Revista Urbano

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Revista Universitria.

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<ul><li><p>belo horizonte - 2010</p><p>Revista do Curso de Comunicao Social do Instituto Metodista Izabela Hendrix</p><p>Nmero 1</p></li><li><p>EditorialExpediente</p><p>Uma revista nem to mitolgica assim</p><p>Eu adoro mitos urbanos. O homem do saco, a loira do banheiro, as msicas </p><p>da Xuxa e dos Menudos com mensagens bizarras quando tocam ao contrrio </p><p>na vitrola. Tudo isso sempre foi muito divertido. E essa diverso passou de </p><p>brincadeira e norteou parte da minha vida profissional. Eu estudei jornalis-</p><p>mo cultural, literatura fantstica, mitos mineiros, falei Candyman trs vezes </p><p>na frente do espelho, quebrei o boneco do Fofo para ver se havia uma faca </p><p>dentro, tentei mexer as coisas com poder Jedi da mente. Muitas vezes, pro-</p><p>curei essa direo, outras vezes, ela simplesmente me encontrou. Percebam: </p><p>quem sabe seja mais que coincidncia o fato de hoje eu ser professor respon-</p><p>svel por esta publicao, talvez, se voc l-la cem vezes comeando da lti-</p><p>ma para a primeira reportagem, ela se transforme em outra mdia, ou talvez </p><p>voc apenas se sinta bobo. Ser que sou outro mito, ou ser que sou apenas </p><p>Urbano, porque ser Urbano no , exatamente, acreditar em nada disso, </p><p>mas compreender, ainda que por osmose, a fora que sustenta isso. </p><p>A aproximao que fao entre as mdias e os mitos menos forada que </p><p>se pode imaginar. No apenas uma mdia impressa que muda conforme </p><p>muda a sociedade. No h espao para a noiva abandonada na estrada hoje, </p><p>a no ser que ela tenha fugido de skate, ou, ao contrrio de usar seu choro </p><p>lamuriante para chamar ateno dos motoristas, faa uma batalha de DJs.</p><p> provvel que os mitos atuais sejam menos inslitos, mas no so menos </p><p>mutantes. O cotidiano Urbano envolto em mitos, porque , epistemologi-</p><p>camente, uma maneira de darmos conta da vida. Ser Urbano muito mais </p><p>que morar na cidade, mais que escrever para esta publicao. Mas no se </p><p>zangue comigo, nem se frustre, eu tambm no tenho a resposta.</p><p>Gostamos de pensar que o exerccio de confeco desta revista fez mais que </p><p>treinar nossas habilidades jornalsticas, ela exercitou nossa cidadania. Dedi-</p><p>camos cada linha, cada ilustrao, cada grafismo desta nossa primeira edio </p><p>aos alunos que tanto se esforaram para que pudssemos chegar onde es-</p><p>tamos. Fazemos votos que a Urbano seja vindoura, frutfera e, por que no, </p><p>mitolgica. Pois, ainda que quisssemos, no haver nenhum Chupa Cabra </p><p>nesta primeira edio. Mas melhor no nos dar muita ideia.</p><p>Luiz Lana</p><p>Instituto Universitrio Metodista Izabela HendrixCurso de Comunicao Social</p><p>ReitorProf. Dr. DAVI FERREIRA BARROS</p><p>Pr-Reitora AcadmicaProfa. Msc. MRCIA NOGUEIRA AMORIM</p><p>Pr-Reitor AdministrativoProf. Ms. FABIANO DAL FORNO TEIXEIRA</p><p>Coordenador do Ncleo de Artes e TecnologiaProf. Ms. MARCELO REIS MAIA</p><p>CoordenadoraJOSANA MATEDI PRATES DIAS</p><p>ProfessoresALEMAR RENA DANIEL RAMOSEDILEIDE BAUSENFABRCIO MARQUES FILIPE FREITASIVAN SATUFLEONOR CAMPOSLUZ LANAPEDRO MARRA </p><p>SANDER NEVES</p><p>Alunos envolvidos nesta edioALCIONE INCIOARIEL JUNIO OLIVEIRA SOUZABELCHIOR QUINTINO DA ROCHABRUNA GABRIELA SANTOSFABIANA BRAZ FARIAFABRICIO SANTOS JORDAOFERNANDA DA SILVA RIBEIRO GOVEIAGABRIELA PSCOA DE SOUZAISLANO SANTOS DE LIMAJAQUELINE KARIS QUINTAL SOUSAJOS ARY STAMBASSI JUNIOR KATHIANE FRANCELINA DIASKTIA REJANE GRACIANO BARROSLEONARDO DANIEL GUERRAMARCOS AURLIO MARTINS DOS SANTOS MARILIA SOLDATELLI BRITTORACHEL DE OLIVEIRA SILVATHIAGO MUNIZ ROCHA</p><p>Projeto Grfico e Diagramao: JUNIOR STAMBASSI, LUIZ LANA, GLAUBER MOISES E EMANUELLE DINIZTiragem: 1000 exemplaresImpresso: Lastro Editora Grfica Ltda.