semmais 31 dezembro 2015

Download Semmais 31 dezembro 2015

Post on 25-Jul-2016

213 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Edição Especial do Semmais de 31 de Dezembro

TRANSCRIPT

  • Quinta-Feira 31 | Dezembro | 2015

    Diretor Raul TavaresSemanrio | Edio 884 | 9 srie

    Regio de SetbalDistribudo com o Expresso

    Venda interditasemmaisSo dezenas de instituies que, no terreno, vo apoiando carenciados, amenizando os efeitos da crise e suavizando as bolsas de pobreza. Mas tambm criam emprego, formam especialistas e contribuem decisivamente para a economia regional. So estes retratos que apresentamos nesta edio especial para fecharmos o ano em jeito de homenagem ao setor social.

    O que vale O terceirO SetOr nO diStritOediO eSPecial

    OPiniO de catarina MarcelinO e tOMS cOrreia

    A secretria de Estado da Igualdade e Cidadania escreve que a igualdade, liberdade e solidariedade so chaves para uma cidadania plena. E o presidente da Associao Mutualista Montepio, Antnio Toms Correia, afirma que o terceiro setor faz parte de uma economia que produz solidariedade.

    PrXiMa ediO reGreSSa a 16 de JaneirO

    Tal como tem acontecido nos ltimos anos, o Semmais vai ter uma paragem tcnica at prxima edio do dia 16 de Janeiro do prximo ano. Altura para procedermos a alteraes grficas e editoriais. Desejamos aos nossos leitores, amigos e clientes, um ano de esperana, prosperidade e sucesso.

    ENTREVISTA EXCLUSIVA A d. JOS OrnelaS carvalHO

    viveMOS uMa diOceSe cOM HiStria e a iGreJa de Setbal eSt fOrte e PuJanteO novo bispo de Setbal, d. Jos Ornelas carvalho garante que a igreja sadina est forte e pujante. lembra que os seus dois antecessores, d. Manuel Martins eD.GilbertoCanavarrodosReis,fizeramahistriadosltimos40anosdaDioceseeconstruramosseusalicerces.Noprometejurascontinuidadepois,afirma,asmudanasserofeitasmedianteasdificuldadesedesafiosquevieremasurgirdurante o seu magistrio.

    semmais_revista.indd 1 12/29/15 2:47:36 PM

  • 2 | semmais | Quinta-feira | 31 Dez 2015

    bispo de setbal, em entrevista, reafirma histria da diocese e promete mudanas ao sabor dos desafios

    Podemos afirmar hoje que temos uma Igreja em Setbal forte e pujanteO novo bispo, D. Jos Ornelas Carvalho afirma que a Igreja em Setbal est forte e pujante. Reafirma os votos de que esta misso na diocese sadina para levar com abnegao e alegria e confia na cada vez maior articulao das instituies sociais e de solidariedade na regio.

    DJos Ornelas de Carvalho bispo de Setbal desde No-vembro e sente-se ao leme de um rebanho especial que foi sempre bem liderado, numa alu-so aos seus antecessores, D. Ma-nuel Martins, o bispo fundador da diocese, e D. Gilberto Canavarro dos Reis, o seu antecessor. Tal como afianou, quando foi nomeado pelo Papa Francisco, D. Jos Ornelas estava em vias de seguir para um misso em frica, mas desgnios maiores se levanta-ram. No podia ser de outro modo, foi um voto de misso que alterou todos os meus objetivos, mas recebido com grande alegria, quero estar perto do povo da igre-ja e das populaes que sofrem. Sou um mero Pastor vou exerce o meu ministrio com toda a alma, diz ao Semmais, neste primeira entrevista. As suas primeiras impresses sobre a realidade do distrito, as suas gentes e a realidade social atual, so grandes preocupaes para a diocese, afirma o Prelado Sadino. Vim encontrar muita gente que foi atingida pela crise, mas tambm instituies muito fortes que esto a fazer um traba-lho excepcional, desde a Critas Diocesana, s misericrdias e ou-tras ligadas solidariedade. H um trabalho articulado, com re-sultados, que preciso e necess-rio continuar porque trabalhar em conjunto oferece mais oportuni-dades e sadas. No num sentido de resignao, mas para identifi-car dificuldades e limitar os pro-blemas, confessa D. Jos Ornelas de Carvalho.O Bispo de Setbal acrescenta mesmo que as entidades polticas com quem j manteve contacto, nomeadamente algumas autar-quias da regio, revelam uma grande boa vontade. Mas o maior problema, sustenta, a falta de meios e a incapacidade de fazer mais. D. Jos Ornelas diz que a realidade dura, para a qual es-

    sencial encontrar respostas con-juntas que vo para alm da pol-tica, sobretudo a capacidade de trabalhar em rede. No sendo favorvel s polti-cas meramente assistencialistas, D. Jos Ornelas de Carvalho, ad-mite que as mesmas, se obedece-rem a carcter de urgncia, cons-tituem um servio necessrios aos mais carenciados, mas, adianta, o fundamental ser en-contrar caminhos que autonomi-zem as famlias, com o emprego em primeiro lugar. Estamos a fa-lar de dignidade humana, que a todos merecida.

