seÇÃo vi teoria do processo - .recursos. processo civil. novo código de processo civil. abstract

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  • RECURSOS NO ESTATUTO DA CRIANA E DO ADOLESCENTE DIANTE DA SISTEMTICA ADOTADA PELO NOvO CDIGO DE PROCESSO CIvIL

    THE APPEAL SYSTEM OF THE NEW CIVIL PROCEDURE CODE BEFORE THE ADAPTATIONS INTRODUCED BY THE STATUTE OF CHILDREN AND ADOLESCENTS

    Carolina Magnani Hiromotocarolinamagnani@hotmail.com

    Professora da PUC/SP da disciplina de Direito da Criana e do Adolescente. Mestre em Direito da Relaes Sociais pela PUC/SP. Especialista em Direito Penal pela Escola Superior do Ministrio Pblico de So Paulo. Advogada em So Paulo.

    SEO vI TEORIA DO PROCESSO

  • RECURSOS NO ESTATUTO DA CRIANA E DO ADOLESCENTE DIANTE DA SISTEMTICA ADOTADA PELO NOVO CDIGO DE PROCESSO CIVIL

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    RESUMO

    O artigo pretende analisar os impactos do regime recursal do Novo Cdigo de Processo Civil diante das adaptaes introduzidas pelo Estatuto da Criana e do Adolescente nos recursos em processos oriundos da Justia da Infncia e da Juventude.

    PALAVRAS-CHAVE

    Criana e Adolescente. Justia da Infncia e Juventude. Recursos. Processo civil. Novo Cdigo de Processo Civil.

    ABSTRACT

    The article analyzes the impacts of the appeal system of the new Civil Procedure Code before the adaptations introduced by the Statute of Children and Adoles-cents in appeals arising from the Justice for Children and Youth procedures.

    KEywORDS

    Children and Adolescents. Justice for Children and Youth. Appeals. Civil proce-dure. New Civil Procedure Code.

    SUMRIO

    Introduo. 2. Sistema recursal do Novo Cdigo de Processo Civil. 3. Novo Sis-tema recursal e impacto no Estatuto da Criana e do Adolescente. 3.1. Preparo. 3.2. Tempestividade. 3.3. Efeitos recursais. 3.4. Revisor. 3.5. Juzo de retratao. 3.6. Atendimento prioridade absoluta. Referncias.

    INTRODUO

    O Estatuto da Criana e do Adolescente (Lei 8.069/90), ao regulamentar o art. 227 da Constituio Federal1, no disps apenas sobre o direito material; preo-cupou-se, tambm, com os meios de efetivao e satisfao dos direitos e deveres por ele regulados. Com efeito, dedicou o ttulo VI Do acesso Justia do livro especial ao direito processual, consagrando as garantias processuais constitucio-nais, como o devido processo legal, populao infantojuvenil e aos pleitos a ela concernentes. E ainda disps, de forma especial, sobre as aes individuais e co-letivas afetas infncia, bem como sobre os recursos, nos aspectos em que seria

    1 nesse sentido que a Constituio Federal de 1988, pela primeira vez na histria brasileira, aborda a questo da criana como prioridade absoluta, e a sua proteo dever da famlia, da sociedade e do Esta-do. Se certo que a prpria Constituio Federal proclamou a doutrina da proteo integral, revogando implicitamente a legislao em vigor poca, a Nao clamava por texto infraconstitucional consoante com as conquistas da Carta Magna. (Silva, Antnio Fernando do Amaral e. Comentrios ao art. 1, p. 11, in: CURY, Munir (org.). Estatuto da Criana e do Adolescente Comentado. So Paulo: RT,2000).

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    REVISTA JURDICA ESMP-SP, V.8, 2015: 171-192

    necessrio modificar o direito processual civil, para melhor atender aos princpios da teoria da Proteo Integral2 3: prioridade absoluta4 e condio peculiar de pessoa em desenvolvimento.

    Ambos os princpios, mais a condio de sujeitos de direitos, outorgada criana e ao adolescente pela doutrina da proteo integral, revelam a necessidade de dispositivos de direito adjetivo que imprimam celeridade e efetividade ao proces-so, sem perder de vista as garantias processuais do due process of law5.

    Necessrio se faz salientar que a Constituio de 1988 um marco, tanto em mbito nacional quanto mundial, na adoo da teoria de proteo integral, pois erige a criana e o adolescente condio de sujeitos de direito6..

    2 A Constituio Federal, no seu art. 227, adotou quanto proteo das crianas e adolescentes a teoria preconizada pela ONU, ou seja, a Teoria da Proteo Integral a essa faixa etria. A teoria reconhece que crianas e adolescentes so sujeitos de direito, subordinantes e subordinados, como qualquer pessoa. norteada pelos princpios da prioridade absoluta da satisfao dos direitos da criana e do adolescente, e o do respeito peculiar pessoa em desenvolvimento, que outorga direitos especiais aos indivduos nessa fase transitria. Neste sentido vai o preceito do caput do art. 227, da Constituio Federal: ART. 227 - dever da famlia, da sociedade e do Estado assegurar criana e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito vida, sade, alimentao, educao, ao lazer, profissionalizao, cul-tura, dignidade, ao respeito, liberdade e convivncia familiar e comunitria, alm de coloc-los a salvo de toda forma de negligncia, discriminao, explorao, violncia, crueldade e opresso.

