Ribeirão Preto sedia importante evento sobre variedades de cana-de-açúcar

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  • Revista Canavieiros - Outubro de 2016

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    Ribeiro Preto sedia importante evento sobre variedades de cana-de-acar

    Mais de 500 pessoas entre pro-dutores, tcnicos de associa-es e usinas, consultores e especialistas do setor, participaram da 10 edio do Encontro sobre Varieda-des de Cana-de-acar, que aconteceu nos dias 28 e 29 de setembro, no Centro de Convenes em Ribeiro Preto-SP, para obterem conhecimento e discuti-rem sobre o potencial produtivo das va-riedades e at onde elas podem ajudar a recuperar a produtividade.

    Na abertura, o diretor do Grupo Idea, Dib Nunes, destacou a impor-tncia de se reunir num momento em que o setor comea a reagir depois de um longo perodo de crise e de preos para falar sobre as variedades de cana--de-acar, cada vez mais necessrias e exigidas, dada as grandes mudanas pelas quais passa o segmento. Tive-mos que nos adaptar rapidamente a processos mecanizveis de plantio e colheita, que impactaram severamen-te nossas produtividades. Alm disso, esse novo cenrio trouxe consigo no-vas plantas daninhas e doenas, alm do aumento das populaes de algu-mas pragas, que acabaram eliminando duas das mais importantes variedades dos ltimos 20 anos: RB72-454 e a SP81-3250, disse Nunes, que tambm afirmou muitos relaxaram nos cuida-dos com a plantao de cana, que virou uma cultura extrativista, impedindo, assim, a mxima expresso da produ-tividade e maturao das variedades e este evento representa uma oportu-nidade para os participantes verem o que o setor j possui e o que vem por a para que as produtividades voltem a ser as principais protagonistas dos almejados ganhos de produtividade.

    O encontro contou com palestras tc-nicas proferidas pelos principais espe-cialistas em variedades de cana do pas

    Fernanda Clariano

    Realizado h uma dcada, o Encontro de Variedades de Cana-de-acar se tornou referncia para o setor

    que apresentaram produtos e explanaram sobre os fatores que influenciam nos re-sultados de produtividade das diferentes variedades bem como as estratgias para se extrair o mximo de um manejo varie-tal em diversos ambientes de produo.

    Na ocasio, o IAC (Instituto Agro-nmico) divulgou seu Censo Varietal 2015/16 para o Centro-Sul do Brasil. Os dados foram apresentados pelo pes-quisador Rubens Braga, consultor em planejamento estratgico e lder do pro-jeto senso varietal no IAC, que mostrou as primeiras pesquisas que ele realizou no instituto sobre o ttulo Novos indi-cadores mapeiam o uso de variedades no Centro-Sul do Brasil.

    Segundo o pesquisador j foram co-letadas informaes de 213 unidades

    produtoras, pertencentes a oito estados, totalizando 5.998.321 hectares recensea-dos. De acordo com o seu levantamento, Braga constatou que o Estado do Paran plantou pouca cana-de-acar no ltimo ciclo de plantio; ainda so utilizadas va-riedades antigas no plantel das usinas; os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso so os que utilizam variedades mais antigas; os estados de So Paulo e Paran so os que mais utilizam varieda-des novas; em relao s regies do Es-tado de So Paulo, Assis que mais tem plantado variedades novas; as demais regies esto dentro da mesma mdia; ainda h uma grande concentrao com a variedade RB867515; o Mato Grosso e o Paran so os estados com maior pro-poro de RB867515 em relao a ou-tras variedades; o cultivo de variedades precoces est em crescimento.

    A meta conseguir nessa safra, o maior senso histrico que o Brasil j conseguiu fazer e a gente est muito perto disso o que nos deixa muito sa-tisfeitos e agradecidos pela resposta que o setor est dando. O que eu pos-so dizer sobre os resultados obtidos que, na regio Centro-Sul, a RB867515 continua sendo a variedade mais im-portante, com 28% da rea seguida da RB966978, com 9%, a SP81-3250 com 7%, ainda com uma participao muito

    Dib Nunes, diretor do Grupo IDEA

    Rubens Braga, consultor em planejamento es-tratgico e lder do projeto senso varietal no IAC

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    inStitUtOS DE PESQUiSAS

    importante. Depois ainda a RB92579, RB855453, RB855156, CTC4, CTC15. Esses dados so referentes rea plan-tada em 2015/16, destacou Braga.

