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SENTENA CONTRA GUSMO

Advogado: FABIANO ALMEIDA RESENDEData da Disponibilizao: 12042012Jornal: Dirio Eletrnico da Justia da Bahia - Cad. III Entrncia Intermediria - EstadualData da Incluso no INTEGRA: 12042012 11:05:14Orgo: Justia EstadualVara: Vara de Relaes de Consumo-IlhusPgina: 129Descrio1VARA DOS FEITOS RELATIVOS S RELAES DE CONSUMO CVEIS COMERCIAISE ACIDENTES DO TRABALHO 1VARA DOS FEITOS RELATIVOS S RELAES DE CONSUMO CVEIS COMERCIAIS E ACIDENTES DO TRABALHO DACOMARCA DE ILHUS -BAHIA.JUIZ DE DIREITO TITULAR: BEL. CLEBER RORIZ FERREIRADIRETOR DE SECRETARIA: BEL. FREDERICO DE SOUZA LIMA ASSESSOR: BEL. ALVARO AMORIM DOURADO LAVINSKY Tcnica Judiciria: ALDICEA BORGES SANTANA Tcnica Judiciria: VERNICA BISPO DO NASCIMENTO Oficial de Justia: Lilian Cristina de Oliveira Oficial de Justia: Lydio Eduardo Ferreira Neto Expediente do dia 11 de abril de 2012 0000520-44.2011.805.0103 - Procedimento Ordinrio Autor(s): Carlos Samuel Freitas Costa Advogado(s): Fabiano Almeida ResendeReu(s): Emilio Gusmao Advogado(s): Jorge Alves de Almeida Sentena: Fundamento e Decido. A matria debatida nos autos somente de direito e de fato documentalmente comprovvel autorizando o julgamento antecipado da lide a teor do que dispe o artigo 330 I do Cdigo de Processo Civil. No acolho as preliminares delitispendncia e conexo. O presente caso refere-se a textos distintos dos mencionados no processo 0000774-17.2011.805.0103. Embora as partes sejam idnticas a causa de pedir manifestamente diversa bem como so diferentesos pedidos a exemplo do pleito de retirada das matrias julgadas ofensivas.Deste modo no se configuram presentes os requisitos configuradores da litispendncia ou da conexo respectivamente previstos nos artigos 301 3 e 103 do Cdigo de Processo Civil. No caso em exame h ntido conflito entre o princpio da liberdade de imprensa o direito de informao e o direito intimidade e vida privada. No conflito de princpios constitucionais na relao individual e concreta h um iter a ser percorrido pelo julgador em que cabe a ele eleger o valor a ser tutelado: 1. Identificam-se em razo de um determinado fato da vida os princpios no no plano abstrato mas no caso concreto (o aludido magistrado sugere inclusive como exemplo para a hiptese por coincidncia o princpio da liberdade de imprensa versus o do direito privacidade); 2. mediante o que se chama de regra de conformao ou de concordncia entre princpios colidentes manda solucionar a questo ponderando-se os valores em conflito a fim de identificar o que deve prevalecer no caso examinado; e 3. como conseqncia salienta a restrio ou limitao de um ou de ambos os princpios mas no elimina nem exclui qualquer deles do sistema jurdico enfocado. (...) Ocorrendo a coliso entre dois princpios d-se valor decisrio ao princpio que no caso tenha um peso relativamente maior sem que por isso fique invalidado o princpio compeso relativamente menor.(ZAVASCKI Teori. Os princpios constitucionais do processo e as suas limitaes apud. ROCHAE ldio Torret. tica Liberdade de Informao Direito Privacidade e Reparao Civil pelos ilcitos da Imprensa.Os direitos da personalidade igualmente tutelados pelo sistema constitucional constituem limite da liberdade de imprensa. O que no implica censura da imprensa livre mas estabelece que a liberdade de imprensa ampla mas no absoluta nem ilimitada. Sobre essa questo j se disse: A liberdade ilimitada distanciada do interesse social e do bem comum no concilivel no mundo contemporneo porque se o pensamento inviolvel e livre a sua exteriorizao deve ser limitada pelo interesse coletivo condicionado seu exerccio ao destino do patrimnio moral da sociedade do Estado e dos prprios indivduos.(NOBRE Freitas. Comentrios lei de imprensa p. 6).O intrprete possui a tarefa de delimitar o limite de aplicabilidade das duas regras constitucionais - o de informar e criticar de um lado e o de resguardar a intimidade a honra vida privada e imagem de outro. A respeito preleciona CLUDIO LUIZ BUENO DE GODOY: (...) Se so direitos de igual dignidade e separa soluo de seu conflito no h recurso possvel aos critrios que tomam por base a hierarquia cronologia ou especialidade dos dispositivos que o contemplam impe recorrer ao critrio eqitativo juzo de ponderao que se faz entre a honra privacidade imagem da pessoa de um lado e a liberdade de expresso e comunicao de outro. (GODOYCludio Luiz Bueno de. A Liberdade de imprensa e os direitos da personalidade. Ed. Atlas p.7174). Veja-se ainda sobre o mesmo tema:Assim pode-se afirmar e a concluso natural que o contedo essencial do direito fundamental intimidade ser sempre relativo quando contraposto ao direito informao j que a tarefa de ponderao deve levar em conta que os bens jurdicos constitucionais encontram-se mtua e reciprocamente condicionados visto que o seu contedo essencial no tem dimenso abstrata independente dos critrios hermenuticos do juzo valorativo do intrprete nem est apto a significar uma medida determinada em si mesma separada da totalidade da Constituio.