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  • Jos Valmi Oliveira TorresRosilene Dias Montenegro

    Escola Politcnica:Construindo o imaginrio de modernidade

    em Campina Grande atravsdo Dirio da Borborema

    Universidade Federal de Campina Grande2007

  • 2

  • ndice

    Apresentao 7

    1 Campina Grande dos anos 50 e os desafios de pro-gresso e modernizao 111.1 Embate poltico e mobilizao do imaginrio de

    progresso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

    2 Escola Politcnica: um projeto de desenvolvimento 25

    3 A imagem da Escola Politcnica pelo dirio da Borbo-rema 393.1 Politcnica: um caminho para o desenvolvimento

    regional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40

    Consideraes finais 57

    Referncias bibliogrficas 59

    Anexos 63

  • Algo s impossvel at que algum duvide e acabe provando ocontrrio

    Albert Einstein

  • ResumoO presente trabalho resultado de dois anos de pesquisas no

    Dirio da Borborema, no qual fao uma anlise de sete notciassobre a Escola Politcnica, fazendo um recorte temporal de 1957,com a criao desse jornal at 1963, com a criao do Curso deEngenharia Eltrica. Buscando mostrar como esse veculo de co-municao vai construir a imagem de uma Politcnica moderna,onde a mesma estava contribuindo para o desenvolvimento tecno-lgico de Campina Grande e demais regio. Busco ainda, perce-ber at que ponto essas imagens publicadas pelo Dirio vo con-tribuir para que a cidade fosse percebida como plo tecnolgico.

    Palavras-chave: Escola Politcnica, Modernidade e Imprensa.

  • AbstractThe present work is resulted of two years of research in the

    Dirio da Borborema, in which I make an analysis of seven no-tice on the Escola Politncina, making a secular clipping of 1957,with the creation of this periodical up to 1963, with the creationof the Course of Electric Engineering. Searching to show as thisvehicle of communication it goes to construct the image of an Po-litncina modern, where the same one was contributing for thetechnological development of Campina Grande and too much re-gion. I still search, to perceive until point these images publishedfor the Dirio one go to contribute so that the city was perceivedas technological polar region.

    Word-key: Escola Politcnica, Modernity and the Press

  • Apresentao

    O despertar para o estudo dessa temtica comeou com minhaparticipao no projeto: Organizao da Memria da Cincia eTecnologia em Campina Grande-PB (1952-2002), inicialmentecomo aluno bolsista (de abril de 2004 a julho de 2005), e depois,como voluntrio at o presente momento.

    Esse projeto tem realizado ao longo de sua existncia, umexcelente trabalho de localizao, organizao e preservao dasfontes documentais escritas, bem como recolhendo depoimentosorais dos sujeitos que participaram do esforo pioneiro e contnuode produo do conhecimento cientfico e tecnolgico no mbitoda antiga Escola Politcnica, desde sua criao at os dias atuais,transformada em Centro de Cincia e Tecnologia, e da Faculdadede Cincia Econmica, transformada em Centro de humanidades,da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

    Ao longo desses quase trs anos de pesquisa investigando amemria da Cincia e Tecnologia em Campina Grande, desde suaorigem com a criao da Escola Politcnica, em 1952, passandopela criao da Faculdade de Cincias Econmicas, em 1959, per-cebemos um quadro em que se entrelaam aes e realizaes,conquistas e derrotas, avanos e recuos, impasses e a descobertade alternativas e continuidade. Compreendemos que essa mem-ria marcada pela existncia de um sentimento de pertencimento,de cooperao, de uma identidade social, mas tambm, de disputade poder.

    A minha participao nesse projeto de pesquisa, tem sido umaexperincia de busca incessante por conhecer e reescrever a me-

    7

  • 8 Jos Torres, Rosilene Montenegro

    mria da cincia e tecnologia em Campina Grande. O que melevou de forma irrecusvel a escolher essa temtica para trabalharna presente monografia.

    Inicialmente minha atividade no Projeto foi catalogao dosconjuntos documentais do Arquivo Intermedirio da UFCG cha-mado de Arquivo Geral , acompanhado com parte da equipe.Posteriormente, devido a divises de tarefas dentro do projeto,passei a acompanhar a coordenadora do projeto, professora Rosi-lene Dias Montenegro, em algumas entrevistas com funcionriose professores da antiga Escola Politcnica, e tambm fazendo atranscrio dessas entrevistas, seguida da catalogao das mat-rias relacionadas cincia e tecnologia em Campina Grande, noperodo de 1957 a 2002; trabalho que foi feito no arquivo do Di-rio da Borborema juntamente com o bolsista Fbio Ronaldo daSilva, tambm integrante do projeto.

    A escolha pela pesquisa dessa fonte documental se deu pelofato de ser esse o mais antigo jornal de circulao diria e ininter-rupta, na cidade, desde sua fundao, em outubro de 1957.