    O diretor de tecnologia agrcola da GranBio, Jos Antnio Bressiani, falou so-bre as Variedades Vertix de cana-energia para a produo de biomassa e etanol. Na ocasio, Bressiani apresentou as caracte-rsticas da cana-energia e fez um compara-tivo de custo de produo da cana de corte e da cana-energia onde afirmou que a produtividade da cana-energia da Granbio ultrapassa 180 toneladas por hectare, prati-camente o dobro do rendimento. Seu teor de fibras chega a 33%, valor duas vezes maior que o da cana convencional, quando colhida de forma integral.

    J o gerente de planejamento e desenvol-vimento da Agrcola Nova Amrica, Jos Francisco Fogaa, falou sobre os fatores que influenciam no ATR das variedades e tambm comentou sobre a safra 2016/17.

    As multinacionais Syngenta, Ihara, ArystaLifeScience e DuPont tambm marcaram presena no 10 Encontro de Variedades e representadas por seus profissionais apresentaram solues de manejo varietal.

    As empresas que desenvolvem tec-nologias na rea como o IAC, a Ri-desa e o CTC apresentaram solues, resultados de pesquisas, avaliaes de desempenho de materiais, materiais recm-liberados e futuras.

    Marcos Landell, pesquisador e diretor do Centro de Cana, do IAC, foi um dos palestrantes e explanou sobre "Manejo das Variedades IAC: altas produtivida-des e adequao colheita mecanizada. De acordo com o especialista, para se conseguir a cana de trs dgitos preciso construir uma elevada populao de col-mos/touceiras com plantio "falha zero" e manter esta elevada populao de col-mos/touceiras estabelecida no plantio.

    O Instituto Agronmico (IAC), por meio do Centro Avanado de Pesqui-sa Tecnolgica do Agronegcio Cana, lanou recentemente variedades de cana-de-acar com timas caracters-ticas agronmicas visando atender s demandas da era da mecanizao e das indstrias processadoras de bioenergia.

    Entre os materiais lanados na l-tima dcada pelo IAC esto as varie-dades IAC91-1099, IACSP95-5000, IACSP95-5094 e IACSP97-4039, que vm apresentando crescimento signifi-cativo nas intenes de plantio na re-gio Centro-Sul do Brasil.

    Os pesquisadores Antnio Ribeiro Fernandes Junior e Roberto Giacomi-

    Jos Antnio Bressiani, tecnologiaagrcola da GranBio

    Jos Francisco Fogaa, gerente de planejamen-to e desenvolvimento da Agrcola Nova Amrica

    Marcos Landell, pesquisador e diretor do Centro de Cana, do IAC

    Antnio Ribeiro Fernandes Junior e Roberto Giacomini Chapola, do PMGCA

    ni Chapola, do PMGCA (Programa de Melhoramento Gentico de Cana-de--acar) da UFSCar, ligado Ridesa, apresentaram a palestra Censo Varietal 2016 e Variedades RB, recm-liberadas e futuras, onde mostraram o resultado do Censo Varietal de 2016 apontando as variedades mais plantadas e mais culti-vadas em 124 unidades dos estados de So Paulo e Mato Grosso do Sul, com destaque para cinco variedades das 20 variedades mais plantadas: RB966928; RB867515; CTC4; RB925779; RB855156 e as cinco primeiras das mais cultivadas: RB 867515; RB966928; RB92579; SP813250 e RB855156.

    Quanto s variedades lanadas no ano passado pela UFSCar (RB975201; RB975242; RB975952; RB985476) fo-ram apresentados dados experimentais, resultados de reas pr-comerciais e re-comendaes de manejo. Tambm desta-caram as variedades futuras: RB 975375; RB005014; RB005983; RB015935 e as trs futuras variedades com maior apti-do para ambientes restritos: RB975033; RB985517 e RB975162.

    O gerente de desenvolvimento de produtos do CTC, Mauro Violante, abordou o tema Variedades CTC s-rie 9000: porque j esto entre as mais plantadas. Segundo Violante, pela pri-meira vez variedades novas, com ape-nas treze anos aps o cruzamento, j aparecem com destaque dentro do Cen-so de plantio das usinas. Pela mdia do

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    Centro-Sul, uma variedade comearia a figurar entre as vinte mais plantadas se fosse lanada na dcada de 1990.

