revista visões

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News & Politics

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A Revista Visões é uma publicação de cunho analítico, voltada ao jornalismo internacional. Em sua edição piloto, a Visões trouxe como o tema as Redes Sociais e a importância que elas tiveram na organização das revoltas no mundo Árabe, iniciadas em dezembro de 2010, que ficaram conhecidas como "Primavera Árabe". Na revista, o leitor pode encontrar textos analíticos, de opinião, matérias sobre os temas ligados ao assunto, além das entrevistas com os embaixadores da Líbia, Síria e Egito.

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  • 1. EntrevistaAnlise 12| Secretrio da Lbia no Brasil - As manifestaes intelectuais ganharam novo espao 26| Anlise da cobertura feita pela Folha.com e pelo Observatrio da Imprensa Visesum olhar diferenteMuhammed Muheisen/APGaleriaConfira fotos da revoluo no Oriente Mdio Redes Sociais O poder e a importncia da internet na organizao e luta por direitos sociais1

2. ndiceCapa:A importncia das redessociais para a organizaodas revoltas e conquista dedireitos no mundo rabe.pgina 8Entrevista:Segundo Secretrio daLbia no Brasil fala sobre as mudanas que ocorreram aps as revoltas queculminaram na morte do ditador Muamar Kadafi. pgina 14Carreira:Pases contra jornalsitas.Como foi possvel trabalhardurante as revolues nomundo rabe. pgina 21E mais:Entrevista - Embaixador da Sria fala sobre as revoltas. Sria um pas muito diferente dos outros. pgina 19Opinio - Uma menina de coragem. pgina 11Turismo - A guerra no Oriente Mdio causa medo eafasta turistas. pgina 222 3. EditorialA primavera e as floresVISESN asce, sob diferentes ticas, a Revista Vises, cuja proposta apresentar temas atuais e relevantes para aqueles que gostam de comunicar. Coberta de artigos, anlises e entrevistas, a revista traz em sua primeria edio oRedes Sociais, propondo uma srie de discusses polticas e analticas sobre oacontecimento que revolucionou a histria.Editor Responsvel Com a efemeridade de uma primavera, no carregada de flores, como decostume, a Primavera rabe se espalhou como uma onda de protestos pelo nor- Leandro Lisbate da frica e Oriente Mdio, trazendo tona assuntos antes desconhecidos parao mundo. O movimento iniciado na Tunsia, em dezembro de 2010, teve comoestopim a morte de Mohammed Bouazizi, o jovem vendedor de frutas e verdu- Revisoresras no imaginava que atear fogo ao prprio corpo, em protesto a cobrana deimpostos, provocaria tamanha repercusso. Leandro Lisba Em luta por direitos e unidas contra a corrupo, desemprego e governosRafaela Mendesditatoriais, milhares de pessoas foram s ruas e, apesar da represso sofrida pelogoverno e censura imprensa, usaram as mdias sociais, como Twitter, Facebook Thamara Martinse YouTube, para organizar e fortalecer do movimento. Em resposta s manifesta-es, quatro governos ditatoriais caram, em sequncia, Ben Ali, na Tunsia, HosniMubarak, no Egito, no Imen, Ali Abdullah Saleh e a morte de Muamar Kadafi, Reprteresque controlava a Lbia h 42 anos. Muitos veculos de comunicao omitiram ou minimizaram o movimento Leandro Lisbapara no serem fechados, pois a prtica iria de encontro aos interesses gover-Rafaela Mendesnamentais. O difcil acesso ao que estava acontecendo nos pases envolvidos,devido ao controle da mdia pelo Estado, deu espao para o jornalismo cidado.A cada post, a populao relatava os ltimos acontecimentos, criticava as forasarmadas e denunciava os abusos. Colunistas No entanto, entre civis, os jornalistas de