Salário Mínimo e Distribuição de Renda (2012)

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Trabalho de monografia para obteno do ttulo de bacharel em Cincias Econmicas pela Universidade Federal de Uberlndia. Ttulo: Salrio Mnimo e Distribuio de Renda no Perodo Recente: A reduo da desigualdade de renda atravs da valorizao do salrio mnimoAutor: Lincoln Prado Rabelo. Citaes: Rabelo, L. P.O trabalho argumenta a favor da reduo da desigualdade de renda atravs da valorizao do salrio mnimo.

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<p>UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLNDIA INSTITUTO DE ECONOMIA</p> <p>LINCOLN PRADO RABELO</p> <p>SALRIO MNIMO E DISTRIBUIO DE RENDA NO PERODO RECENTE: A REDUO DA DESIGUALDADE DE RENDA ATRAVS DA VALORIZAO DO SALRIO MNIMO</p> <p>Uberlndia 2012</p> <p>LINCOLN PRADO RABELOMatrcula 3042112-4</p> <p>SALRIO MNIMO E DISTRIBUIO DE RENDA NO PERODO RECENTE: A REDUO DA DESIGUALDADE DE RENDA ATRAVS DA VALORIZAO DO SALRIO MNIMO</p> <p>Monografia apresentada ao Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlndia, como requisito parcial obteno do ttulo de bacharel em Cincias Econmicas. Orientadora: Prof. Dr. Rosana Aparecida Ribeiro</p> <p>Uberlndia 2012</p> <p>UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLNDIA INSTITUTO DE ECONOMIA LINCOLN PRADO RABELO</p> <p>SALRIO MNIMO E DISTRIBUIO DE RENDA NO PERODO RECENTE: A REDUO DA DESIGUALDADE DE RENDA ATRAVS DA VALORIZAO DO SALRIO MNIMO</p> <p>Monografia apresentada ao Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlndia, como requisito parcial obteno do ttulo de bacharel em Cincias Econmicas.</p> <p>Uberlndia, 02 de Julho de 2012</p> <p>BANCA EXAMINADORA</p> <p>____________________________________________ Prof. Dr. Rosana Aparecida Ribeiro</p> <p>____________________________________________ Prof. Dr. Ebenzer Pereira Couto</p> <p>____________________________________________ Prof. Me. Camila do Carmo Hermida</p> <p>Aos mais de 13 milhes de brasileiros que sobrevivem abaixo da linha de extrema pobreza, que so constantemente castigados pelos horrores da violncia e da fome.</p> <p>AGRADECIMENTOSNo poderia deixar de agradecer, aps esses anos de graduao, aos que me ensinaram, me ajudaram, me motivaram, me direcionaram e me orientaram. O processo de aprendizagem nem sempre rpido, fcil e indolor, e durante esse processo a vida no para, muito pelo contrrio, continua a todo vapor. Com o passar do tempo, maiores so as responsabilidades adquiridas, e maior o tempo que necessitaramos para lidarmos com todas elas. Quando paramos para refletir, olhamos para trs e notamos que muito deixamos de fazer. Deixamos de estudar um pouco do que deveramos e at do que gostaramos, deixamos de dormir o tempo que deveramos, deixamos de freqentar os locais que gostaramos, e deixamos de dar a devida ateno s pessoas que gostaramos. Agradecimento especial, portanto, a minha me, Luizabete Borges do Prado, pelo apoio, pela fora, pela cobrana, pelo sustento e pelo amor com que me muniu durante todo esse tempo. Agradeo ao meu pai, Clvis Natal Rabelo, e a minha irm, Michelle Prado Rabelo, pelo apoio e pela compreenso com que toleraram minhas ausncias. Agradeo a minha noiva, Adriana Aparecida Vieira, que me motivou e me encorajou em todos os momentos a concluso deste trabalho. Amo vocs de forma incondicional! Agradeo a todos do IE/UFU pelo aprendizado adquirido ao longo desses anos. Tive a oportunidade de estudar com timos professores, que me ensinaram muito alm dos livros. Agradeo ao professor Charles Brown pela solidria doao de um exemplar de sua obra. Com certeza, foi muito til! Agradeo, em especial, a minha orientadora, professora Rosana A. Ribeiro, que com pacincia, sabedoria e disposio, me direcionou durante essa empreitada. No foram poucos os momentos de dvida sobre que caminho traar ou quais autores ler. A ela devo muito do que aqui escrevi.