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Ser ProfessorSatisfao Profissional

ePapel das Organizaes de Docentes

(Um Estudo Nacional)

EdioInstituto Politcnico de Castelo Branco

Associao Nacional de Professores

Joo RuivoJoo Sebastio

Jos RafaelPaulo Afonso

Sara Nunes

TtuloSer Professor Satisfao Profissional e Papel das Organizaes de Docentes(Um Estudo Nacional)

AutoresJoo Ruivo (Coord.)Joo SebastioJos RafaelPaulo Afonso (Coord. Inqurito)Sara Nunes

Capa e grafismoRui Monteiro

EdioInstituto Politcnico de Castelo BrancoAssociao Nacional de Professores

PropriedadeInstituto Politcnico de Castelo Branco

ImpressoServios Editoriais e de Comunicao do IPCB

ISBN:978-972-99849-9-0Depsito Legal N. 276312/08Maio 2008

Ser Professor - Satisfao Profissional e Papel das Organizaes de Docentes 1

Prefcio

Vivemos uma conjuntura poltica, econmica, social e atcultural que no motiva a escolha da profisso docente. Serprofessor no fcil. O Estado e a Sociedade olham para a escolae obrigam-na a sarar todos os males sociais que os governos noso capazes de enfrentar.

A escola obriga-se a prevenir a toxicodependncia, a educarpara a cidadania, a formar para o empreendedorismo, a promoveruma cultura ecolgica e de defesa do meio ambiente, a motivarpara a preveno rodoviria, a transmitir princpios de educaosexual, a desenvolver hbitos alimentares saudveis, a prevenira Sida e outras doenas sexualmente transmissveis, a utilizaras novas tecnologias da comunicao e da informao, acombater a violncia, o racismo e o belicismo, a reconhecer asvantagens do multiculturalismo, a incutir nos jovens valoressocialmente relevantes, a prepar-los para enfrentarem comsucesso a globalizao e a sociedade do conhecimento, e sabe-se l mais o qu

Os professores foram treinados para saberem fazer o que semprefizeram e bem: ensinar. Mas, alm disso, todos os dias se lhes exige

2 Joo Ruivo, Joo Sebastio, Jos Rafael, Paulo Afonso, Sara Nunes

o cumprimento de cada vez mais objectivos educativos que asociedade no consegue alcanar.

Entregues a si prprios, sem acompanhamento nem adequada esuficiente formao complementar, os docentes sentem sobre osseus ombros o peso da enorme responsabilidade que lhes imputadapelo Estado e pelas famlias. Vtimas de uma angustiante solidoprofissional, cativos dentro das quatro paredes da sala de aula ondetrabalham, quantas vezes em condies desmoralizadoras, rodeadosde muros e cercas metlicas de vrias origens e com diferentessignificados, os docentes atingem perigosos estdios de desencanto,de desiluso e desmotivao profissional.

Hoje, a profisso de professor caracteriza-se por oferecer poucosestmulos, incentivos, e at razes para que os docentes seenvolvam num processo de motivao e de evoluo qualitativadas suas capacidades pessoais e profissionais.

Por cada nova competncia que se lhes exige, sem acorrespondente formao, o professor vai atingindo nveis cadavez mais preocupantes de incompetncia no cumprimento dessesnovos saberes que se lhe impem e para os quais no foipreparado, aumentando os seus nveis de stress e de erosoprofissional.

Ou seja, o professor desprofissionaliza-se. E estadesprofissionalizao determina o emergir de um progressivo climade mal-estar. Por cada machadada lanada no seu estatutoremuneratrio, por cada tentativa de o funcionalizar, por cada golpedesferido na sua autonomia pedaggica e intelectual, por cadatentativa de denegrir publicamente a sua imagem social, o professorproletariza-se. Isto , deixa de ser um intelectual apto, para setransformar num assalariado com nveis de inaptido externamenteprovocados. Um dos sintomas dessa proletarizao ocorre, desdelogo, quando os professores aceitam mais funes e,simultaneamente, piores condies de trabalho.

A ausncia de um cdigo deontolgico que ajude a consolidar acultura profissional dos docentes tambm no permite que seatenuem os resultados negativos de todas as presses externas emotiva mesmo o aparecimento de sensaes de insegurana e dereceio permanentes. Hoje, alguns professores trabalham emcondies to desanimadoras que no conseguem enfrentar com

Ser Professor - Satisfao Profissional e Papel das Organizaes de Docentes 3

autonomia e liberdade as contradies que dia-a-dia encontramdentro das escolas e junto das famlias dos educandos.

Proclama-se uma escola inclusiva numa sociedade que noacolhe os excludos. Pretende-se promover uma escola para todosnuma sociedade em que o bem-estar e a cultura s esto ao alcancede alguns; em que a escola no consegue integrar os filhos dasfamlias vitimadas por polticas de incria. Tais polticas acentuamo desemprego, o trabalho infantil, a iliteracia, a delinquncia, aviolncia domstica e coagem muitos pais a verem a escolaobrigatria como um obstculo incorporao dos filhos no mundodo trabalho, j que esta no lhes apresentada como uma soluomeritocrtica, porque as polticas e os polticos se revelaramincapazes de tomar medidas que evitassem as clivagens entre osque tudo tm e os que pouco ou nada possuem.

