Scientia Medica ISSN 1980-6108 - ?· A técnica de gastroplastia com derivação gas- trojejunal, conhecida…

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    Recebido: abril, 2016Aceito: setembro, 2016Publicado: outubro, 2016

    Correspondncia: companhiadaleti@yahoo.com.br

    Scientia MedicaArtigo originAl Open Access

    Sci Med. 2016;26(3):ID23707

    ISSN 1980-6108

    http://dx.doi.org/10.15448/1980-6108.2016.3.23707

    Este artigo est licenciado sob forma de uma licena Creative Commons Atribuio 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribuio e reproduo

    em qualquer meio, desde que a publicao original seja corretamente citada.http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR

    Perfil nutricional e estilo de vida de pacientes pr e ps-cirurgia baritricaNutritional profile and lifestyle of patients before and after bariatric surgery

    Letcia Tomicki Zyger1 , Vivian Polachini Skzypek Zanardo1, Camila Tomicki21 Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Misses (URI). Erechim, RS. 2 Programa de Ps-Graduao em Educao Fsica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Florianpolis, SC.

    RESUMOObjetivos: Analisar o perfil nutricional e o estilo de vida de pacientes antes e aps a cirurgia baritrica por tcnica de derivao gstrica em Y de Roux.Mtodos: Estudo de coorte retrospectivo realizado no perodo de 2010 a 2014, incluindo dados de pacientes submetidos cirurgia baritrica por derivao gstrica em Y de Roux em um hospital privado, localizado em um municpio da regio norte do Rio Grande do Sul. A anlise considerou dados sociodemogrficos, estilo de vida, antropometria e consumo alimentar de calorias, nutrientes, vitaminas e sais minerais antes e um ano aps a cirurgia. Foram analisados tambm os resultados de exames bioqumicos (vitamina B12, hemoglobina, albumina, hematcrito e ferritina) no perodo de seis meses a um ano aps a cirurgia.Resultados: Foram includos 50 pacientes, sendo 44 (88%) do sexo feminino. Trinta e cinco (70%) pacientes apresentavam patologias antes da cirurgia, sendo as mais frequentes hipertenso arterial (35%) e diabetes mellitus (20%). Na comparao entre a avaliao pr-cirrgica e a realizada um ano aps a cirurgia, aumentou o nvel de atividade fsica (18,0% vs. 90,0%; p=0,001); o peso (118,5121,88 vs. 80,3015,74), o ndice de massa corporal (43,555,52 vs. 29,554,21) e a circunferncia abdominal (123,0616,21 vs. 92,3611,62) apresentaram reduo significativa (p

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    Artigo originAl Zyger LT, Zanardo VPS, Tomicki C Perfil nutricional e estilo de vida de pacientes ...

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    Abreviaturas: CA, circunferncia abdominal; IDR, ingesto diria recomendada; DGYR, derivao gstrica em Y de Roux; DP, desvio padro; IMC, ndice de massa corporal; Mx., mximo; Mn., mnimo; ng, nanograma; pg, picograma; URI, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Misses; OMS, Orga- nizao Mundial da Sade.

    INTRODUO

    A obesidade uma doena crnica causada por mltiplos fatores, sendo o excesso de gordura corporal sua principal caracterstica. No mundo existem cerca de 250 milhes de pessoas sofrendo com sobrepeso ou obesidade, e o Brasil est incluso nesta estatstica, com cerca de 82 milhes de pessoas apresentando essa condio [1-3].

    O levantamento mais recente realizado pela Vigilncia de Fatores de Risco e Proteo para Doenas Crnicas por Inqurito Telefnico (Vigitel) aponta que houve um aumento do sobrepeso e da obesidade e, com isso, aumentou o risco de doenas crnicas entre os brasileiros. De todos os entrevistados no Pas, 20% relataram ter o colesterol alto, sendo que esse relato foi mais frequente entre as mulheres (22,2%) do que entre os homens (17,6%). A obesidade se torna mais comum com o avano da idade e em pessoas que apresentam menor nvel de escolaridade [2]. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica [4], 63% da populao do Rio Grande do Sul est acima do peso. Como fatores contribuintes nesse estado do sul do Brasil, poderiam ser citados a cultura e o tipo de gastronomia, como tambm o clima frio em boa parte do ano, que contribui para o sedentarismo [4].

