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  • histriaculturapoltica

    ano1n1

    CULTURA:GUARANI-KAIOW

    ENSAIO:CHRISTIAN KNEPPER

    ESPECIAL:CEM ANOS DE INDIGENISMO

    POESIA: ELIANE POTIGUARA

    VEN

    DA

    PR

    OIB

    DA

  • 17 anos de experincia audiovisual em comunidades indgenas e cerca de 30 filmes produzidos. Assim nasceu, em 2009, o Instituto Catitu Aldeia em Cena. A proposta oferecer aos povos indgenas novas possibilidades de expresso, transmisso e compartilhamento de seus conhecimentos e de suas vises de mundo, recorrendo s novas tecnologias como instrumento dinmico de auto-representao e produo de saberes. Conhea nosso trabalho. Visite o nosso site. www. i n s t i t u t oca t i t u . o rg

    Esta publicao foi selecionada entre os projetos que se inscreveram

    no Programa Cultura e Pensamento Seleo Pblica e Distribuio

    de Revistas Culturais. Foram escolhidos quatro projetos, e desta

    forma contemplamos quatro revistas culturais bimestrais cujas

    tiragens, somadas, chegam a 240 mil exemplares.

    O objetivo desta iniciativa estimular a criao de publicaes

    culturais permanentes, e de alcance nacional no apenas em sua

    distribuio, mas tambm em seu contedo.

    Ao patrocinar este projeto, a Petrobras reafirma, uma vez mais, seu

    profundo e slido compromisso com as artes e a cultura em nosso

    pas confirmando, ao mesmo tempo, seu decisivo papel de maior

    patrocinadora cultural do Brasil.

    Desde a sua criao, h pouco mais de meio sculo, a Petrobras

    mantm uma trajetria de crescente importncia para o pas.

    Foi decisiva no aprimoramento da nossa indstria pesada, no

    desenvolvimento de tecnologia de ponta para prospeco, explorao

    e produo de petrleo em guas ultra profundas, no esforo para

    alcanar a autossuficincia. Maior empresa brasileira e uma das

    lderes no setor em todo o mundo, a cada passo dado, a cada desafio

    superado, a Petrobras no fez mais do que reafirmar seu compromisso

    primordial, que o de contribuir para o desenvolvimento do Brasil.

    Patrocinar as artes e a cultura, atravs de um programa slido e

    transparente, parte desse compromisso.

  • Cultura e Pensamento um programa nacional de estmulo

    reflexo e crtica cultural. Desde sua primeira edio em 2005,

    seleciona e apoia projetos de debates presenciais e publicaes.

    O objetivo do programa dar suporte institucional e financeiro a

    iniciativas que fortaleam a esfera pblica e proponham questes e

    alternativas para as dinmicas culturais do pas.

    Em 2009, o Programa abriu a terceira edio dos editais para

    financiamento de debates e de peridicos impressos de alcance nacio-

    nal. Os editais so abertos a propostas de intelectuais, pensadores

    da cultura, artistas, instituies e grupos culturais, pesquisadores,

    organizaes da sociedade civil e outros agentes, visando promoo

    do dilogo sobre temas da agenda contempornea.

    Para ampliar o alcance das aes viabilizadas pelo Programa e favorecer

    a circulao das ideias e a continuidade das reflexes propostas, todo

    contedo produzido em vdeo, udio ou texto disponibilizado gra-

    tuitamente no site do programa (www.culturaepensamento.net.br). O

    site a plataforma digital de difuso e estmulo a interaes entre os

    participantes da Rede Cultura e Pensamento, sejam os realizadores

    de projetos, seja o pblico interessado.

    A edio 2009-2010 do Edital de Revistas do Programa Cultura

    e Pensamento tem patrocnio da Petrobras e realizada pela

    Associao dos Amigos da Casa de Rui Barbosa.

    Este projeto foi contemplado pela seleo pblica de revistas

    culturais do programa Cultura e Pensamento 2009/2010.

    Novos trpicos

    L se vo mais de 500 anos desde que os portugueses atracaram

    suas caravelas nestas terras e se depararam, assombrados, com

    milhes de pessoas que viriam a ser chamadas por eles de ndios.

    Era o comeo de um Brasil marcado pelo confronto entre vises

    opostas, em que de um lado se cobiava o acmulo de riqueza, de

    outro se enaltecia a vida e a liberdade.

    O encontro dos povos originrios com esses recm-chegados, uma

    gente prtica e experimentada, como dizia Darcy Ribeiro, foi marcado

    por extermnio, catequizao, escravido e ocupao territorial. Era o

    incio da miscigenao de ndios, brancos e, futuramente, negros.

    NDIO surge para relembrar as origens do pas e debater o papel dos

    povos indgenas no destino da nao. Amplificar a voz dessas 220

    etnias, que falam mais de 180 lnguas. A revista busca o exerccio

    urgente do dilogo intercultural. O Conselho Editorial retrato disso,

    assim como nossa rede de colaboradores, ndios e no ndios.

    Nesta estreia, o leitor conhecer a histria da centenria poltica

    indigenista brasileira, a dimenso cosmopoltica dos Guarani-

    Kaiow e o desrespeito sofrido pelos Tupinamb. Tambm saber

    mais sobre a visita dos ndios do Tumucumaque ao Xingu e sobre

    os desafios da sade indgena. Ver um ensaio fotogrfico de

    etnias do Maranho, um conto guarani e um poema de uma ndia

    potiguara, alm de uma experincia de educao na Colmbia e

    uma ilustrao do artista plstico Elifas Andreato.

