Revista Governança Jurídica vol1

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Primeira edio da Revista Governana Jurdica, lanada em abril de 2014 com tema de capa: Alianas estratgicas para negcios de sucesso.

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  • ed. 01Abr/2014

    AliAnAs estrAtgicAs pArA negcios de sucesso

    O papel da governana jurdica nas organizaes

    A perspectiva das fuses e aquisies

    Empresas brasileiras na mira dos estrangeiros

    revistAGovernana Jurdica

  • 32

    OAB/PR 7

    62

    AV. CNDIDO HARTMANN, 5080.730-440 - CURITIBA - PR - BRASILTEL / FAX: +55 41 3232-9241 www.AyADVOgADOS.COM.BR

    ExpErincia na advocacia tributria dEsdE 1985.a Amaral & Advogados Associados tem o orgulho de anunciar a alterao do seu nome para Amaral Yazbek Advogados, agregando ainda mais valor aos servios prestados aos seus clientes.

    ExpedienteAv. Cndido Hartmann, 50 - CEP: 80730-440, Curitiba-PR - Tel.: (41) 3232-9241 - www.ayadvogados.com.br | revistagj@ayadvogados.com.br - Advogada responsvel: Letcia Mary Fernandes do Amaral OAB/PR 57.342 OAB/SP 255.884 - Conselho editorial: Gilberto Luiz do Amaral - Letcia Mary Fernandes do Amaral - Cristiano Lisboa Yazbek - Produo: De Len Comunicaes - contatos: (11) 5017-4090/7604 | deleon@deleon.com.br - Editora e Jornalista responsvel: Lenilde Pl De Len Coordenao Editorial: Paula Fernanda Karpenko - Hellen Camilly de Oliveira Pacheco - Redator: Costbile Nicoletta - Dbora Luz - Cludia Regina Gabardo - Paulo Prendes - Colaborao: Paloma Minke - Projeto Grfico e Diagramao: FOLKS Design Vivo - contatos: (41) 3089-7765 | contato@folksdesign.com.br - Periodicidade: Semestral - Tiragem: 5.000 - Impresso: Ajir Grfica As opinies expressas nos artigos so de inteira responsabilidade de seus autores e os anncios veiculados so de inteira responsabilidade dos anunciantes.

    Sumrio06reportagem de capa

    Alianas estratgicas para negcios de sucesso 10 due diligence

    bom saber o que se compra

    14 portosuma chance para levantar a ncora

    18 M&AA perspectiva das fuses e aquisies

    24 reforma tributria simplificao complicada

    32 meio ambienteBoas prticas com governana Jurdica Ambiental

    36 aquisio e reestruturaooportunidade para empresas com problemas financeiros

    40 investimentos estratgicosAs razes para equilibrar as emoes

    46 aquisies internacionaisempresas brasileiras na mira dos estrangeiros

    47 spedrealidade virtual, porm precisa

    44Institucional

    46Scios

    47Virou notcia

    04Editorial

    12 artigo tcnicogovernana jurdica e alianas estratgicas empresariais

    16 artigo tcnicocrditos de icms: otimizao do custo tributrio no setor automotivo

    22 artigo tcnico

    A responsabilidade do estado nasoperaes porturias

    26 artigo tcnico

    da aparncia certeza de um bom negcio: governana jurdica e aquisio de empresas

    30 artigo tcnico

    voc sabe o que a cide tecnologiA? 34 artigo tcnico

    criminal compliance ganha espao no meio empresarial

    38 artigo tcnico

    controladoria jurdica: de tendncia anecessidade para melhores negcios

    20 entrevista - Cristiano Yazbekcontrole, transparncia e tica como instrumentos de governana Jurdica

    28 entrevista - Geraldo Magelaservios de inteligncia da informao so chave de sucesso para as empresas

    42 anlisegasto anual com processos judiciais chega a r$ 111 bilhes

    44 anlisereceita Federal desafia o ctn

    Letcia MaryFernandes do AmaralOAB/SP 255.884OAB/PR 57.342

    Gilberto Luiz do AmaralOAB/PR 15.347

    Cristiano Lisboa YazbekOAB/PR 40.443

    Tailane MorenoDelgadoOAB/PR 52.080

  • 54

    Prezado leitor(a),

    Idealizada pela Amaral, Yazbek Advo-gados e executada a muitas mos tanto pelo nosso corpo de advogados como por jornalistas que, com muito primor, foram buscar temas jurdico-empresariais atu-ais e fontes muito gabaritadas, a Revis-ta Governana Jurdica tem por objetivo ensinar, informar e fomentar tcnicas de Governana Jurdica a empresas de todos os portes e setores de atuao.

    Sabemos que ainda so poucos os em-presrios e profissionais que conhecem e aplicam boas prticas de Governana Jur-dica. Contudo, como tambm temos cons-cincia de que o assunto primordial para o crescimento econmico de qualquer ne-gcio, nos entusiasmamos em transmitir esse conhecimento aos nossos leitores.

    Empresrios, advogados, contadores e demais profissionais tcnico-especializa-dos so incentivados a lerem nossa revista e a contribuir para as prximas edies. Nosso principal objetivo disseminar o tema da Governana Jurdica empresarial ao maior nmero possvel de pessoas inte-

    Ainda estamos trazendo entrevistas e reportagens inditas sobre a teoria e a pr-tica da governana jurdica, inclusive cases de empresas que j a vem aplicando com grande sucesso e satisfao.

    A Revista ainda aborda a governana ambiental como espcie de suma relevn-cia na governana jurdica, outros temas de estratgia empresarial, como utilizao de informaes digitais, inclusive fiscais, para a lucratividade do negcio.

    Enfim, temos muita satisfao em estar concretizando esse projeto idealizado com tanto entusiasmo. Temos a certeza de que nossa Revista em muito contribuir para o sucesso de seu negcio.

    Esperamos contar com a sua participa-o em nossas futuras edies. Dvidas, crticas, comentrios e contribuies po-dero ser enviados para:revistagj@ayadvogados.com.br

    Seja muito bem-vindo(a) ao mundo da Governana Jurdica!

    Tenha uma tima leitura!

    ressadas. Entendemos que somente assim o assunto poder ser compreendido e assi-milado na prtica.