</p><p>Editor: LUIZ LANAJornalista responsvel: Edileide de Souza Bausen MG 10449 JP</p><p>Agncia Experimental Conceitoagenciaconceito.metodistademinas.edu.brwww.metodistademinas.edu.br</p></li><li><p> O lado </p><p>bomio de BHPgina 22</p><p>Estrangeiros em BH Pgina 20</p><p>Um Retrato </p><p>da </p><p>Fotografia </p><p>Pgina 11</p><p>Uma Relao de Sucesso Pgina 6</p><p>Histria, Sociedade </p><p>e Mudana Pgina 17</p><p>Os 4 ps da P</p><p>raa Pgin</p><p>a 8</p></li><li><p>A cidade de Belo Horizonte, povoada por diversi-</p><p>dades de canto a canto, de bairro a bairro, com </p><p>inmeras ruas, vilas, becos, largas avenidas, </p><p>como toda grande cidade, nos leva ao refgio </p><p>de um parque. Assim como existe o Ibirapuera em So Pau-</p><p>lo, o Jardim Botnico no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte </p><p>se encontra o Parque Municipal Amrico Renn Giannetti, </p><p>chamado apenas de Parque Municipal pela populao. Um </p><p>local para se respirar, em meio a todo agito da capital mi-</p><p>neira, barulho, trnsito intenso, um fluxo grande de pessoas </p><p>que passam pelo centro da cidade, o parque consegue ser </p><p>um lugar fresco e sossegado.</p><p>Inaugurado no dia 26 de setembro de 1897, </p><p>antes mesmo da capital mineira, o Parque Municipal </p><p>o patrimnio ambiental e o jardim pblico mais anti-</p><p>go da cidade. Abriga histrias interessantes como a do </p><p>lambe-lambe Roberto Marcos da Silva, de 51 anos, que </p><p>trabalha h 35 anos fotografando famlias, casais de na-</p><p>morados e crianas de todas as classes e lugares, que </p><p>o procuram para registrar momentos junto natureza. </p><p> Hoje Roberto faz as fotos digitalmente e as </p><p>entrega em apenas trs minutos aos clientes, mas nem </p><p>sempre foi assim. Antigamente demorava de 15 a 20 </p><p>minutos para entregar um retrato em preto e branco </p><p>para os clientes. Quando surgiu a foto colorida, o tem-</p><p>po de revelao aumentou para 1 hora, relembra. Para </p><p>Roberto, a agilidade com a nova tecnologia digital me-</p><p>lhorou muito e facilitou o seu trabalho para os dias de </p><p>maior movimento, como sbados, domingos e feriados. </p><p>O Parque Municipal tem atraes de lazer gra-</p><p>tuitas como brinquedos, equipamentos de ginstica, </p><p>pista de caminhada, quadra poliesportiva, pista para </p><p>skate e quadra de tnis, alm dos tradicionais trenzi-</p><p>nho e burrinhos, tambm o Teatro Francisco Nunes, o </p><p>Mercado das Flores, o Palcio das Artes e um Orquid-</p><p>rio. Em meio a essa diversidade, as pessoas praticam </p><p>esportes, namoram, descansam, fazem excurses </p><p>escolares ou apenas passam para ter contato com a </p><p>natureza e respirar ar puro.