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seminário de fiolosofia

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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARABACENTRO DE CINCIAS DA SADEPROGRAMA DE PS-GRADUAO EM ENFERMAGEMDISCIPLINA: FUNDAMENTOS FILOSFICOS DA CINCIA E DA ENFERMAGEM

    Joo Pessoa PB 2013

    Ronaldo Bezerra de QueirozTatyana Atade Melo de Pinho

  • O conhecimento representa uma necessidade histrica do homem no processo de domnio e transformao da natureza. um dos objetos de estudo dos filsofos ao longo da histria Problemas relacionados ao processo do conhecer so estudados pela Teoria do Conhecimento e Gaston Bachelard um desses estudiosos

    Na sua viso, o conhecimento cientfico s pode se desenvolver quando supera obstculos. Estes so entraves no mago do prprio ato de conhecer. A experincia primeira e a generalizao apressada so dois obstculos, entre outros, a serem superados tanto nos processos estritamente cientficos, quanto naqueles que envolvam ensino-aprendizagem

  • Ao longo da histria, diversos filsofos e epistemlogos buscaram analisar e compreender como ocorre o processo de produo do conhecimento cientfico e apropriao pelos seres humanos. Um dos pensadores modernos que se preocupou com a Teoria do Conhecimento Gaston Bachelard (1884-1962), que compreende o ato de conhecer como um ato de negao.

  • Esse pensador enfatiza o processo de construo da cincia, suas fronteiras e diferenas em relao ao senso comum e apresenta a noo de obstculo epistemolgico como categoria central para compreender a pedagogia da processualidade da cincia Explicita que o desenvolvimento do esprito cientfico ocorre atravs da superao destes obstculos e, por isso, os descreve e caracteriza dentro da cincia moderna.

  • O ato de conhecer d-se contra um conhecimento anterior, destruindo conhecimentos mal estabelecidos, superando o que, no prprio esprito, obstculo espiritualizao Desta forma, o desenvolvimento da cincia se d por um processo descontnuo, onde h a necessidade de se romper com um conhecimento anterior, destru-lo para poder assim construir um novo.

  • A formao do esprito cientfico passa, segundo Bachelard (1996, p. 11), por trs estados: no estado concreto, o esprito apropria-se das primeiras imagens e gera suas concepes iniciais; no estado concreto-abstrato o esprito, mesmo apegado a suas experincias, inicia um processo de generalizao ao acrescentar esquemas cientficos; e o estado abstrato, onde o esprito j consegue problematizar suas experincias e gerar conhecimentos a partir de seus questionamentos.

  • Os atos impeditivos a formao do esprito cientfico ocorrem em termos de obstculos, So atos que provocam a estagnao e regresso no processo de evoluo da cincia e de apropriao do prprio conhecimento. no mago do prprio ato de conhecer que aparecem, por uma srie de imperativo funcional, lentides e conflitos (BACHELARD, 1996, p.24).

  • Para Bachelard (1996, p. 18), aquilo que cremos saber ofusca o que deveramos saber. Assim, segundo Zorzan (2006), os obstculos podem ser compreendidos como resduos de conceitos anteriores, que impedem mudanas de antigos conceitos importantes em um passado para novos conhecimentos. Assim, acender cincia, rejuvenescer espiritualmente, aceitar uma brusca mutao que contradiz o passado (BACHELARD, 1996, p. 18).

  • Na interpretao de Kummer (1999), a teoria bachelardiana prev que todo o saber cientfico deve ser reformulado, pois assim a cincia se mostrar viva, pois se reconstri atravs de retificaes. Quando os erros so corrigidos ou retificados que chegamos verdade.

    Vrios so os obstculos que impedem as rupturas e evolues na cincia. Para Bachelard (1996, p.18), a opinio o primeiro obstculo a ser superado. A cincia contra a opinio, pois a opinio pensa mal; no pensa: traduz necessidades em conhecimento. No podemos opinar sobre aquilo que no sabemos

  • Devemos sim, buscar conhecimentos para superar essa deficincia. Desta forma, o verdadeiro esprito cientfico aquele que se ope, questiona e pergunta. Todo novo conhecimento uma resposta para uma pergunta.

    Muitas vezes, a acomodao o principal fator capaz de destruir um esprito cientfico. Este o momento em que o esprito prefere confirmar aquilo que sabe ao invs de question-lo e torn-lo mais verdadeiro.

    Dessa forma, para um epistemlogo, o grande objetivo colocar a cultura cientfica em estado de mobilizao permanente, substituir o saber fechado e esttico por um conhecimento aberto e dinmico, dialetizar todas as variveis experimentais, oferecer enfim razo razes para evoluir. (BACHELARD, 1996, p.24)

  • Por ser um ser histrico e social, o homem tem necessidades que, sempre que supridas, geram novas necessidades. Assim tambm no conhecimento: o homem precisa conhecer cada vez mais para cada vez mais poder questionar de maneira melhor. No saber no cientfico, a resposta vem antes da pergunta. Um saber que vem para reforar uma tese j existente no um conhecimento cientfico. Segundo Bachelard (1996, p. 21), o esprito cientfico movido pela problematizao, pelo questionamento. Trata-se de um esprito inquieto, desconfiado que busque nos questionamentos, encontrar novos dados, mais precisos.