    Buscaremos, em todas as edies, abordar temas jurdicos atuais para atua-lizar e orientar empresas e profissionais a agirem de forma estratgica na conduo de seus negcios. As prximas edies trataro, igualmente, de pontos especfi-cos relacionados prtica da governana jurdica, como seus princpios e polticas.

    Nessa primeira edio trazemos como tema principal as alianas estratgicas empresariais, que envolvem, sobretudo, fuses e aquisies. Como se trata de um assunto empresarial que engloba diversas questes jurdicas, de suma importncia que os profissionais envolvidos nas opera-es tenham conhecimento e apliquem as tcnicas da governana jurdica.

    Temas tributrios de interesse de em-presas de diversos setores, em especial do automotivo, porturio e de tecno-logia, tambm sero encontrados nes-sa edio, com matrias e artigos atu-ais e pertinentes tratando de questes regulatrias e tributrias.

    Nosso principal objetivo disseminar o tema da Governana Jurdica empresarial.

    Seja muito bem-vindo(a) ao mundo da

    Governana Jurdica!

    Letcia Mary Fernandes do Amaral, scia da Amaral, Yazbek Advogados.

    editorialrevistA Governana Jurdica

  • 6 7

    Formas de Pagamento das

    operaes

    2,8%

    0,6%

    74,9%

    13,9%7,9%

    Dinheiro

    Assuno de Dvidas

    Instrumentos de MK

    Ativos

    Aes

    Alianas estratgicas para negcios de sucesso

    As alianas entre empresas oferecem a chance de conquistar mercado e aumentar o lucro, mas devem ser muito

    bem pensadas para tornarem-se estveis e duradouras

    H diversas formas de uma companhia aprovei-tar oportunidades de mercado para crescer alian-do-se a outra empresa, desde uma simples parce-ria contratual sem vnculo societrio como uma representao de vendas at a formao de uma nova organizao em que ambas se tornam scias em novo empreendimento.

    Num pas carente de infraestruturas como o Brasil, entida-des governamentais tambm podem tornar-se uma alternativa nesse processo de expanso, por meio de parcerias pblico--privadas ou mesmo da concesso de servios pblicos para numerosas utilidades. Qualquer que seja a modalidade de aliana estratgica escolhida, precisa ser precedida de minucioso levan-tamento jurdico e fiscal acerca das consequncias dessa unio, a fim de minimizar riscos que possam neutralizar os benefcios

    com o objetivo de reduzir seu recolhimento ao Fisco. Esses negcios ocorrem em um momento no qual os polticos em Washington intensificam discusses para a reforma tributria corporativa. A Receita Federal dos EUA impe uma alquota mxima de 35% s empresas, oferece uma infini-dade de benefcios fiscais, mas o sistema est na mira dos parlamentares para ser modificado. O grupo farmacutico Perrigo, por exemplo, insta-lado em Michigan, nos Estados Unidos, comprou a companhia de biotecnologia irlandesa Elan e decidiu transferir sua sede para o pas da empre-sa adquirida, o que o far pagar 17% em impos-tos, em vez de 30% nos EUA. O Deutsche Bank

    estima que o Perrigo consiga economizar 118 milhes de dlares por ano.

    Outra operao na rea farmacuti-ca feita pela Actavis, de Nova Jersey, nos EUA que adquiriu o controle da Warner Chilcott em maio tambm resultar em uma mudana para a Irlanda, onde a taxa de imposto da Actavis cair de 28% nos Es-tados Unidos para 17% naquele pas euro-peu, com uma poupana de 150 milhes de dlares ao longo dos prximos dois anos.

    Da mesma forma, o conglomerado norte--americano de publicidade Omnicom informou que a fuso de 35 bilhes de dlares com a at ento rival Publcis, de origem francesa, far

    O volume de anncios de fuses e aquisies no

    Brasil chegou a 122,3 bilhes de reais em todo o ano de 2012,

    conforme levantamento da Anbima.

    de uma parceria bem-sucedida comercialmente. Tome-se como exemplo a fuso das operaes de dois gigantes do setor financeiro, Ita e Uni-banco, formalizada em 3 de novembro de 2008, criando o maior banco privado do Pas e um dos vinte maiores do mundo, com 4.800 agncias e 14,5 milhes de clientes de conta corrente po-ca do negcio. Em meados de agosto de 2013, quase cinco anos aps o anncio da aliana, o Ita Unibanco recebeu um auto de infrao da Receita Federal no valor de 18,7 bilhes de reais.

    A Receita entende que no houve recolhi-mento de tributos em 2008 relativos ao pro-cesso de fuso entre as duas instituies financeiras. Segundo comunicado emitido pelo Ita Unibanco, 11,8 bilhes de reais referem-se cobrana de Imposto de Ren-da e outros 6,7 bilhes esto relacionados Contribuio Social sobre o Lucro Lquido CSLL. O valor estipulado pela Receita supe-ra o lucro lquido obtido pelo banco no ano passado, que foi de 13,5 bilhes de reais.

    O Ita Unibanco contesta o auto de in-frao e considera remoto o risco de per-da, conforme entendimento de seus advogados e assessores externos, justificando que a fuso foi aprovada pela Comisso de Valores Mobili-rios CVM, pelo Banco Central e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econmica Cade. Por mais legtima que a operao seja conside-rada pela empresa, h a possibilidade (ainda que remota) de ter de arcar com uma multa equivalente ao lucro de um ano e quatro meses do Ita Unibanco.

    Alm de pesado para o bolso das empre-sas, o sistema tributrio brasileiro com-plexo, a ponto de muitas companhias infringirem as normas por no con-seguirem compreend-las claramente. Combi-nados, esses

    fatores acabam afugentando muitos investido-res do Pas. Mas essa no uma peculiaridade do Brasil. Os Estados Unidos, frequentemente usados por analistas econmicos como exem-plo de mercado de pouca burocracia e tributos corporativos razoveis, vive hoje uma espcie de dispora empresarial motivada exatamente pela carga tributria.

    Uma reportagem publicada em 12 de agos-to de 2013 pelo jornal britnico Financial Times mostra que um nmero crescente de empre-sas dos Estados Unidos esto determinadas a economizar centenas de milhes de dlares em

    impostos mudando-se para a Europa, depois de concluir aquisies de outras companhias base-adas naquele continente.

