Revista Saber - Edição 3

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Revista-laboratrio dos alunos do 7 semestre da Faculdade Prudente de Moraes.

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<ul><li><p>De acordo?Lngua Portuguesa entra em nova fase e celebra acordo ortogrfico unificado. Mas e os alunos?</p><p>SaberRevista</p><p>Revista laboratrio dos alunos de Jornalismo da FPM / Ano II - N 3</p><p>De acordo?Lngua Portuguesa entra em nova fase e celebra acordo ortogrfico unificado. Mas e os alunos?</p></li><li><p>editorial</p><p>Vinte e oito de abril o Dia Internacional da Educao. Ainda que esta no seja uma das datas celebradas e circuladas nos calen-drios comuns como dias importantes, ela valhe como oportuni-dade de sucitar a discusso sobre a educao no nosso pas. Muito tm sido dito sobre nossas falhas educacionais. Sobre os desvios de verba pblica destinadas, em tese, para este setor. Volta e meia somos comparados com pases do exterior, no que diz respeito s questes educacionais. Os avaliadores, com todos os nmeros disponves, afirmam que na Finlndia sim, existe um excelente sistema de ensino. Que na China sim, sabem o que formao docente! Somos comparados com Canad, Japo, Nova Zelndia, Austrlia, exemplos distantes que deveramos seguir de perto! Somos os perdedores internacionais. Os retardatrios. E nos sentimos humilhados, enfim, quando nos dizem que no Uruguai e no Chile os alunos tm melhor desempenho na leitura e na matemtica do que os nossos. Somos lderes na economia dentro da Amrica Latina, mas deficitrios no campo educacional.Ainda carregamos a sensao dos colonizados. Trazemos na alma a marca dos que esto sempre em desenvolvimento, sempre na metade do caminho. Ainda ficamos fascinados com os parmetros que vm de fora. Com as pesquisas realizadas nos Estados Unidos e na Europa. Os critrios baseados em experincias e sucessos estrangeiros nos parecem decisivos e inquestionveis.Para verificar esse complexo de colonizados persistente entre ns, vejas as listas dos livros mais vendidos (de fico e no fico) que tm recebido destaque entre ns recentemente. H um Querido John, e no um Querido Joo. Parece que a leitura preferida da maioria daqueles que tm dinheiro e tempo para ler gira em torno de nomes como Nicholas Sparks, Elizabeth Gilbert, James Hun-ter, Sherry Argov... A leitura colonizada reflexo de nosso hbito de valorizar o conhecimento sobre o no-brasileiro. O prestgio que d estudar outros idiomas suplanta o dever de termos maior intimidade com nosso prprio idioma. H quem tora o nariz quando ouve a provocao de Nelson Rodrigues, dizendo-se linguisticamente monogmico por s conhecer e praticar a lngua portuguesa.Leitura colonizada, viso de mundo colonizada, no de surpreeender que nos sintamos diminudos quando percebe-mos sobre ns os olhos dos avaliadores externos. Complexados, estamos sempre correndo atrs do prejuzo, triste objetivo esse (o prejuzo) que nos restou perseguir, frase associada a outra, bem prpria dos subalternos, desculpe qualquer coisa!, proferida antes que o aoite nos atinja.E acabamos esquecendo que existe, sim, uma educao, uma razo (ainda que informal) tipicamente tupiniquim.Como pensar de modo brasileiro? Como educar de modo brasi-leiro? Trata-se apenas de encontrar nossos prprios atalhos. Nosso pr-prio jeito de fazer, escrever, ensinar... e avaliar.Uma educao tupi-niquim ser uma educao marginal. Estar atenta ao avesso das coisas. E saber valorizar o que permite dilogo e encontro com </p><p>Educao brasileira</p><p>a nossa prpria realidade.Sem tanta preocupao em assimilar o que vem de fora. O que vem de fora ser tratado com respeito. Com hospitalidade. Mas por que no virar do avesso o velho provrbio e afirmar que quem faz milagre, e milagre dos bons, o santo de casa?Estas palavras de Roberto Gomes podem estimular uma reflexo mais nossa, mais tupiniquim:[...] Do ponto de