Sentido Visao

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<p>Apostila do Curso de Fisiologia 2007 Departamento de Fisiologia, IB Unesp-Botucatu Profa. Silvia M. Nishida</p> <p>85</p> <p>SENTIDO DA VISOOndas eletromagnticas e Propriedades da Luz</p> <p>A luz visvel faz parte do espectro da radiao eletromagntica e se encontra entre os 380 e 760nm de comprimento. Esta poro do espectro foi essencial, no s para possibilitar o sentido da viso, mas primariamente para desencadear a vida em nosso planeta. Neste espectro esto a quantidade de energia compatvel com os fenmenos biolgicos que dependem da luz: as plantas realizam a fotossntese e o crescimento fototrpico; a fotossensibilidade tambm est presente nos protozorios e animais multicelulares. A sensibilidade luz ocorre em estruturas denominadas mculas, mas para se enxergar, isto , para se ser capaz formar imagem necessrio adicionalmente um sistema de lentes. Esse rgo ptico coletivamente denominado olho. A cor da luz percebida determianda por trs fatores: matiz (depende do comprimento da onda; o espectro da luz visvel corresponde s matizes que o nosso olho enxerga), saturao (pureza relativa da luz, ou seja, se um objeto nos parece branco porque reflete todas as matizes da luz) e brilho (intensidade da luz). O olho dos vertebrados semelhante a uma cmara fotogrfica, porm bem mais complexo. O olho possui um mecanismo de busca e de focalizao automtica do objeto de interesse, um sistema de lentes que refratam a luz (uma fixa e outra regulvel), pupila de dimetro regulvel, filme de revelao rpida das imagens e um sistema de proteo e de manuteno da transparecia do aparelho ocular. As clulas sensveis luz esto na retina e atravs de um processo fotoqumico, os fotorreceptores transformam (transluzem) ftons em mudanas do potencial de membrana (potencial receptor). Antes dos sinais visuais se tornarem conscientes no crebro, estes so pr-processadas na retina por uma camada de clulas nervosas. As informaes aferentes chegam ao encfalo atravs do nervo ptico (II par de nervos cranianos) e j foram previamente triadas sobre determinadas caractersticas da cena visual. O olho alm de possibilitar a anlise do ambiente distncia, permite discriminar os objetos quanto a suas formas, se esto perto ou longe, se esto em movimento e dependendo da espcie, se so coloridos. Alm da construo visual sobre o ambiente onde se encontram, as imagens so utilizadas como elementos de comunicao. A luz se propaga a 300.000 Km/s. Isso significa que a fotorrecepo uma sensibilidade que pode informar o sistema nervoso central em tempo quase real sobre o que acontece no ambiente</p> <p>Apostila do Curso de Fisiologia 2007 Departamento de Fisiologia, IB Unesp-Botucatu Profa. Silvia M. Nishida</p> <p>86</p> <p>externo, possuindo excelente resoluo espacial e temporal. No vcuo a luz realmente se propaga em linha reta, mas ao atingir a atmosfera terrestre interage com tomos e molculas sofrendo vrios desvios como reflexo, absoro e refrao. A refrao da luz uma propriedade essencial para a formao da imagem. O olho , por excelncia, um rgo dedicado para deteco e anlise das fontes de luz visvel. Alm da luz visvel ser utilizada para a percepo visual, tambm utilizada para organizar os ritmos biolgicos, particularmente aqueles associados a durao do fotoperodo como o ciclo claroescuro (como o ciclo sono-viglia).