    O tratamento da obesidade deve ser conduzido da mesma forma como nas outras doenas crnicas, atravs de reeducao alimentar e atividade fsica. A obesidade pode ser uma doena silenciosa, mas geralmente est associada a outras doenas. Os melhores resultados para o seu tratamento so alcanados lentamente; a busca por tratamentos milagrosos e resultados rpidos aumentam a chance de abandono do tratamento e a tendncia a recidivas [5]. consenso que planos alimentares com reduo moderada de calorias, dentro de metas reais e sustentveis, associados prtica de atividade fsica regular e orientada, so a melhor opo de controle nutricional da obesidade [5].

    O ndice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 40kg/m (obesidade mrbida) indica diminuio da expectativa de vida [6] e aumento da mortalidade por doena cardiovascular. Nos casos graves de obesidade, onde houve falha na adeso ao tratamento clnico, a

    cirurgia baritrica um mtodo eficiente, reduzindo a mortalidade e promovendo melhora clnica das comorbidades [7]. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Baritrica e Metablica, em 2003 no Brasil foram realizadas 16 mil cirurgias baritricas, enquanto em 2010 foram realizadas 60 mil cirurgias, 35% delas por videolaparoscopia [8].

    A escolha pela cirurgia baritrica para tratamento da obesidade deve ser avaliada com muita cautela, pois os indivduos aps o procedimento cirrgico podem apresentar deficincias nutricionais, incluindo deficincias de ferro, clcio, vitamina B12, vitamina D, acido flico, zinco e albumina. muito importante que o paciente apresente compromisso com resultados e que mantenha acompanhamento com uma equipe multiprofissional. Com orientaes sobre consumo de suplementos, pode-se prevenir problemas nutricionais e metablicos [9-11].

    A tcnica de gastroplastia com derivao gas- trojejunal, conhecida por derivao gstrica em Y de Roux (DGYR) a mais utilizada atualmente. Os resul- tados da DGYR mostram eficcia na perda de peso, assim como na reduo das comorbidades e melhora da qualidade de vida. Essa tcnica exibe alguns dos resultados mais consistentes em longo prazo [12-14].

    Diante deste contexto, este estudo teve como obje- tivo analisar o perfil nutricional e alguns dados do estilo de vida de pacientes antes e aps cirurgia baritrica.

    MTODOS

    Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo, com pacientes submetidos cirurgia baritrica em um hospital privado, localizado em um municpio da regio Norte do Rio Grande do Sul, Brasil. Foram coletados dados dos pronturios da equipe multidisciplinar de cirurgia baritrica, que presta atendimento pr e ps-operatrio aos pacientes que realizam esse procedimento na instituio, no perodo de 2010 a 2014, sendo includos todos os indivduos de ambos os sexos, com idade entre 18 e 66 anos, que realizaram o procedimento DGYR com um mesmo cirurgio.

    Os seguintes dados foram levantados antes e aps um ano da cirurgia baritrica: sociodemogrficos sexo, idade, escolaridade e renda; relacionados ao estilo de vida atividade fsica, ingesto de bebida alcolica, tabagismo e hbitos alimentares; antropomtricos estatura, peso, IMC e circunferncia abdominal (CA); relacionados ao consumo alimentar de macro e micronutrientes, sendo considerada a ingesto de alimentos e suplementos nutricionais. Foram analisados tambm os resultados dos ltimos exames

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    bioqumicos, coletados dos pronturios, realizados no perodo de 6 a 12 meses aps a cirurgia: vitamina B12, ferritina, albumina, hematcrito e hemoglobina.

    Para a classificao do IMC foram utilizados os parmetros conforme a Organizao Mundial da Sade (OMS) [15]: IMC entre 18,5 kg/m2 e 24,9 kg/m, eutrofia; IMC 25 kg/m2, sobrepeso; e IMC 30 kg/m2, obesidade. Os valores de circunferncia abdominal foram considerados como risco de complicaes meta- blicas associadas obesidade segundo a OMS [16]: aumentado (homem 94 cm, mulher 80 cm); muito aumentado (homem 102 cm, mulher 88 cm). Os valo- res recomendados de micronutrientes foram avaliados segundo a Ingesto Diria Recomendada (IDR) [17,18], sendo utilizado o software Avanutri para o clculo dos recordatrios de 24 horas antes e aps seis meses da realizao da cirurgia baritrica. Para os exames bio- qumicos, consideraram-se como referncia os valores para vitamina B12, ferritina, albumina, hematcrito e hemoglobina conforme Resende et al. [19].