</p><p>Dentre os frequentadores do parque est Ro-</p><p>lando Antnio Elvir, de 56 anos. H mais de 23 anos, </p><p>durante os finais de semana e feriados, ele pratica ati-</p><p>vidades fsicas enquanto desfruta da beleza do lugar. </p><p>Contador e administrador de empresas, Rolando veio </p><p>de Honduras e mora h 28 anos em Belo Horizonte. </p><p>Como foi militar em seu pas, diz que encontrou no </p><p>Parque Municipal um meio de continuar mantendo </p><p>o bom condicionamento fsico. Venho com minha </p><p>filha, corro, caminho e alongo. Como trabalho a sema-</p><p>na inteira, encontro no parque um lugar fresco e are-</p><p>jado para praticar meus exerccios, afirma Rolando.</p><p> Hoje, o Parque Municipal tem uma rea de </p><p>mais de 182 mil metros quadrados e um comple-</p><p>mento ambiental da cidade, pois contm diversas </p><p>nascentes que abastecem trs lagoas e cerca de 280 </p><p>espcies de rvores exticas e nativas como figueiras, </p><p>jaqueiras, cipreste calvo, flamboyant, eucalipto, sapu-</p><p>caia, pau mulato e pau rei. tambm um refgio para </p><p>a fauna silvestre, abrigando aproximadamente 50 es-</p><p>pcies de animais. </p><p> O Parque Municipal foi construdo baseado </p><p>nos conceitos da Belle poque - termo em francs </p><p>para definir Bela poca. Tempos esses em que as pes-</p><p>soas costumavam acreditar no florescimento do belo </p><p>e nos avanos da paz.</p><p>Cravado na cidade</p><p>Localizado no centro da cidade, o Parque Renn </p><p>Giannetti fica entre pela Avenida Afonso Pena, o Bulevar </p><p>Arrudas, a Rua da Bahia, e a Alameda Ezequiel Dias. Muitas </p><p>pessoas fazem seus trajetos por dentro do parque ou con-</p><p>templam sua beleza atravs das grades de ferro que o cer-</p><p>cam. Os turistas que se hospedam no Othon Palace contem-</p><p>plam uma vista maravilhosa do parque do alto das janelas.</p><p>Outro parque </p><p> Muitos problemas ameaam a paz e a beleza </p><p>do parque. Ao seu redor vendedores ambulantes ocu-</p><p>pam o espao com mercadorias diversas. As rvores </p><p>que o embelezam tambm tornam as passagens mais </p><p>escuras e facilitam a ao de bandidos. Dentro do Par-</p><p>que Municipal podemos encontrar pessoas fazendo </p><p>uso de drogas, jogando lixo no cho e nos pequenos </p><p>lagos. Outro problema o descuido da administrao </p><p>com os jardins, que nem sempre esto bem cuidados. </p><p>O parque e a cidade tm uma relao dura-</p><p>doura. Atravessaram o sculo XX juntos. Participaram </p><p>de grandes transformaes no cenrio poltico, social, </p><p>econmico e cultural, como o perodo de ditadura, a </p><p>campanha das Diretas J, o restabelecimento da de-</p><p>mocracia no Brasil, a evoluo dos meios de transporte </p><p>do bonde ao metr, a estabilizao da moeda nacional, </p><p>alm de participaes especiais como palco das grava-</p><p>es do famoso seriado Hilda Furaco. As duas guerras </p><p>mundiais e suas consequncias foram tempos turbu-</p><p>lentos superados por Belo Horizonte e o parque.</p><p> A populao de Belo Horizonte acolhida </p><p>pela cidade e pelo parque todos os dias. Os anfitries, </p><p>em tempos de democracia e conscincia ecolgica, </p><p>esperam aes do poder pblico e do cidado para o </p><p>combate violncia e preservao do meio ambiente.