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  • 1. CLIPPING ELETRNICO - 2014Sen. Rodrigo Rollemberg25.1.13 REVISTAS25/01/2014Oi Brasil, estamos aqui! Bem-vindo ao pas da periferia, to prximo e s vezes to distante de tantos brasileiros. Formado pelas classes C, D e E, um universo de 155 milhes de pessoas que compram mais do que a Sua e a Holanda O sorriso metlico e colorido dos jovens que, nas ltimas semanas, tomaram conta do noticirio nacional, aps a exploso dos rolezinhos, deixa escapar bem mais do que os versos do funk ostentao com os quais eles fazem, s centenas, os seus barulhentos passeios pelos shoppings das periferias das grandes cidades brasileiras. No que a trilha sonora desse novo e ruidoso fenmeno urbano carea de importncia; dela vai se tratar adiante . Mas o sorriso, em si, de aparelho, daquela garotada um smbolo de status, de ascenso econmica e, sobretudo, de uma sadia vaidade, decorrente da autoestima elevada ilumina algo de maior vulto. Para alm das roupas de grife e de traquitanas tecnolgicas de ltima gerao, itens obrigatrios para "os para" e "as mina", os dentes cobertos de ferragens e elsticos compem a face mais visvel de um pas que existe dentro do Brasil, habitado pelas classes C, D e E. Um pas "fictcio", diga-se desde logo, contra qualquer insinuao de secesso, de apartheid social e que, no entanto, revela o Brasil real. Ele formado pela parcela que representa a maioria da populao, um contingente de 155 milhes de pessoas que vem se consolidando como um gigantesco exrcito de consumidores, alimentados pela facilidade de crdito no ano passado, eles gastaram, com produtos e servios em geral. 1,27 trilho de reais, segundo projeo do instituto Data Popular, especializado em pesquisas nas classes mdia e baixa e que atende empresas como MasterCard, Santander e TAM. Conforme levantamento do instituto, s os jovens de classe C consumiram em 2013 algo em torno de 129 bilhes de reais, contra 80 bilhes das classes A e B e 19,9 bilhes da D. A pedido de VEJA, o Data Popular isolou dados e estatsticas das classes C, D e E cuja renda familiar mensal mdia varia de 250 a 2 344 reais para criar, hipoteticamente, um pas, de modo a tornar explcito o seu vigor no mercado. Se existisse de fato, a, chamemos assim, "Repblica Federativa da Periferia do Brasil" teria um poder de compra que a poria no G20 do consumo mundial, ocupando a 16a posio no ranking das naes que mais gastam (o Brasil est hoje na stima posio). Estaria, dessa maneira, frente, por exemplo, de Sua e Holanda. Para chegar a essa concluso, o Data Popular cruzou nmeros da Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) e do Banco Mundial. "O orgulho da periferia encontra-se muito atrelado ao consumo porque, pela primeira vez, essas famlias conseguiram romper com a histria de pobreza de seus antepassados", acredita o socilogo e cientista poltico Rud Ricci, autor do livro Nas Ruas, sobre os protestos de junho de 2013, a ser lanado em fevereiro. "Elas esto conseguindo gastar com suprfluos, viajar de avio, ter um smartphone. Os meninos do rolezinho so filhos dessa gerao que deixou a1Senado Federal Anexo II, Gabinete 10 (61) 3303.6645

2. CLIPPING ELETRNICO - 2014Sen. Rodrigo Rollembergmisria para trs e se inseriu na sociedade por meio do consumo." Durante dcadas, houve pouca mobilidade social no Brasil. Pobre era pobre e classe mdia era classe mdia. Nos ltimos anos, a ascenso social foi rapidssima. Compreensvel: entre 2002 e 2012, a renda familiar mdia dos 25% mais pobres cresceu 45% (a dos 25% mais ricos subiu 13%). A referncia s viagens areas e aos telefones mveis conectados internet ganha peso quando se analisam alguns dados recentes. De acordo com o Data Popular, 54% dos que tomaram um avio em 2013 pertenciam s classes C, D e E, que, por sua vez, tm em mos 58% dos smartphones habilitados . Naturalmente, no se est querendo dizer que, diante de indicadores to expressivos, a vida das classes menos favorecidas por aqui tenha alcanado padres escandinavos. Em 2012, 3,2 milhes de domiclios das classes C, D e E no tinham gua encanada; 9,2 milhes seguiam sem coleta de lixo e 19,4 milhes sem coleta de esgoto. Vive-se na periferia o paradoxo de ter um celular de ltima gerao e ser obrigado a carregar uma lata d"gua na cabea. Como o Brasil de verdade, o pas fictcio exibe diversidade e diferenas regionais. A Periferia, com p maisculo, comporta distintas periferias. Diferentemente de So Paulo, por exemplo, no Rio de Janeiro "periferia" , muitas vezes, uma rea vizinha dos pontos nobres. L, morros recobertos por teias de favelas ficam, como se sabe, a poucos degraus dos glamourosos bairros da Zona Sul. "A geografia carioca pe a periferia no meio da cidade, aproximando, como em nenhum outro lugar do pas, as diferentes camadas sociais", diz o socilogo Marcelo Burgos, da PUC-RJ. "Elas frequentam a mesma praia. A cultura dos morros transborda para o asfalto, e os desejos de consumo da Zona Sul so aspirados e copiados nas favelas. H