vrios lugares do mundo partici- Leandro Lisbaparam da cobertura jornalstica, e da mesma forma arriscaram a vida para no-ticiar os fatos. Isso no os torna heris, mas, sem dvida, configura um ato deRafaela Mendescoragem. Durante bombardeios e ataques, divulgaram a problemtica e as con-Thamara Martinssequncias da Primavera rabe. Apesar da tortura, prises e milhares de mortes, a populao no foi inti-midada a parar. Pelo contrrio, a cada flor deixada para um ente querido ganha-Projeto Grfico eva fora pra se fazer ouvir. No importando o sexo ou a idade, a busca por liber-dade e melhoria na qualidade de vida impulsionaram as pessoas a continuaremDiagramaolutando.Leandro Lisba Por mais que a situao ainda esteja indefinida em alguns pases, e ter pas-sado de dois anos do incio da Primavera rabe, a democracia antes devastadavolta a florescer e com ela a esperana que os rabes e africanos possam ter aliberdade para escolher seus representantes.E-mail Vises traz a temtica de forma clara e objetiva, fazendo com o que o leitor rvisoes@gmail.compossa ter acesso a essa anlise de forma coesa e imparcial, tendo para isso acessos entrevistas exclusivas com alguns embaixadores dos pases envolvidos. Alm disso, nos preocupamos em trazer casos divulgados e que fazemcom que a temtica no perca seu espao na histria ou caia no esquecimento, Twittercomo o caso de Malala Yousafzai, que sofreu um atentado por lutar por direitos@revistavisoes educao e permanece hospitalizada, mas com recuperao visvel e positiva. Mostramos ainda que, devido aos conflitos nas regies os turistas perde-ram o interesse em visitar as reas atingidas pela revoluo. Por fim, esperamosque tenham uma tima leitura e mergulhem na temtica que nos envolveu paraproduzir essa revista que chega a voc, querido leitor. Um abrao, A Redao 3 4. Revoltas no oriente mdio:Leandro Lisba e Rafaela Mendes France Presse Muhammed Muheisen/AP4 5. Oriente MdioO despertar rabe Muhammed Muheisen/AP Cansados das imposies dos ditadores, cidados iniciam uma srie de conflitos por melhorias e direitos sociais5 6. E m dezembro de 2010, quando o jovem tunisia- dos governos ditatoriais. Aps a queda dos ditado- no Tarek Bin Tayeb Bouazizi, conhecido como res, os tunisianos e os egpcios organizaram suas Mohamed Bouazizi, ateou fogo ao prprio cor- primeiras eleies.po em forma de protesto, no era possvel imaginarA Lbia viveu em regime de ditadura duran-que isso desencadearia uma srie de revolues no te 42 anos. Muamar Kadhafi, o lder local, controlounorte da frica e no Oriente Mdio. Iniciadas na Tu- o pas com pulso firme e para o prprio interesse atnsia, as revoltas no mundo rabe logo se espalha- sua morte em 20 de outubro de 2011, no que podiaram por outros pases em um movimento que ficou ser chamado de mega-fazenda, segundo anliseconhecido como Primavera rabe. do pensador poltico e jornalista egpcio MohamedA represso das autoridades locais e as in- Hassanein Heikal.justias cometidasE foi dessaaos comerciantes foiforma, utilizando aso que levou Bouazizipalavras de Heikal,a tomar uma atitu-que o segundo se-de extrema. Ele no cretrio da Embaixa-concordava com as da da Lbia no Dis-taxas abusivas de su- trito Federal, Faisalborno cobradas para Abohmaira explicouliberao das merca-a histria pr-demo-dorias apreendidascracia vivida no pas.sem nenhum motivo Os pases rabesaparente. no eram governa-A ao, con-dos por instituies,siderada o estopimseus presidentes go-das revoltas, foi o vernavam os pasesque motivou cida- como se fossem me-dos do Egito, Lba-ga-fazendasondeno, Bahrein, Lbia, a