SÃO PAULO EM PAPEL E TINTA Periodismo e Vida Urbana 1890/1915

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Livro sobre os peridicos .que existem na Hemeroteca do Arquivo Pblico do Estado de So Paulo.

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<ul><li> 1 </li> <li> SO PAULO EM PAPEL E TINTA Periodismo e Vida Urbana 1890/1915 Heloisa de Faria Cruz </li> <li> GOVERNO DO ESTADO DE SO PAULO Governador Geraldo Alckmin SECRETARIA DE ESTADO CASA CIVIL Secretrio Edson Aparecido ARQUIVO PBLICO DO ESTADO DE SO PAULO Coordenador Izaias Jos de Santana Conselho Editorial Ana Clia Rodrigues Barbara Weinstein Clia Reis Camargo Denise Aparecida Soares de Moura Fernando Teixeira da Silva Jaime Rodrigues James Naylor Green Jeffrey Lesser Joo Roberto Martins Filho Joo Paulo Garrido Pimenta Yara Aun Khoury Diretora do Centro de Difuso e Apoio Pesquisa Haike R. k. da Silva Coordenao Editorial Vania Silva </li> <li> Preparao de Originais e Reviso de Provas Jssica Ferraz Juliano Vania Silva Ilustraes Srgio Jos Meurer Capa Srgio Jos Meurer Projeto Grfico Helen Karina Teixeira Batista Srgio Jos Meurer Diagramao Helen Karina Teixeira Batista Srgio Jos Meurer Reproduo e Tratamento de Imagens Ncleo de Microfilmagem e Digitalizao Reviso e cadastramento de peridicos Ncleo de Biblioteca e Hemeroteca Apoio Tcnico Centro de Processamento de Informaes Digitais. </li> <li> NOTA EXPLICATIVA SOBRE ESTE E-BOOK Os direitos sobre todos os textos contidos neste livro eletrnico (e-book) so reservados ao() seu(sua) autor(a) e esto protegidos pelas leis do direito autoral. Esta uma edio eletrnica, no comercial, que no pode ser vendida nem comercializada em hiptese nenhuma, nem utilizada para quaisquer fins que envolvam interesse monetrio. Este exemplar de livro eletrnico pode ser reproduzido em sua ntegra e sem alteraes, distribudo e compartilhado para usos no comerciais, entre pessoas ou instituies sem fins lucrativos. Em caso de uso acadmico deste e-book, todos os crditos e referncias devem ser dados ao() autor(a) e ao Arquivo Pblico do Estado de So Paulo. Ficha Catalogrfica elaborada por Renata Gonalves CRB 8 n 8248 C962s Cruz, Helosa de Faria So Paulo em papel e tinta: periodismo e vida urbana 1890-1915 / Helosa de Faria Cruz. - So Paulo : Arquivo Pblico do Estado de So Paulo, 2013. 2.382Kb ; PDF Modo de Acesso: World Wide Web ISBN: 978-85-63443-04-5 (PDF) ISBN: 978-85-63443-05-2 (Epub) 1. Peridicos de So Paulo. 2. Histria da Imprensa (So Paulo). I. Ttulo. CDD 056.9 </li> <li> Como acessar links de peridicos citados O e-book So Paulo em Papel e Tinta traz 106 ttulos citados pela autora com links para jornais e revistas do acervo digitalizado da Hemeroteca do Arquivo Pblico do Estado de So Paulo. Esses ttulos ficam em destaque, na cor vermelha, com um link, na primeira vez em que so citados. Veja um exemplo: do que seria a imprensa peridica e a leitura corrente no perodo. Os vagos e muitas vezes irnicos expedientes de tais publicaes, declarando redatores diversos (A Penna, 1882), redao annima (O Alfinete, 1915), sai quando pode (O Gaiato, 1905), redao em toda parte (A Farpa, 1887), escritrio na mesa do canto do caf Guarany ou no olho da rua (O Garoto, 1900) ou mesmo o uso de inmeros pseudnimos para Os mesmo ttulos esto com links tambm na pgina de Fontes (Jornais e Revistas): JORNAIS E REVISTAS lbum das Meninas (1898/1900) O Alfinete (1915) O Amigo do Povo (1902) Anima e Vita (1905) Antarctica Illustrada (1902/1904) Ao clicar nesses ttulos, o leitor que estiver conectado Internet acessar um exemplar do peridico diretamente do acervo digitalizado do site do Arquivo Pblico do Estado de So Paulo. Caso tenha alguma dvida em relao ao acesso, envie