r.v41i2.9609 o compromisso formativo na avaliaÇÃo da ... ?· o compromisso formativo na...

Download r.v41i2.9609 O COMPROMISSO FORMATIVO NA AVALIAÇÃO DA ... ?· O COMPROMISSO FORMATIVO NA AVALIAÇÃO…

Post on 20-Dec-2018

214 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

379Roteiro, Joaaba, v. 41, n. 2, p. 379-406, maio/ago. 2016

O COMPROMISSO FORMATIVO NA AVALIAO DA APRENDIZAGEM EM QUMICA

COMMITMENT IN FORMATIVE EVALUATION OF LEARNING IN CHEMISTRY

LA FORMACIN DEL COMPROMISO EN LA EVALUACIN DEL APRENDIZAJE EN QUMICA

Elaine Cristina Galvo*Professora do Quadro Prprio do Magistrio da Secretaria de Educao do Estado

do Paran, Participante do Programa de Desenvolvimento EducacionalNadia Aparecida de Souza

**Professora associada da Universidade Estadual de Londrina;Professora convidada na Universidade Tecnolgica Federal do Paran

Resumo: O objetivo com esta pesquisa qualitativa foi mapear e analisar prticas ava-liativas marcadas pelo compromisso formativo, detendo-se nas relaes possveis de serem estabelecidas entre elas e na maneira de abordar o erro, por parte dos professo-res de Qumica. Participaram trs professoras de diferentes instituies da Rede Pbli-ca Estadual do Municpio de Londrina, PR. Os dados, recolhidos por meio de obser-vao e entrevista semiestruturada, foram submetidos anlise de contedo temtica. Os resultados revelaram que as professoras realizam prticas avaliativas formativas, intentando conhecer a estratgia empreendida pelo aluno para, pela recomposio do ensino, auxili-lo a avanar no processo de construo do conhecimento, bem como, que o erro passou a ser compreendido como um elemento essencial no processo de ensino e aprendizagem, sendo fonte de reflexes e descobertas.Palavras-chave: Ao docente. Avaliao da aprendizagem. Ensino de Qumica. Erro. Regulao da aprendizagem.

Abstract: With this qualitative research it was aimed to map and analyze formati-ve assessment practices marked by commitment, stopping at the potential relations to be established between them and the in way to approach the error, by Chemis-try teachers. Three teachers from different institutions that make up the State Public Network in Londrina, PR participated. The data, collected through observation and semistructured interviews, were subjected to thematic content analysis. The results

http://dx.doi.org/10.18593/r.v41i2.9609

380 Disponvel em: www.editora.unoesc.edu.br

Elaine Cristina Galvo, Nadia Aparecida de Souza

revealed that teachers perform formative assessment practices, attempting to know the strategy undertaken by the student to, by, the rebuilding of the school, help him advance in the knowledge construction process, as that well as the error came to be understood as an essential element to the teaching and learning process, being the source of reflections and discoveries.Keywords: Teacher action. Assessment of learning. Chemistry teaching. Error. Peda-gogical intervention.

Resumen: El objetivo de la investigacin cualitativa fue mapear y analizar las prc-ticas de evaluacin marcaron el compromiso formativo, parando las posibles relacio-nes que se establezcan entre ellos y la manera de abordar el error, por los profesores de la qumica. Participaron tres profesores de diferentes instituciones de la Red P-blica del Estado en Londrina-PR. Los datos recogidos a travs de la observacin y entrevistas semiestructuradas fueron sometidos a anlisis de contenido temtico. Los resultados mostraron que los profesores llevan a cabo las prcticas de evaluacin formativa, con la intencin de conocer la estrategia emprendida por el estudiante a la reconstruccin de la educacin, ayudan a avanzar en el proceso de construccin del conocimiento, as, el error lleg a ser entendido como un elemento esencial en el proceso de enseanza y aprendizaje, una fuente de reflexiones y descubrimientos.Palabras clave: Accin docente. Evaluacin del aprendizaje. La enseanza de la qu-mica. Error. Aprender regulacin.

1 ALGUMAS RAZES

No decorrer dos anos, o ensino de Qumica tem resguardado abordagens mais tradicionais, geralmente centradas na memorizao de frmulas, reaes e pro-priedades dos elementos, bem como na aplicao de regras e conceitos matemticos, que so apresentados separadamente, fora do contexto de vida dos alunos, sem [...] relacion-los com a forma natural como ocorrem na natureza. (FARIAS; BASA-GLIA; ZIMMERMANN, 2009, p. 2).

Balizado pelo modelo tradicional de educao (KOSSEBOEHMER; FER-REIRA, 2008; LEAL, 2003; SCHNETZLER; NIEVES; CAMPOS, 2006; ZANON; OLIVEIRA; QUEIROZ, 2009), no qual se acredita que para ensinar basta ter domnio do contedo especfico e valer-se de algumas tcnicas pedaggicas, preferencialmente aquelas voltadas para a comunicao oral ou escrita, o ensino de Qumica tem se ca-racterizado pela supervalorizao dos contedos curriculares e pela transmisso como

381Roteiro, Joaaba, v. 41, n. 2, p. 379-406, maio/ago. 2016

O compromisso formativo na avaliao...

mtodo de ensino (MACENO; GUIMARES, 2013; SCHNETZLER; ARAGO, 1995). Essa concepo coloca o professor no centro do processo de ensino-aprendi-zagem, como grande detentor do conhecimento e fonte nica do saber. O aluno, por sua vez, sujeito passivo, cumprindo a ele se apropriar de grandes quantidades de contedo, de forma meramente receptiva e individualizada.