    Mauro Violante, gerente de desenvolvimento de produtos do CTC

    lvaro Sanguino, consultor na rea de fitossanidade

    Ren de Assis Sordi, do Grupo So Martinho

    Alessandra Durigan e Daniela Arago, gestora tcnica da Canaoeste e engenheira agrnoma, respectivamente,

    participaram do 10 Encontro de Variedades de Cana-de--acar, realizado pelo Grupo IDEA

    Quando pegamos todos os resul-tados de produtividade, vemos que as variedades CTC da srie 9000, na m-dia de cinco corte, em comparao com as cinco variedades mais cultivadas, obtm-se uma mdia de ganho de 8 to-neladas por hectare. Isso longevidade e sinal de que material j adaptado s condies de colheita, destacou.

    Um debate para discutir temas rela-cionados a variedades de cana fechou o primeiro dia do encontro.

    O segundo dia do encontro tambm contou com temas importantesPara abrir os trabalhos do segundo

    dia do evento, o diretor do Grupo IDEA ministrou palestra sobre Como avaliar corretamente o desempenho das varie-dades de cana-de-acar. De acordo com Dib Nunes, colhemos mal e mane-jamos mal. preciso ter clareza que a queda da produtividade registrada nos ltimos anos no apenas culpa das va-riedades. Ao contrrio, talvez a varie-dade tenha sido nos ltimos anos o que sustentou a agroindstria canavieira, mas o que a mecanizao est fazendo com a cultura da cana brincadeira. Temos que buscar, por exemplo, o tipo de variedade ideal para colheita meca-nizada, enfatizou o executivo.

    Ainda durante sua apresentao, Nunes pediu aos participantes um mi-nuto de silncio em homenagem aos canaviais que j morreram. solicitei um minuto de silncio para homenagear os canaviais que j morreram por pisoteio, por arranquio, por maus-tratos, por mato competio, por excesso de pragas, de doenas, no h variedade que aguente. A nossa produtividade caiu demais por causa da agresso, e essa a resposta dos canaviais quando sofre agresso, ele dei-xa de produzir, por isso a homenagem, um minuto de reflexo, afirmou.

    Sinal amarelo para o Colletotrichu-mfalcatum: por que est to agressivo? Que medidas tomar? Este foi o tema da palestra ministrada pelo fitopatologis-ta, lvaro Sanguino, consultor na rea de fitossanidade. Na ndia, o fungo conhecido como principal causador da podrido de toletes. No Brasil, a doena

    tem trazido preocupao crescente aos produtores de cana porque onde esse fungo penetra ele coloniza rapidamente e a cana murcha. A partir da a planta seca pra baixo. Isso diferencia o fungo do ataque da cigarrinha-das-razes.

    De acordo com o especialista, o fungo atacar a cana no surpresa, o problema que, como o setor mudou radicalmente o sistema de colheita, os problemas com doenas tambm muda-ram. Trabalho com doena de cana h muitos anos e estou vendo o ressurgi-mento de doenas que vi no incio da minha carreira, quando ainda havia cana sendo colhida sem queima. Segundo ele, a doena tem chamado a ateno devido intensidade e disseminao crescente em diversas reas, tendo j atingido o Tringulo Mineiro, regies de Uberaba e Iturama; o Mato Grosso do Sul e Araatuba- SP. Recentemente, foram registrados casos na regio de Sertozinho-SP, afirmou Sanguino que pediu a colaborao dos profissionais do setor na coleta de informaes so-bre a doena. A observao de todos

    fundamental, pode nos ajudar a tomar medidas de controle, afirmou.

    J Ren de Assis Sordi, do Grupo So Martinho, destacou em sua apre-sentao as principais dificuldades para o manejo varietal. Dentre elas, poucas variedades adaptadas a ambien-tes restritivos; poucas informaes so-bre outras caractersticas importantes; colheitabilidade baixa (tombamento, desuniformidade); falta de segurana na longevidade e inexistncia de dados sobre perdas por doenas, pragas e ou-tros estresses.

    Para fechar o grande encontro, os profissionais Jos Fogaa, da Agrcola Nova Amrica, Ren Sordi, do Grupo So Martinho, e Rodrigo Vinchi, do Grupo Razen, participaram de um de-bate, onde o manejo varietal, posicio-namento, tempo de lanamento de no-vos materiais, problemas com doenas, poca de plantio dentre outras questes, foram discutidas durante o debate que contou tambm com os questionamen-tos do pblico presente. RC

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