    A partir da pesquisa realizada no Dirio da Borborema pude-mos observar que esse veculo de comunicao abre espao emsuas matrias, dentre outros assuntos, para questes relacionadasao desenvolvimento tcnico cientfico de Campina Grande, bemcomo para instituies que contriburam para o desenvolvimentoda cidade. Nesse sentido, objetivamos perceber como o Dirio daBorborema mostra a imagem da Escola Politcnica como possvelcontribudora no desenvolvimento econmico, cientfico e tecno-lgico no apenas da cidade, mas de toda a regio em notciaspublicadas durante os anos de 1957 a 1963. Ao analisar as mat-rias do peridico j citado tentaremos observar at que ponto e se,a Escola Politcnica realmente contribuiu para que a cidade fossehoje percebida como um plo tecnolgico.

    O trabalho aqui apresentado composto de trs captulos maisa concluso. No primeiro captulo, procuro apresentar as condi-es difceis em que se encontrava a regio Nordeste da poca,em contraste com a euforia, vivenciada pelo Centro-Sul, aps a

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  • Escola Politcnica 9

    eleio de presidente Juscelino Kubitscheck e o incio da implan-tao do projeto desenvolvimentista. Fruto dessas contradiesentre as regies, cresce as insatisfaes e surge a proposta de equi-librar o desenvolvimento. Alm de descrever esse cenrio, desta-camos o papel que o grupo desenvolvimentista campinense tevenessa discusso e nos desdobramentos da mesma, a partir do Io

    Encontro dos Bispos do Nordeste. Ainda nesse captulo demons-tro como se deu a recepo, em Campina Grande, ao Plano deMetas, nome dado ao projeto desenvolvimentista do governo JK,o qual se constitui de um projeto reconhecidamente modernizadore eminentemente voltado para os interesses da indstria.

    No segundo captulo, mostro como Campina Grande, em con-sonncia com o debate dos grandes problemas nacionais e a ten-dncia de aprofundamento do projeto de modernizao do pas,onde o Estado desempenharia papel decisivo no desenvolvimentoindustrial, aplicando em setores bsicos da economia, executandoobras de infra-estrutura, tais como: transportes, energia, comu-nicaes etc., cria a Escola Politcnica, ressaltando o idealismoe obstinao dos cidados, a maioria membros das elites empre-sariais, polticas e intelectuais, responsveis por esta criao, e aviso dos membros de que essa instituio de ensino superior res-ponderia aos desafios de superar o atraso. No segundo captulomostro, ainda, que a Escola Politcnica teve um papel preponde-rante para o desenvolvimento da Paraba e da regio, contribuindona formao de grande nmero de engenheiros civis, eletricistas,mecnicos, que egressavam dessa instituio como bons tcnicose respondiam a demanda no s da regio mas de todo Brasil.

    Por fim, no terceiro captulo sero analisadas sete notcias (pu-blicadas entre os anos de 1957 a 1963) sobre a Politcnica ten-tando perceber at que ponto cincia e tecnologia em CampinaGrande, principalmente matrias relacionadas Escola Politc-nica. A partir dessa fonte, objetivamos mostrar como esse peri-dico carregou para si, responsabilidade de ser o principal difusorde uma Campina Grande de ares progressista nas dcadas de 50

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  • 10 Jos Torres, Rosilene Montenegro

    e 60 e como as instituies que contriburam para o progresso dacidade ganha desde o incio, espao nas colunas desse jornal.

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  • Captulo 1

    Campina Grande dos anos 50e os desafios de progresso e

    modernizao

    Ao longo dos anos cinqenta, o municpio de Campina Grandeera o mais desenvolvido do Estado da Paraba e adquiria impor-tncia significativa no cenrio regional. Evidente que tnhamos naregio Nordeste outros centros mais desenvolvidos que CampinaGrande, no entanto, se tomarmos o desenvolvimento vivenciadopor esta cidade e compararmos com a situao geral do Nordeste,a concluso a que chegaremos que Campina Grande se desen-volvia muito mais que vrias cidades dessa Regio.

    As polticas pblicas implementadas na regio eram, geral-mente, ineficazes e atrasadas como mostra essa citao de Rai-mundo Moreira, comparando as poltica de desenvolvimento doNordeste e do Centro-Sul:

    [...] Desenvolvia-se no Centro-Sul uma poltica de in-verses dentro de um programa orientado com objetivosdefinidos, visando industrializao, enquanto no Nor-deste se levava a cabo uma poltica assistencialista. Aao governamental no Nordeste centrava-se na poltica de

    11

  • 12 Jos Torres, Rosilene Montenegro

    combate s secas e tinha efetivamente um carter filantr-pico [...] (MOREIRA, 1979, pp. 32-43).

    De acordo com Lima (2004, p.48): essa realidade global doNordeste no se reflete em Campina Grande, ao contrrio, ao en-trar nos anos cinqenta o municpio j se destacava como um cen-tro industrial em franca ascenso e continua durante toda dcada.O crescimento era tanto que, em 1959, Campina tinha 111 esta-belecimentos industriais, enquanto Joo Pessoas tinha 93 estabe-lecimentos. Em termos quantitativos, o nmero de indstrias, dehabitantes, de lojas de comrcio, somando-se aind