saude populacao situacao rua

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Uma manual que fala sobre saude e os moradores de rua

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  • SADE DA POPULAOEM SITUAO DE RUA

    Um direito humano

    MINISTRIO DA SADE

    Braslia - DF2014

  • SADE DA POPULAOEM SITUAO DE RUA

    Um direito humano

    MINISTRIO DA SADESecretaria de Gesto Estratgica e Participativa

    Coordenao Geral de Apoio Gesto Participativa e ao Controle Social

    Braslia - DF2014

  • 3Brasil. Ministrio da Sade. Secretaria de Gesto Estratgica e Participativa, Departamento de Apoio Gesto Participativa. Sade da populao em situao de rua : um direito humano / Ministrio da Sade, Secretaria de Gesto Estratgica e Participativa, Departamento de Apoio Gesto Participativa. Braslia : Ministrio da Sade, 2014. 38p. : il.

    ISBN 978-85-334-2201-8

    1. Ateno Sade. 2. Populao em Situao de Rua. 3. Equidade em Sade Social. I. Ttulo.

    CDU 364

    Catalogao na fonte Coordenao-Geral de Documentao e Informao Editora MS OS 2014/0643

    Ttulos para indexao:Em ingls: Health of the population in a street situation: a human rightEm espanhol: Salud de La poblacin em situacin callejera: um derecho humano

    Apresentao ............................................................................................... 5

    1 Construindo conceitos, descontruindo preconceitos ............................... 7

    2 Reconhecimento e conquistas da populao em situao de rua .............15

    3 Participao Social e a populao em situao de rua .............................. 19

    3.1 O Movimento Nacional da Populao em Situao de Rua .................. 19

    3.2 Espaos de Participao Social ............................................................. 21

    4 Sade da populao em situao de rua ................................................. 25

    4.1 Perfil da Sade da Populao em Situao de Rua ................................. 25

    4.2 Conquistas na rea da Sade para a PSR ............................................. 27

    4.2.1 Plano Operativo para Implementao de Aes em Sade da

    Populao em Situao de Rua ................................................................ 27

    4.3 Desafios e Caminhos para o Cuidado da Sade da PSR ...................... 32

    Referncias ................................................................................................ 35

    Sumrio2014 Ministrio da Sade.Esta obra disponibilizada nos termos da Licena CreativeCommons Atribuio No Comercial Compartilhamento pela mesma licena 4.0

    Internacional. permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.A coleo institucional do Ministrio da Sade pode ser acessada, na ntegra, na Biblioteca Virtual em Sade do Ministrio da Sade: .

    Tiragem: 1 edio 2014 40.000 exemplares Elaborao, distribuio e informaes:MINISTRIO DA SADESecretaria de Gesto Estratgica e ParticipativaCoordenao Geral de Apoio Gesto Participativa e ao Controle Social Setor de Administrao Federal SAF Sul, Quadra 2, lotes 5 e 6, Edifcio Premium Centro - Coorporativo, Torre I, 3 andar, sala 303CEP 70.070-600 Braslia/DFTel.: (61) 3315.8886Fax: (61) 3315.8840Site: www.saude.gov.br/sgepE-mail: sgep.dagep@saude.gov.brFacebook: www.facebook.com/SGEP_MSTwitter: @SGEP_MS

    Coordenao:Katia Maria Barreto Souto

    Redao:Jos Carlos Gomes BarbosaMaria de Ftima MarquesRui Leandro da Silva Santos

    Reviso Tcnica:Jos Carlos Gomes BarbosaKatia Maria Barreto SoutoMaria de Ftima MarquesRui Leandro da Silva Santos

    Impresso no Brasil / Printed in Brazil

    Projeto Grfico e Ilustrao:Tiago Machado CarneiroAntonio Ferreira

    Diagramao:Antonio Ferreira

    Fotografia:Tiago Machado Carneiro

    Normalizao:Marjorie Gonalves CGDI/MS

    Reviso:Khamila Silva e Tamires Alcntara CGDI/MS

  • 4 5

    O Bicho

    Vi ontem um bicho Na imundcie do ptio

    Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, No examinava nem cheirava:

    Engolia com voracidade. O bicho no era um co,

    No era um gato, No era um rato.

    O bicho, meu Deus, era um homem.

    (Manuel Bandeira)

    Apresentao

    O Ministrio da Sade apresenta a cartilha Sade da Populao em Situao de Rua: um direito humano. Seu objetivo expor diretrizes, estratgias e aes destinadas melhoria das aes de sade para a Populao em Situao de Rua; combater o preconceito em relao a essa populao no SUS;e garantir seu acesso aos servios de sade, com atendimento integral e humanizado.

    Essa iniciativa fruto do comprometimento do Ministrio da Sade com a promoo da sade da Populao em Situao de Rua e com os atores sociais que atuam na defesa dos direitos dessa populao. Esses atores reivindicam um material educativo e informativo que aborde suas especificidades e a importncia da participao social na efetivao dos direitos e da cidadania e, ao

    foto: Tiago Machado Carneiro

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    No somos lixo

    No somos lixo.No somos lixo nem bicho.

