtica, busquem descrever, explicar e/ou interpretar os

    usos reais da linguagem verbal dentro de seus respectivos contextos de situao e de cultura,

    considerando as relaes necessrias entre os recursos lexicogramaticais e a constituio

    semntica dos textos e sendo, por isso, contribuio valiosa para um ensino mais produtivo da

    lngua materna.

    COORDENAO

    Vania L. R. Dutra

    Universidade do Estado do Rio de Janeiro

    vaniardutra@uol.com.br

    Magda Bahia Schlee

    Universidade Federal Fluminense

    magdabahia@globo.com

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    A GRADAO EM PORTUGUS: UMA PERSPECTIVA FUNCIONALISTA PARA

    ABORDAGEM/APRENDIZAGEM DO SUFIXO INHO

    Suzana Pinto do ESPRITO-SANTO (UFAM)303

    Resumo: Este estudo est apoiado na teoria funcionalista que concebe a linguagem como

    instrumento de interao social. Objetivamos investigar as formaes com sufixo marcador de

    gradao em portugus inho. Pretendemos analisar os usos assumidos pelo sufixo em foco,

    em diferentes contextos, com isso, objetivamos identificar alguns critrios que possam ilustrar

    os sentidos difundidos, a partir do uso de inho, pelo discurso. Adotamos cinco critrios

    assim identificados: a) dimensivo; b) expressivo afetivo; c) expressivo pejorativo; d)

    intensificador e) expressivo subjetivo. Para isto, constitumos um corpus de textos escritos de

    diferentes gneros publicados em revistas de circulao nacional.

    Palavras-chave: Gradao. Item inho. Flexo. Derivao. Funcionalismo.

    1. Introduo

    Este estudo304

    est ancorado na perspectiva funcionalista da linguagem que se

    preocupa com a descrio da lngua em uso e concebe a linguagem como instrumento de

    interao social. Assim, investigamos a manifestao dos usos do sufixo inho considerando

    que este assume, dependendo do contexto de uso, diferentes valores semnticos. Para

    atingirmos nosso objetivo, constitumos um corpus de textos escritos de diferentes gneros

    publicados em revista de circulao nacional que so: Revista Cludia, Revista Info-exame e

    Revista Scientific American.

    Para desenvolver nosso estudo, buscamos subsdios nos estudos tradicionais que

    tratam sobre a gradao, como Mattoso Cmara Jr. (1998), Baslio (1991), Zanotto (1986), e

    apresentamos as discusses mais recentes sobre este tpico no Brasil, como as pesquisas de

    Gonalves (2006), Gonalves (2008) e Emlio (2003). Com base nesses estudos, pesquisamos

    o processo da gradao em portugus, com foco no sufixo inho, com o objetivo de descrever

    os usos por ele exercidos, Esses usos esto metodologicamente organizados e identificados

    como: dimensivo, expressivo afetivo, expressivo pejorativo, intensificador e expressivo

    subjetivo. A discusso visa, ainda, contribuir para ampliar a discusso adotada pela gramtica

    tradicional que enfatiza principalmente o valor diminuto e no aborda os aspectos contextuais

    e semnticos que envolvem as formaes com este sufixo.

    2. Fundamentos tericos

    A abordagem em relao ao grau em portugus surge a partir da definio difundida

    pelos tradutores da gramtica latina que sustentam o grau no mbito da morfologia flexional.

    Esta traduo gerou controvertidos pontos de vista, pois, posteriormente, esta definio foi

    questionada e redefinida para o mbito da morfologia derivacional.

    De acordo com Cmara Jr (1998), a traduo da gramtica latina para a portuguesa foi

    mal feita, pois, de acordo com a explicao deste autor, em latim o morfema gramatical

    303

    Mestranda do Programa de Ps-graduao em Letras, rea de estudos da linguagem, da Universidade Federal

    do Amazonas. Manaus, Brasil. E-mail: letrassu@gmail.com. 304

    Estudo resultante do trabalho de concluso de curso de especializao Lngua e Literatura na escola:

    reflexes e alternativas da Universidade Federal do Par, orientado pela professora Dra. Ediene Pena Ferreira.