vista de um pensar brasileiro, Noel Rosa tem mais a nos ensinar do que o senhor Immanuel Kant, uma vez que a Filo-sofia, como o samba, no se aprende no colgio.E o que poderia a escola brasileira ensinar? Qual a contribuio da faculdade brasileira?Em primeiro lugar, aprender a ser brasileiros. A razo tupiniquim no xenfoba. Alis, gosta muito de alimentar-se antropofagica-mente de novos colonizadores. Nosso modo de educar dever largar a mo da Me-Europa e do Tio-EUA. Andar com as prprias pernas e pensar por conta prpria (e como poderamos pensar por conta alheia?).Educar brasileira ser to legtimo quanto educar ao estilo coreano ou canadense ou finlands etc., contanto que cada estilo se realize dentro de suas circunstncias concretas. A condio necessria para que haja bons resultados educacionais em qualquer pas que em cada pas as pessoas se deem conta de suas peculiaridades.Alm de aprender a ser brasileiros, precisamos inventar uma peda-gogia que converse com o no pedaggico, com as nossas referncias, com as nossas imagens e saberes: a msica, a culinria, o futebol, a dana, a nossa farmacopeia, a roupa, a arquitetura, a rede (a de deitar, mas tambm a nossa internet!), a nossa tecnologia, a nossa cincia, o jeitinho, as grias, a literatura, a telenovela...Se no aceitarmos o desafio da originalidade, da autovalorizao sem iluses, estaremos condenados a dependncia da aprovao alheia. Na periferia envergonhada do mundo.</p></li><li><p>Expediente</p><p>Revista SaberRevista laboratrio dos alunosdo 4 ano do curso de Jornalismo da FPM</p><p>Editor: Paulo StucchiEditor assistente: Renata Guido</p><p>JornalistasRenata GuidoThalita MarchioriRenan PereiraMurilo RooschAndr RicciJoo SartiTalita VieiraBruna ArmelinBruna LgiaRodrigo CamargoAparecida Suzana</p><p>ArticulistasRenata Guido e Andr Ricci</p><p>Revista SaberAno II - Edio 3</p><p>Matrias</p><p>Aprendendo a mudar o mundoRedes sociais na educaoLeitura na educao infantilDo barro vidaUm investimento que pode mudar muitas vidasMsica nas escolasCursinho comunitrioIntercmbioDeficiente e o ensino pblico brasileiro</p><p>CAPA: Novo acordo ortogrfico da Lngua Portuguesa</p></li><li><p>Renata Guido</p><p>Joo Felipe Scapellini, viajando o mundo com um nico objetivo: ajudar pessoas</p><p>Aprendendo a mudar o mundo</p></li><li><p>J no me lembro direito como resolver uma funo matemtica, nem da diferena entre brifitas e pteridfitas, e espero que minha vida nunca dependa de explicar o que um ob-jeto direto pleonstico. Foram 11 anos de escola, cinco horas por dia, cinco dias por semana, 300 dias por ano. Isso, sem contar as tarefas de casas, trabalhos, provas, aulas extracurriculares. E a verdade que me esqueci de quase tudo o que me ensinaram.Mas me lembro do uniforme que pinicava, todos ns iguais (mas uns tentando ser menos iguais que os outros). Do frio na barriga no primeiro dia de aula, da dvida sobre o qual melhor lugar para se sentar, dos professores incrveis e dos te-nebrosos. Dos trabalhos em grupo, feitos mo com con-sultas a Barsa, sem xerox nem Google.Lembro de ter aprendido a amarrar os sapatos, a fazer amigos, falar em pblico, escrever histrias. A defender o que acho certo, a me virar sozinha, a pedir ajuda e reconhecer meus erros. Tudo bem se algumas coisas se perderam no caminho. As mais importantes que a escola me ensinou no estavam nos livros, e dessas coisas a gente nunca se esquece. na escola que lapidamos os con-ceitos aprendidos em casa, que vamos ganhando a cara que teremos anos depois, j adultos. E nesse processo que muita gente decide fazer diferena.Quando a escola em que Joo Felipe Scapellini estudava, em Santos (SP), organizou uma cam-panha para arrecadar brinquedos para uma casa de apoio a crianas com Aids, ele foi o aluno que mais se animou. Mas no grande dia da entrega, veio a frustrao. Ficamos s 15 minutos e no podamos brincar com os internos. Eu me senti numa