para editoria@arquivoestado. sp.gov.br. </li> <li> AGRADECIMENTOS Este livro resultou de minha tese de doutorado, defendida no Programa de Histria Social da Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas da USP, entre os anos de 1990 e 1994. Naquela trajetria, tive o privilgio de contar com inmeras contribuies. Ao professor Marcos Antnio da Silva, agradeo no s o cuidado com que acompanhou os vrios momentos de pesquisa e da redao da tese, mas, sobretudo, o respeito e a pacincia com que conduziu essa complexa relao orientador/orientanda. Alm do orientador, participaram das bancas de qualificao e defesa as professoras Da Ribeiro Fenelon, Maria Clia Paoli, Ana Maria Camargo e Maria Amlia Dantes e o professor Antnio Carlos Barreiro. A todos agradeo a pertinncia dos comentrios crticos e sugestes de pesquisa, sobretudo o modo gentil de suas intervenes. professora Da, professora no curso de graduao em Histria na Universidade de Braslia, orientadora de minha dissertao de mestrado desenvolvida na UNICAMP e colega do Departamento de Histria na PUC/SP, agradeo, especialmente, o privilgio das marcas de um convvio intelectual e humano que j dura mais de 20 anos. O Departamento de Histria da PUC/SP, abrindo mo de minha participao mais efetiva nas rotinas cotidianas do curso no perodo de redao final do trabalho, abriu espao para que ele pudesse ser concludo. Aos colegas do Departamento, Olga, Rosrio, Pilar, Antonieta e outros amigos historiadores, agradeo os momentos de troca e apoio na realizao da pesquisa. Meus alunos, principalmente aqueles que atuaram como bolsistas de iniciao cientfica e aperfeioamento no projeto Imagens Paulistanas, Lauro, Selma, Nvea, Dalton e Daniela, ajudaram a construir um espao rico de aprendizagem coletiva no qual a pesquisa individual ganha um sentido poltico muito mais claro. Gostaria de salientar tambm o atendimento solcito e atencioso de funcionrios e corpo tcnico das diversas instituies em que realizei a pesquisa, agradecendo especialmente ao pessoal do Arquivo do Estado e a Brs Ciro Gallota, que me ajudou com a preciosa coleo de peridicos do Instituto Histrico e Geogrfico de So Paulo. Por fim, cabe registrar o apoio institucional do CNPq, da Fapesp e da Comisso de Pesquisa do Conselho de Ensino e Pesquisa fundamental na viabilizao deste estudo. </li> <li> 8 </li> <li> IMPRENSA E VIDA URBANA EM SO PAULO: REVISITANDO O TEMA E A PESQUISA Uma revista, como um jornal, ter de ter, forosamente, um carter e uma moral. De um modo genrico: princpios. Dessa obrigao no esto isentas as revistas que se convencionou apelidar de frvolas. A funo da revista ainda no foi, entre ns, suficientemente esclarecida e compreendida. Em paiz da estenso desconforme do Brasil, que um amalgama de naes com uma s alma, a revista rene um complexo de possibilidades que, em certo sentido, rivalizam ou ultrapassam as do jornal. O seu raio de ao incomparvelmente mais amplo no espao e no tempo. Um jornal est adstrito s vinte e quatro horas de sua existncia diria. Cada dia o jornal nasce e fenece, para renascer no dia seguinte. uma metamorphose consecutiva. O jornal de hontem j um documento fora de circulao: um documento de archivo e de biblioteca. O jornal dura um dia. Essa existncia to intensa como breve, dificulta os grandes percursos. um vo celere e curto. O jornal a prpria vida. A revista j um compndio da vida. A sua circulao no est confinada a uma area traada por um compasso cujo ponteiro mvel raro pode exceder um crculo de raio superior a sua distncia mxima percorrvel em vinte e quatro horas. A revista circula desde o Amazonas ao Rio Grande do Sul, infiltra-se por todos os municpios, utiliza na sua expanso todos os meios de