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    issimus pertencia a um complexo flexional ao lado de ior, o qual era usado em adjetivos para

    estabelecer comparao entre dois termos, indicando que o adjetivo marcado por ior seria

    superior. Dessa forma, issimus assinalava a forma superior a todos da sua espcie, como em

    felicssima matrum, traduzida por a mais feliz das mes. Por esse motivo issimus era

    empregado em condies determinadas e de forma obrigatria, sendo por isso, um processo

    flexional.

    A perspectiva do grau como flexo, determinada pela gramtica latina, ganhou

    respaldo na NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira). Contudo, a sistematicidade

    estabelecida no latim no existe em portugus, por este motivo, os estudos morfolgicos

    tradicionais apontam a definio de grau como derivao. H autores que defendem o grau no

    mbito da flexo, e outros, no mbito da derivao.

    Tericos como Cmara Jr (1998), Baslio (1991), Ilari (2006), Carone (2004), e outros,

    sustentam o ponto de vista do grau como derivao. O pioneiro desta tese, Camara Jr (1998),

    afirma que a expresso do grau no um processo flexional em portugus, porque no um

    processo obrigatrio e coerente, e no estabelece paradigma exaustivo e de termos exclusivos

    entre si.

    O grau do substantivo, por exemplo, um recurso sempre disponvel e bastante

    produtivo, mas lana mo de sufixos, por isso, tem que ser incluindo, antes de tudo, na

    morfologia derivacional (ILARI, 2006). Assim, o grau usado de forma livre, ou seja, da

    escolha do falante o uso das expresses de grau. Como exemplifica Zanotto (1996), o falante

    pode preferir dizer uma pequena casa ou pequenininha, ou pequenssima, ou ainda,

    uma casinha, um casebre, casaro, uma baita casa.

    Essa liberdade de escolha revela que o grau est numa relao aberta e assistemtica,

    pois, como mostram os exemplos j citados, podem existir vrias formas para certos nomes,

    porm podem no existir para outras. Alm disso, no h obrigao de concordncia nos usos

    do sufixo de grau que sustenta a categoria de derivao para a gradao em portugus, a

    exemplo podem ocorrer dentro do mesmo sistema minininho lindo ou menino lindinho,

    conforme as matizes de significado que se quer exprimir Carone (2004).

    Neste artigo, desenvolvemos uma anlise de cunho funcionalista, por este motivo, no

    nosso propsito defender se o grau flexo ou derivao, mas sim refletir sobre os usos de -

    inho mostrando que este marcador de gradao em portugus pode apresentar-se em uma

    escala gradativa.

    A pesquisa de orientao funcionalista tem como objetivo o estudo da lngua em uso.

    Por este motivo, se prioriza uma investigao lingustica em situao comunicativa e descreve

    os fenmenos lingusticos explorando os componentes sintticos, semnticos e pragmticos.

    A linha terica que sustenta a discusso aqui proposta tem como questo bsica de

    interesse a verificao de como se obtm a comunicao atravs da linguagem ordinria.

    Neves (2007) afirma que a perspectiva funcionalista, descreve a estrutura gramatical e inclui,

    na anlise, toda situao comunicativa: o propsito do evento da fala, seus participantes e seu

    contexto de uso. Esses critrios so basilares para a anlise que ser desenvolvida na seo 4

    deste artigo.

    considerando o propsito comunicativo, seus envolvidos e o contexto circundante do

    enunciado, que norteamos o grau numa perspectiva de contnuo. Para esta acepo

    consideramos que a gradao um dos mecanismos mais ricos disponveis aos usurios da

    lngua que favorecem a intensificao da inteno do discurso. Pautados nessa nova viso, as

    pesquisas mais atuais, que consideram fatores ligados ao contexto e a inteno comunicativa,

    apontam a gradao para uma escala gradiente, enquadrando o grau no contnuo flexo/

    derivao, e no em definies inflexveis e estanques.

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