espcie de zoolgico, conta Joo.Desse dia em diante, o menino de 11 anos pas-sou a questionar as estranhezas do mundo em que vivemos. Por que as pessoas fecham os vi-dros no semforo quando um criana se apro-xima? Por que tanta gente passa fome? Por que uns moram em casas imensas, e tanta gente vive debaixo de pontes? Quando pedia explicaes, ouvia que era muito novo para entender, e mais ainda, para mudar a realidade.Dois anos mais tarde, aos 13 anos, Joo Felipe </p><p>mandou cartas a centenas de ONG`s pedindo ajuda para mudar o mundo. Ningum o levou a srio. J que os adultos no ajudariam, procu-rou jovens que faziam trabalhos inspiradores e os convidou a contar suas experincias sua turma de colgio. O projeto deu certo, e se expandiu pelas escolas da regio. E Joo descobriu sua vo-cao: mobilizar pessoas, apostando no poder de articulao dos mais novos.Hoje, aos 24 anos, consultor da ONU e da UNICEF. E leva a jovens do mundo inteiro a mensagem que sempre quis ouvir: Voc sim, capaz de mudar o mudar o mundo!</p><p>Saber - Joo, como o seu trabalho?Joo - Sou um articulador da juventude, freelan-cer do mundo. Meu papel motivar e conectar as pessoas para que transformem o local em que vivem. Eu chego a uma comunidade, sento-me como os jovens e juntos identificamos os sonhos deles. Conto histrias que os inspiram e pensa-mos em parceiros para ajudar. Depois as pessoas seguem por si. Elas prprias se responsabilizam por melhorar sua qualidade de vida.</p><p>Saber - Voc pode nos dar um exemplo de so-nho que voc ajudou a realizar?</p><p>Quando pedia explicaes, ouvia que era muito novo para entender, e mais ainda, para mudar a realidade.</p></li><li><p>Joo - A histria de Djamila uma boa. Ela de uma comunidade do Nger, na frica onde ser mulher j um problema. Aos 21 anos, ela en-trou em contato com a Peace Child Internatio-nal, a organizao na qual eu trabalhava, para pe-dir ajuda para comprar uma mquina de costura. Pessoalmente, eu havia achado o pedido meio ftil, mas o grupo resolveu ajudar. Ento mobi-lizamos estudantes na Inglaterra para arrecadar fundos, e ela conseguiu comprar o equipamento, Ento passou a ensinar outras mulheres a costu-rar, e elas montaram uma cooperativa, que hoje, dois anos depois, emprega 46 pessoas. Alm disso, o local virou um centro onde as mulheres discutem questes como higiene, violncia, sexu-alidade e preconceito.</p><p>Como foi sua trajetria profissional?Joo - Terminei o colegial em Santos, e fiquei dois anos trabalhando em projetos sociais. En-to, entrei na faculdade de relaes internacio-nais. Depois larguei tudo no Brasil e fui traba-lhar na Organizao Peace Child International, na Inglaterra. Esta ONG atua para ajudar os jo-vens a se tornarem lderes em suas comunidades. Em oito anos, participei das iniciativas em mais </p><p>de 40 pases. Hoje trabalho para a ONU, aju-dando a melhorar as estratgias de mobilizao de jovens. E desde 2010, tambm sou consultor da UNICEF. No momento moro na Zmbia (frica) ajudando a implantar um programa que ajuda os jovens a combaterem localmente efeitos das mudanas climticas. Saber - Como voc v a juventude de hoje?Joo - Muita gente diz que o jovem de hoje no quer nada com nada. No verdade. Estamos fa-zendo uma revoluo silenciosa, usando as novas tecnologias, celular, computador, redes sociais. Por exemplo: h pouco tempo eu passei 15 dias na Grcia para fazer um projeto de reciclagem. Postei no Facebook: Galera estou em tal cida-de, com tal problema, algum tem ideia de como solucionar?. Em meia hora, gente do mundo inteiro comeou a mandar sugestes e contatos de pessoas que poderiam ajudar localmente. Em uma semana, conseguimos montar um projeto com a comunidade local, com a ajuda de jovens que nem conhecamos. A questo que muitas vezes o jovem no sabe como ajudar, e os adultos no sabem orientar. Ento, as tentativas acabam sendo traumticas.