    Algumas das maiores fuses e aquisies em 2013 envolveram os chamados investimen-tos em impostos, em que uma companhia compradora dos Estados Unidos transfere-se para o exterior (para a Europa, em particular),

    reportagem de capa

  • 98

    com que a sede do grupo combinado seja na Holanda, a fim de obter-se uma economia de 80 milhes de dlares em um ano. Enquanto isso, a aquisio da britnica Virgin Media por 23 bilhes de dlares pela Liberty Global vai permitir que o grupo de televiso a cabo dos EUA se mude para o Reino Unido e reduza para 21% a alquota de seus impostos.

    As fuses e aquisies no mundo da publicidade e dos meios de comunicao nos Estados Unidos tambm demostraram capacidade para surpreender no s pela disposio de mudana de sede para a Europa para reduzir o recolhimento de impostos, mas pela manchete inesperada que provocaram. Jeff Bezos, funda-

    2007

    Total Montante e nmero de Operaes (R$ bilhes) Fechamento

    Nmero de Operaes

    117,2

    124

    140,4

    73

    79,0

    89

    110,3

    102

    94,1

    119

    151,4

    130

    2008 2009 2010 2011 2012

    Fonte: ANBIMA.

    2007

    Total Montante e nmero de Operaes (R$ bilhes) Anncio

    Nmero de Operaes

    136,5

    148

    119,0

    95

    125,9

    99

    184,8

    143

    142,8

    179

    122,3

    176

    2008 2009 2010 2011 2012

    Fonte: ANBIMA.

    um cdigo para autorregular fuses e aquisiesComeou a operar em agosto de 2013 o Comit de Aquisies e Fuses CAF, cujo propsito asse-gurar a observncia de condies equitativas nas ofertas pblicas de aquisio de aes (OPAs) e operaes de reorganizao societria envolvendo companhias abertas brasileiras que, a partir de um modelo de autorregulao voluntria, decidam se submeter ao rgo.

    O CAF foi concebido e conta com o apoio de algumas das principais entidades participantes do mercado brasileiro de capitais: Associao de Investidores no Mercado de Capitais Amec, Associao Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capi-tais Anbima, BM&FBOVESPA e Instituto Brasileiro de Governana Corporativa IBGC.

    O Cdigo de Autorregulao no substitui os dispo-sitivos legais e regulamentares. Contm princpios e regras adicionais aos que j decorrem da lei e da regulamentao editada pela CVM para suprir even-tuais lacunas existentes na disciplina das OPAs e operaes de reorganizao societria.

    Como exemplo, o cdigo prev tratamento iguali-trio entre os acionistas; obrigatoriedade de rece-bimento das informaes necessrias tomada de deciso refletida e independente; independncia, discrio e imparcialidade de seus membros; con-sistncia das informaes constantes dos laudos de avaliao; entre outros.

    O Colegiado da CVM j expressou seu apoio institu-cional ao CAF e deliberou que, nos termos de Con-vnio de Cooperao a ser celebrado entre o CAF e a CVM, as OPAs sujeitas a registro na autarquia e as operaes de reorganizao societria entre partes relacionadas que sigam os procedimentos estabele-cidos no Cdigo de Autorregulao tero sua regula-ridade presumida pela CVM.

    O CAF resultado do desafio lanado pela CVM s entidades do mercado de implantar um Takeover Panel (painel para discutir aquisio de controle de empresas) no Brasil, a partir da identificao das insuficincias existentes no arcabouo societrio legal e regulatrio brasileiro a respeito das opera-es de reorganizao societria e transferncia de controle. Durante trs anos, as entidades apoiado-ras discutiram e elaboraram o Cdigo de Autorregu-lao, sob a coordenao do jurista e presidente do CAF, Nelson Eizirik.

    8

    dor e principal acionista da empresa de varejo on-line Amazon.com, surpreendeu o mercado financeiro e a indstria de mdia ao anunciar, em 5 de agosto de 2013, ter adquirido, por 250 milhes de dlares, o controle do Washington Post, jornal norte-americano que se notabilizou pela publicao de uma srie de reportagens sobre o escndalo de Watergate, em 1974, que culminou na renncia do ento presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon.

    A reputao do Washington Post, no entanto, no foi suficiente para im-pedir que sofresse os efeitos da crise pela qual passam praticamente todos os peridicos impressos no mundo, numa nefasta juno de queda de tiragem com receitas minguadas pela concor-rncia com uma profuso de oferta de contedo digital, em sua maioria gra-tuita e cuja qualidade editorial pouca gente assinaria embaixo. Seu faturamento caiu de 957 milhes de dlares em 2005 para 582 milhes no ano passado. No mesmo perodo, sua circulao mdia diria encolheu de 706 mil para 472 mil exemplares.

    Bezos comprou o Washington Post como pessoa fsica e disse que manter a linha edi-torial que consagrou o jornal, mas sua bem--sucedida experincia em vender pela internet que comeou com livros impressos e depois eletrnicos e hoje se diversificou para vrios outros artigos pode ajud-lo a impedir a de-cadncia definitiva de um dos principais smbo-los da imprensa mundial. Outro dado a favor de Bezos sua confortvel situao financeira. Ele tem uma fortuna pessoal avaliada em mais de 25 bilhes de dlares, que lhe permite pensar em so-lues de longo prazo. Como no se manifestou sobre seus planos para tudo isso, especula-se

    que poder bolar uma frmula de vender notcias avulsas do Washington Post pelo Kindle, o leitor eletrnico da Amazon, ou mesmo sistemas de as-sinatura on-line do jornal completo ou em partes.