</p> <p>O campo visualCampo visual de um olho a extenso do ambiente que pode ser vista, estando a cabea imvel. No ser humano o campo visual abrange cerca de 150o e os campos de ambos os olhos se sobrepem em cerca de 120o. A sobreposio dos dois campos na retina proporciona a experincia tri-dimensional do ambiente (relevo e profundidade). A determinao do campo visual de grande importncia clinica, pois as deficincias de partes destes campos permitem correlaes com leses nos diferentes pontos da via visual como ser tratado mais no final desse capitulo. ANATOMIA DO OLHO Quando observamos externamente o olho, vemos as seguintes estruturas. Pupila: abertura que permite a entrada de luz para o interior do globo ocular em direo a retina. ris: cuja pigmentao caracteriza a cor dos nossos olhos, possui dois tipos de msculos lisos de ao antagnica. Crnea: superfcie curva e transparente de tecido conjuntivo que funciona como uma lente de grande capacidade de refrao e filtra os raios UV. Ela sempre lavada pela secreo lacrimal (controlada pelo nervo VII) que espalhada pelas plpebras que se sobem e descem. Plpebra: a elevao causada pelo msculo elevador da plpebra ativado pelo III par. Esclera: tecido conjuntivo rgido e esbranquiado que continua a crnea. O conjunto esclera e crnea que do a forma esfrica do olho. Msculos extrnsecos do olho associada a esclera esto seis pares de msculos esquelticos que garantem o movimento do globo ocular. Nervo ptico: fibras nervosas que transportam as informaes visuais para a base do crebro, prximo a glndula pituitria. Agora, vamos estud-la por dentro. O globo ocular uma estrutura quase esfrica e no homem adulto tem cerca de 2,5cm. A parede composta de trs camadas concntricas: a Esclera: camada mais externa, derivada da duramter; a Coride: camada intermediaria, derivada da pia-mater e</p> <p>Apostila do Curso de Fisiologia 2007 Departamento de Fisiologia, IB Unesp-Botucatu Profa. Silvia M. Nishida</p> <p>87</p> <p>aracnide. intensamente vascularizada e recoberta por um epitlio pigmentado que absorve o excesso de luz evitando reflexes indesejveis sobre os fotorreceptores da retina. Finalmente, a Retina: a camada mais interna composta de fotorreceptores e clulas nervosas, na verdade, uma expanso perifrica do SNC que recobre 2/3 da coride. Com um oftalmoscpio podemos ver como a retina (no caso, do direito) . Observamos uma rede vascularizada originada no disco ptico, que de onde o nervo ptico emerge da retina. Esta regio desprovida de fotorreceptores e, portanto, conhecido como ponto cego do olho. Na regio que aparece mais amarelada corresponde mcula ltea. Repare que so praticamente desprovidos de vasos e o ponto central da retina. Em seu ponto mais central est a fvea local onde a focalizao da luz ocorre. Na poro anterior est o msculo ciliar constitudo de fibras musculares lisas que se prendem prximo s junes da crnea com a esclera. Do corpo ciliar partem ligamentos suspensores (fibras zonulares) que prendem o cristalino uma estrutura transparente e elstica que junto com a crnea funciona como uma lente. Sob a atividade do msculo ciliar (controlada por fibras ps-ganglionares parassimpticas do III par de nervos cranianos), a sua curvatura pode ser modificada, tornando-se uma lente mais ou menos convergente. A ris regula a entrada de luz pela pupila, cujo dimetro pode variado graas ao antagnica de dois msculos lisos: o msculo esfncter da pupila causa reduo do dimetro pupilar (miose) e o msculo dilatador da pupila causa aumento (midrase). A midrase causada pela atividade autonmica simptica (cujos neurnios pr-ganglionares esto na medula T1 e T2) e a miose mediada pela atividade das fibras parassimpticas do III par de nervos cranianos. O olho possui ento um mecanismo automtico para regular a quantidade de luz que passa pela pupila variando o seu dimetro. Observe que entre a crnea e o cristalino forma-se a cmara anterior e entre o cristalino e a ris, a cmara posterior. Ambas as cmaras so preenchidas com o humor aquoso, liquido transparente semelhante composio plasmtica que produzido pelo epitlio que recobre o corpo ciliar (difuso e transporte ativo). O liquido drenado pelo canal de Schlemm, um canal venoso que se localiza entre a ris e a crnea. Uma obstruo deste canal provoca aumento da presso intraocular e leso das clulas retinianas causando o glaucoma. O espao entre o cristalino e a retina ocupado por um gel transparente denominado humor vtreo contendo fibras submicroscpicas e cido hialurnico. Estes dois lquidos ajudam a dar forma ao olho.