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TEXTO: As novas exigncias tericas, metodolgicas e operacionais da formao profissional na contemporaneidade - AUTORA: MARIETA KOIKE

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  • 2.6 As novas exigncias tericas, metodolgicas e operacionais da formao profissional na contemporaneidade

    Marieta Koike

    Introduo1.Novos Significados da Formao Profissional

    2.Formulao das Diretrizes Curriculares3.A Avaliao da Formao Profissional

    4.O Novo Projeto da Formao ProfissionalDesafios Formao Profissional

    Referncias Bibliogrficas

    Ldia Bezerra Zanella Servio SocialMatrcula: 107395473 1

  • (p.103)

    I n t r o d u o

    A formao profissional dos assistentes sociais no pas tem ocupado espao privilegiado nos debates e estudos promovidos pela categoria. Nos anos 90, particularmente, esse debate tem sido sistemtico por visar a elaborao de um novo projeto para a formao dos profissionais.

    O objetivo deste texto analisar a importncia da capacitao profissional do assistente social para enfrentar os desafios da realidade brasileira contempornea e traar criticamente os rumos da profisso. Esto presentes as iniciativas recentemente empreendidas pelas unidades acadmicas para redefinir o processo da formao profissional dos assistentes sociais no pas. Esses esforos, coordenados pela Associao Brasileira de Ensino de Servio Social (ABESS), com efetiva participao do Centro de Documentao e Pesquisa em Polticas Sociais e Servio Social (CEDEPSS) e das entidades organizativas dos discentes e dos profissionais de Servio Social, respectivamente, Executiva Nacional dos Estudantes de Servio Social (Enesso) e o conjunto do Conselho Federal de Servio Social e Conselhos Regionais (CFESS/CRESS), encontram-se consubstanciados nas diretrizes curriculares para o curso de graduao em Servio Social. Coletivamente elaboradas no perodo 94/96, depois de aprovadas em assembleia geral das unidades de ensino, as diretrizes foram encaminhadas Secretaria de Educao Superior (Sesu) do Ministrio da Educao, onde permanecem em tramitao.

    O texto ser desenvolvido em trs partes: a formao profissional no contexto das transformaes sociais recentes; a formulao das diretrizes curriculares, enquanto resposta s novas exigncias da formao profissional e, por fim, os avanos do novo projeto e os desafios que lhe esto postos.

    1 . N o v o s S i g n i f i c a d o s d a F o r ma o P r o f i s s i o n a l A deciso das unidades de ensino de proceder a uma nova reviso

    curricular, viu-se reforada (e tensionada) pelo incontestvel de que est em curso uma nova significao dos processos da formao profissional (Cf. Ciavatta, 1998; Deluiz, 1997, Frigoto, 1998, Delors, 1998), o que, segundo Netto (1996), no de difcil compreenso. Afinal, as transformaes societrias ao redefinirem o campo das necessidades sociais j estabelecidas e ao apresentarem, novas, incidem sobre todas as esferas da vida social. Para o autor o problema analtico de fundo posto pelo fenmeno reside em explicar e compreender como, na particularidade prtico-social de cada profisso, se traduz o impacto das transformaes societrias. (op. Cit., 89)

    O desafio ao problema, portanto, duplo: por um lado, desvelar o significado das transformaes sociais contemporneas e, por outro, apreender as exigncias (p. 104) que emprestam ressignificao ao processo educativo-Ldia Bezerra Zanella Servio SocialMatrcula: 107395473 2

    GlossrioRumos da profisso assentam-se no trip constitudo pelo projeto de formao profissional que fundamenta o currculo, pelo cdigo de tica Profissional e na Lei n 8662/93 que regulamenta a profisso. esse ordenamento atualiza-se e se consolida com o trabalho profissional potencializado pela pesquisa, com fora organizativa e a interlocuo qualificada da categoria com os movimentos organizados da sociedade civil.

  • formativo na atualidade, redefinindo-o em todas as suas dimenses. Esta compreenso possibilita situar a particularidade da formao em Servio Social no contexto dos desdobramentos e repercusses da crise atual do capitalismo.

    Esta nova crise da acumulao do capital, instalada nos anos 70, em mbito mundial, atravessa a dcada de 80 e incrementa-se nos anos 90 potencializada pela especulao financeira internacional e pelos processos de globalizao desencadeados em sua trajetria. Seu carter, todavia, no nemfinanceiro-especulativo, nem comercial ou industrial. Com diz Franois Cheisnais (1998: 8), a crise em curso econmica em todos os seus aspectos, atingindo a prpria ordem do sistema capitalista. Originria da tendncia queda da taxa de lucros, a crise acirrou a competio intercapitalista e a concorrncia entre mercados internacionalizados, deflagando processos de reestruturao produtiva e de ajustes estruturais, com o objetivo precpuo de recompor as condies da acumulao do capital.