Arvora-se uma escola em que os valores transmissveis noencontram acolhimento em inmeros lares, porque so constitudospor famlias disfuncionais. Uma escola onde se exige o cumprimentode currculos obsoletos, a aplicao e correco de provas deavaliao de conhecimentos, muitas delas de duvidosa validade, eonde a mquina burocrtica da administrao escolar obriga a reunirem rgos, departamentos, comisses, sesses de atendimento

Esta a autntica escola pblica em que trabalha a maioria dosnossos professores. A escola em que tambm preciso (ainda selembram?) que os docentes tenham tempo para ensinar e os alunosencontrem momentos para aprender.

Nestes contextos, o desafio que nos lanou a AssociaoNacional de Professores (ANP) para que realizssemos um estudonacional que recolhesse dados sobre a satisfao profissional dosprofessores e dos educadores, sobre o associativismo docente esobre o eventual interesse na criao de uma Ordem profissionalfoi agarrado por esta equipa do Centro de Estudos e deDesenvolvimento Regional (CEDER) do Instituto Politcnico deCastelo Branco (IPCB) como uma oportunidade para fazer chegarjunto dos professores e dos investigadores o conhecimento domundo interior desta classe profissional.

Realizado o estudo, e sabendo quo escassas so as pesquisascom uma amostra desta relevncia, chegou a nossa vez de desafiara Associao Nacional de Professores a, conjuntamente com o

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Instituto Politcnico de Castelo Branco, divulgar os resultadosobtidos, sobretudo porque entendemos que se vive neste momentoem Portugal uma conjuntura em que vale a pena conhecer o pulsardos professores e das escolas.

Em boa hora se materializa esta iniciativa conjunta porque, faces novas exigncias dos sistemas educativos, os protagonistas dasmudanas desejadas os professores devem ser ganhos emotivados para essas transformaes que tanto pretendem alterara sua cultura e o seu modo de agir profissional. E tal s se conseguecom um conhecimento profundo do modo de pensar e sentir dossujeitos que devem impulsionar as transformaes ambicionadas.

Antes que o mal-estar se instale e a resistncia mudana seenquiste, aqui damos voz aos educadores e aos professores naconvico de que o insucesso dos sistemas educativos no se traduzapenas no insucesso das escolas e dos docentes, mas tambm noinsucesso da funo educativa, funo essa que a Constituioconfere ao Estado.

Joo Ruivo(Vice-presidente do IPCB)

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As razes do estudo

Ao longo dos tempos muito tem sido escrito sobre a profissodocente, vincando a ideia de que a mesma, representando a baseprimeira para a melhoria do sistema educativo e afirmando-se comoinstrumento decisivo para o desenvolvimento do nvel educacionalde todos os cidados, seria colectivamente valorizada e depositriade um reconhecimento expressivo da sociedade. Sucede, porm,que, a par dessa percepo quanto importncia e relevo social daprofisso, outras emergiram j, no seio da classe, que pareciamapontar para um certo desencanto com a profisso, com asorganizaes profissionais, com as polticas educativas, enfim, como seu Estatuto social e profissional.

Perante esta aparente contradio, a Associao Nacional deProfessores que, de h muito vem elegendo como uma dasdimenses estruturantes da sua actuao o aprofundamento doestudo de questes relacionadas com a profisso docente, visandoencontrar caminhos novos que sustentem a sua valorizao ereforcem a sua atractividade, assumiu e props ao Centro deEstudos e de Desenvolvimento Regional do Instituto Politcnicode Castelo Branco (CEDER) a realizao de um estudo de mbito

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nacional que reflectisse, com rigor cientfico, o sentir dos prpriosdocentes, atravs da recolha de dados sobre a sua satisfaoprofissional, sobre o associativismo docente e o eventual interessede criao de uma Ordem profissional.

Com este estudo visavam-se dois objectivos essenciais: primeiro,ir ao encontro do universo da classe docente, auscultando-o, como propsito de fixar um quadro fidedigno do seu sentirprofissional; segundo, saber da relevncia da criao de umaOrdem profissional de docentes.

Se o primeiro objectivo era importante para um conhecimentomais consistente das questes de natureza profissional quepreocupam os docentes, directamente conectadas com o acesso profisso e com o seu exerccio, j o segundo permitiria confirmarou infirmar a justeza e a importncia para a classe da prossecuodo propsito que a Associao Nacional de Professores vinhaafirmando h mais de vinte anos: a criao da Ordem dosProfessores.

Este estudo teria ainda uma importncia acrescida, porquantoseria desenvolvido num tempo em q

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