Em uma escola que se apresenta, a cada dia, mais isolada e margem das mudanas a envolverem a sociedade atual, o ensino de Qumica se apresenta descon-textualizado cultural, histrica e socialmente. As alternativas pedaggicas, evocadas em sala de aula, para sua efetivao, priorizam os aspectos quantitativos do processo. H pouco espao para a promoo de variabilidade didtica: proposio de questiona-mento, realizao de discusso, efetivao de trabalhos em grupo, desenvolvimento de projetos integradores, entre outras possibilidades. Isso acaba por fazer com que o corpo de conhecimentos seja apresentado de forma desarticulada, repetitiva e limitada (SANTOS JUNIOR; MARCONDES, 2010).

Superar a concepo de ensino-aprendizagem voltada para a transmisso/assimilao ainda constitui um grande n entre aqueles a ministrarem a disciplina, refletindo diretamente na avaliao da aprendizagem. O modelo avaliativo predomi-nante verifica o desempenho do aluno mediante a aplicao de testes, em situaes padronizadas, a demandarem a singela repetio do que j foi dito e reiterado, tantas e tantas vezes, durante as aulas (ZANON; OLIVEIRA; QUEIROZ, 2009; SCHNET-ZLER; ARAGO, 1995). Valorizam-se apenas os acertos para a consignao da nota, a qual indicativo da aprendizagem, sendo atribuda aos erros, pouca ou nenhuma importncia.

De acordo com Tacoshi e Fernandes (2008), necessrio romper com os paradigmas que conferem ao professor a tarefa de atribuir notas e ao aluno o dever de obedecer cegamente s regras que lhe so impostas. O processo avaliativo precisa ser efetivado como algo mais amplo, de modo a ajudar o aluno em seu processo de construo do conhecimento pelo oferecimento de informaes capazes de prover subsdios para o professor ajustar o ensino. Urge ultrapassar esse modelo e aperfeioar a avaliao de maneira a torn-la mais profcua, buscando assegurar melhores resul-tados qualitativos e quantitativos.

Uma avaliao em Qumica precisa, progressivamente, ganhar outro for-mato em sala de aula. Para conceber mudanas e tracejar possibilidades, antes se faz fundamental elucidar a questo: como se anunciam, tendo por baliza a abordagem do erro, as prticas avaliativas dirigidas pelo compromisso formativo entre professo-res de Qumica? Responder orientou a definio do objetivo geral: mapear e analisar

382 Disponvel em: www.editora.unoesc.edu.br

Elaine Cristina Galvo, Nadia Aparecida de Souza

prticas avaliativas marcadas pelo compromisso formativo, detendo-se nas relaes possveis de serem estabelecidas entre elas e na maneira de abordagem do erro, por professores de Qumica atuantes em nvel mdio no ensino pblico.

2 SITUANDO O PERCURSO

A abordagem qualitativa revelou-se mais apropriada para o desenvolvi-mento do estudo, pois considera [...] o universo de significados, motivos, aspiraes, crenas, valores e atitudes, o que corresponde a um espao mais profundo das rela-es, dos processos e dos fenmenos que no podem ser reduzidos operacionaliza-o de variveis. (MINAYO, 1994, p. 22). Ela permite compreender um fenmeno em toda a sua complexidade, respondendo a questes particulares, que no podem ser entendidas isoladas de seu contexto, a partir da perspectiva dos sujeitos da investiga-o (BOGDAN; BIKLEN, 1994; FLICK, 2004).

Desse modo, eleger a pesquisa qualitativa decorreu, em parte, do fato de o foco do estudo voltar-se para as vivncias e experincias das professoras de Qumica, sendo necessrio inserir-se em seu ambiente natural, para dele extrair os significados visveis e latentes (CHIZZOTTI, 1998), a constiturem-se elementos fundamentais compreenso do objeto de investigao. Ainda, o estudo particularizou-se por valer-se das palavras pronunciadas ou consignadas sobre o papel para descrever situaes e momentos relevantes ao objeto de estudo, acatando um cuidado especial: respeitar a perspectiva dos participantes, no intuito de iluminar a [...] dinmica interna das situ-aes, dinmica esta que frequentemente invisvel ao observador exterior. (BOG-DAN; BIKLEN, 1994, p. 50).

O universo de pesquisa foi o ensino pblico, de nvel mdio, em trs ins-tituies localizadas na Cidade de Londrina, PR. Participaram trs professoras, que primeiro consentiram formalmente em contribuir com a pesquisa, cada uma atuante em uma das escolas. Para a efetivao do estudo, foram selecionados dois instru-mentos de coleta: entrevista para aprofundamento das concepes de avaliao da aprendizagem e erro e observao para acompanhar situaes avaliativas e formas de abordagem do erro ocorridas no cotidiano escolar.

Os dados coletados foram lidos e submetidos anlise de contedo tem-tica (BARDIN, 1979). Por isso, palavras e aes das professoras participantes foram agrupadas conforme convergncias identificadas pela repetio das unidades de regis-tro, que sofreram uma primeira aglutinao, r