revista manuelzao 17

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  • Manuelzo e Prefeitura apresentam propostas para os crregos da capital

    Pginas 8 e 9

    guas de BH

    Pgina 5

    Novo destino para o lixo domunicpio gera polmica

    Pginas 11

    Conhea um novo modelo paradesenvolvimento social

    Pgina 4

    Rio completa 500 anos e ganhaprojeto de revitalizao

    Foto

    : Ad

    o So

    uza

    Impasse em Nova Lima Commodities Ambientais Velho Chico

  • ParceriasUFMG - Unicentro Newton Paiva - Copasa - Prefeitura de Belo Horizonte -Emater - Municipios da Bacia - Secretaria do Estado da Educao -Secretaria de Recursos Hdricos - Ministrio do Meio Ambiente - Cemig.

    Sede:Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas GeraisCaixa Postal 340 - Av. Alfredo Balena, 190 - 10 andar - sala10.012 - Santa Efignia - CEP 30130-100 - Belo Horizonte - MinasGerais - BrasilTelefones: (31) 3248-9817 - 3248-9819 - Fax: (31) 3248-9818 E-mail: manuelzao@manuelzao.ufmg.brPortal: www.manuelzao.ufmg.br

    CoordenadoresApolo Heringer Lisboa, Antnio Leite Alves, Marcus ViniciusPolignano, Antnio Thomz da Mata Machado, Tarcsio Mrcio de Magalhes Pinheiro (Professores da UFMG).

    Coordenador Geral Professor Apolo Heringer Lisboa

    Grupo TcnicoMaria Aparecida Santos e Santos - Carlos Reblo - Meire Vieira

    Redao e EdioElton Antunes (MTb 4415 DRT/MG), Marina Torres, Frederico Vieza, Tiago Miranda, Slvia Arajo, Adriana Ferreira

    Projeto Grfico e DiagramaoProcpio de Castro

    Marca do Projeto ManuelzoCarla Coscareli / Apolo Heringer Lisboa

    AdministraoNeiliane Marques - Ludmila Lana

    FotosArquivo do Projeto Manuelzo, Copasa, Prefeiturade Belo Horizonte, Prefeitura de Nova Lima.

    ImpressoLastro

    Tiragem50.000 exemplares

    Envie sua contribuio para o Jornal Manuelzo.

    permitida a reproduo de mtrias e artigos, desde quecitados a fonte e o autor.

    Os artigos assinados no exprimem, necessriamente, aopinio dos editores do jornal e do Projeto Manuelzo.

    RIO DAS

    VELHAScaudalosoe sem trguasdesce lguas e lguas

    sem ourosem bateiasem lavadeira na areia.

    se escondeu atrs da serra

    trem achou.

    Outro dia na Pacincia,barco do sculo passadops caro para fora

    prefeito pensou que fosse navio do ouro

    assombrou a populao

    o Borba nem ligou.

    L no toco,num perau profundo,urubu carancudoespera passar o morto.

    O morto-vivo no pra de passar,s urubu carrancudo no v.

    Olegrio Alfredo - 1980 - Sabar Sou poeta, escritor, contador de histria,cordelista, mestre de capoeira e irmo danatureza.

    CC aa rr tt aa ss

    Oatentado ao World Trade Center nos Estados Unidos daAmrica do Norte, no qual morreram mais de 5.000 pes-soas, provocou um sentimento globalizado de pesar, e aomesmo tempo um sentimento de fragilidade e de impotncia de todoo sistema criado pelo homem.

    Mais do que em qualquer outro momento da histria dahumanidade, nos sentimos participantes dos acontecimentos. Hojea realidade transmitida em tempo real para todo planeta.Assistimos pela TV ao vivo e a cores coliso de aviescontra o prdio, diretamente de Nova York, como se jconstasse da programao normal da emissora, que jdispunha no local de uma equipe de transmisso.

    No resta a menor dvida de que a humanidade, hoje,est definitivamente globalizada. O que atinge umaparte do planeta nos afeta diretamente, fazparte do nosso cotidiano, dos nossosnoticirios, e da nossa reflexosobre o mundo e o seu futuro.Por isso mesmo devemosparar para refletir. A globa-lizao no pode sersomente da economia,nem ser unidirecionada,criando uma ordem eco-nmica mundial extre-mamente injusta e per-versa para todos.

    preciso avanar naconcepo da globaliza-o. preciso globalizar adiscusso sobre a misria e afome que afeta a milhes depessoas no planeta, sobre asdoenas prevenveis ou tratveisque matam milhes de pessoas por faltade acesso aos cuidados primrios de sade,s condies bsicas de moradia e saneamento,ou pela incapacidade em adquirir medicamentos patenteadosextremamente caros. Morrem milhares de pessoas diariamente, silen-ciosamente, mas to dolorosamente quanto as que morreram no WorldTrade Center.

    Temos que globalizar e avanar na discusso do futuro do plane-ta, que j apresenta srios e graves sinais de exausto tanto do pontode vista ecolgico quanto do ponto de vista social. O futuro do plane-ta est definitivamente ameaado.

    Temos que entender que a Terra a nossa nica e grande casa, queabriga a todos. fundamental compreender que assim

    como existe a biodiversidade, existe a diversidadehumana, dos pensamentos e valores sociais e culturais,

    que tm que ser preservados e respeitados. Se enten-dermos que somos moradores de nico e grandeplaneta, passaremos a respeitar e dividir de uma

    forma mais justa e harmnica a sua riqueza.E s existe um caminho para que possamos

    cons-truir um novo paradigma slido para nossomundo que o de solidariedade humana, atravs

    de um projeto de desenvolvimento susten-tvel que preserve o meio ambiente, a

    qualidade de vida , a cidadania e adignidade do ser humano.

