rosa luxemburgo - reforma ou revolu§£o

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  • 7/23/2019 Rosa Luxemburgo - Reforma Ou Revoluo

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    Reforma ou Revoluo

    Rosa Luxemburgo

    1900

    Escrito:1900. Revisto em 1908.Primeira Edio:1900 (segunda edio revista 1908).Fonte:"Social Reform or Revolution", by Rosa Luxemburg, MilitantPublications, London, 1986 (no copyright).

    Traduo de:.....

    Transcrio de:Fernando Arajo.HTML de:Jos Braz para The Marxists Internet Archive.Direito de Reproduo:Luxemburg Internet Archive (marxists.org), 2002.

    A cpia ou distribuio deste documento livre e indefinidamente garantida nostermos da GNU Free Documentation License.

    Prefcio

    PRIMEIRA PARTE

    1. O Mtodo Oportunista2. A Adaptao do Capitalismo3 A Realizao do Socialismo pelas Reformas Sociais4. A Poltica Alfandegria e o Militarismo5. Consequncias Prticas e Carcter Geral do Revisionismo

    SEGUNDA PARTE

    1. O Desenvolvimento Econmico e o Socialismo2. Os Sindicatos, as Cooperativas e a Democracia Poltica3. A Conquista do Poder Poltico4. A Derrocada5. O Oportunismo na Teoria e na Prtica

    ndice de Nomes

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    Prefcio

    A primeira vista, o ttulo deste livro pode parecer surpreendente. Reforma socialou revoluo? Pode, portanto, a social-democracla opor-se s reformas sociais?Ou pode Impor a revoluo social, a subverso da ordem estabelecida, que o

    seu objectivo social ltimo? Evidentemente que no. Para a social-democracialutar dia a dia, no interior do prprio sistema existente, pelas reformas, pelamelhoria da situao dos trabalhadores, pelas Instituies democrticas, onico processo de iniciar a luta da classe proletria e de se orientar para o seuobjectivo final, quer dizer: trabalhar para conquistar o poder poltico e abolir osistema salarial. Entre a reforma social e a revoluo, a social-democracia v umelo Indissolvel: a luta pela reforma social o meio, a revoluo social o fim.

    Esses dois elementos fulcrais do movimento operrio encontramo-los opostos,pela primeira vez, nas teses de Edouard Bernsteln, tal como foram expostos nosseus artigos sobre os problemas do socialismo, publicados no Neue Zeit em

    1897-1898 ou ainda no seu livro Intitulado: Die Voraussetzungen desSozialismus und die Aufgaben der Sozialdemokratie. Toda a sua teoria visa umanica coisa: conduzir-nos ao abandono do objectivo ltimo da social-democracia, a revoluo social e, inversamente, fazer da reforma social, simplesmeio da luta de classes, o seu fim ltimo. O prprio Bernsteln exprimiu essasopInies da maneira mais transparente e mais caracterstica ao escrever: "Oobjectivo final, qualquer que seja, no nada; o movImento tudo".

    Ora, o objectivo final do socialismo o nico elemento decisivo na distino domovimento socialista da democracia burguesa e do radicalIsmo burgus, onico elemento que, mais do que dar ao movimento operrio a tarefa intil de

    substituir o regime capitalista para o salvar, trava uma luta de classe contra esseregime, para o destruir; posto isto, a alternativa formulada por Bernstein;"reforma social ou revoluo", corresponde para a social-democracia questo:ser ou no ser .

    Na controvrsia entre Bernstein e os seus partidrios, o que est em jogo e nopartido cada um deve ter conscincia disso no este ou aquele mtodo deluta, nem o emprego desta ou aquela tctica mas a prpria exIstncia domovimento socialIsta.

    duplamente Importante que os trabalhadores tenham conscincia desse facto

    porque precisamente deles que se trata, da sua influncia no movimento eporque a sua pele que aqui querem vender.

    A corrente oportunista no Interior do partido encontrou, graas a Bernstein, asua formulao terica, que unicamente uma tentativa inconsciente deassegurar a predominncia dos elementos pequeno-burgueses, aderentes aopartido, e inflectir a prtica transformando, no seu esprito, os objectivos dopartido.

    A alternativa: reforma social ou revoluo, objectivo final ou movimento , soboutra capa, a alternativa entre o carcter do pequeno-burgus ou proletrio domovimento operrio.