    O Estatuto da Criana e do Adolescente veio regulamentar o artigo da Constituio, uma vez que o C-digo de Menores de 1979, na sua maior parte, no era adequado para atender os direitos fundamentais da Infncia e Juventude.

    Ademais, a Conveno Internacional sobre os Direitos da Criana de 1989, ratificada pelo Brasil em 1991, Decreto Legislativo n. 28/90, abraa a teoria da proteo Integral. Assim, os pases signatrios procuraro estabelecer leis, na sua ordem interna, que coadunem com os princpios estabelecidos pela conveno.

    3 A doutrina da proteo integral inspira-se na normativa internacional, materializada em tratados e con-venes, especialmente os seguintes documentos: a) Conveno das Naes Unidas sobre os Direitos da Criana; b) Regras Mnimas das Naes Unidas para Administrao da Justia da Infncia e Juventu-de (Regras Mnimas Beijing); c) Regras Mnimas das Naes Unidas para Proteo dos Jovens Privados de Liberdade; e d) Diretrizes das Naes Unidas para a Preveno da Delinquncia Juvenil (Diretrizes de Riad).(Nota ao art. 1, in CURY, Munir. Estatuto da Criana e do Adolescente Anotado. So Paulo: RT, 2000.)

    4 Segundo Dalmo de Abreu Dallari, em comentrio ao art. 4 do ECA: A segunda situao em que a lei expressamente determina que seja garantida a prioridade absoluta criana e ao adolescente aquela em que se deve dar precedncia de atendimento nos servios pblicos ou de relevncia pblica. In: CURY, M. (org.) Estatuto da Criana e do Adolescente Comentado. So Paulo: RT, 2000).

    5 No sentido: La eficaz y oportuna proteccin de los intereses del nio y de la familia por medio de los organismo jurisdiccionales reclama normas procesales adecuadas. La especialidad influira en los siguientes aspectos de la dinmica procesal: iniciativa de ofcio, debido proceso, reglas especiales de interpretacin, verdad real, orden pblico, oralidad, rganos de mediacin, audiencia al nio, inme-diacin, concentracin, valoracin de la prueba, reformalidad de las decisiones, etc.(SOLARI, U.C. Legislacin atinente a la niez en las Amricas, p.19).

    6 No sentido de Emilio Garca Mndez: evidente a ruptura do Estatuto com a tradio latino-americana sobre a matria.

    Pela primeira vez, uma construo do direito positivo, vinculado infantoadolescncia, rompe expli-citamente com a chamada doutrina da situao irregular, substituindo-a pela doutrina da proteo in-tegral, tambm denominada de Doutrina das Naes Unidas para a proteo dos direitos da infncia.

  • RECURSOS NO ESTATUTO DA CRIANA E DO ADOLESCENTE DIANTE DA SISTEMTICA ADOTADA PELO NOVO CDIGO DE PROCESSO CIVIL

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    Assim, a Constituio de 1988, no seu artigo 227, a Lei 8.069/90, que re-gulamentou o artigo, mais a Conveno dos Direitos da Criana, que foi ratificada internamente pelo Decreto n. 99710/90 (que tem fora de Lei), constituem o trip do direito brasileiro voltado para a regulamentao das relaes jurdicas entre, de um lado, todas as crianas e todos os adolescentes que se encontram em terri-trio nacional e, de outro, o Estado, a Famlia e a Sociedade. A regra a incluso, no importando a situao jurdica ou de fato da criana e do adolescente para a incidncia da lei. Todos os menores de 18 anos esto sujeitos a esta legislao, ex-cepcionalmente os menores de 21 anos7, independentemente da sua situao, em razo de que todos so sujeitos de direito, so cidados, ainda que estejam em pro-cesso de desenvolvimento. Alis, este ltimo fator outorga condio de primazia no atendimento de suas necessidades, inclusive perante o judicirio; impe, portanto, rapidez.

    O princpio da prioridade absoluta exacerba a incidncia do princpio da economia processual maior resultado com menos dispndio de energia e tempo na medida em que deve contribuir com a efetividade do processo. Entenda-se o processo como instrumento para atingir a satisfao do direito material. Enfim, o Estatuto, ao disciplinar as regras especiais de acesso justia, tem como escopo a prestao jurisdicional efetiva, como forma de facilitar o exerccio dos direitos das crianas.

    O Estatuto da Criana e do Adolescente, ao contrrio do antigo do Cdigo de Menores, pugna por respeitar as garantias processuais, e, para facilitar sua instru-mentalidade processual, adotou, em termos gerais, o sistema de recursos do Cdigo de Processo Civil.

    Neste artigo, pretende-se demonstrar os aspectos peculiares dos Recursos no Estatuto da Criana e do Adolescente, tratados no Captulo IV Dos Recursos do Ttulo VI Do Acesso Justia, e de que forma tais mudanas colaboraram com a celeridade processual, a eliminao de obstculos processuais, com escopo de aprimorar o acesso Justia da Infncia e da Juventude conjugadas com a nova sistemtica recursal do Cdigo de Processo Civil de 2015.

    As premissas consideradas para se delinear a presente anlise foram:

    o acesso Justia da Infncia e da Juventude deve ser facilitado no mbi-to econmico, assim como o trmite processual deve ser rpido e eficaz, mas sempre observando as garantias processuais para atingir a segurana jurdica plena;

    Esta doutrina, que consta de um enorme consenso no contexto internacional... (Das necessidades aos dire