uma simbiose." Muitas vezes, as diferenas podem ser flagradas entre periferias de uma mesma cidade. A Zona Sul de So Paulo, onde esto reas carentes como Capo Redondo e Graja, registrou em 2013, de acordo com a Secretaria de Segurana Pblica do Estado, taxas de homicdio e roubo 30% maiores do que as da Zona Leste, onde se localizam So Mateus e Guaianases. Ressalvas feitas, pode-se voltar aos pontos de contato. "O que aproxima os moradores das periferias brasileiras a aspirao de ascender socialmente e ter acesso a bons servios e a uma vida confortvel", diz Burgos. Desse desejo absolutamente legtimo decorrem outras aproximaes. A autoestima elevada e o orgulho mencionados antes esto por trs de um sentimento que se espalha e une diversas periferias: o apego s origens. H exatos treze anos, VEJA realizou uma reportagem de capa sobre essas regies. Ela discutia as implicaes do inchao da periferia. Naquela poca, o sonho de consumo do morador de bairros pobres no era comprar um tnis de marca era mudar para um local melhor. Hoje, o progresso social no traz consigo a obsesso de ir morar onde vivem os integrantes das classes A e B quando isso possvel, claro, o que est longe de ser corriqueiro nem frequentar os lugares que eles frequentam (shopping centers includos). "O orgulho de viver no subrbio tem a ver com a identidade cultural. Sinto que isso est ainda mais exacerbado agora, com o crescimento econmico desses lugares. Mesmo quem enriquece no quer sair de l", atesta o telenovelista Joo Emanuel Carneiro, autor de Avenida Brasil (2012), que fez sucesso pondo em cena personagens como o ex-craque Tufo (Murilo Bencio), um dolo "pobre-rico" que jamais deixou o bairro simples onde cresceu. Muito dessa atitude de apego s origens est ancorado no empreendedorismo que, cada vez mais, se faz notar entre os integrantes das classes menos abastadas (alguns exemplos percorrem as pginas desta reportagem). O levantamento Data Favela, realizado pelo Sebrae e pelo Data Popular, com 2 000 pessoas de 63 favelas brasileiras de nove estados mais o Distrito Federal, mostrou que, de um total de 11,7 milhes de brasileiros que moram naqueles lugares, cerca de 20% se sustentam com a explorao de um pequeno negcio prprio. Quarenta e sete por cento dos empreendedores iniciaram a atual atividade h menos de trs anos.2Senado Federal Anexo II, Gabinete 10 (61) 3303.6645 3. CLIPPING ELETRNICO - 2014Sen. Rodrigo RollembergDiante de todo esse cenrio, no se estranha que a esmagadora maioria (87%) dos brasileiros situados nas classes mais baixas atribua a seus prprios esforos a melhora de sua vida, de acordo com o Data Popular. S 6% creditam tal mudana ao governo a despeito das polticas sociais que tiraram 30 milhes de pessoas da pobreza entre 2003 e 2009 e do aumento real de quase 70% do salrio mnimo entre 2003 e 2012. Para os entrevistados pelo instituto, antes da mo governamental vm a famlia, Deus, a f, a sorte e at o patro. Tamanha descrena no governo se reflete na avaliao dos servios pblicos: de zero a 10, as classes C. D e E do nota 4 para a segurana e a sade, 4,5 para o transporte e 5 para a educao. No se imagine, entretanto, que a aparente despreocupao poltica dos participantes dos rolezinhos reflita o pensamento das classes de menor poder aquisitivo. Embora 54% de seus integrantes avaliem que o Brasil seria melhor sem partidos polticos, 81% consideram a poltica um assunto importante e 67% confiam que o voto pode mudar o pas. Considerando o tamanho da populao da Repblica da Periferia, no difcil medir o seu cacife eleitoral no Brasil real. Para o presidente do Data Popular, Renato Meirelles, preciso acompanhar com ateno uma provvel mudana de discurso nas prximas eleies: "O debate no ser mais focado no legado de cada partido, mas sim no que eles podem oferecer para o futuro. O jovem dessa classe emergente no est interessado no que Lula ou FHC fizeram; quer um poltico que melhore as condies de vida dele". Conquistar a ateno, e o poder de compra, das classes mais baixas tem mobilizado potncias do mercado. Em 2005, 34% dos clientes da americana Procter & Gamble (P&G) no Brasil eram da classe C; cinco anos depois j representavam mais da metade. Para entender melhor tais consumidores, a empresa organiza periodicamente imerses em suas rotinas. "Uma das particularidades desse grupo que o jovem da famlia tem alto poder de deciso, e muito exigente", explica Gabriela Onofre, diretora de comunicao e marketing da P&G. O alto nvel de exigncia, alis, um trao fundamental desse pblico, que costuma fazer pesquisa de preo e muito criterioso em suas escolhas. Diz Gabriela: "H uma preocupao grande em consumir bons produtos, com a melhor tecnologia e a maior inovao". Isso para no falar do desprezo falsificao. Dados do Data Popular indicam que, no ltimo ano, 73% das mulheres da classe AB compraram produtos piratas; na classe C. esse nmero foi de 53%. No mundo do entretenimento, a ateno s classes menos abastadas tambm grande. Pudera. No caso d