    Para a estruturao do banco de dados utilizou-se o aplicativo Excel 2010 e para as anlises o software Bio Estat, verso 5.0. As variveis quantitativas foram expressas como mdia desvio padro. As variveis qualitativas foram expressas como frequncia absoluta e relativa. A distribuio da normalidade dos dados foi verificada por meio do teste de Shapiro-Wilk. As possveis diferenas das variveis IMC no categorizado, CA no categorizada, exames bioqu- micos, macro e micronutrientes antes e aps a cirurgia baritrica foram verificadas utilizando o teste t de Student pareado para variveis contnuas ou teste Mc Nemar para variveis dicotmicas. Para investigar a relao existente entre percentual de perda de peso (cal- culado a partir da porcentagem de peso e CA original) e deficincias nutricionais; IMC e deficincias nutricio- nais; CA e deficincias nutricionais, utilizou-se o teste qui-quadrado de Pearson. Consideraram-se como estatisticamente significativos os resultados com p

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    Tabela 2. Resultados dos exames bioqumicos realizados entre seis meses e um ano aps cirurgia baritrica por derivao gstrica em Y de Roux, no perodo de 2010 a 2014 (n=50). Rio Grande do Sul, Brasil.

    Variveis Mnimo Mximo MdiaDP

    Classificao dos resultados dos 50 pacientes em relao aos valores de referncia*

    Deficienten (%)

    Normaln (%)

    Superiorn (%)

    Vitamina B12 (pg/ml) 103,0 1862,0 340,8256,7 01 (2) 44 (88) 05 (20)

    Hemoglobina (g/dl) 11 17,3 13,21,2 07 (14) 42 (84) 01 (2)

    Albumina (g/dl) 3,1 41,0 4,65,2 00 (0) 48 (96) 02 (4)

    Hematcrito (%) 34 126 41,912,8 03 (6) 45 (90) 02 (4)

    Ferritina (ng/ml) 7,3 2756,0 201,7389,9 03 (6) 31 (62) 16 (32)

    DP, desvio padro; pg/ml, picograma por mililitro; g/dl, grama por decilitro; ng/ml, nanograma por mililitro. * Valores de referncia conforme Resende et al. [19].

    Tabela 3. Dados antropomtricos obtidos antes e um ano aps cirurgia baritrica por derivao gstrica em Y de Roux, no perodo de 2010 a 2014 (n=50). Rio Grande do Sul, Brasil.

    Variveis Mnimo Mximo MdiaDP p*

    Peso (kg)

    Pr 90 184 118,5121,880,001

    Ps 55 144 80,3015,74

    IMC (kg/m2)

    Pr 34,5 56,4 43,555,520,001

    Ps 22,1 40,8 29,554,21

    CA (cm)

    Pr 90 165 123,0616,210,001

    Ps 68 124 92,3611,62

    * Teste t de Student.DP, desvio padro; IMC, ndice de massa corporal; CA, circunferncia abdominal.Pr: antes da cirurgia; Ps: um ano aps a cirurgia.

    Tabela 4. ndice de massa corporal e circunferncia abdominal antes e um ano aps cirurgia baritrica por derivao gstrica em Y de Roux, no perodo de 2010 a 2014 (n=50). Rio Grande do Sul, Brasil.

    Variveis Pr cirurgian (%)Ps cirurgia

    n (%)

    IMC categorizado (kg/m2)*

    Baixo peso 0 0

    Peso normal 0 04 (8)

    Sobrepeso 0 27 (54)

    Obesidade 50 (100) 19 (38)

    CA categorizado (cm)*

    Normal 0 07 (14)

    Risco elevado 0 17 (34)

    Risco muito elevado 50 (100) 26 (52)

    IMC, ndice de massa corporal; CA, circunferncia abdominal.Peso normal: 18,5 kg/m2 a 24,9 kg/m; sobrepeso: 25 kg/m2; obesidade: 30 kg/m2.Circunferncia abdominal risco elevado: homem 94 cm, mulher 80 cm; risco muito elevado: homem 102 cm, mulher 88 cm.

