santo tomas de aquino escritos políticos de sto. tomás de aquino

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  • 1. ESCRITOS POLTICOS DE SANTO TOMS DE AQUINO 1

2. Coleo CLSSICOS DO PENSAMENTO POLTICO Volumes Publicados 4. TRATADO SOBRE A CLEMNCIA Sneca A CONJURAO DE CATILINA / A GUERRA DE JUGURTA Salstio 6. ESCRITOS POLTICOS DE SANTO TOMS DE AQUINO Santo Toms de Aquino 7. SOBRE O PODER ECLESISTICO Egdio Romano 8. SOBRE O PODER RGIO E PAPAL Joo Quidort 9. BREVILQUIO SOBRE O PRINCIPADO TIRNICO Guilherme de Ockham 10. DEFENSOR MENOR Marslio e Pdua TRATADO SOBRE O REGIME E O GOVERNO DA CIDADE DE FLORENA Savonarola 13. DE CIVE Thomas Hobbe 14. SEGUNDO TRATADO SOBRE GOVERNO CIVIL John Locke 15. DISCURSO SOBRE ECONOMIA POLTICA E O CONTRATO SOCIAL J.J. Rousseau 16. OS DIREITOS DO HOMEM Thomas Paine 19. ESCRITOS POLTICOS San Martn 22. SOBRE A LIBERDADE Stuart Mill 23. REFLEXES SOBRE A VIOLNCIA Georges Sorel 24. MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA K. Marx e F. Engels 26. O ABOLICIONISMO Joaquim Nabuco 29. A REVOLUO RUSSA Rosa Luxemburgo 30. PARLAMENTO E GOVERNO NA ALEMANHA REORDENADA Max Weber 33. O CONCEITO DO POLTICO Carl Schimitt 40. O SOCIALISMO HUMANISTA Che Guevara Prximos Lanamentos 12. O PRNCIPE Maquiavel 17. A TEORIA DO DIREITO / PAZ PERPTUA Immanuel Kant 21. SOBRE A CAPACIDADE POLTICA DAS CLASSES TRABALHADORAS P.J. Proudhon 27. FACUNDO Sarmiento 31. SOBRE O ESTADO/ O ESTADO E A REVOLUO Lnin 35. O CONCEITO DA REVOLUO PASSIVA A. Gramsci Toms, de Aquino, Santo, 1225?-1274. Escritos polticos de Santo Toms de Aquino / Toms de Aquino ; traduo de Francisco Benjamin de Souza Neto Petrpolis, RJ : Vozes, 1995. (Clssicos do pensamento poltico) ISBN 85.326.1523-6 1. Poltica 2. Toms, de Aquino, Santo, 1225?-1274 I. Ttulo. II. Srie. 95-3861 CDD-189.4 ndices para catlogo sistemtico: 1. Tomismo : Filosofia medieval 189.4 Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 2 3. Santo Toms de Aquino ESCRITOS POLTICOS DE SANTO TOMS DE AQUINO Traduo de Francisco Benjamin de Souza Neto 3 4. 1995, Editora Vozes Ltda. Rua Frei Lus, 100 25689-900 Petrpolis, RJ Brasil CONSELHO EDITORIAL Presidente Neylor Jos Tonin Membros do Conselho Octavio Ianni Maurcio Tragtemberg Jos Cavalcanti Souza Maria Lgia Prado Lus De Boni Maria Helena Capellato Marco Aurlio Nogueira Secretrio Jos Cardonha FICHA TCNICA DAVOZES COORDENAO EDITORIAL: Avelino Grassi EDITOR: Antonio De Paulo COORDENAO INDUSTRIAL: Jos Luiz Castro EDITOR DE ARTE: Omar Santos EDITORAO: Editorao e organizao literria: Andr Heideman Reviso grfica: Revitec S/C Reviso final: Francisco Benjamin de Souza Neto Diagramao: Rosangela Loureno Superviso grfica: Valderes Rodrigues ISBN 85.326.1523-6 Este livro foi composto e impresso pela Editora Vozes Ltda. em abril de 1997. 4 5. SUMRIO Introduo, 7 Questes sobre a lei na Suma de Teologia, 33 Do reino ou do governo dos prncipes ao Rei de Chipre, 123 5 6. 