</p><p>Atualmente, Joo mora na Zmbia, pas do sul da frica, onde se dedica a causas sociais</p></li><li><p>Andr Moraes Ricci</p><p>REDES SOCIAISna educaoRecurso ou estorvo?</p></li><li><p>De forma similar ao que ocorreu em 2004, com a popularidade repentina do Orkut, as comunidades virtuais volta-ram voga recentemente devido exploso de popularidade de portais de relacionamento e co-municao como Twitter e Facebook. Esse as-sunto ganha nova importncia pelo impacto que tm causado no dia-a-dia dos usurios de inter-net principalmente o pblico jovem. Segun-do a fundao de pesquisas comScore, o Orkut ainda o lder em acessos dos sites sociais com quase 80% atualmente. No entanto, o Facebook que apesar de seu pequeno crescimento de 28% de dezembro de 2009 em relao ao mesmo ms de 2010 teve um aumento de visitas de mais de 250%. E isso afeta, positiva e negativamente, as aulas.Rafaela Proena, analista de sistemas, afirma que as comunidades eram muito teis na poca em que estudava devido a recursos como divulga-o de materiais. Ns usvamos os grupos do Yahoo! e contatos das comunidades para ficar-mos atualizados sobre o que era necessrios nas aulas, diz Rafaela. Segundo ela, preciso um bom-senso para no ocorrer o abuso de visitar essas pginas em momentos de estudo ou mes-mo durante as prprias aulas.Mas nem todos tm a viso positiva do uso des-ses sites ou mesmo do acesso deles. Como diz o professor de ensino superior da Faculdade Pru-dente de Moraes, lcio Mota, creio que seja mais ou menos o que acontece no ambiente de trabalho. Se o contedo acessado no for nada relacionado aula em questo, minha opinio que atrapalha muito, pois tira o foco do aluno no que realmente deveria ser focado. Mota apon-ta que a ateno deve estar voltada 100% para o contedo, e o uso das comunidades no pode servir de interferncia.H aqueles que veem a questo com indiferen-a. Clio Silva, professor de Tecnologia da In-formao, acredita que os problemas devem ser pensados de acordo com a conscincia do pr-prio aluno. Na verdade, o que atrapalha a aula no so os alunos entrando no Orkut ou outras comunidades, mas os alunos conversando. Se o aluno entra no Orkut, ele atrapalha a si mesmo, e somente a ele. Ento, eu realmente no ligo, mas </p><p>vou lembrar disso enquanto estiver avaliando as provas, comenta.Rafaela tambm diz que, apesar de um bom re-curso como apoio, o acesso a comunidades ou qualquer site paralelo, em detrimento da ateno na aula, ruim. Eu no entrava em sites assim, eu era aplicada. Quando ia pra aula prestava bas-tante ateno. Mas via outras pessoas acessando a internet, principalmente lendo notcias. Acho que no via as redes sociais mais porque era blo-queado na minha faculdade, afirma.O nmero de usos aumentou no mundo intei-ro. Segundo o departamento de pesquisas do Facebook (que hoje a terceira maior empresa de internet), as mdias sociais e blogs consomem quase 25% do tempo online das pessoas; isso sig-nifica um crescimento de 66% nas horas gastas, em comparativo entre abril de 2009 a abril de 2010. </p><p>O Facebook que apesar de seu pequeno crescimento de 28% de dezembro de 2009 em re-lao ao mesmo ms de 2010 teve um aumen-to de visitas de mais de 250%.</p></li><li><p>A leitura na educao infantil</p><p>Sabemos que as geraes mais recentes tm demonstrado no apenas o desinteresse pela lei-tura, mas tambm a incapacidade de ler de forma correta e coerente, o que limita a criana no acesso cultura e conhecimento. O que vem ao caso a falta de incentivo por parte das es-colas e mesmo dos pais. Atualmente, considera-se a educao um dos seto-res mais importantes para o desenvol-vimento de uma nao. atravs da produo de conhecimentos que um pas cresce, aumentando sua renda e </p><p>Bruna Lgia </p></li><li><p>qualidade de vida das pessoas. Embora o Brasil tenha avanado nesse campo da leitura nas ltimas dcadas, ainda h muito a se fazer. Pensando nisso, so criados...</p></li></ul>