    No se deve concluir que a aquisio do jor-nal que teve a coragem de expor publicamente os atos ilegais de um presidente dos Estados Unidos, mesmo sob intensa presso e ameaas de todo tipo da Casa Branca, tenha sido um ato

    excntrico de um bilionrio. Certamente Bezos avaliou os riscos da operao e deduziu que po-deriam transformar-se em boas oportunidades, seno para trazer-lhe mais dinheiro, ao menos para aumentar seu prestgio poltico-econmi-co e, mais para frente, traduzir isso em lucro. Voltando ao mercado brasileiro, mesmo com uma carga tributria alta e difcil de entender, o volume de anncios de fuses e aquisies chegou a 122,3 bilhes de reais em todo o ano de 2012, conforme levantamento da Associa-o Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

    O volume foi 14,4% inferior ao de 2011 (R$ 142,8 bilhes) e o segundo menor da srie des-de 2007, superando apenas o baixo volume registrado em 2009, de 119 bilhes de reais. O nmero de operaes no ano, contudo, se man-teve prximo ao observado no ano anterior. Ao todo, foram 176 operaes em 2012, apenas trs

    a menos do que em 2011, o que indica uma redu-o do volume mdio das operaes realizadas no ltimo ano.

    Entre os anncios feitos em 2012, destacou--se o setor de transporte e logstica, com 20,2% do volume de operaes, seguido do setor de energia, com 15% do total. Quanto origem do capital, a maior parte do volume do ano se dis-tribuiu em aquisies entre empresas brasileiras

    (R$ 42,7 bilhes) e aquisies de empresas brasileiras por companhias estrangeiras (R$ 42 bilhes). Neste ltimo caso, houve gran-de participao de empresas europeias, que responderam por 30,9% das aquisies de empresas brasileiras (R$ 13 bilhes).

    A forma de pagamento mais utilizada nas operaes em 2012 foi dinheiro (74,9% dos negcios), seguida do pagamento com aes (13,9%) e com a assuno de dvidas

    (7,9%). Em 2011, esse perfil foi diferente: os pa-gamentos em dinheiro responderam por 57,8% do volume de operaes, seguidos do pagamen-to com aes, que tiveram participao de 39% sobre o total.

    As dez maiores operaes realizadas em 2012 alcanaram volume de 57,7 bilhes de re-ais, o equivalente a 47,2% do movimentado em todo o ano. Apenas os dois maiores anncios referentes s ofertas pblicas de aquisies de aes da Redecard (R$ 12,5 bilhes) e da TAM (R$ 8,3 bilhes) somaram 20,8 bilhes de reais. Embora em 2012 tenha havido reduo no volume e nmero de anncios em relao a 2011, os dados de fechamento de operaes mostraram-se positivos, pois, segundo avalia-o da Anbima houve crescimento de 60,9% no volume e de 9,2% no nmero de negcios concludos em 2012.

    Aquisio entre Empresas Brasileiras

    Aquisio de Estrangeiras por Brasileiras

    Aquisio de Brasileiras por Estrangeiras

    Aquisio entre Empresas Estrangeiras ( * )

    TOTAL

    R$ bilhes

    42,7

    23,8

    42,0

    13,9

    122,3

    R$ bilhes

    63,2

    17,8

    37,0

    24,9

    142,8

    R$ bilhes

    39,7

    47,4

    56,9

    40,8

    184,8

    2012

    *Negociaes com empresas-alvo brasileiras

    2011

    Perfil das Operaes

    2010

    (%)

    34,9

    19,4

    34,3

    11,4

    100,0

    (%)

    44,2

    12,5

    25,9

    17,4

    100,0

    (%)

    21,5

    25,7

    30,8

    22,1

    100,0

    (%)

    52,8

    13,6

    26,7

    6,8

    100,0

    (%)

    52,8

    15,1

    24,6

    7,8

    100,0

    (%)

    43,3

    21,0

    27,3

    8,4

    100,0

    N

    93

    24

    47

    12

    176

    N

    94

    27

    44

    14

    179

    N

    62

    30

    39

    12

    143

    As dez maiores operaes realizadas em 2012 alcanaram

    volume de R$ 57,7 bilhes, o equivalente a 47,2% do movimentado em 2012.

    reportagem de caparevistA Governana Jurdica

  • 1110

    Procedimento chamado de due diligence radiografa a situao de uma empresa em processo de fuso,

    aquisio ou abertura de capital

    bom saber o que se compraUma grande rede de farmcias optou por am-

    pliar seu nmero de lojas adquirindo empresas concorrentes. A agressiva estratgia a fez subir rapidamente no ranking do setor em termos de nmero de pontos de venda, mas teve um efeito colateral s percebido algum tempo aps a con-cluso dos negcios.

    Nas averiguaes preliminares de eventuais passivos da ltima companhia comprada, no se levou em considerao a anlise do histrico trabalhista dos funcionrios atuais e dos que j haviam sado. Ao ser acionada na Justia, cons-tatou que a documentao do quadro funcional estava in-completa e no teve como evitar perdas que podem chegar a 18 milhes de reais.

    A rea trabalhista rica em exemplos dessa natureza. Esti-ma-se que as 36 maiores companhias instaladas no Pas provi-sionem anualmente em seu balano uma bolada de 25 bilhes de reais para o caso de perderem as aes nas quais so rs na Justia do Trabalho. Especialistas no assunto calculam que pelo menos 10% dos empregados sempre processam o patro quando saem da empresa onde trabalhavam. Nas fuses e aquisies, nem sempre as companhias envolvidas encontram com facilidade os documentos necessrios para defender-se de autuaes em causas trabalhistas, afirma Francis Safi, presi-dente da Lowcost, empresa de gesto documental corporativa e de terceirizao de cpias e impresso.

    O valor do passivo acaba sendo descontado do montante a receber da empresa na ponta compradora da operao de aquisio, se essa probabilidade for detectada na fase de ne-gociao. Esse procedimento de anlise de documentos e in-formaes de uma empresa, com o objetivo de mensurar ris-cos efetivos e potenciais, adotado nas operaes de fuses e aquisies, chamado de due diligence, expresso inglesa para designar a devida cautela na auditoria a ser feita na empresa que ser alvo de compra. Pode abranger diversos itens, como tributos, contratos, atos societrios, questes ambientais, tra-balhistas, previdencirias, entre outros, conforme o ramo de negcios em que atua a empresa. No raro uma parte signifi-cativa das companhias brasileiras no d a devida importncia due diligence, sobretudo quando est na ponta vendedora.

    Assim como os cidados comuns anseiam que a admi-nistrao pblica seja transparente em seus atos, a mes-ma expectativa vem assumindo cada dia mais relevncia no mundo corporativo, a fim de garantir segurana na realizao de investimentos e transaes empresariais. Nesse contex-to, a due diligence adquire papel de destaque, tornando--se essencial para o fechamento de negcios de fuses e aquisies e de ofertas pblicas de aes, sobretudo quan-do uma companhia abre seu capital para ser negociado em bolsa de valores.