    Tudo isso demonstra oquanto foi acertada a con-cepo do Projeto Manuel-zo ao definir a bacia hidro-grfica como um eixo terri-torial para a sua atuao, poisa bacia transmite claramenteesta viso de solidariedade,de que fazemos parte de umnico e complexo ecossis-

    tema, e de que o que afeta umponto deste ecossistema pode

    afetar a todos.Portanto, o Projeto Manuelzo

    est contribuindo para a construodeste novo paradigma de concepo do

    mundo. Precisamos pensar de uma forma hols-tica, integradora, solidria, e entender que o nosso

    futuro ser melhor se conseguirmos um processo cada vezmaior de incluso social, respeitando a diversidade humana e a bio-diversidade terrestre.

    Esperamos no ter que lamentar quanto ao futuro da humanidade.

    E d i t o r i a l

    Distribuio gratuita

    3

    O p i n i oManuelzo Belo Horizonte, Novembro / 2001

  • 3

    Da Serra do Curral , consideradapelo Poeta Carlos Drummond deAndrade como Triste Horizonte,tomamos a estrada para Lagoa Santa. So s40 Km e, se seguirmos em frente, chegamos Serra do Cip, outro santurio ecolgicocom suas riquezas naturais.

    O que nos leva Lagoa Santa? Tudo. Seuclima mais ameno, sua natureza exuberante eespecialmente a Lagoa, por suas guas con-sideradas at o comeo do sculo como san-tas pelas suas propriedades curativas. Junte-se a isso a histria do Dr. Lund, que durante40 anos morou no municpio, fazendo umtrabalho de arqueologia e paleontologia,reconhecido internacionalmente.

    A Lagoa vem sofrendo um processo deassoreamento semelhante ao da Pampulha,que pode ser controlado. Mas o nosso maiorproblema a expanso das atividades mi-nerrias da SOEICOM, que em 1972 seinstalou em Lagoa Santa sem nenhumaanlise prvia do seu impacto ambiental, eparticularmente da prpria vocao daregio.

    Hoje, 30 anos depois, pretende a mine-radora ampliar suas atividades, tendo

    adquirido ao lado da primeira, nova rea paraexpanso de suas jazidas. No mnimocurioso, t-lo feito antes de ter conseguidoa licena prvia para poder iniciar suas ativi-dades.

    Como resultado, j herdamos a primeiracratera e a perda definitiva de uma gruta aLapa Vermelha que fez parte do conjuntode grutas descobertas pelo Dr. Lund, comregistros que vo das pinturas rupestres aoHomem de Lagoa Santa.

    A Lapa Vermelha no tem nenhuma pers-pectiva de recuperao, pela prpria estrutu-ra geolgica existente. Este passivo acumu-lou-se de tal maneira, que a atividade da mi-neradora foi suspensa por sentena judicial,proposta pela Promotoria Pblica, posterior-mente refeita por liminar, cujo processo seencontra em andamento e dever ser julgadoem dezembro.

    Recentemente, em seminrio promovidopelo Projeto Manuelzo em Ouro Preto, apsa palestra da autora desta ao, a promotoraJoseli Campos, e na sua ausncia, um gelo-go presente, Senhor Bertachini, a criticouconsiderando a sua atitude precipitada, esten-dendo sua crtica ao professor Pratini de

    Moraes. Questionei-o imediatamente e, parasurpresa geral, ele no conhece Lagoa Santae a mineradora.

    Esclarea-se que esta ao foi lastreadaem relatrio da FEAM , e em laudo pericialde outros profissionais, entre eles, o prprioprofessor Pratini. lamentvel, face ao pas-sado dessas mineradoras (cito a SOEICOM ea MBR), que se faam crticas, a meu ver,sem conhecimento de causa a pessoas pre-ocupadas com nossas comunidades e com avocao turstica e habitacional da regio.

    Evidencia-se tambm, a cada dia, afalncia dos rgos fiscalizadores, no nvelfederal, estadual e municipal. A falta de umapoltica minerria e ambiental faz com que, oque deveria ser feito pelo governo fosseassumido pelas ONGs e pela PromotoriaPblica. No caso da SOEICOM, foinecessria a interferncia da Comisso deMeio Ambiente da Assemblia Legislativa deMinas Gerais, que conseguiu sustar a licenapretendida, exigindo-se novos estudos, paraaferir o que poder acontecer com o lenolfretico da regio, prejudicando a prpriaLagoa Santa.

    Afinal, o que querem o Projeto

    Manuelzo e as ONGs? a participaoexigida pela sociedade, o que no vem ocor-rendo. Vimos acompanhando historicamentea devastao das nossas reservas naturais,comprometendo os nossos aqferos, j quehoje se fala em evitar a morte de rios,incluindo o prprio rio So Francisco.

    Minas no minerao. Minas,Minrios e Mineiros. Precisamos reafirmar onosso domnio sobre as nossas riquezas mi-nerais. Evidentemente no somos contra asatividades minerrias. Temos que exigir,claramente, uma poltica, traada com a par-ticipao efetiva da sociedade e dentro de umcontrole rgido dos rgos ambientais.

    Na antigidade clssica, Plato concebiaque as guas dos rios e surgncias eramprovenientes de uma rede de condutos inter-conectados, que terminava em uma grandecaverna subterrnea, o Trtaro. Aristteles,por sua vez, acreditava que a gua subter