conduo terrestre, maritima, fluvial e area; entra e permanece nos lares; leitura da famlia e da vizinhana. A revista o estado intermedirio entre o jornal e o livro. O pargrafo acima parte do extenso editorial que, em 10 de novembro de 1928, trazia a pblico o nmero inaugural daquela que seria a principal revista semanal brasileira no decorrer do sculo XX: a revista O Cruzeiro, publicada regularmente pelos Dirios Associados entre 1928 e meados da dcada de 1970. Sinalizando a superao de um perodo de grande experimentao e disputa no campo de produo peridica em seus vrios gneros e formatos, e que se torna mais visvel no periodismo brasileiro na virada do sculo XIX ao sculo XX, O Cruzeiro, em seu editorial de lanamento, j pode afirmar, de forma inequvoca, as diferenas das revistas em relao aos jornais. Rico de significaes, o editorial prope algumas pistas sobre a 9 </li> <li> natureza desse processo de afirmao do gnero revista no Brasil e sobre as estratgias, concepes e disputas que configuraram o processo de conformao das revistas brasileiras nas dcadas anteriores. Ao assumir de forma positiva e sem maiores constrangimentos a qualificao de frvola para as revistas brasileiras ento em circulao, O Cruzeiro no s se coloca no campo da produo da leitura leve e de entretenimento como sinaliza quais foram as direes triunfantes do gnero revista nos momentos anteriores. E aponta, tambm, como, no processo de popularizao da imprensa ento em curso, as revistas articulam-se s novas sociabilidades urbanas e, por meio de correspondentes e dos novos ritmos advindos do desenvolvimento dos transportes e do telgrafo, buscam pblicos nacionais. Em So Paulo, esse movimento de afirmao das revistas configura-se a partir da segunda dcada do sculo XX, indicando um processo de estreitamento da diversidade das publicaes e da atuao dos grupos produtores no campo do periodismo literrio, cultural e de entretenimento. Diferentemente dos processos das dcadas anteriores, as disputas circunscrevem-se, ento, a uns poucos projetos editoriais. Num espao delimitado por empreendimentos marcadamente comerciais, com estruturas profissionais mais definidas, um nmero bastante reduzido de revistas disputa a hegemonia na rea da produo de publicaes ilustradas e de entretenimento. No final da segunda dcada do sculo XX, temos A Vida Moderna e A Cigarra, principais revistas do gnero publicadas na cidade; assumindo ser cada uma a revista de maior tiragem e circulao no estado de So Paulo, travam acirrada disputa pela conquista dos pblicos paulistano e paulista. O processo histrico que configura a vitria das revistas leves e apelidadas de frvolas, como O Cruzeiro e A Cigarra, marcado por tenses e direes diversas. Assim, se recuarmos alguns anos, manifestaes de editores de vrios gneros de publicaes, principalmente da rica imprensa operria do perodo, indicam sentidos e direes diversas nesse campo de disputa sobre o processo de popularizao do periodismo em So Paulo. A imprensa burguesa exerce, sem dvida, uma grande influncia sobre o povo. Ela poderia ser um importante fator na cultura e na formao de sua mentalidade. Mas como est mercantilizada, como o seu fim exclusivamente o lucro, a sua influncia no pode ser mais prejudicial e execrvel. Trecho de um artigo de A Voz do Trabalhador, de 15 de julho de 1908, rgo da Confederao Operria Brasileira. Publicada sob o ttulo A imprensa e a mentalidade popular, a citao acima permite explorar diversas questes sobre a expanso e a popularizao da imprensa naquele momento. Em princpio, tal avaliao, representativa das posies da imprensa anarquista-libertria sobre a imprensa burguesa, ao exprimir a concepo de importantes setores do movimento operrio