    O processo de due diligence constitui-se na avaliao de-talhada de informaes e documentos pertinentes a uma de-terminada sociedade. Tem como objetivo apontar os principais pontos crticos e relevantes existentes na estrutura jurdica da

    empresa, identificar riscos e passivos legais, oriundos dos pro-cessos judiciais e administrativos em que a companhia figura como parte, e, quando possvel, quantificar o valor dessas responsabilidades. Tambm procura identificar providncias para a eliminao ou minimizao dos riscos e determinar a melhor estratgia de estruturao da transao. Busca-se, as-sim, obter uma radiografia da empresa de forma a prepar-la para operaes de fuso ou aquisio, transferncia de ativos, reestruturao societria para sucesso familiar, elaborao de prospecto para oferta pblica de aes, reestruturao de departamento jurdico, adoo de prticas de governana corporativa e project finance (modalidade que possibilita a investidores e bancos que colocam recursos nos projetos re-ceber ativos em garantia ou at mesmo o fluxo de caixa que ser gerado futuramente pelo prprio empreendimento), entre outras operaes empresariais.

    Iniciadas as tratativas referentes operao pretendida pelas partes, estas, geralmente, celebram uma carta de inten-es ou memorando de entendimentos, com natureza de con-trato preliminar. O escopo desse documento manifestar o in-teresse formal das partes para a realizao do negcio, sujeito ao resultado obtido com a due diligence. Nesse documento, sero estabelecidas as regras para o desenvolvimento da due diligence (prazos, custos, abrangncia, logstica), bem como o carter vinculante ou no da proposta, se haver exclusivi-dade e confidencialidade das informaes e documentos e o cronograma de trabalhos para a concluso da operao com fi-xao de prazos para apresentao de ofertas e confirmaes.

    Tomadas essas providncias, elabora-se uma lista de veri-ficao que enumera as informaes e os documentos neces-srios para a realizao da due diligence. Essa lista ajustada conforme a finalidade de cada auditoria. Os trabalhos so desenvolvidos com base nos documentos disponibilizados pela empresa, nas informaes verbais e escritas prestadas por seus funcionrios e em dados obtidos em rgos pbicos. Feita a anlise descritiva dos documentos disponibilizados, as equipes de due diligence avaliaro os dados relatados de for-ma a identificar os pontos crticos existentes ou que possam trazer impacto operao. Essa avaliao resulta em um rela-trio que pode destacar os aspectos societrios, tributrios, trabalhistas, contratuais, ambientais, imobilirios, regulatrios e relativos propriedade intelectual e ao contencioso da com-panhia.

    As concluses do relatrio serviro para que a rea jur-dica das empresas envolvidas na negociao elabore as mi-nutas dos contratos definitivos (compra e venda de aes e/ou ativos), atos societrios (transferncia de aes, fuses e aquisies), prospectos de oferta pblica de aes e demais documentos necessrios para o fechamento da operao. O relatrio de due diligence serve, assim, para pautar a elabo-rao dos instrumentos definitivos para a concretizao da operao e a fixao do preo. Portanto, a due diligence determinante para a negociao dos pontos controvertidos e para o sucesso da operao. E pode evitar que se descubra um passivo trabalhista de 18 milhes de reais s depois de concretizada a aquisio.

    due diligencerevistA Governana Jurdica

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    A boa Governana Jurdica proporciona aos proprietrios (acionistas ou quotistas) a gesto estratgica de sua

    empresa e o monitoramento da direo executiva.

    Governana jurdica e alianas estratgicas empresariais

    O Brasil se caracteriza como um pas enorme, tanto nas qualidades como nos problemas. Num territrio de mais de 8,5 milhes de Km2, di-vidido em 26 estados e um distrito federal, com uma populao superior a 200 milhes de habitantes e diversi-dade tnica, religiosa e cultural, tam-bm as empresas brasileiras so multi-facetadas.

    Existem mais de 16 milhes de estabele-cimentos empresariais pblicos e privados no pas, nascendo uma empresa a cada 5 minutos. Da mesma forma com que nascem tantas em-presas, o ndice de mortalidade empresarial um dos mais altos do mundo. As empresas bra-sileiras faturaram mais de 6 trilhes em 2013 e recolheram mais de R$ 1,2 trilho em tributos.

    Outra caracterstica brasileira a quantida-de de normas editadas. Nos mais de 25 anos da atual Constituio Federal, desde 05 de outubro de 1988, foram publicadas mais de 4,8 milhes de normas, entre leis complementares e ordin-rias, decretos, medidas provisrias, emendas constitucionais e outras, ou seja, 784 normas a cada dia.

    Em termos de aes judiciais, tramitam hoje no judicirio quase 100 milhes de processos, fora os 150 milhes de procedimentos e proces-sos administrativos que esto ativos os diversos rgos pblicos, como Procons, fiscos, agncias reguladoras, etc.

    Toda esta litigncia causa enormes custos ao pas no todo e s empresas em particular. So pouqussimas as empresas brasileiras, menos de 2%, que no possuem pelo menos uma penden-ga judicial ou administrativa. As matrias mais

    discutidas so: consumidor, trabalhista, tribut-ria e contratual. Cerca de 70% do conjunto de processos que tramitam hoje no Judicirio tem pelo menos uma pessoa jurdica envolvida, seja no polo ativo ou no polo passivo.

    Estima-se que o valor das demandas judi-ciais das empresas somam R$ 4 trilhes e j consomem, em mdia, 1,7% do seu faturamen-to anual para administrar todo este imbrglio, com pessoal, sistemas, consultorias, honorrios advocatcios, custas judiciais e extrajudiciais, multas e encargos legais, etc.