</p><p>Uma R</p><p>ela</p><p>o d</p><p>e Suc</p><p>esso</p><p>Por Bruna Santos, Belchior Quintino da Rocha e Jaqueline Karis Quintal Sousa</p><p>FOTO</p><p>S: B</p><p>elch</p><p>ior Q</p><p>uint</p><p>ino </p><p>da R</p><p>ocha</p><p>76</p></li><li><p>4Ps da PraaA </p><p>Praa da Estao um cenrio de Belo Horizonte realmente muito inusitado. De dia ou noite, </p><p>sempre promove encontros entre o pblico e verdadeiras feras artsticas, cada qual com sua </p><p>especialidade. Diversas tribos disputam espao. Skatistas, gticos, emos, roqueiros, hippies, en-</p><p>fim, todos encontram nela um lugar para exercitar sua criatividade. Para alguns tambm serve </p><p>como um quartinho de reflexo, s que ao ar livre e um pouco mais amplo. A fonte central uma atrao </p><p> parte e auxilia nessa tarefa zen. Suas guas explodem do solo como os giseres do Atacama. Mas no se </p><p>enganem, no uma fonte termal, muitos acabam mesmo se refrescando por ali. Mesmo sendo contra </p><p>as regras. </p><p>A questo que ultimamente ningum liga para isso. Mesmo sendo um lugar para clarear as ideias, </p><p>a praa nunca foi um espao tranquilo. As performances artsticas representam a inspirao desses poetas </p><p>sem rumo. a respirao do ambiente. Mrcio Lacerda, prefeito de BH, parece discordar disso. Ele decidiu que </p><p>eventos de qualquer natureza esto proibidos por l desde 1 de janeiro de 2010 alegando evitar danos ao </p><p>patrimnio. A depredao de monumentos e a transformao do local em banheiro pblico so os principais </p><p>motivos salientados pela prefeitura . </p><p>Mas o fato que sem essas manifes-</p><p>taes a praa perde o flego. Atualmente, </p><p>um grupo faz um protesto bem humorado </p><p>contra o fim dos eventos. A Praa da Esta-</p><p>o d lugar Praia da Estao e o nmero </p><p>de adeptos causa cada vez maior. Mesmo </p><p>com esses percalos, o local continua atrain-</p><p>do representantes de vrias tribos urbanas. </p><p>Alguns artistas no arredam o p de l e </p><p>continuam se aventurando com sua magia. </p><p>So apresentaes versteis e curiosas. No </p><p>to perfeccionistas, mas ainda assim belas. </p><p>E quem diria afinal, que em Minas tem uma </p><p>Praa que Praia e uma Praia que circo? Ou </p><p>um circo que palco no picadeiro da Praa? </p><p>Ou seria uma Praa que palco de picadeiro </p><p>de circo? Se algum quiser ver o circo pegar </p><p>fogo, s ir Praa pegar uma corzinha, en-</p><p>quanto os verdadeiros artistas se apresen-</p><p>tam no palco da vida. </p><p>Equilibrando na Praa</p><p>Quando se ouve a palavra circo alguns </p><p>rostos espontaneamente esboam largos sorri-</p><p>sos. automtico gargalhar com a presena de </p><p>um palhao canastro, seja ao vivo ou distn-</p><p>cia. Algumas pessoas dizem que isso coisa de </p><p>menino arteiro, mas o fato que sempre existir </p><p>um moleque levado dentro de cada persona-</p><p>gem do cotidiano. Mesmo de cara limpa. E de </p><p>preferncia de alma lavada.</p><p>Na praa se apresenta a Trupe-Monocir-</p><p>co. Fundada em 8 de fevereiro de 2008, a trupe </p><p>desenvolveu um projeto social em Belo Hori-</p><p>zonte denominado Projeto A.S.A (Ao Social </p><p>Artstica), que durou dois anos sustentado com </p><p>a renda extrada da reciclagem de materiais. Po-</p><p>rm, pela falta de recursos e patrocnio, no so-</p><p>breviveu, apesar de ter cumprido o seu papel no </p><p>perodo em que esteve vigente.