revista rock meeting nº 62

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Revista Rock Meeting #62 - Capa: Korzus. Coluna – Doomal | Review | O que estou ouvindo? | Perfil RM com Alírio Netto (Age of Artemis). News – World Metal. Entrevista – Executer | Stomachal Corrision | Redbeer Club | Royal Dogs | Travis Smith. Review – Cannibal Corpse | RM 5 anos. contato@rockmeeting.net | @rockmeeting. Free download - http://bit.ly/RockMeeting62N

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  • EDITORIAL Outubro foi marcado pelas eleies para cinco cargos pblicos no Brasil e o principal de-les: presidncia. Houve um segundo turno. Uma enxurrada de opinies, reportagens, brigas e at amizades desfeitas por conta da sede de mudan-a de alguns e a defesa da permanncia do que j est. O resultado saiu e consigo muitas revela-es. No domingo, 26 de outubro, saiu o resul-tado de quem havia vencido as eleies para pre-sidente do Brasil. E por trs dos discursos infla-mados pela raiva com a vitria da candidata que no traria mudana esperada, os msicos ex-pressaram suas opinies bem tpicas do calor das emoes: pregando a diviso no pas segundo o percentual dos votos que a candidata reeleio teve. Ou seja, deveria haver dois brasis. Norte e sul. Muitos postaram sua indignao em suas pginas pessoais na rede social, onde tm milha-res de seguidores. Msicos de referncia nacional no meio underground fizeram apologia a esta ati-tude separatista e xenofbica como se uma regio fosse a culpada por no ter a mudana que tanto era gritada pelo pas afora. O problema disso tudo que, no meio de seus seguidores, h pessoas que moram nestas regies, que lhe admiravam muito, porm toda aquela viso romntica caiu por terra. Vrios fs comearam a tirar cpia das pos-tagens dos seus msicos preferidos e a postaram em grupos ou em suas pginas pessoais denun-ciando postura daquele que era uma referncia. E no foram poucos. Estes msicos fizeram outras postagens alegando que foram mal interpretados, de que h pessoas na famlia que vieram do Norte ou Nor-deste do Brasil e no era bem isso que gostariam de falar, era sobre a indignao do resultado da eleio. Porm, na maioria dos comentrios, a pa-lavra sustentar vagabundos estava bem ntida fazendo uma referncia de quem ganha as bolsas tudo que o Governo Federal oferece, onde boa

    Vergonha!parte dela est situada no Norte e Nordeste. Somos nordestinos com muito orgulho! No nos envergonha em dizer de onde viemos. Num pas onde h um abismo social, problemas de vrias instncias, retornar esse discurso separatista no-vamente no algo novo. Podemos lembrar a voc do infame Metal Open Air. Quantos comentrios maldosos foram feitos de que se tivesse sido feito em So Paulo no aconteceria isso. S poderia ter sido no Nor-deste? Detalhe, o evento foi feito por um cara de So Paulo e at hoje impune, enganou milhares de pessoas e ningum sabe onde foi parar o dinheiro arrecadado. E o tal promotor continua livre orga-nizando eventos como se nada tivesse acontecido. E ningum fala nele, no ? Nesta mesma poca surgiu a mxima de que o no Nordeste se encontra o melhor pbli-co do Heavy Metal. Muitos msicos elogiando a regio e seus fs, de que gostariam de tocar para este mesmo pblico. Muito embora estes mesmos msicos, que manifestaram a vontade de tocar nesta regio, declararam a separao. Infelizmente, os comentrios j foram pos-tados e esto circulando para quem quiser ver. Ns s podemos dar uma dica: est indignado com algo e quer externar? timo, voc tem todo o direito. Mas quando postar pense, mas pense direitinho no que vai dizer. E lembre-se de arcar com as consequncias dele. E no venha com des-culpas esfarrapas que no cola. O Heavy Metal j visto de modo margi-nal, como diz Paulo Leminski, margem da so-ciedade, mas nesta atitude poltica, observamos que os oprimidos estavam trocando de papel e sendo os opressores desta vez. Somos contra qualquer movimento sepa-ratista e xenofbico. Esse fanatismo poltico re-velou tanta coisa que ns estamos envergonhados com a postura de muitos msicos que admirva-mos. Sim, no passado! Pois bem, no temos mais nada a falar. Es-tamos envergonhados!

  • TABLE OF CONTENTS07 - Coluna - Doomal11 - News - World Metal15 - Entrevista - Redbeer Club19 - Entrevista - Travis Smith22 - Review - Rock Meeting 5 anos28 - Capa - Korzus36 - Entrevista - Executer42 - Entrevista - Royal Dogs48 - Review - Cannibal Corpse54 - Entrevista - Stomachal Corrision60 - Coluna - Perfil RM - Alrio Netto64 - Coluna - O que estou ouvindo?66 - Coluna - Review

    Foto

    : Pat

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  • Direo GeralPei Fon

    Reviso Rafael Paolilo

    CapaAlcides Burn

    Colaboradores Ellen Maris

    Jonathas Canuto Leandro Fernandes

    Mauricio Melo (Espanha)Pedro Tennax

    Rodrigo Bueno Sandro Pessoa

    CONTATOcontato@rockmeeting.net

  • Por Sandro Pessoa(Sunset Metal Press & Unio Doom BR)

    DESOLAO MUSICAL: ENTREVISTA COM MORTIFERIKOriginada em Campos dos Goytacazes, interior do Rio de Janeiro, o Morti-ferik um projeto One Man Band idealizado por Anderson Morphis. Sua msi-ca basicamente Doom Metal com fortes in-fluncias de Black Metal com uma carga ab-surdamente pesada de morbidez. Apesar de projetos como estes se resumirem a somen-te gravaes em estdio, o Mortiferik vem se destacando pela presena em festivais do gnero, desmitificando a ideia de que em um show somente o formato tradicional de banda possa funcionar. um som bastante distin-to, feito para um grupo especfico de fs que

    possuem afinidade com temas relacionados a uma atmosfera sombria de tristeza e solido. A fim de compreender um pouco mais a res-peito da proposta da banda, segue uma entre-vista expondo opinies importantes a respei-to do projeto e do cenrio que o envolve.