    Diante deste quadro assustador, se faz neces-sria a implementao de um eficiente sistema de governana jurdica empresarial. Esta se refere ao complexo conjunto de processos, regras, ferra-mentas e sistemas utilizados pelos profissionais da rea jurdica para adotar, implementar e mo-nitorar uma abordagem integrada aos desafios, oportunidades e riscos empresariais. O perfeito funcionamento de uma gesto jurdica do risco empresarial parte integrante da gesto corpo-rativa global. Uma gesto eficaz dos riscos legais evitar ou reduzir a ocorrncia de perdas finan-ceiras e, ao mesmo tempo, aumentar a reputa-o da empresa no mercado. Esta gesto deve ser desempenhada atravs de um moderno sistema corporativo de governana jurdica.

    Dentro dos servios de governana jurdica empresarial se destaca o mapeamento de ris-cos, que significa identificar os riscos potenciais e priorizar a tolerncia ao risco com base nos objetivos negociais da empresa. So adotados procedimentos e ferramentas que orientam e integram a empresa com os seus departamen-tos internos nas reas: comercial, societria, tributria, ambiental, de propriedade industrial, regulatria, contratual e outras. Considerando--se o bom cenrio econmico brasileiro atual,

    bem como a promessa de um maior crescimento scio-econmico do pas nos prximos anos, importante que a Governana Jurdica entre em definitivo na pauta do empresariado, em especial do pequeno e do mdio empresrio que almeje expandir seus negcios, inclusive para o exterior.

    Ademais, a adoo de prticas de Gover-nana Jurdica j vem chamando a ateno de empresas de capital fechado, que tenham como objetivo realizar um IPO (Initial Public Offering), ou seja, abrir o seu capital. A estrutura de Go-vernana Jurdica definida para a realizao de IPO nos novos segmentos de listagem na Bolsa de Valores de So Paulo (BOVESPA) pressupe a adoo de prticas que, dentre outras carac-tersticas, aumentam a exposio e o rigor no tratamento das questes jurdicas que possam ter efeitos nos resultados das empresas.

    No mbito das alianas estratgicas1, a Go-vernana Jurdica assume 2 (dois) papeis funda-mentais: 1) garantir a boa gesto organizacional da empresa alvo, de forma a deix-la totalmente preparada para, por um lado, escolher o parcei-ro estratgico que mais bem se adeque aos seus objetivos e, por outro lado, tornar sua gesto em-presarial mais transparente para o investidor e possvel futuro parceiro meio s dificuldades e burocracias impostas pelo Governo brasileiro; e 2) garantir a boa gesto da sociedade resultante da aliana estratgica, de forma a garantir a transpa-rncia do negcio para ambos os parceiros.

    A Governana Jurdica, portanto, a soluo encontrada para que a empresa brasileira, que almeje se aliar estrategicamente a outra empre-sa, possa bem organizar a sua gesto jurdico--empresarial, nela estando envolvidos aspectos comerciais, contratuais, financeiros, administra-tivos, contbeis, fiscais, societrios, trabalhis-tas, ambientais, regulatrios, de propriedade

    intelectual etc. Todos esses aspectos, bem como qualquer procedimento a eles relacionado, quando devidamente coordenados, controlados e revisados, aumentaro a confiabilidade da empresa brasileira perante potenciais investido-res e parceiros, alm de ser uma garantia da transparncia, responsabilidade e tra-tamento igualitrio da sociedade brasileira para com seus parceiros e aliados estratgicos.

    Todas essas prticas de Governana Jurdica devero ser igualmente mantidas aps a conclu-so da aliana estratgica, devendo ser estendi-das sociedade fruto da parceria de negcios.

    A boa Governana Jurdica proporciona aos proprietrios (acionistas ou quotistas) a gesto estratgica de sua empresa e o monitoramento da direo executiva. Os principais rgos socie-trios que asseguram o controle da propriedade sobre a gesto so o conselho de administrao, a auditoria independente e o conselho fiscal, no caso das sociedades por aes. J no caso das sociedades limitadas, que no so obriga-

    1 Maiores explicaes acerca de alianas estratgicas podem ser encontradas em AMARAL, L. M. F. do; AMARAL, G. L. ; AMORIELLO, M. R. . Governana Empresarial como Ferramenta Fundamental de uma Aliana Estratgica entre Empresas. In: Gilberto Luiz do Amaral; Letcia M. F. do Amaral; Milene Regina Amoriello. (Org.). Guia Prtico Alianas Estratgicas com Empresas Brasileiras: uma viso legal. 1ed. So Paulo: Lex Editora, 2011, v. 1, p. 327-355.

    artigo tcnicorevistA Governana Jurdica

    das a possuir referidos rgos, tal controle deve ser exercido pelos prprios administradores da sociedade e pela auditoria externa, sendo reco-mendvel a criao de um conselho fiscal.

    A empresa que opta pelas boas prticas de Governana Jurdica adota como linhas mestras a transparncia, a prestao de contas, a equida-de e a responsabilidade empresarial. Para tanto, o conselho de administrao ou os administra-dores da sociedade devem exercer seu papel, es-tabelecendo estratgias para a empresa, elegen-do e destituindo seus executivos, fiscalizando e avaliando o desempenho da gesto e escolhendo a auditoria independente ou externa.

    A fim de evitar fracassos, so propostas al-gumas polticas que podem ser adotadas pelas empresas, de acordo com suas especificidades e objetivos:

    cumprimento das obrigaes legais (so-cietrias, regulamentares, trabalhistas, contbeis, tributrias, ambientais etc.);

    conduta quanto tomada de decises;

    conduta de gerenciamento de riscos (or-ganizar formal e materialmente as ativi-dades negociais de modo a fazer incidir o menor nus empresarial legalmente e eticamente possvel);

    relacionamento com as autoridades re-gulamentares (cade, fisco, inss, ministrio pblico, rgos ambientais etc.)

    relacionamento com o governo (pol-ticos, ministros e conselheiros polticos externos);

    relacionamento com scios, acionistas, imprensa e lobistas;

    relacionamento da empresa com seu grupo;

    participao em fruns de discusso e debates acerca de questes empresariais de interesse da empresa.

    Outro item essencial na adoo de boas prticas de Governana Jurdica a chamada due diligence, a qual com-preende procedimentos em uma srie de atos sistematizados, previamente planejados e ajustados, com vistas ob-teno de um resultado preventivo ou de reformulao de condutas por meio da

    anlise de informaes e documentos relativos situao de sociedades em sentido amplo, es-tabelecimentos, fundos de comrcio e dos ativos que as compem, avaliao dos riscos inerentes, garantias a prestar etc.