</p><p>Derick Carvalho Martins, de 19 anos, </p><p>Francisco Tabolaro, de 25, e Suany Gomes Calix-</p><p>to, de 21, so os trs integrantes da Monocirco. </p><p>O trio se apresenta s teras-feiras na Praa da </p><p>Estao quando o sol ainda est se pondo, por </p><p>volta das 18 horas. No entanto, eles no so os </p><p>nicos presentes na praa da capital mineira, </p><p>tambm recebem o apoio de outros represen-</p><p>tantes circenses. Com claves, bolas, dibolos, </p><p>monociclos, pinos e narizes de palhao, a trupe </p><p>e seus amigos fazem uma breve demonstrao </p><p>de habilidade, equilbrio e destreza em suas per-</p><p>formances. </p><p>Derick, o caula, o mais animado da </p><p>turma. Alm disso, o mais articulado. A todo </p><p>instante frisa a importncia das artes circenses </p><p>em sua vida. O jovem manuseia os pinos com </p><p>enorme facilidade, ora equilibrando os objetos </p><p>nas mos, ora na ponta do nariz. Ele confiden-</p><p>cia que alm de malabarista tambm palha-</p><p>o, mesmo sem nunca ter trabalhado em circo </p><p>e conta que em 2007 foi convidado para se </p><p>apresentar em um circo profissional. </p><p>Francisco, o mais velho da trade, o mais </p><p>tmido. No entanto, tem um estilo nico com dre-</p><p>ads no cabelo, piercings no rosto e alargadores de </p><p>orelha. Seu instrumento uma bola de contato, </p><p>feita de resina sinttica que escorre pelo corpo do </p><p>artista com agilidade. s vezes a esfera at parece </p><p>formar espirais no ar.</p><p>Suany a moa dos bastes. Ela faz o ma-</p><p>labares parecer brincadeira de criana. A acrobata </p><p>consegue passar segurana e domnio a todo ins-</p><p>tante. Os integrantes da trupe so de classe m-</p><p>dia e cada um deles mora com suas respectivas </p><p>famlias. </p><p>Outras trupes tambm participaram da </p><p>grande baguna. Alguns fazem malabarismo, </p><p>outros equilibram objetos esfricos no corpo ou </p><p>se arriscam no monociclo. </p><p>Interferncia artstica </p><p>Em um determinado momento, um </p><p>dos estudantes de Jornalismo do Centro Uni-</p><p>versitrio Metodista Izabela Hendrix, Islano </p><p>Santos, participa da brincadeira. Ele s no </p><p>sabia que seria uma espcie de cobaia. Mes-</p><p>mo assim, se arriscou, ficando entre Suany e </p><p>Derick, que resolveram jogar os pinos de um </p><p>lado para o outro. Felizmente, o aspirante a </p><p>artista saiu ileso. </p><p>O circo</p><p>O circo um lugar onde se eterniza a es-</p><p>perana, onde as pessoas se esquecem dos pro-</p><p>blemas e entram num mundo paralelo em que a </p><p>tristeza no tem voz nem vez. Entretenimento, </p><p>alegria e satisfao no perdem lugar no pica-</p><p>deiro. Mas nem sempre o circo se encontra na ci-</p><p>dade. E quase nunca conseguimos nos lembrar </p><p>da sua representatividade e significncia. Um </p><p>excesso de urbanizao e trabalho impede as </p><p>pessoas de fugirem de suas rotinas conturbadas. </p><p>O asfalto preenche todos os campos para todos </p><p>os lados que a vista alcana. O sentido passa a </p><p>ser unilateral. Como se nada mais importasse, o </p><p>corao gela e o sol se esconde. As crianas dei-</p><p>xam de ser crianas e de existir dentro de qual-</p><p>quer ser humano. Por isso mesmo, o show tem </p><p>que continuar.</p><p>Por Thiago Muniz Rocha, Islano Santos e Gabriela Pscoa</p><p>FOTO</p><p>S: Is</p><p>lano</p><p> San</p><p>tos</p><p>89</p></li><li><p>Mas inevitvel que de cada procedimento tcnico, exercido com amor e rigor, se desprenda uma poesia especfica. Mais ainda no caso da fotografia, cujo vocabulrio j participa da magia potica - a gelatina, a imagem latente, o pancromtico - e cujas operaes se assimilam naturalmente s da criao potica - a sensibilizao pela luz, o banho revelado...</p></li></ul>