</p> <p>Os movimentos oculares(http://medstat.med.utah.edu/neurologicexam/home_exam.html)Os msculos extrnsecos dos olhos garantem o posicionamento da imagem na regio de maior preciso sensorial (fvea). Para isso, seis pares de msculos (estriados) movimentam o globo ocular de maneira rpida, precisa e coordenada. Esses movimentos oculares podem ser classificados segundo a: 1) COORDENAAO BINOCULAR. O movimento de ambos os olhos pode ser conjugado (movimento dos dois olhos na mesma direo e velocidade) ou disjuntivo ou vergncia (convergncia e divergncia).</p> <p>Apostila do Curso de Fisiologia 2007 Departamento de Fisiologia, IB Unesp-Botucatu Profa. Silvia M. Nishida</p> <p>88</p> <p>2) VELOCIDADE. So sacdicos se so muito rpidos, independentes do movimento do objeto ou de segmento quando so lentos e seguem o movimento do objeto. 3) TRAJETRIA So radiais se o eixo visual se desloca para qualquer direo e torsionais quando o eixo permanece fixo e s os globos se mexem. Os msculos extrnsecos do olho so controlados pelos nervos motores cranianos oculomotor (III), abducente (IV) e troclear (VI) cujos ncleos motores situam-se no tronco enceflico. Veja os seis movimentos cardinais dos olhos e os respectivos msculos e nervos cranianos envolvidos no controle da motricidade ocular. A paralisia motora pode alterar a percepo visual.</p> <p>Leso unilateral perifrica do III par: plpebra cada; no consegue aduzir o olho E. Note o olho E midritico.</p> <p>Msculos ocularesMsculo ocular Reto superior Reto inferior Reto lateral Reto medial Obliquo superior Obliquo inferior Ciliar Circular da ris Radial da ris Tipo de fibra Estriada esqueltica Estriada esqueltica Estriada esqueltica Estriada esqueltica Estriada esqueltica Estriada esqueltica Lisa Lisa Lisa Tipo de movimento Vertical de elevao Sacdico e de segmento Vertical de abaixamento Sacdico e de segmento Horizontal de abduo Disjuntivo divergente Sacdico e de segmento Horizontal de aduo Disjuntivo convergente Sacdico e de segmento Torsional, sacdico? Torsional, sacdico? Relaxamento da znula curvatura do cristalino Miose Midrase Inervao Eferentes motoras somticas III Eferentes motoras somticas II) Eferentes motoras somticas VI Eferentes motoras somticas III Eferentes motoras somticas IV Eferentes motores somticas III SNA PS Eferentes viscerais gerais III SNA PS Eferentes viscerais gerais III SNA simptico Eferentes viscerais gerais T1</p> <p>Os msculos lisos que medeiam respostas viscerais apresentam s exprimem reaes reflexas, mas os msculos esquelticos participam de reaes voluntrias e reflexas.</p> <p>A FORMAO DA IMAGEM PELO OLHO AUTOMTICAO olho coleta os raios luminosos emitidos ou refletidos pelos objetos e focaliza-os AUTOMATICAMENTE sobre a retina para formar uma imagem sempre ntida. A crnea e o cristalino Quando os raios luminosos paralelos incidem sobre uma lente biconvexa, so refratados para um ponto (foco principal), atrs da lente. A distncia entre o centro da lente at o foco principal denominada distncia focal (f). A</p> <p>Apostila do Curso de Fisiologia 2007 Departamento de Fisiologia, IB Unesp-Botucatu Profa. Silvia M. Nishida</p> <p>89</p> <p>dioptria mede a capacidade de refrao da lente e corresponde ao inverso da distncia focal (dp=1/f). A crnea possui um poder refrativo prximo 42m, ou seja, a sua f de 0,024m e o cristalino tem capacidade de refratar em torno de 10 dioptrias. Para os objetos distantes, a crnea sozinha capaz de formar imagens na retina. Mas