    As atividades de due diligence tm por esco-po a anlise e projeo dos riscos, assim consi-derando a postura da empresa frente legisla-o, fornecedores e parceiros, bem como a sua conduta nos litgios administrativos e judiciais.

    A due diligence deve ser realizada por pro-fissionais capacitados nas diversas reas de investigao, tais como contadores (anlise de demonstraes contbeis, relatrios de au-ditoria e demais cumprimento de obrigaes na esfera contbil e fiscal); advogados espe-cializados em direito empresarial, societrio, trabalhista, tributrio, ambiental, regulatrio, propriedade industrial etc. (anlise de toda a parte legal: contratual, societria, trabalhista, tributria, ambiental, regulatria etc., alm dos riscos advindos de eventuais litgios existentes); economistas (anlise financeira) e engenheiros (anlise de riscos ambientais).

    Conclui-se, portanto, que a due diligence deve igualmente ser utilizada como instrumento de Governana Jurdica, uma vez que para que haja o controle, coordenao e reviso dos pro-cedimentos jurdico-empresariais adotados por determinada sociedade, imprescindvel que ela mesma determine a realizao de uma due dili-gence, ou seja, de um procedimento investigat-rio com vistas a identificar possveis fragilidades e passivos ocultos nela existentes.

    Ademais, toda empresa que adote boas pr-ticas de Governana Jurdica manter sempre disposio de investidores interessados em concluir alianas estratgicas ou qualquer outro negcio relatrios atualizados das peridicas due diligences realizadas, alm de sempre exigir o mesmo ou determinar a realizao de uma due diligence, caso inexistente daquelas em-presas com as quais pretenda entabular qual-quer negcio.

    Gilberto Luiz do Amaral, advogado, scio da Amaral, Yazbek Advogados, presidente do Conselho Superior e coordenador de estudos do IBPT Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributao.

    As atividades de due diligence tm por escopo

    a anlise e projeo dos riscos, assim considerando a postura da empresa frente legislao, bem como a sua conduta nos litgios

    administrativos e judiciais.

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    O Brasil possui uma costa com 8,5 mil quilmetros navegveis e um sistema porturio responsvel por movimentar, anualmente, cerca de 900 milhes de toneladas de diversas mercadorias e por escoar 90% das ex-portaes do Pas.

    O sistema porturio brasileiro composto por 34 portos pblicos, entre martimos e flu-viais. Desse total, 16 so delegados, concedidos ou tm sua operao autorizada administra-o privada por parte dos governos estaduais e municipais. Existem ainda 42 terminais de uso privativo e trs complexos porturios que ope-ram sob concesso iniciativa privada.

    Os problemas desse meio de transporte, porm, so proporcionais ao gigantismo des-ses nmeros. Um estudo realizado pelo Banco Mundial mostrou que, em casos extremos, uma carga chega a demorar 17 dias para ser liberada no Brasil, tamanha a teia burocrtica envolvida na operao. Nos portos de outros pases em que o sistema alfandegrio funciona de forma centralizada e as 24 horas de todos os dias, as mercadorias so liberadas em questo de horas.

    A expanso dos portos tambm padece com a intrincada legislao sobre como explorar o servio. E as vias de acesso aos terminais ma-rtimos ainda so um significativo entrave para

    A ministra Gleisi Hoffmann, ex-chefe da Casa Civil, explicou que os dez vetos ao texto da lei aprovado pelo Congresso levaram em conta todos os entendimentos feitos acerca da proposta do novo marco legal. No quebramos nenhum acordo, tudo que foi acertado entre governo, trabalhadores e o relator foi sancio-nado pela presidente da Repblica, afirmou. Os vetos foram feitos para garantir o objetivo principal da lei: assegurar a abertura e a com-petitividade do setor e afastar qualquer inse-gurana jurdica. Entre os vetos esto trechos do artigo 57 da lei, que tratava da prorrogao de contratos firmados a partir de 1993. Dilma vetou o dispositivo que permitia a prorroga-o desses contratos desde que o arrendatrio promovesse os investimentos para expanso e modernizao dos portos.

    Na justificativa do veto, a presidente argu-mentou que o texto extrapola os termos dos contratos de arrendamento vigentes e tenta estabelecer salvaguardas contra a ampliao do setor para os terminais que j esto em funcionamento, inviabilizando o aumento da concorrncia no setor. Tambm foi vetado o pa-rgrafo 1 do artigo 5, que igualmente tratava da prorrogao dos contratos de concesso e arrendamento vigentes. O Congresso retirou do texto a expresso a critrio do Poder Con-cedente. Isso, na prtica, criaria um meca-nismo de prorrogao automtica. Tal modificao retira do Poder Execu-

    que um produto originado no Centro-Oeste do Pas, por exemplo, singre as guas ocenicas, seja para abastecer outra regio do Brasil, seja para ser consumido em outro continente.

    No comeo de junho de 2013, um ato do go-verno federal provocou em grande parte do em-presariado nacional um regozijo similar ao que a abertura dos portos s naes amigas, decreta-da pelo prncipe-regente Dom Joo VI, em 28 de janeiro de 1808, motivou nos comerciantes bri-tnicos interessados em negociar suas mercado-rias com a ento colnia lusitana, para onde a famlia real portuguesa se refugiara de Napoleo Bonaparte e da fria expansionista francesa.

    A presidente da Repblica, Dilma Rousseff, sancionou a nova Lei dos Portos, com dez vetos ao texto aprovado pelo Congresso Nacional em maio. Os vetos englobam 13 pontos. Os prin-cipais referem-se a dispositivos que tratavam da renovao e prorrogao de concesses de portos e da garantia de concorrncia que o novo marco regulatrio quer instituir. O texto sancio-nado foi publicado em 5 de agosto de 2013, em edio extra do Dirio Oficial da Unio.

    Nova Lei dos Portos pode injetar mais de R$ 50 bilhes de reais na economia, mas o Pas s se beneficiar se conseguir conectar seus

    cais com os demais sistemas de transporte

    Uma chance para levantar a ncora

    tivo a prerrogativa de avaliar a convenincia e a oportunidade de cada prorrogao, prejudican-do sua capacidade de planejamento e gesto do setor porturio e violando o princpio constitu-cional da separao dos poderes.