</p> <p>RESUMORABELO, Lincoln Prado. Salrio mnimo e distribuio de renda no perodo recente: a reduo da desigualdade de renda atravs da valorizao do salrio mnimo. 2012. Monografia (Graduao em Economia) Instituto de Economia, Universidade Federal de Uberlndia, Uberlndia, 2012.</p> <p>O objetivo desta monografia analisar a relao existente entre o aumento do salrio mnimo e a reduo da concentrao de renda no Brasil, no perodo delimitado entre os anos de 1995 e 2009. Para tanto, foram abordados alguns tpicos da literatura nacional e internacional acerca do tema, com argumentos a favor e contra as elevaes do mnimo, alm de evidenciados alguns resultados encontrados na literatura nacional. A proposta do trabalho demonstrar a relao existente entre o aumento do salrio mnimo e a reduo da desigualdade, argumentando a favor da literatura que descreve o salrio mnimo como importante instrumento de distribuio de renda e combate a pobreza. Os resultados encontrados convergem com a maior parte da literatura destacada. A correlao linear encontrada entre o salrio mnimo real o coeficiente de Gini suscita um forte relacionamento negativo entre as duas variveis, o que indica que o aumento do salrio mnimo est relacionado a reduo da concentrao de renda. O salrio mnimo se configura, portanto, como importante instrumento de poltica distributiva, capaz de reduzir a disperso salarial e a desigualdade de renda. . Palavras-Chave: Salrio Mnimo. Distribuio de Renda. Concentrao de Renda. Desigualdade de Renda.</p> <p>LISTA DE ILUSTRAES Grfico 1. Evoluo do Salrio Mnimo Real (R$ de 2009) e do Coeficiente de Gini 1995 a 2009 .......................................................................................................................................... 38 Grfico 2. Evoluo do Salrio Mnimo Real (R$ de 2009) e da Razo Entre a Renda Mdia dos 20% Mais Ricos e 20% Mais Pobres 1995 a 2009 ......................................................... 39 Grfico 3. Evoluo da Proporo de Pobres, Extremamente Pobres e do Salrio Mnimo Real (R$ de 2009) 1995 a 2009 ..................................................................................................... 41</p> <p>LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS</p> <p>DIEESE IBGE IEA INPC IPEA IPUMS OIT PEA PIB PME PNAD</p> <p>Departamento Intersindical de Estatstica e Estudos Scio Econmicos Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica Instituto de Economia Agrcola ndice Nacional de Preos ao Consumidor Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada Integrated Public Use Microdata Series Organizao Internacional do Trabalho Populao Economicamente Ativa Produto Interno Bruto Pesquisa Mensal de Emprego Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclio</p> <p>SUMRIO</p> <p>INTRODUO ............................................................................................................................ 9</p> <p>1 SALRIO MNIMO E DISTRIBUIO DE RENDA NA LITERATURA .............................. 13 1.1 Salrio mnimo e distribuio de renda: tpicos da literatura internacional ............... 13 1.2 Salrio mnimo e distribuio de renda: tpicos da literatura nacional ....................... 20 2 SALRIO MNIMO, DESIGUALDADE E POBREZA: INDICADORES NO BRASILRECENTE .............................................................................................................................. 32</p> <p>2.1 Salrio mnimo e distribuio de renda: resultados encontrados na literatura nacional................................................................................................................................. 33 2.2 Salrio mnimo e distribuio de renda: anlise descritiva ......................................... 37CONCLUSO ........................................................................................................................ 42 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .......................................................................................... 