medida que os objetos se aproximam, as luzes refletidas do objeto comeam a divergir e aumentar a distncia focal. Como manter ntida a imagem de um objeto que se aproxima? A soluo foi o cristalino aumentar o seu poder de refrao tornando-se mais convexo. Essa capacidade de focalizar a imagem dos objetos sobre a retina alterando o poder de difrao do cristalino denominamos acomodao visual. Mecanismo da acomodao visual Lembre-se que o cristalino possui ligamentos suspensores ou zonulares associados aos msculos lisos do corpo ciliar. Quando estes msculos esto relaxados, a lente fica tensa pelos ligamentos (viso para objetos distantes). Quando o msculo ciliar entra em atividade os ligamentos relaxam e o cristalino muda de forma, aumentando a sua curvatura. Este mecanismo totalmente reflexo (automtico) e controlado pelo sistema nervoso autnomo parassimptico, atravs dos nervos ciliares curtos, que acompanham o III par de Figura desenvolvida por C. Lobato nervos cranianos. Assim, quando o olho focaliza objetos a mais de 9m, o msculo ciliar est relaxado e os raios luminosos focalizam a imagem sem precisar do cristalino. Mas medida que o objeto comea a se aproximar, o msculo ciliar inicia a contrao, o cristalino comea a se tornar esfrico aumentando o seu poder de convergncia luminosa. Repare que a viso de perto ou de longe s pode ser feita uma de cada vez: se focalizarmos objetos prximos, o fundo perde a nitidez e se focalizarmos objetos distantes, os que esto prximos perdem o foco. Esta experincia visual evoca a percepo qualitativa sobre a distncia relativa dos vrios objetos dentro do campo visual. Finalmente, importante lembrar que, durante a formao da imagem dos objetos prximos, alm da acomodao visual, ocorrem movimentos oculares (convergncia) e a reduo do dimetro pupilar (miose), nessa ordem. Esses trs mecanismos garantem que um objeto seja focalizado automaticamente de maneira ntida sobre a retina, quando comea a se aproximar. Se ele se afastar, acontecer exatamente o contrrio: o msculo ciliar relaxa, os olhos divergem e a pupila dilata. A acomodao visual extremamente eficiente nos jovens que podem acrescentar at 12 dioptrias ao poder de difrao. Com a idade (a partir dos 40 anos) a elasticidade do cristalino vai sendo perdida e a viso de perto vai se comprometendo. Este problema chamado de presbiopia pode ser corrigido com os auxlios de culos com lentes convexas (os pacientes reclamam que no esto enxergando de perto e que o brao esta ficando curto para ajustar a distancia de leitura...). Acuidade Visual Acuidade visual relaciona-se com a capacidade de resoluo espacial de dois pontos e depende da densidade dos receptores na retina e do poder de refrao do sistema das lentes pticas. Distncias na retina so referidas em termo de ngulo visual. Assim dizemos que a capacidade do olho resolver dois pontos est associada com certo nmero de ngulo visual. Quando so realizados testes visuais com letras e nmeros de diferentes tamanhos num consultrio oftalmolgico, est se pesquisado justamente como anda a acuidade visual do paciente. O olho (a regio da fvea) possui uma capacidade to acurada para descriminao que ser capaz de discriminar duas linhas afastadas por 0,29mm a uma distancia de 1 metro!!!</p> <p>Apostila do Curso de Fisiologia 2007 Departamento de Fisiologia, IB Unesp-Botucatu Profa. Silvia M. Nishida</p> <p>90</p> <p>Deficincias visuais devido aos mecanismos de formao de imagem na retina Denominamos olho emenotrpe aquele que focaliza os objetos sem o uso da acomodao. Mas algumas pessoas no conseguem formar uma imagem com nitidez na retina ao observar objetos distantes parecendo-lhes embaados. Porm, enxergam bem os objetos prximos. Chamamos esse olho de mope e o uso de lentes divergentes resolve o problema. Outras no apresent...</p>