    Como surgiu a idia de criar o Mortife-rik? Desde o incio sempre foi somen-te voc ou teve a participao de mais pessoas? A Mortiferik foi fundada para a libertao ao desabafar minhas ideias lentas e depressivas, surgindo a partir do momento de uma ex-trema necessidade em trilhar meu caminho solitrio. Trabalho este que surgiu em para-

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  • lelo com a minha primeira banda chamada Carnage (Death Doom Metal - Campos dos Goytacazes-RJ), sendo nesta composta por ideias em conjunto. Por causa deste esprito de equipe, muita coisa de minha parte fica-va guardada e muitas vezes esquecida, sendo assim a Mortiferik veio para abrir todas as

    jaulas e libertar as criaturas para o mundo. Surgiu para a minha liberdade musical que tanto prezo at os dias atuais. Meu primeiro trabalho fiz todas as composies, atuando na gravao de vocais, baixo e guitarra. Alguns amigos auxiliaram-me, sendo um baterista que fez o acompanhamento e o prprio pro-dutor que apresentou ideias de teclado, pois no tinha noo deste instrumento na poca. A partir do segundo registro todos os instru-mentos foram criados por mim.

    No Brasil o formato one man band ainda pouco explorado, voc tem difi-culdades em relao a isto? Como o p-blico e os produtores de evento reagem ao seu trabalho? Est sendo gratificante tudo que vem ocor-rendo com a Mortiferik! Vejo que pouco a pouco as pessoas esto compreendendo como funciona este trabalho ao vivo. No ve-nho tendo dificuldades, muito pelo contrrio, muitas portas esto sendo abertas junto aos Guerreiros da Cena. Inicialmente todos ficam curiosos em saber como funciona e o que vai acontecer quando comeo a apresentar-me, a partir da que acontece a entrega mtua. Viajo em meus pensamentos atravs de mi-nhas criaturas, captando as energias daque-les que esto presentes nesta nova dimenso. maravilhoso presenciar todos os aconteci-mentos! Aproveitando todas as oportunida-des para disseminar o meu trabalho no cen-rio underground.

    Em relao as composies voc res-ponsvel por todos os instrumentos ou

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  • existe o auxlio de outros msicos, seja em ideias ou somente gravao? Sim, sou responsvel por todos os instrumen-tos, sendo que bateria eu utilizo a eletrnica de meu prprio teclado, alm de contrabaixo e efeitos. Junto a programao feita por mim, acompanho com vocalizaes e guitarra. Con-forme comentado anteriormente, somente o primeiro trabalho (intitulado Memory- 1998) que foi, at o momento, o nico registro com apoio de um baterista e tecladista nas grava-es.

    Se para um a banda com mais pessoas

    j complicado lidar com tantos ins-trumentos, cabos e outros perifricos, como para voc lidar com toda esta aparelhagem? Voc poderia dizer qual o seu equipamento? Pode parecer complicado mas, na verdade, mais tranquilo do que uma banda com v-rios integrantes. Eu estou acostumado pois h alguns anos que venho fazendo experi-mentalismos e buscando evolu-o sonora nesta modalidade. Eu utilizo o teclado Yamaha

    PSR-740 onde possui entrada para disquete

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  • com gravao midi, sendo que esta pode ser gravada e executada em vrios canais. Toco com uma guitarra Washburn modelo Dime e tenhos dois pedais, um de distoro e outro de ganho, ambos da marca ANTUNES, que fabricao artesanal do meu amigo Elvis.

    Como voc enxerga o cenrio Doom Metal em nosso pas? Existe algo que o incomoda em relao a atual situao? Existem timas bandas Doom Metal em nos-so Pas e isso um grande orgulho. Apesar de ser um estilo muito restrito, vem tendo muita aceitao e cresce aos poucos em nosso movi-mento. O que incomoda e que tenho observa-do geralmente o intenso pessimismo de que o Doom Metal no possui fora e tratado com indiferena. Eu no concordo com isso! Penso exatamente o contrrio, a fora que o estilo possui tem totais condies de fortale-cimento.

    Quais bandas nacionais e internacio-nais servem de inspirao ao Mortife-rik? Bandas nacionais como Serpent Rise e Asara-del so as minhas favoritas e tem inspirado--me bastante. Das internacionais tenho feito muitas audies da Evoken e Empyrium.

    Foi divulgado que voc ser um dos participantes da nova compilao da Unio Doom Brasil, a Doomed Sere-nades Vol.2. Qual a importncia disto

    para voc? Fico muito satisfeito de estar presente nesta coletnea junto as demais bandas que tanto admiro. Trata-se de um acontecimento mui-to importante para mim e que, com certeza, ficar registrado na histria do Doom Metal Nacional. Fazer parte desta histria muito gratificante!

    Foi uma grande satisfao realizar este bate papo contig