6 7. INTRODUO O exame e a exposio do pensamento poltico de Santo Toms de Aquino, mais ainda do que ocorre quando tal pen- samento versa sobre temas como o ente e o ser, a alma, a natureza e o cosmos, as questes de Lgica e de Filosofia do saber e da cincia, requer do leitor a cautela consistente em este no procurar encontrar no texto examinado o que o mesmo no pretendeu oferecer-lhe. Igualmente, no cabe atribuir a suas teses aquele valor definitivo e universal que se presume ser alcanado no interior da Philosophia perennis1 , o que equivale a dizer que no se lhe deve atribuir qualquer imediata aplicaoaotempopresente.Estaobservaopream- bular tanto mais necessria quanto por toda parte renasce e se fortalece um culto da sabedoria dos antigos, entre os quais, mais do que outrora, cabvel incluir os medievais, culto este nem sempre criterioso, porque nem sempre instrudo por uma verdadeira cincia da sabedoria cuja latria se proclama. Feitas as observaes acima, passemos a uma breve intro- duo ao pensamento poltico de nosso autor. Principiemos por dizer que, em sua obra, podem ser encontrados conceitos e juzos concernentes esfera das relaes polticas, como certamente ocorre, salvo acidente, com todo autor para o qual 1. Jamais a Idade Mdia se valeu deste conceito. 7 8. a existncia presente do homem no despojada de qualquer razo ou significado. Resta precisar onde e sob que formas deparamoscomumpensamentopolticoemTomsdeAquino. A primeira observao a se fazer que, em sua obra, no encontramos nenhum tratado sistemtico de Filosofia Poltica. O Opsculo De Regno, que por vezes julgado tal, alm de no considerar todas as formas ou regimes de governo, mas apenas a monarquia ou reino, no foi concludo. Incompleta tambm a exposio sobre a Poltica de Aristteles, ainda que esta possa em parte completar-se mediante recurso exposio sobre a tica. Alm disso, por mais completa que se possa considerar a adeso de Toms de Aquino Filosofia de Aristteles, cabe sempre reconhecer nestes ltimos escritos seu carter de leitura, lectio. H, enfim, a Suma de Teologia: nesta, na primeira parte da segunda parte, as questes 90 a 97, ditas questes sobre a lei, abordam temas de poltica de forma concisa mas precisa quanto aos princpios. So elas enrique- cidas pela resposta ao artigo primeiro da questo 105 desta mesma diviso da Suma. Como se pode observar, as fontes de que dispomos so obra do leitor, expositor e comentarista, ou do telogo. Isto no obsta que a filosofia encontre a um lugar, mas impe ao leitor moderno certa cautela em identificar as articulaes de um discurso filosfico. O que aqui se procura mostrar que, a despeito desta dificuldade, a questo pol- tica resolvida por Toms de Aquino em escala filosfica, cabendo teologia situ-la no horizonte que lhe prprio e pronunciar-se sobre problemas que possa originar. Tambm isto dever ser aqui abordado. Uma leitura atenta dos escritos aqui brevemente aprecia- dos sugeriu, primeiro, e, depois, recomendou a opo de reproduzir nesta introduo o movimento de conjunto das referidas questes da Suma de Teologia. A justificativa desta opo h de se produzir no curso do presente texto. Antecipe- mos apenas, aqui, que ela parte do fato de, na Suma, Toms de Aquino ser certamente o responsvel por tudo o que dito em cada resposta e de ser a que, de forma mais abrangente e mais sistematicamente articulada, so estudados a poltica e o poltico. A primeira observao a que d ensejo a leitura da questo XC da referida parte da Suma de Teologia que o 8 9. subjectum, o assunto de que se trata continua a ser Deus, agora visualizado como princpio exterior que move o homem ao bem, instruindo-o mediante a lei e auxiliando-o mediante a graa. Donde a abordagem dalei,queseestendeataquesto CVIII, fazer-se em perspectiva teolgica e na medida