corrupo estavaImen, Arglia, Sria,infiltrada no sistemaJordnia e Iraque a poltico, disse o se-entrarem em protestos, manifestaes, revoltas e gundo secretrio.at mesmo guerras civis, reivindicando por direitos Faisal completou a frase do jornalista egp-sociais.cio explicando como funcionava a corrupo. OVrios jornalistas ao redor do mundo pas- presidente e seus familiares formam a primeira ca-saram a chamar os conflitos no Oriente Mdio de tegoria, que tinha como segunda casta, dirigentesPrimavera rabe, em referncia Primavera dos Po- ligados ao presidente do pas, dentre eles, os mili-vos movimento revolucionrio ocorrido em toda tares.Europa no ano de 1848. Assim como no passado, Uma anlise estatstica feita pela Consulto-os acontecimentos recentes tm relao a um des- ria de Risco Poltico Geopolicity baseada em dadospertar do povo em relao sua condio social e do Fundo Monetrio Internacional (FMI) mostroupoltica. que Lbia e Sria foram os pases queAlm da luta por direitos, oas rebeliestiveram manifestaes mais violen-que fez a nova revoluo ganhar no- tas, com prejuzos financeiros maio-toriedade foi forma de organizao polticas queres, seguidos pelo Egito, Tunsia,realizada por meio das redes sociais,varreram o Oriente Bahrein e Imen.em principal, canais como Twitter e De acordo com AntnioFacebook iniciando uma verdadeira Mdio e Norte da Carlos Lessa, doutor em histria dasRevoluo 2.0. frica custaram, em relaes internacionais na Universi-Pouco mais de um anodade de Braslia (UnB), as rebeliesaps o incio das revoltas no Oriente 2012, mais de US$ polticas que varreram o OrienteMdio o mundo rabe j vivia dis- 55 bilhes aos pases Mdio e Norte da frica custaram,trbios e conflitos maiores que osem 2012, mais de US$ 55 bilhesvividos em dcadas sob a represso envolvidos aos pases envolvidos. 6 7. ReligiosidadeOrao da LiberdadeRafaela MendesApu Gomes/Folhapress Rebeldes oram em estrada prximo a Zwetyna, Lbia Reunidos aqui com minha famlia, os meus vizi- Podemos ver o nosso sonho cada vez mais perto, nhos e meus amigos estamos quase lFirmes juntos contra a opresso de mos dadas Oh deus obrigado No importa de onde voc Por nos dar a fora para aguentar Ou se voc jovem, velho, mulher ou homem E agora estamos aqui juntos Ns estamos aqui pela mesma razo, queremos Chamando-o para a liberdade, a liberdadeter Ns sabemos que voc pode ouvir o nosso apelode volta a nossa terraNs estamos chamando para a liberdade, lutando Oh deus obrigadopela liberdadePor nos dar a fora para aguentarSabemos que no nos deixar cair Agora estamos aqui juntos Sabemos que voc est aqui conoscoChamando-o para a liberdade, a liberdadeEu posso sentir o orgulho no ar Ns sabemos que voc pode ouvir o nosso apelo E isso faz-me forte para ver todos Ns estamos chamando para a liberdade, lutandopela liberdade De p juntos, de mos dadas na unidade Gritando, exigindo o seu direito de liberdadeSabemos que no nos deixar cairOh Deus ns sabemos que voc ouve o nossoSabemos que voc est aqui conosco apelo No sendo mais prisioneiros em nossas casasE ns estamos chamando voc para a liberdade, aNo tendo mais medo de falarliberdade Nosso sonho apenas ser livre, apenas para ser Ns sabemos que voc pode ouvir o nosso apellivre Estamos pedindo a liberdade, apelando para aAgora, quando temos de dar o nosso primeiro liberdade passo Sabemos que no nos deixar cair oh Rumo a uma vida de completa liberdadeSabemos que voc est aqui conosco...7 8. CapaA utilizao das Redes Sociaisna organizao das revoltasTwitter e Facebook foram essenciais para a conquista de direitos do cidadoLeandro Lisb