    Surge um novo padro de organizao social da produo, baseado na nova racionalidade dos processos produtivos, no apenas devido ao uso intensivo da microeletrnica, generalizando as prticas da automao e da informatizao, como, tambm, pela flexibilizao dos processos de trabalho, determinando novas modalidades de produo, gesto e consumo da fora de trabalho, provocando transformaes no contedo, na qualidade e nas relaes laborais.

    Os processos educativos demandados por essa sociedade, tanto devem conduzir s qualificaes tcnicas requeridas pelo trabalho reestruturado, quanto produzir uma subjetividade adequada nova forma de organizao social do capitalismo atual (Silva e Sguissardi, 1997: 35-37). Na base dessas transformaes est o movimento que emerge dos modos flexveis de acumulao do capital caracterizado por Harvey (1993) de rpida destruio/reconstruo de habilidades, gerando processos de desqualificao, requalificao, nova qualificao da fora de trabalho.

    A exacerbada racionalizao dos processos produtivos que alimenta a hipercompetio intercapitalista, reforada pelo progresso tcnico e pela globalizao, requer um trabalhador com novas caractersticas tcnicas e sociointelectivas. Trabalhador multiqualificado, polivalente (devendo) exercer funes muito mais abstratas e intelectuais, implicando, cada vez mais, menos trabalho manual e cada vez mais a manipulao simblica (Deluiz, 1997). o novo perfil do trabalhador se expressa num patamar diferenciado de conhecimento acumulado, na experincia polivalente, na capacidade cognitiva, nos novos hbitos de trabalhos e na forma de pensar. Nesse sentido, mais importante que deter o conhecimento, saber gerenci-lo, conduzi-lo gerao de novo conhecimento. Aprendizagem fica mais voltada para o domnio dos modos de processar (p. 105) o conhecimento do que para a aquisio de saberes preexistentes. A formao volta-se para o aprender a aprender (MEC/Unesco, 1998).

    Mas esse modo flexvel de acumulao do capital, recupera, tambm, formas arcaicas de trabalho, exigindo a refuncionalizao ou reaprendizado de processos de trabalho socialmente em desuso. So exemplares o trabalho por pea, o trabalho domiciliar, familiar e artesanal que se fazem acompanhar de

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  • diferentes formas de trabalho autnomo, terceirizado, desprotegido, precarizado, autonomizado. A diminuio do trabalho assalariado suscita, por sua vez, uma formao empreendedorista, voltada mais para a capacidade de gerar emprego do que de tentar obt-lo no mercado laboral. Portanto, um novo aspecto dos processos educativos: formar para o no-emprego ou mesmo para o trabalho incerto (Ciavatta, 1998). Tal evidncia , levou criao, em 1997, com o apoio do CNPq e da Confederao Nacional da Indtria (CNI), da Rede Universitria de Ensino de Empreendedorismo (Reune) introduzindo a disciplina O Empreendedor nos cursos superiores, como forma de induo ao surgimento de novos negcios.

    Para moldar o perfil profissional nova sociabilidade requerida pelo capital preciso algo mais do que competncias intelectuais, cognitivas e tcnicas. Requer o desenvolvimento de competncias comportamentais no mbito das capacidades organizativas ou metdicas, comunicativas e sociais, acionando a subjetividade do indivduo como parte do processo de trabalho. Os processos educativo-formativos voltam-se, portanto, construo de outra cultura do trabalho e de uma nova racionalidade poltica e tica compatvel com a sociabilidade requerida pelo atual projeto do capital (Mota e Amaral, 1998: 29).

    De que modo essas transformaes que reconfiguram a sociedade contempornea redefinindo os processos educativo-formativos, repercutem na formao profissional dos assistentes sociais? Caberia imaginar que as metamorfoses e os deslocamentos conceituais dos processos educativo-formativos incidiram, to-somente, na formao voltada para as necessidades das empresas? Ou afirmar com Mota e Amaral (op. Cit., 39) que o primeiro desafio aos profissionais de Servio Social romper com a ideia de que a reestruturao produtiva uma questo que afeta exclusivamente as prticas empresariais e, consequentemente, aqueles profis

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