(FLACH Daisson. O direito intimidade e vida privada e a disciplina dos meios de comunicao. in A reconstruo do direito privado. Ed. Revista dos Tribunais p. 374375).Adotando-se a tcnica de ponderao de valores evidencia-se que os direitos intimidade e honra devem prevalecer no caso em anlise pois o Demandado agiu de forma ilcita extrapolando o seu direito de informar.As matrias QUAL O PIOR SECRETRIO DO GOVERNO NEWTON LIMA CARTA ANNIMA ACUSA CARLOS FREITAS DEVENDER MADEIRA DOADA PELO IBAMA ILHUS SUJA E ABANDONADA A CULPA DE CARLOS FREITAS O XERIFO JERA! QUEM MANDA BAHIA O SECRETRIO QUE UMA IMORALIDADE PBLICA E AGORA VALENTO HUMOR: OPICA-PAU HUMOR: DE JOELHOS evidenciam uma animosidade pessoal entre o Autor e o Ru que no raro descamba para o campo das ofensas pessoais. A animosidade entre os litigantes fica evidenciada por exemplo na nota O SECRET-RIO QUE UMA IMORALIDADE PBLICA em que o Ru afirma ter um vdeo em que chamado de canalha pelo Autorretrucando que este deveria estar olhando para um espelho fls.25. neste nvel que o Ru nas matrias supracitadas afirma que o Demandante o secretrio da sujeira pblica valento xerifo boquirroto desequilibrado uma imoralidade pblica e que se apresentou embriagado em pblico. Baseando-se em carta annima afirma que o Autor cometeu crime ao vender madeira doada pelo Ibama. Em outra postagem do blog afirma que a Polcia Federal vai ao gog de Carlos Freitas. J em matrias ditas de humor o Autor retratado em charges como a personagem de desenho pica-pau em aluso suposta venda de madeira do IBAMA ou ajoelhado e de calas curtas a pedir a beno a outro secretrio municipal. H de se registrar que nas matrias o demandante foi identificado claramente atravs de nome e profisso sendo-lhe imputada a prtica de crime e uma srie de expresses injuriosas. Evidenciados no caso a conduta a culpa o dano e o nexo causal passo a mensurar o valor devido a ttulo de danos morais. Para tanto devem ser levadas em conta a condio social e profissional do autor as repercusses que o fato ocasionou sua vida pessoal sem se olvidar que a indenizao em tela apenas tem o condo de diminuir os transtornos sofridos e determinar que a r evite casos anlogos (teoria punitivedamages). H tambm de se considerar as condies financeiras e o grau de intensidade do dolo ou da culpa do agente de modo a que a indenizao no seja irrisria nem excessiva a ponto de tornar impossvel o cumprimento da obrigao. O Autor poca Secretrio Municipal de Servios Urbanos pessoa conhecida na localidade em que reside ao passo que o blog em que foram veiculadas as notcias um dos mais acessados da regio de maneira que os fatos alcanaram grande repercusso. Alm disso tenho que o Ru atuou com elevado grau de culpa ao imputar sem provas a prtica de crime e veicular noticias de forma injuriosa ocupando grande parte do blog. No que tange ao valor dos danos morais o Superior Tribunal de Justia em casos semelhantes tem fixado os valores indenizatrios com parcimnia evitando-se o uso abusivo da teoria do punitive da mages e a condenao em quantias exorbitantes conforme se visualiza nos seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. INDENIZAO POR DANO MORAL. NOTCIA EM PERIDICO. DISSDIO JURISPRUDENCIAL NO CARACTERIZADO. PROCURAO. JUNTADA AOS AUTOS DE EXCEO DE INCOMPETNCIA. POSSIBILIDADE. ART. 254 DO CPC. INDENIZAO ARBITRADA PELO MAGISTRADO A PEDIDO DA PARTE. INTERESSE DERECORRER. CUMULAO PEDIDO DE RESPOSTA COM INDENIZAO DANOS MORAIS. POSSIBILIDADE. PEDIDO DERESPOSTA EXTRAJUDICIAL. PRESSUPOSTO DESNECESSRIO. FORMATO. ARTIGO 30 DA LEI DE IMPRENSA. PRAZODECADENCIAL. INEXISTNCIA. TARIFAO INDENIZAO. IMPOSSIBILIDADE. DANO MORAL. REVISO DA OCORRNCIA. IMPOSSIBILIDADE. SMULA 7STJ. VALOR DA INDENIZAO. ADEQUAO. POSSIBILIDADE. 1. A ressalva trazida pelo inciso II do artigo 254 sabidamente alcana os incidentes processuais que so processados em apenso aos autos principais como in casu a exceo de incompetncia. 2. No tocante ao dissdio jurisprudencial verifica-se que no foi realizado o necessrio cotejo analtico afim de identificar a presena da similitude ftica. 3. J decidiu a Corte sem discrepncia que se o autor pediu que o juiz arbitrasse a indenizao era lcito ao auto rinconformado com o arbitramento pedir ao Tribunal que revisse o valor arbitrado pelo juiz. Em tal caso no faltava como no falta interesse para recorrer (Cd. de Pr. Civil art. 3 e 499) (REsp n 123.523-SP Relator o Senhor Ministro Nilson Naves DJde 28699) (...).((REsp 330256 MG Rel. Ministro CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO DJ 30092002 p. 255). 4. O magistrado no est obrigado a julgar a questo submetida a seu exame de acordo com o pleiteado pelas partes e sim com o seu livre convencimento utilizando-se dos fatos provas jurisprudncia aspectos pertinentes ao tema e da legislao que entender aplicveis ao caso (REsp 677.520PR 1 Turma Rel. Min. Jos Delgado DJ de 21.2.2005). 5. assegurado o direito de resposta proporcional ao agravo alm da indenizao por dano material moral ou imagem; (Constituio de19