43</p> <p>9 INTRODUO</p> <p>A populao brasileira convive historicamente com uma das doenas mais cruis existentes, a pobreza. Em 2009, mais de 39 milhes de habitantes viviam abaixo da linha de pobreza, e cerca de 13 milhes estavam abaixo da linha de extrema pobreza, o que corresponde, respectivamente, a 21,4% e 7,3% da populao.1 fato que tanto a quantidade de pobres quanto a de extremamente pobres reduziu bastante entre os anos de 1995 e 2009. Neste perodo, o percentual de pobres reduziu de 35,1% para 21,4%, e o percentual de extremamente pobres reduziu de 15,2% para 7,3%, em um perodo onde a populao brasileira cresceu 25,3%. As causas da pobreza esto intimamente ligadas concentrao de renda existente no pas. De acordo com Langoni (2005), os desnveis educacionais durante o processo de formao dos trabalhadores contribuiu de forma determinante para as diferenas salariais existentes e para o processo de concentrao de renda. Outra anlise das origens da concentrao de renda no Brasil foi feita por Furtado (1961). De acordo com o autor, alm da tendncia natural para a concentrao de renda existente no sistema capitalista2, a estrutura econmica brasileira, tipicamente pr-capitalista, aliada a debilidade das foras sociais ligadas ao trabalho, foram responsveis pelo processo histrico de concentrao da renda. A concentrao de renda retrocedeu durante o perodo de anlise. O ndice de Gini, utilizado na mensurao do grau de concentrao da distribuio pessoal de renda, varia de zero (perfeita igualdade) at um (desigualdade mxima), mostra que houve evoluo no quadro distributivo, tendo passado de 0,601 em 1995 para 0,543 em 2009. Apesar desse declnio no ndice de Gini, a desigualdade no pas continua extremamente elevada. imprescindvel que as polticas adotadas no perodo sejam intensificadas com vistas manuteno da reduo da concentrao de renda e da pobreza no Brasil. De acordo com o Simioni (2010)3, a reduo da concentrao de renda pode ser obtida atravs de polticas pblicas com fundamento scio-econmico, que atingem a base da pirmide. Sade, educao, saneamento e habitao elevam o nvel de renda atravs da elevao do bem estar da populao. Os programas governamentais com o objetivo de transferncia direta de renda tambm produzem efeitos positivos na distribuio. Programas1</p> <p>Dados retirados da fonte de indicadores sociais relacionados a renda, do IPEA/DATA. Disponvel em www.ipeadata.gov.br 2 Para maiores informaes, ver Furtado (2003) 3 Texto escrito por Mnica Simioni na Revista Desafios do Desenvolvimento, n 60, publicada em maio de 2010 pelo IPEA</p> <p>10 como o Bolsa Famlia4, do Governo Federal, so capazes de criar poder de compra imediato aos seus beneficirios, o que permite acesso a um elemento essencial de subsistncia, o consumo. nesse contexto de busca por alternativas para reduo da concentrao de renda que o salrio mnimo surge como ferramenta potencialmente eficaz, capaz de causar efeitos positivos no quadro distributivo. O salrio mnimo a remunerao base para todos os trabalhadores da economia formal. Foi institudo em 1 de maio de 1940, sendo unificado para um mesmo valor em 1984. De acordo com Cacciamali (2005), o salrio mnimo possui quatro funes bsicas: Estabelecer um piso para a determinao de salrios de menor remunerao; Proteger categorias de trabalhadores mais vulnerveis; Estabelecer normas para que trabalhos iguais tenham a mesma remunerao; Tornar-se instrumento de poltica macroeconmica.5</p> <p>A primeira funo prov um piso salarial, que condicionar a estrutura salarial. Objetiva atingir a mo-de-obra no qualificada e no sindicalizada. E, na medida em que um piso salarial fixado institucionalmente, se condiciona a definio da maioria dos demais salrios da estrutura salarial, limitando a disperso dos salrios. A segunda funo complementa a primeira. O seu propsito definir por meio de interveno governamental ou de gestes tripartites o piso dos salrios para as categorias de trabalhadores de setores econmicos menos organizados. Tende, dessa maneira, a