revolta da vacina - 1904

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Artigo sobre a Revolta da Vacina de 1904

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  • Srie Memria 1

    Cadernos da ComunicaoSrie Memria

    1904Revolta da VacinaA maior batalha do Rio

    miolo.p65 27/7/2006, 18:131

  • 2 Cadernos da Comunicao

    Agradecemos a colaborao da Fundao Oswaldo Cruz, que noscedeu imagens e subsdios para a confeco deste Caderno. Quasetodas as imagens foram retiradas de um lbum de recortes montadopelo cientista a partir das charges que criticavam e/ou satirizavamseu trabalho. A identificao manual da publicao, com data, quasesempre no alto, esquerda, de Oswaldo Cruz.

    A coleo dos CADERNOS DA COMUNICAO pode ser acessada nosite da Prefeitura/Secretaria Especial de Comunicao Social:www.rio.rj.gov.br/secsAgosto de 2006

    Prefeitura da Cidade do Rio de JaneiroRua Afonso Cavalcanti 455 bloco 1 sala 1.372Cidade NovaRio de Janeiro RJCEP 20211-110e-mail: cadernos@pcrj.rj.gov.br

    Todos os direitos desta edio reservados Prefeitura da Cidadedo Rio de Janeiro. Nenhuma parte desta publicao pode serreproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquermeios (eletrnico ou mecnico) ou arquivada em qualquer sistemaou banco de dados sem permisso escrita da Prefeitura.

    Rio de Janeiro (Cidade). Secretaria Especial de ComunicaoSocial. 1904 - Revolta da Vacina. A maior batalha do Rio / Prefeiturada Cidade do Rio de Janeiro. A Secretaria, 2006. 120 p.: il. (Cadernos da Comunicao. Srie Memria)

    ISSN 1676-5508 Inclui bibliografia

    1.Imprensa Brasil Histria. 2. Imprensa e poltica Brasil. 3. Jornalismo Aspectos polticos. Brasil.I.Ttulo.

    CDD 070.44933188

    DIB/PROC. TEC.

    miolo.p65 27/7/2006, 18:132

  • Srie Memria 3

    PrefeitoCesar Maia

    Secretria Especial de Comunicao Socialgata Messina

    CADERNOS DA COMUNICAOSrie Memria

    Comisso Editorialgata MessinaHelena Duque

    Leonel KazRegina Stela Braga

    EdioRegina Stela Braga

    Redao e pesquisalvaro Mendes

    Patrcia Melo e Souza

    RevisoAlexandre Jos de Paula Santos

    Projeto grfico e diagramaoMarco Augusto Macedo

    CapaJos Carlos Amaral/SEPROP

    Marco Augusto Macedo

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  • 4 Cadernos da Comunicao

    CADERNOS DA COMUNICAOEdies anteriores

    Srie Memria1 - Correio da Manh Compromisso com a verdade2 - Rio de Janeiro: As Primeiras Reportagens Relatos do sculo XVI3 - O Cruzeiro A maior e melhor revista da Amrica Latina4 - Mulheres em Revista O jornalismo feminino no Brasil5 - Braslia, Capital da Controvrsia A construo,

    a mudana e a imprensa6 - O Rdio Educativo no Brasil7 - Ultima Hora Uma revoluo na imprensa brasileira8 - Vero de 1930-31 Tempo quente nos jornais do Rio9 - Dirio Carioca O mximo de jornal no mnimo de espao10 - Getulio Vargas e a Imprensa11 - TV Tupi, a Pioneira na Amrica do Sul12 - Novos Rumos, uma Velha Frmula A mudana do perfil do rdio no Brasil13 - Imprensa Alternativa Apogeu, queda e novos caminhos14 - Um jornalismo sob o signo da poltica15 - Diario de Noticias A luta por um pas soberano

    Srie Estudos1 - Para um Manual de Redao do Jornalismo On-Line2 - Reportagem Policial Realidade e Fico3 - Fotojornalismo Digital no Brasil A imagem na imprensa da

    era ps-fotogrfica4 - Jornalismo, Justia e Verdade5 - Um Olhar Bem-Humorado sobre o Rio nos Anos 206 - Manual de Radiojornalismo7 - New Journalism A reportagem como criao literria8 - A Cultura como Notcia no Jornalismo Brasileiro9 - A Imagem da Notcia O jornalismo no cinema10 - A Indstria dos Quadrinhos11 - Jornalismo Esportivo Os craques da emoo12 - Manual de Jornalismo Empresarial13 - Cincia para Todos A academia vai at o pblico14 - Breve histria da Imprensa Sindical no Brasil15 - Jornalismo Ontem e Hoje

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  • Srie Memria 5

    Em novembro de 1904, o Rio de Janeiro vivia momentos deebulio social devidos reforma urbanstica do centro da cidade,promovida pelo prefeito Pereira Passos, com total apoio do presidenteRodrigues Alves. O clima era propcio a movimentos que manifestavamo desagrado em relao a medidas como a derrubada de habitaespopulares, sem que o governo providenciasse o assentamento dosseus moradores em outros locais.

    A cidade sofria com a falta de saneamento bsico, o que resultavaem epidemias devastadoras, como a febre amarela, a peste bubnicae a varola. Isto levou as autoridades sanitrias a determinar, entreoutras medidas, a obrigatoriedade da vacinao contra a varola. Amedida, que se destinava a proteger a populao, foi conduzida deforma autoritria e sem os necessrios esclarecimentos, provocandouma reao contrria. Um furo de reportagem foi responsvel pelovazamento da notcia e suficiente para desencadear a maior revoltaurbana ocorrida no Rio de Janeiro, que passou histria como ARevolta da Vacina.