em que isto interessa a um conhecimento menos imperfeito de Deus. Todavia, to logo a leitura se prolonga e percorre o artigo primeiro, desde a formulao da pergunta a ateno atrada pela importncia que o autor atribui razo na determinao da essncia da lei: sendo esta certa regra e medida dos atos e sendo a razo regra e medida dos atos humanos, na qualidade de primeiro princpio destes, pois cabe-lhe ordenar para o fim, primeiro princpio tanscendente de toda ao, importa con- cluir ser a lei algo pertinente razo. Pode-se afirmar, pois, que, dito isto, atribui-se razo a dignidade de mediadora imanente de toda legislao, sem detrimento de seu primeiro princpio transcendente, Deus. Este prestgio da razo ainda reforado no artigo primeiro, quando da resposta segunda sentena, ao se estabelecer certo paralelismo entre a razo prtica, qual cabe instaurar a lei, e a razo especulativa. Reconhecido tal lugar razo, toda a questo XC se desdobra com homogeneidade. Regida pelo Sumo Bem, como fim ltimo, toda lei ordena para o bem comum em nome da sujeio de cada uma das partes ao todo ao qual pertence, qual esta se aplica a cada homem, como parte de uma comunidade perfeita: eis, em resumo, a tese do artigo segundo, defendida com conciso, mas, tambm, com preciso de pormenor. Impe-se, de imediato, a necessidade de determinar a que razo cabe legislar. A resposta lapidar: ordenar para o bem comum cabe a toda multido ou a algum a quem cabe gerir, fazendo as vezes desta mesma multido. Este o cerne do artigo terceiro. Pode-se dizer que esta meno da multitudo faz emergir o sujeito originrio de toda legislao e da vida poltica. O leitor naturalmente remetido ao plethos de que fala Aristteles. Todavia, importa assinalar desde j que o contexto em que Toms de Aquino utiliza a palavra confere- lhe uma extenso maior, pois no se precisa, em nenhum momento, explcita ou implicitamente, a distino entre a multido e o demos. Haver ocasio de seretornarquesto. 9 10. Por enquanto, urge assinalar que a necessiade de dar a conhe- cer a lei queles que ela h de regular faz com que a promul- gao seja declarada algo que pertence razo de lei. o que faz o artigo quarto, que conclui ser esta certa ordenao da razo para o bem comum promulgada por aquele a quem incumbe a gesto da comunidade. No nenhum excesso dizer que, nesta questo, so enunciados os princpios gerais do pensamento poltico de Toms de Aquino. Uma vez enunciados estes princpios, a passagem divi- so da lei, nas formas que concretamente assume, segue-se imediatamente. A natureza da obra exige, de um lado, que se leve em conta a ordem da graa, isto , da elevao Vida Divina; mas, de outro, autoriza que o discurso se limite ao mxime universal. Assim, o artigo primeiro, pressuposta a providncia, divisa na prpria razo divina, isto , naquilo que em Deus analogicamente corresponde razo, a lei eterna de que todas as restantes formas de lei participam. Tal lei dita eterna, o que permitir, adiante, chamar divina a lei que h de regular as relaes entre Deus e o homem em vista de aquele se haver revelado a este e o haver chamado a participar de sua vida. Todavia, antes de falar desta lei, fundamenta Toms de Aquino a necessidade e expe a especificidade da lei natural. Ele o faz no artigo segundo e, mais uma vez, vale-se da doutrina platnica da participao, da qual jamais abriu mo. Todo e