    O convite para encarar um Brasil que continuar invisvel para

    aqueles que no quiserem v-lo. Que tem cor, gosto, som, vida,

    fora. Trpicos que resistem e renascem diariamente.

    Boa leitura!

    Christiane Peres, Jlia Magalhes e Marcelo Aflalo

  • 4 5

    sumrio

    entrevista: Os desafios da sade indgena 8

    cultura: A fora dos cantos e rezas guarani-kaiow 14

    encontros: O intercmbio cultural dos ndios do Tumucumaque no Xingu 20

    ensaio: ndios do Maranho retratados por Christian Knepper 24

    especial: O centenrio da poltica indigenista 34

    opinio: Mrcio Gomes fala da sobrevivncia dos ndios no Brasil 44

    direitos: A luta pela reconquista do territrio tupinamb 46

    ideias contemporneas: O papel do psiclogo nas equipes de sade 52

    balaio: Culinria, artes e ritos 54

    mitos: Histria guarani contada por Olvio Jekup e Maria Kerexu 56

    outras palavras: Poesia de Eliane Potiguara 58

    perfil: A ndia que virou paj no Xingu 60

    colmbia: A experincia educacional dos ndios Pasto 62

    olhares: Elifas Andreato 64

    Ministrio da Cultura Secretaria de Polticas Culturais Associao dos Amigos da Casa de Rui BarbosaJoo Maurcio de Arajo Pinho | Presidente Rede Cultura e Pensamento de Revistas CulturaisSergio Cohn e Elisa Ventura | CoordenadoresRita Ventura | ProdutoraLuana Villutis | Coordenadora de redeFilipe Gonalves, Elisa Ramone e Lilian Diehl | Assistentes de Produo

    Revista NDIO

    EditorasChristiane Peres e Jlia Magalhes

    Editor de ArteMarcelo Aflalo

    Conselho EditorialAzelene Kaingang, Banhi-re Kayap, Betty Mindlin, Carmen Junqueira, Jos Carlos Meirelles, Jos Porfrio de Carvalho, Spensy Pimentel

    FotgrafosChristian Knepper, Helio Mello, Rosa Gauditano | Studio R

    ColaboradoresCristiano Navarro, Eliane Potiguara, Elifas Andreato, Lucila Gonalves, Marcele Guerra, Maria Kerexu, Mrcio Gomes, Olvio Kejup, Spensy Pimentel

    AgradecimentosAloisio Milani, Celso Nucci, Dcio Yokota/Iep, Noel Villas Bas, Sean Hawkey | Cimi, Tain Meireles

    Diagramao e ArteUnivers Design | Cristiane Novo e Marcelo Aflalo

    Concepo e Projeto EditorialNheengatu Comunicao

    RevisoIns Castilho

    Contato ComercialAlice Penna e Costa

    Impresso e DistribuioPrograma Cultura e Pensamento/MinC

    Tiragem10 mil exemplares Projeto GrficoEditora Paralaxe | Rua Helena 170 cj93 tel 55 11 2628 0561 04552-050 So Paulo SP Revista NDIOrevistaindio@gmail.com

    expediente

  • 6

    Mestre em Direito pela Universidade de So Paulo (USP) e doutoranda em Antropologia

    Social pela USP. Dedica-se ao estudo do protagonismo poltico indgena no contexto das constituies da Amrica Latina. Desenvolve trabalhos em assessoria jurdica e

    educao jurdica popular com os povos indgenas e comunidades tradicionais.

    Guarani, morador da aldeia Krukutu, extremo sul da capital paulista. Faz parte de uma gerao de ndios escritores que vm buscando seu espao na literatura. J publicou livros

    de contos guarani e mantm o blog http://oliviojekupe.blogspot.com. Ao lado de Maria Kerexu, sua mulher, escreve o conto desta edio.

    A fotgrafa paulistana teve seu primeiro contato com os povos indgenas em 1989, no Par, e desde ento documenta essas comunidades. Entre elas: Xavante, Karaj,

    Kayap, Tucano, Yanomami, Guarani e Pankararu. Em 2004 fundou a Ong Nossa Tribo (www.nossatribo.org.br), com o objetivo de aproximar ndios e no ndios.

    Doutorando em Antropologia pela Universidade de So Paulo (USP), pesquisador do Ncleo de Histria Indgena e do Indigenismo (NHII/USP) e bolsista da Coordenao

    de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior (Capes). Realiza pesquisas e reportagens junto aos Guarani-Kaiow desde 1997. tambm jornalista e membro

    do Conselho Editorial da NDIO.

    Fotgrafo alemo premiado por diversos trabalhos. Reside no Brasil desde 1989. Morou na capital federal por dois anos, mas foi em terras maranhenses que se estabeleceu. Desde ento percorre o Brasil documentando comunidades indgenas, lugares ainda isolados e paisagens j conhecidas.

    Jornalista premiado com matrias sobre a questo indgena. Atua na rea do indigenismo h oito anos, sendo que em dois deles viveu junto aos Guarani-Kaiow, no Mato Grosso do Sul. Nesse perodo, filmou o documentrio Delrio Verde em fase de finalizao. Atualmente editor da agncia Brasil de Fato.

    Professora e escritora indgena, descendente do povo Potiguara. Em 2005, foi indicada ao prmio Nobel da Paz pelo p