    A primeira pgina do jornal A Noticia, de 9 de novembro de 1904,trazia a reproduo do projeto de regulamentao da Lei da VacinaObrigatria, de autoria do mdico e sanitarista Oswaldo Cruz, entodiretor-geral da Sade Pblica. Para os estudiosos desse episdio,o texto redigido por Oswaldo Cruz, um cientista, era autoritrio demaise pouco explicativo. Confusa e revoltada, a populao saiu s ruas,transformando o centro da cidade numa verdadeira praa de guerra,em que os presos, mortos e feridos contavam-se s centenas. Osembates entre a polcia e os revoltosos ocuparam as pginas dosjornais, que se dividiram entre favorveis e contrrios ao projeto delei, trazendo opinies de intelectuais, polticos e, uma tradio dapoca, inmeras charges sobre os acontecimentos.

    Durante uma semana, o Rio viveu momentos de extrema tenso,nos quais, alm do descontentamento com a obrigatoriedade davacina, fizeram eco os descontentes com o governo do presidenteRodrigues Alves e a administrao do prefeito Pereira Passos.Misturavam-se, no mesmo caldeiro, positivistas, monarquistas,militares e republicanos radicais.

    Para contar o que foi A Revolta da Vacina, os CADERNOS DA COMUNICAOrecorreram, principalmente, aos jornais da poca, nicos documentosque descrevem os acontecimentos daquela semana sangrenta, poisno h dados oficiais completos sobre o ocorrido. O tempoencarregou-se de provar o acerto da determinao de Oswaldo Cruz,apesar dos acontecimentos trgicos que provocou ao ser divulgada.

    CESAR MAIAPrefeito da Cidade do Rio de Janeiro

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  • 6 Cadernos da Comunicao

    Semana maldita, some-te, mergulha nogrande abismo insondvel do tempo,onde h esquecimento para tudo.

    O motim no tem fisionomia, no tem forma, improvisado. Propaga-se, espalha-se,mas no se liga. O grupo que opera aqui notem ligao alguma com o que tiroteia acol.So independentes: no h um chefe geralnem um plano estabelecido.

    Olavo Bilac, poeta (1865-1918)

    Lima Barreto, romancista (1881-1922)

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  • Srie Memria 7

    Sumrio

    O Rio em p de guerraA cidade sitiadaA histria da vacinaTmulo dos estrangeirosHumana Lei ou Lei Obscena?Um golpe fracassadoCronograma da revoltaA represso

    A Imprensa na RevoltaUm furo causa um motimPolticos X jornalistas: uma troca de papisAqui, como na EuropaA imprensa divididaA vez dos censoresO noticirio em cima da horaA revolta no trao dos caricaturistasNo fim, o reconhecimento

    Anexo 1 A notcia que virou revoltaAnexo 2 O quebra-lampioAnexo 3 Oswaldo CruzAnexo 4 A vacina obrigatriaAnexo 5 De que morreu Cipriana?

    BibliografiaNotas

    9

    10

    17

    22

    28

    3235

    51

    45

    52

    54

    58

    62

    70

    81

    85

    90

    95

    104

    108

    110

    112

    114

    117

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  • 8 Cadernos da Comunicao

    Oswaldo Cruz, vencedor da febre amarela, da peste bubnica e da varola(Revista da Semana, s/d, charge de Bambino)

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  • Srie Memria 9

    O RIO EMP DE GUERRA

    miolo.p65 27/7/2006, 18:139

  • 10 Cadernos da Comunicao

    A cidade sitiada

    Rio de Janeiro, incio do sculo XX. Uma cidade com cerca de 700mil habitantes e graves problemas urbanos: rede insuficiente de guae esgoto, toneladas de lixo nas ruas, cortios superpovoados. Umambiente propcio proliferao de vrias doenas, como tubercu-lose, hansenase, tifo, sarampo, escarlatina, difteria, coqueluche,febre amarela, peste bubnica e varola, as trs ltimas respons-veis por grandes epidemias. O Rio era conhecido pelos imigrantesque aqui aportavam como tmulo dos estrangeiros.

    Os anos tumultuados do incio da Repblica, marca-dos pela decretao de estado de stio, por prises,assassinatos e exlios, inclusive de jornalistas, comoGentil de Castro, assassinado, e Jos do Patrocnio,forado a sair do Rio, reduzira um pouco a virulnciada imprensa do perodo imperial. Mas no eliminaraa beligerncia.1

    Oswaldo Cruz, o Napoleo de seringa e lanceta(O Malho, 24/10/1904; charge de Leonidas)

    miolo.p65 27/7/2006, 18:1310

  • Srie Memria 11

    9 de novembro de 1904. O jornal A Notcia publica, sem consenti-mento expresso das autoridades, o projeto de regulamentao daLei da Vacina Obrigatria, elaborado e redigido por Oswaldo Cruz.A lei, no regulamentada, fora aprovada em 31 de outubro. O povo,enfurecido, sai s ruas e, durante uma semana, enfrenta a polcia, oExrcito, a Marinha e o Corpo de Bombeiros. As agitaes comea-ram no dia 10 de novembro, com grandes ajuntamentos no centroda cidade. A polcia reagiu a tiros e com a ao da cavalaria. Barri-cadas e combates transformaram os bairros da Gamboa e da Sadeem praa de guerra. Os cadetes da Praia Vermelha se sublevaram,os sindicatos marcharam ao lado do povo. Saldo: segundo uns, 30mortos, mais de cem feridos, quase mil presos a metade delesdeportada para o Acre, e sete estrangeiros banidos do pas; segundooutros, cen

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