    Somos humanos.Se na rua estamos porque nos desencontramos.

    No somos bicho e nem lixo.No somos anjos, no somos o mal.

    Ns somos arcanjos no juzo final.Ns pensamos e agimos, calamos e gritamos.

    Ouvimos o silncio cortante dos que afirmam serem santos.

    No somos lixo.Ser que temos alegria? s vezes sim...

    Temos com certeza o pranto, a embriaguez,A lucidez e os sonhos da filosofia.

    No somos profanos, somos humanos.Somos filsofos que escrevem

    Suas memrias nos universos diversos urbanos.A selva capitalista joga seus chacais sobre ns.

    No somos bicho nem lixo, temos voz.Por dentro da catica selva, somos vistos como fantasma.

    Existem aqueles que se assustam,No estamos mortos, estamos vivos.

    Andamos em labirintos.Dependendo de nossos instintos.

    Somos humanos nas ruas, no somos lixo.

    Carlos Eduardo Ramos (Morador das Ruas de Salvador)

    1 CONSTRUINDO CONCEITOS, DESCONSTRUINDO PRECONCEITOSmesmo tempo, sensibilize gestores e profissionais de sade.

    Nas ltimas dcadas, essa populao ganhou mais visibilidade e conquistou diversos avanos o mais significativo foi a instituio da Poltica Nacional para a Populao em Situao de Rua e do Comit Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento, por meio do Decreto n 7.053, de 23 de dezembro de 2009. No mbito da sade tambm foram alcanadas algumas conquistas, como a publicao do Plano Operativo de Sade para a Populao em Situao de Rua e a implantao do Programa Consultrio na Rua.

    A proposta da cartilha Sade da Populao em Situao de Rua: um direito humano compartilhar informaes e refletir sobre o que estar em situao de rua, dar visibilidade a essa populao e sensibilizar gestores e profissionais de sade para um acolhimento adequado sade desse pblico.

    Boa leitura!Acesso sade, sem preconceito ou discriminao!

    Secretaria de Gesto Estratgica e Participativa

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    pensamos que apenas em 2009 instituiu-se a Poltica Nacional para Populao em Situao de Rua e que o Movimento Nacional da Populao em Situao de Rua s surgiu no incio do sculo 21. Embora existissem aes do Estado e da sociedade civil visando essa populao, podemos afirmar que esses atores agiam quase sempre com uma tica assistencialista ou at com polticas higienistas. Ou seja, o reconhecimento dessas pessoas como cidados de direitos recente e ainda no acolhido na sociedade. Mattos e Ferreira discorrem sobre a interao da sociedade com os moradores de rua:

    A existncia de um nmero to grande de pessoas em situao de rua no Brasil fruto do agravamento de questes sociais. Diversos fatores colaboraram para esse agravamento e, consequentemente, para o crescimento da quantidade de indivduos nessa situao, entre eles: a rpida urbanizao ocorrida no sculo 20, a migrao para grandes cidades, a formao de grandes centros urbanos, a desigualdade social, a pobreza, o desemprego, o preconceito da sociedade com relao a esse grupo populacional e, muitas vezes, a ausncia de polticas pblicas.

    Maria Lcia Lopes aprofunda o estudo sobre o tema e considera que o fenmeno situao de rua consequncia de diversos condicionantes, como: fatores estruturais ausncia de moradia, trabalho e renda; fatores biogrficos relacionados vida particular do indivduo por exemplo, a quebra de vnculos familiares, doenas mentais e uso abusivo de lcool ou drogas; e fatos da natureza como terremotos ou inundaes (LOPES, 2006).

    Certamente, a invisibilidade um dos graves problemas que assola essa populao e impede que ela tenha seus direitos reconhecidos. Essa invisibilidade se torna evidente quando

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    como todos os outros. Aps esse resgate, necessrio tambm afirmar essa identidade perante a sociedade e o Estado. Nossa sociedade no pode continuar no enxergando tanta gente. Precisamos passar a olhar os moradores de rua como pessoas que vivem numa situao precria, mas que possuem muitas potencialidades, direitos, enfim, preciso um olhar mais cidado.

    Pesquisas realizadas a partir da dcada de 90 apontaram para uma grande diversidade entre as pessoas em situao de rua e, consequentemente, no permitem a formulao de um conceito unidimensional. Encontramos entre elas diferentes condies pessoais, modos de subsistncia, tempo de permanncia na rua e de rompimento das relaes familiares (BRASIL, 2011c).

    Diante do exposto, foi necessria a mobilizao do governo federal, no sentido de criar uma poltica que viesse a dar conta das necessidades, direitos e deveres desses brasileiros. Assim nasce o Decreto n 7.053, de 23 de dezembro de 2009, que cria a Poltica Nacional para a Populao em Situao de Rua.

    De acordo com essa poltica, considera-se populao em situao de rua o grupo populacional heterogneo que possui em comum a pobreza extrema, os vnculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistncia de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros pblicos e as reas degradadas como espao de moradia e de sustent