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    Parte I

    1. O Mtodo Oportunista

    Se verdade que as teorias so as imagens dos fenmenos do mundo exteriorreflectidas no crebro humano, necessrio acrescentar que, no concernente steses de Bernstein, so imagens invertidas. A tese da instaurao do socialismopor meio de reformas sociais depois do abandono definitivo das reformas na

    Alemanha! A tese do controlo da produo pelos sindicatos depois do faIhanodos construtores de mquinas ingleses! A tese de uma maioria parlamentarsocialista depois da reviso da constituio saxnica e dos atentados noReichstag ao sufrgio universal (1). Entretanto, o essencial da teoria deBernstein no a sua concepo das tarefas prticas da social-democracia, o queinteressa a tendncia objectiva da evoluo da sociedade capitalista que

    decorre paralela a essa concepo. Segundo Bernstein, um desmoronamentototal do capitalismo cada vez mais improvvel porque, por um lado, o sistemacapitalista demonstra uma capacidade de adaptao cada vez maior e, por outrolado, a produo cada vez mais diferenciada. Ainda na opinio de Bernstein, acapacidade de adaptao do capitalismo manifesta-se primeiro no facto de jno existir crise generalizada, o que se deve evoluo do crdito dasorganizaes patronais, das comunicaes e dos servios de informao;segundo, na tenaz sobrevivncia das classes mdias, resultado da diferenciaocrescente dos ramos da produo e da elevao de largas camadas doproletariado ao nvel das classes mdias; terceiro, finalmente, melhoriaeconmica e poltica do proletariado, atravs da aco sindical.

    Essas observaes conduzem a consequncias gerais para a luta prtica dasocial-democracia que, na ptica de Bernstein, no deve visar a conquista dopoder poltico, mas melhorar a situao da classe trabalhadora e instaurar osocialismo no na sequncia de uma crise social e poltica, mas por umaextenso gradual do controlo social da economia e pelo estabelecimentoprogressivo de um sistema de cooperativas.

    O prprio Bernstein no v nada de novo nessas teses. Pensa, muito pelocontrrio, que esto em conformidade tanto com algumas declaraes de Marx eEngels como com a orientao geral at agora seguida pela social-democracia.

    No entanto incontestvel que a teoria de Bernstein est em absolutacontradio com os princpios do socialismo cientfico. Se o revisionismo selimitasse previso de uma evoluo do capitalismo muito mais lenta do que normal atribuir-se-Ihe, poder-se-ia nicamente inferir um espaamento daconquista do poder pelo proletariado, o que na prtica resultaria simplesmentenum abrandamento da luta.

    Mas no se trata disso. O que Bernstein pe em causa no a rapidez dessaevoluo. mas a evoluo do capitalismo em si mesma e, por conseqncia, apassagem ao socialismo. Na tese socialista, na afirmao que o ponto de partidada revoluo socialista ser uma crise geral e catastrfica, preciso, em minhaopinio, distinguir duas coisas: a ideia fundamental e a sua forma exterior.

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    A ideia , supe-se, que o regime capitalista far nascer de si prprio, a partirdas suas contradies internas, o momento em que o seu equilbrio serrompido e onde se tornar prpriamente impossvel. Que se imaginava essemomento com a forma de uma crise comercial geral e catastrfica, havia fortesrazes para o fazer, mas , em ltima anlise, um detalhe acessrio da ideia

    fundamental. Com efeito, o socialismo cientfico apoia-se, sabido, em trsdados fundamentais do capitalismo: 1, na anarquia crescente da economiacapitalista que conduzir fatalmente ao seu afundamento; 2, sobre asocializao crescente do processo de produo que cria os primeirosfundamentos positivos da ordem social futura; 3, finalmente, na organizao ena conscincia de classe cada vez maiores do proletariado e que constituem oelemento activo da revoluo iminente.

    Bernstein elimina o primeiro desses fundamentos do socialismo cientfico:pretende que a evoluo do capitalismo no se orienta para um afundamentoeconmico geral. Por isso no uma determinada forma de desmoronamento

    do capitalismo que rejeita, mas o prprio desmoronamento. Escrevetextualmente: "Pode-se objectar que quando se fala da derrocada da sociedadeactual, visa-se outra coisa que no uma crise comercial geral e mais forte que asoutras, a saber, um desmoronamento completo do sistema capitalista emconsequncia das suas contradies".

    E refuta essa objeco nestes termos:

    "Uma derrocada completa e mais ou menos geral do sistema de produo actual a consequncia do desenvolvimento crescente, no o mais provvel, mas omais improvvel, porque este aumenta, por um lado, a sua capacidade de

    adaptao e por outro lado ou melhor, simultaneamente a diferenciao daindstria". (Neue Zeit, 1897-1898, V, 18, p. 555).

    Mas ento uma questo fundamental se pe: esperaremos pelo objectivo finalpara onde tendem as nossas aspiraes e, se sim, porqu e como? Para osocialismo cientfico a necessidade histrica da revoluo socialista sobretudodemonstrada pela anarquia crescente do sistema capitalista que o envolve numimpasse. Mas, se se admite a hiptese de Bernstein: a evoluo do capitalismono se orienta para uma derrocada e o socialismo deixa de ser umanecessidade objectiva. Aos fundamentos cientficos do socialismo restam os doisoutros lados do sistema capitalista: a socializao do processo de produo e a

    conscincia de classe do proletariado. Era ao que Bernstein aludia na passagemseguinte: [Recusar a tese do desmoronamento do capitalismo] no enfraquecede modo algum a fora de convico do pensamento socialista. Porque,examinando de mais perto todos os factores de eliminao ou de modificaodas crises anteriores, constatamos que so simplesmente premissas ou mesmosgermens da socializao da produo e da troca". (Neue Zeit, 1897-1898, V, 18,p. 554).

    Num relance, apercebem

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