    Tabela 5. Consumo alimentar antes e um ano aps cirurgia baritrica por derivao gstrica em Y de Roux, no perodo de 2010 a 2014 (n=50). Rio Grande do Sul, Brasil.

    Variveis Mnimo Mximo MdiaDP p

    Kcal

    Pr 1860 3765 2761,98480,630,002*

    Ps 1220 1990 1651,50158,89

    HC (%)

    Pr 47 71 55,287,120,730

    Ps 47 66 55,563,53

    PTN (%)

    Pr 10 32 19,887,580,312

    Ps 14 22 18,621,76

    PTN (g/kg peso atual)

    Pr 0,50 1,90 1,070,440,501

    Ps 0,70 1,50 1,022,88

    LIP (%)

    Pr 16 38 24,965,800,523

    Ps 17 33 25,222,88

    Clcio (mg)

    Pr 04 786 428,64228,370,761

    Ps 04 780 402,09171,40

    Ferro (mg)

    Pr 0,08 15,64 10,704,010,138

    Ps 0,09 19,40 10,865,17

    Vitamina D (mcg)

    Pr 0,00 2,50 0,800,700,342

    Ps 0,00 2,40 0,680,64

    Vitamina B12 (mcg)

    Pr 0,02 5,74 2,381,60

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    A Tabela 5 descreve o consumo alimentar dos pacientes, antes e aps seguimento de um ano da realizao da cirurgia baritrica. Em mdia, a ingesto de calorias e de vitamina B12 diminuiu significativamente (p

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    em que os exames foram feitos, e em virtude de todos os pacientes terem recebido prescrio de suplemento polivitamnico aps o procedimento.

    A hipoalbuminemia aps a DGYR pode variar de 13% em pacientes aps dois anos de cirurgia [33] a 27,9% aps 10 anos [32]. Aps oito meses de cirurgia, Farias et al. [34] encontraram concentraes de albumina normais. J Skroubis et al. [35], aps avaliar 243 pacientes, observaram baixa incidncia de hipoalbuminemia e 37,7% dos pacientes apre- sentaram nveis baixos de ferritina aps dois anos do procedimento cirrgico. Neste estudo, no perodo analisado, no foi observada deficincia de albu- mina.

    Trs (6%) dos pacientes deste estudo apresentaram deficincia de ferritina entre seis meses e um ano aps a cirurgia. Anemia com baixos nveis de ferritina pode afetar dois teros dos pacientes submetidos cirurgia baritrica, pela deficincia de ferro na dieta. Em pacientes submetidos DGYR, a ocorrncia de anemia varia entre 20% a 49% [31,36,37]. Neste estudo, sete (14%) pacientes apresentaram hemoglobina baixa e trs (6%) pacientes apresentaram hematcrito baixo. Santos [38] analisou 15 pacientes aps seis meses da cirurgia por DGYR, e todos mantiveram seus valores de referncia dentro do normal, sendo que a maioria recebeu suplementao de ferro.

    A quantidade de ferro elementar presente nos polivitamnicos geralmente pequena (10 a 20 mg por comprimido), sendo considerada insuficiente para evitar a deficincia de ferro em pacientes submetidos DGYR. As recomendaes atuais para a preveno da deficincia de ferro incluem a administrao de 40 a 80 mg de ferro elementar por dia (200 a 400 mg de sulfato ferroso). Nas mulheres em idade reprodutiva, as recomendaes aumentam para 80 a 160 mg de ferro elementar por dia (400 a 800 mg de sulfato ferroso) [39-42]. Dessa forma, histria clnica de anemia, alteraes nos valores laboratoriais, idade, sexo e aspectos reprodutivos devem ser analisados antes de prescrever o composto com ferro.

    Na anlise da perda de peso, identificou-se reduo de 31,92% neste estudo. Outro estudo, com 250 pacientes avaliados aps o primeiro ano de cirurgia, mostrou reduo de 37,5% no peso [43]. Em contrapartida, Quadros et al. [22] encon...

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