    Diocese de Setbal tem uma histria de 40 anos

    Em termos de magistrio, o novo Bispo de Setbal alude a um tra-balho, para j com uma certa con-tinuidade, tendo em conta o que foi desenvolvido nos ltimos 40 anos pelos seus dois antecessores. Esta diocese tem uma histria que foi construda pelos meus an-tecessores, que fizeram um gran-de trabalho. Nada muda radical-mente, o mesmo no significa que tenha que dar uma continuidade. Temos perfis diferentes e nesta fase inicial conto com todos, os bispos que construram esta dio-cese e toda a igreja viva, afirma. Mas promete tambm mudan-as para um segundo ciclo, depois de tomar mais o pulso da sua mis-so e, sobretudo, perante as difi-culdades e desafios que se coloca-rem. D. Jos Ornelas de Carvalho diz que atualmente a diocese, em termos pastorais, est bem servi-da. H 40 anos tnhamos ao ser-vio da Igreja de Setbal meia d-zia de padres, hoje est composta e com muita juventude. H uma dinmica diferente que preciso coordenar num exerccio normal de liderana. Cabe-me esse papel de Pastor. Mas estou a encontrar uma grande colaborao e aber-tura das parquias. Setbal um

    Igreja em movimento, forte e pu-jante, salienta. E no esquece as religiosas e religiosos (os caris-mas) que fazem um trabalho no-tvel na diocese. A crise do sacerdcio um ou-tro tema delicado, mas, como su-

    a dinmica do papa francisco d esperana e aproxima crentes e no crentesPara D. Jos Ornelas Carvalho, o Papa Francisco trouxe uma igre-ja em movimento. hoje um das vozes mais escutadas em todo o mundo e o rosto do Evangelho. O seu discurso d esperana e a sua proximidade com as pessoas e com os seus problemas, acen-tua essa proximidade.

    gere, no um problema da Set-bal nem do pas. Trata-se, diz o Prelado sadino, de saber encon-trar formas de atrair essas voca-es Igreja de Roma e aliment--las de todas as formas, incluindo a formao.

    semmais_revista.indd 2 12/29/15 2:47:37 PM

  • semmais | Quinta-feira | 31 Dez 2015 | 3

    Falar de cidadania falar de igualdade, falar de liberda-de, falar de solidariedade. E assim quando falamos de cidadania estamos a falar de direitos e deveres, numa socieda-de que, em pleno Sc. XXI, se depara com exigncias e desafios, no plano nacional e no plano internacional, que no podem deixar de ser considerados ao nvel das polticas pblicas.Hoje, final de 2015, ao nvel nacional os dados sobre rendi-mentos, pobreza e excluso social colocam um desafio sociedade portuguesa. Esta realidade, provocada pela situao econmica, social e pol-tica dos ltimos 4 anos, tem como fatores explicativos, a diminuio brutal dos rendimen-tos das famlias, por via do desemprego, dos cortes salariais na administrao pblica, da desvalorizao do valor do trabalho e do aumento significa-tivo da carga fiscal. A par com o empobrecimento global do pas cujo valor do risco da pobreza, segundo dados do INE, atingiu em 2014 19,5%, as medidas especficas de combate pobreza, em vez de serem reforadas ou pelo menos mantidas, sofreram um desinves-timento acentuado. Segundo os dados do INE, esto em maior risco de pobreza as famlias monoparentais (34,6%) e as famlias com 3 ou mais crianas a cargo (37,7%), sendo as mulheres as mais atingidas pelo risco de pobreza. A pobreza entre as crianas de 24,8% e as pessoas mais atingidas so aquelas que esto em situao de desemprego com um risco de 42%. Para responder de forma justa e

    equilibrada a esta situao, o Governo ir repor os nveis de proteo s famlias em situao de pobreza, criar um complemen-to salarial anual atravs de um crdito fiscal (imposto negativo) para trabalhadores em situao de pobreza e rever os montantes do abono de famlia.No plano Europeu h desafios impar que se colocam, designa-damente no que diz respeito recolocao e acolhimento de pessoas refugiadas, em particular provenientes da Sria e do Iraque. Portugal disponibilizou-se para receber cerca de 5.000 pessoas das 160.000 que esto na Grcia e Itlia, tendo j chegado o primeiro grupo de 24 pessoas ao nosso pas. O Estado Portugus, atravs de um grupo de trabalho constitudo para efeitos de acolhimento de refugiados, coordenado pelo Servio de Estrangeiros e Fronteiras e com a participao do Alto Comissariado para as Migraes, Organizaes No Governamentais como a Platafor-ma de Apoio aos Refugiados, o Centro Portugus para os Refugiados, a Comunidade Islmica, a Unio das Misericr-dias, a Cruz Vermelha Portuguesa ou ainda em representao das Cmaras Municipais a Associao Nacional de Municpios, tem vindo a trabalhar na preparao de uma resposta integrada para aqueles e aquelas que chegam, que permita a integrao plena destas pessoas. Estamos no final de um ano de viragem, 2016 um ano de confiana, confiana num Portugal mais justo, mais solid-rio, onde a cidadania ser exercida de forma mais plena e efetiva.

    Prioridade: CidadaniaCatarina MarcelinoSecretria de Estado para a Cidadania e Igualdade

    indiscutvel que a econo-mia social e solidria entre ns constitui um impor-tante fator de desenvolvimento, que cria emprego, produz riqueza e, sobretudo contribui para a resoluo das necessidades dos portugueses em campos to variados como o apoio aos mais vulnerveis, educao, desporto, proteo ambiental e cultura.Mas se o seu contributo incontornvel, no menos verdade que est longe de ocupar o lugar que devia no contexto da economia portuguesa e que continua aqum das suas potencialidades, quando compa-ramos a atividade desenvolvida com a que se verifica noutros pases europeus.Naturalmente qu