diminuir os diferenciais de salrios entre os trabalhadores de categorias de menor e maior poder de barganha nas negociaes coletivas. A terceira finalidade, em geral estabelecida por meio dos acordos coletivos devido s dificuldades para reconhecer situaes de igualdade ou desigualdade, no que concerne s funes que so desempenhadas no mercado de trabalho, especialmente, entre setores econmicos. Por fim, a quarta atribuio simultaneamente estruturar os salrio e determinar o nvel da demanda agregada. (CACCIAMALI, 2005, p. 1)</p> <p>O salrio mnimo est na constituio brasileira de 1988. O texto da carta magna enfatiza as funes do salrio mnimo, bem como os indivduos que tero direito ao benefcio. O Art. 7 da Constituio da Repblica Federativa do Brasil6, que trata dos direitos dos trabalhadores rurais e urbanos, alm de outros que visem melhoria de sua condio social, nos diz:</p> <p>4 5</p> <p>Para maiores informaes sobre o Bolsa Famlia, acessar www.mds.gov.br/bolsafamilia As funes de 1 a 3 compem as normas da Organizao Internacional do Trabalho (OIT) formuladas atravs dos Convnios n.26, 1928, n.99, 1951, e n.131, 1970. 6 A constituio da Repblica Federativa do Brasil est disponvel em www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm</p> <p>11[...] IV-Salrio mnimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender as suas necessidades vitais bsicas e s de sua famlia com moradia, alimentao, educao, sade, lazer, vesturio, higiene, transporte e previdncia social, com reajustes peridicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculao para qualquer fim. [...] VII-Garantia de salrio, nunca inferior ao mnimo, para os que percebem remunerao varivel. (BRASIL, 1988, p. 7)</p> <p>O salrio mnimo est presente na vida de milhes de brasileiros, e ano aps ano tema de calorosos debates polticos no Congresso Nacional. O Governo Federal esboou certa preocupao com o salrio mnimo e a sua valorizao ao longo dos ltimos anos, e recentemente foi aprovado na Cmara dos Deputados e no Senado Federal a Poltica de Valorizao do Salrio Mnimo7 para o perodo de 2012 a 2015. Segundo a matria, o salrio mnimo ser reajustado anualmente afim de ter seu poder de compra preservado. Seu reajuste ser composto pela variao do ndice Nacional de Preos ao Consumidor INPC acumulado dos doze meses anteriores, e pelo crescimento real do Produto Interno Bruto PIB de dois anos anteriores. Esse clculo permitir a preservao do poder de compra do salrio mnimo em virtude da inflao do ano anterior, atravs do percentual aplicado do INPC, e acrescentar poder de compra adicional ao salrio mnimo atravs do percentual de crescimento do PIB de dois anos anteriores. Por mais que a primeira vista nos paream bvios os efeitos positivos do aumento do salrio mnimo, os efeitos distributivos do salrio mnimo fazem parte de um controverso debate econmico, onde parte da literatura advoga em prol do salrio mnimo como mecanismo de distribuio de renda, e a outra parte da literatura nega os efeitos distributivos do salrio mnimo. Do lado dos que defendem os efeitos distributivos do salrio mnimo,</p> <p>este capaz de produzir potentes impactos positivos sobre os salrios dos indivduos no mercado de trabalho. Segundo estes, o salrio mnimo arrastaria para cima os rendimentos daqueles trabalhadores com remuneraes inferiores ao valor do salrio mnimo para o valor deste ou at mesmo para valores acima do mnimo. Alm de que, ao funcionar como o patamar mnimo de remunerao legal do mercado de trabalho, o salrio mnimo protege os indivduos com menor poder de barganha, reduzindo, assim, a desigualdade de rendimentos e, como conseqncia, contribuindo para a reduo da pobreza e da desigualdade de renda per capita. (DIAS, 2008, p. 15)</p> <p>7</p> <p>A Poltica de Valorizao do Salrio Mnimo est contida no Projeto de Lei Complementar primeiro de 2011 (PLC 1/2011), aprovado no Senado Federal e enviado sano presidencial em 25/02/2011.</p> <p>12 Ainda do lado dos que advogam...</p>