  • Compreender a evoluo da cincia como um ato histrico perceber que isso se processa sempre de forma descontnua. necessrio observar que no h continuidade, mas sim uma luta entre observao e experimentao. A ruptura entre o conhecimento comum e conhecimento cientfico o que caracteriza o progresso do conhecimento. Bachelard (1996, p. 29) assim defende sua tese filosfica a respeito da formao do esprito cientfico:

    O esprito cientfico deve forma-se contra a Natureza, contra o que , em ns e fora de ns, o impulso e a informao da Natureza, contra o arrebatamento natural, contra o fato colorido e corriqueiro. O esprito cientfico deve formar-se enquanto se reforma. S pode aprender com a Natureza se purificar as substncias naturais e puser em ordem os fenmenos baralhados.

  • Encontramos no pensamento de Bachelard, uma cincia descontnua e histrica que busca respostas a questionamentos atuais atravs da reformulao de mtodos, de tcnicas e de interpretaes de conhecimentos anteriores, retificando seus erros.

    Quando essas reformulaes no mais do conta de responder aos questionamentos presentes, a cincia entra em crise e comea a questionar a veracidade e validade de seus conhecimentos, propiciando o surgimento de novas teorias, provocando as rupturas.

    A Teoria Quntica de Planck, por exemplo, surge para responder a questionamentos que a Teoria de Massas de Lavoisier no mais consegue descrever. Trata-se de um novo conhecimento que vem contra um conhecimento j estabelecido. nesse momento que ocorrem, ento, as rupturas e os saltos atravs de revolues cientficas. Enfim, uma cincia problematizadora e questionadora!

  • Quais os principais obstculos epistemolgicos realados por Bachelard e que impedem acender ao novo conhecimento cientfico? Atividade cientfica cheia de obstculos. Na viso de Bachelard (1996, p. 23), os professores no se submetem a psicologia do erro, no admitem que seus alunos no aprendam dentro do mtodo didtico que cada um aplica.

    O primeiro grande ato falho dos professores pensar que o aluno entra vazio de conhecimentos em sala de aula. Os mesmos carregam consigo uma carga de conhecimentos que acumularam durante sua vida extraclasse, no se trata, portanto, de adquirir uma cultura experimental, mas sim de mudar de cultura experimental, de derrubar obstculos j sedimentados pela vida cotidiana (BACHELARD, 1996, p. 23).

  • O conhecimento que todos carregam devido interao com os demais indivduos de um grupo social, como pais e filhos, no passaram por uma anlise crtica, so conhecimentos ametdicos que contemplam apenas vrias observaes passadas de gerao para gerao e denominamos conhecimento comum, que se ope ao racionalismo da cincia (KUMMER, 1999). Assim, o principal trabalho dos professores que visam formar um novo esprito cientfico em seus alunos, o de substituir esse contedo acumulado na vida cotidiana extraclasse, contedo este que est enraizado no seu esprito de maneira esttica, por um conhecimento cientfico dinmico

  • substituir o conhecimento proveniente do senso comum pelo conhecimento cientfico. preciso aceitar uma ruptura entre o conhecimento comum e o conhecimento cientfico.

    Nas palavras de Bachelard (1996, p. 294): O objeto no pode ser designado como objetivo imediato; em outros termos, a marcha para o objeto no inicialmente objetiva. preciso, pois, aceitar uma verdadeira ruptura entre o conhecimento sensvel e o conhecimento cientfico.

    A partir desse pensamento, cabe ao professor estimular seus alunos a romperem com o conhecimento comum e mergulhar no conhecimento cientfico. A chave para isso: a problematizao. Isto , a busca de uma boa pergunta sobre aquilo que j est estabelecido. Um novo conhecimento sempre se d contra um conhecimento j estabelecido.

  • Quais seriam os principais obstculos epistemolgicos apresentados por Bachelard, como eles operam no movimento da cincia e, principalmente, como eles esto presentes no nosso sistema de ensino. Compreender como esses obstculos se apresentam no processo de ensino-aprendizagem pode contribuir para super-los em busca de uma educao verdadeiramente cientfica.

  • Segundo Bachelard (1996, p.29), na formao do esprito cientfico, o primeiro obstculo a experincia primeira, a experincia colocada antes e acima da crtica crtica esta que , necessariamente, elemento integrante do esprito cientfico (grifo nosso). Pelo seu carter acrtico, a experincia primeira no pode se constituir uma base segura para o conhecimento, pois est carregada de realismo e impulso natural.

  • Nesta primeira experincia, o ser humano vai de encontro com a realidade com elevado desejo de conhecer e tenta absorver o mximo possvel do que acontece ao seu redor. Por essa fo

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