do perodo, delimita a imprensa enquanto importante campo da luta social. Num primeiro plano, sinaliza que o processo de conquista e expanso da cultura impressa sobre terrenos sociais anteriormente alijados dos circuitos da cultura letrada no se configurou enquanto terreno da mera homogeinizao cultural. Assim, tambm aponta para a crescente articulao do periodismo ao mercado e s prticas mercantis. Por outro 10 </li> <li> lado, identificando a mentalidade popular enquanto alvo e objeto da disputa, formula a questo central na discusso sobre a importncia da imprensa na formao do povo. Em outra edio, a do dia 13 de maio de 1909, em matria veiculada sob o ttulo Concurso contra concurso, a mesma publicao, indignada, se insurge contra um concurso lanado na imprensa burguesa que se prope a eleger o operrio mais popular e simptico dos subrbios, e, em retaliao, lana a proposta de eleio, pelos leitores da Voz do Trabalhador, do jornalista mais crpula e mais mistificador do Rio de Janeiro. Seus argumentos ao criticar o concurso se deixam ver na matria: Decididamente preciso abrir sria campanha contra a esplorao jornalstica que visa corromper cada vez mais o operariado. Ainda agora, a Imprensa acaba de iniciar um concurso para saber Qual o operario mais popular e simptico dos subrbios. um recurso comercial reclame para o jornal e imprudente caada ao nquel de operrios simples que tm ainda f de todas as espcies: nos jornalistas, no Estado, na religio e nas boas intenes dos patres. [...] um pernicioso movimento que pretende despertar a vaidade no operariado, distraindo-o, afastando-o das lutas de reivindicao [...] sobre esse perodo de emergncia e afirmao do periodismo paulista e as questes propostas pelos processos de experimentao e disputa no campo da imprensa paulista e paulistana, entre os anos de 1890 e 1915, que se desenvolve a anlise de So Paulo em Papel e Tinta. Tendo como base a pesquisa num conjunto extremamente diverso e significativo de publicaes da pequena imprensa, editadas na cidade de So Paulo no perodo, e problematizando as relaes entre cultura e cidade no momento inicial de formao da metrpole paulistana, enfatiza as articulaes entre periodismo, cultura letrada e vida urbana. A adoo do conceito de periodismo em referncia comunicao impressa e peridica, ainda hoje pouco utilizado nos estudos histricos, prope pensar a imprensa como prtica social constitutiva e instituinte dos modos de viver e pensar a cidade. Com o uso proposital da noo de periodismo, busca captar o movimento de fazer imprensa como experincia e prtica cultural de sujeitos sociais, surpreendendo as redes sociais de comunicao que a se constituem. No dilogo crtico com as experincias e motivaes dos diferentes grupos produtores daquelas publicaes, indaga sobre os sentidos do fazer imprensa, apontando para disputas em meio as quais esses personagens e suas publicaes se moviam naquele tempo. Como indica Raymond Williams em seu artigo sobre a imprensa popular inglesa1, uma abordagem corrente entre ns historiadores, cientistas sociais e estudiosos da comunicao aquela que faz da Histria da imprensa um campo isolado, que referencia a si mesmo, sem buscar as conexes e vnculos no s com a Histria de outras formas de comunicao, mas tambm com a Histria Social mais ampla, desde os movimentos polticos e sociais s conjunturas e processos econmicos, aos movimentos e formaes culturais aos quais as formas histricas da imprensa se articulam de modo mais especfico. 1 WILLIAMS, Raymond. Imprensa e cultura popular: uma perspectiva histrica. Projeto Histria: Histria e Imprensa, So Paulo, n. 35, p. 15-26, dez. 2007. 11...</li></ul>

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