    Outro veto retira da lei o conceito de ter-minal indstria, para dar fim distino entre carga prpria e de terceiros. Na avaliao do governo, a restrio da utilizao de um terminal apenas para carga prpria reduziria a competitividade e poderia travar o setor. A presidente tambm ve-tou o trecho que dava exclusividade da segurana dos portos Guarda Porturia e um artigo relativo ao cadastro de mo de obra avulsa para trabalho nos portos, porque no deixava claro o alcance do novo cadastro e dava margem a conflito com as funes do rgo Gestor de Mo de Obra Ogmo.

    A previso do governo federal atrair 54 bi-lhes de reais em investimentos nos prximos anos. Com isso, a capacidade de carga do siste-ma porturio brasileiro dobraria para 1,8 bilho de toneladas por ano at 2017. Temos um es-tudo que projeta para 2030 uma demanda de 2 bilhes de toneladas. Isso quer dizer que vamos ter essa capacidade instalada muito antes da demanda, disse Gleisi Hoffmann. A capacida-de pode estimular a demanda. muito gran-

    de o interesse dos empresrios

    em investir no setor. Hoje temos 130 termi-nais privativos e j recebemos pedidos para outros 100.

    O otimismo do governo federal comparti-lhado pela Associao Brasileira da Infraestru-tura e Indstrias de Base Abdib. A entidade prev, em mdio prazo, investimentos privados superiores a 50 bilhes de reais. A Abdib avalia

    que, com a nova legislao, o Brasil ter condi-es para impulsionar os recursos necessrios para aumentar a concorrncia, reduzir custos, melhorar a eficincia logstica e retirar as bar-reiras que dificultam o investimento privado em novos terminais ao longo da costa brasilei-ra. Alm disso, criar condies para atender demanda de diferentes polos produtivos que se desenvolvem pelo interior do Brasil.

    De acordo com a Abdib, o fim da distino entre mercadoria prpria e de terceiros permi-

    tir que os empreendedores privados voltem a construir terminais porturios para escoar qual-quer tipo de carga, contribuindo para dinamizar o fluxo de transporte e o comrcio exterior, bem como para reduzir custos por meio do aumento da concorrncia e da produtividade.

    A senadora Ktia Abreu (PSD-TO), presiden-te da Confederao Nacional de Agricultura e Pecuria, espera que isso de fato acontea, em benefcio das exportaes do agronegcio, o setor que melhor ilustra as limitaes da infra-estrutura brasileira. J se tornaram rotineiras as cenas de filas de caminhes carregados de gros espera nas cercanias dos portos de Santos e Paranagu. A demora para o embarque e a fal-ta de instalaes adequadas fazem com que os veculos se transformem em silos para armaze-nar a produo agrcola brasileira.

    Ktia Abreu explica que estados como Gois, Tocantins, Mato Grosso, Par, Bahia e Piau produzem 53% da soja e do milho do Pas. So 54 milhes de tonelada de gros. Mas apenas 14% dessa produo embarcada por portos do Norte e Nordeste. O grosso da carga vai por caminho at Paranagu e San-tos. Isso acontece porque no existe capacidade nos portos do Norte e Nor-deste para embarcar gros. No hou-ve licitao e investimento nos portos

    pblicos, mas, com a nova lei, isso vai mudar, acredita a parlamentar, que acrescenta: So-mente um projeto de porto privado, em Belm, vai duplicar a capacidade de embarque de gros na Regio Norte.

    A safra produzida no Tocantins pode re-duzir seu percurso de embarque de 2 mil para 800 quilmetros se trocar o Porto de San-tos por outro em Belm. Pelos seus clcu-los, o custo do transporte desses gros por rodovias vai cair 35%.

    Gleisi Helena Hoffmann, ex-ministra-chefe da Casa Civil do Brasil.

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    portosrevistA Governana Jurdica

    Temos um estudo que projeta para 2030 uma demanda

    de 2 bilhes de toneladas. Isso quer dizer que vamos ter

    essa capacidade instalada muito antes da demanda.

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    A carga tributria incidente sobre a cadeia produtiva industrial uma das mais altas do Brasil, o que torna o custo tributrio um fator

    relevante na composio do preo final dos produtos ou servios

    Crditos de ICmS: otimizao do custo tributrio no

    setor automotivo

    De acordo com dados da Associao Nacional dos Fabricantes de Veculos Automotores (AN-FAVEA), a participao da indstria automotiva no PIB industrial foi de 18,7% no ano de 2012. Sem dvidas, o setor automotivo representa uma parcela relevante da produo industrial nacional,

    o que ao mesmo tempo tambm indica que esse uns dos seto-res que mais gera arrecadao para o Estado.

    Por conta dessa alta arrecadao, o sistema de aproveita-mento de crditos tributrios mostra-se como um mecanismo relevante para suavizar o impacto tributrio incidente na ati-vidade empresarial. Isso porque o creditamento pode ser feito

    com relao a diversos insumos industriais, porm, nem todos eles do direito ao crdito, e a fiscalizao rigorosa quanto a esse ponto.

    Dentre os tributos que permitem a utilizao de crdito tem-se o ICMS (Imposto Sobre Circulao de Mercadorias e Servios), que um tributo no cumu-lativo, conforme estipula o artigo 155, 2, inciso I da Constituio Federal. Esse sistema faz com que os su-jeitos passivos desse imposto possam compensar com o valor pago na entrada de determinada mercadoria em seu estabelecimento com a quantia a pagar na sada destas.

    Porm, nem todos os valores pagos a ttulo de ICMS podem ser compensados. No setor industrial, somente tero direito ao crdito as mercadorias que integram o processo de industrializao, conforme prev o artigo 20, 3, inciso I da Lei Complementar n. 87/1996 (Lei Kandir).

    Alm disso, de acordo com a Lei Kandir, em seu artigo 20, caput, somente os crditos fsicos podem ser aproveitados, ou seja, apenas haver a possibilida-de de creditamento para o que for considerado como insumo, que o material que se consome no processo produtivo, imediata e integralmente, ou aquele que nele se integram.

    Diante desse cenrio, pergunta-se: quais merca-dorias se encaixam nesses parmetros legais? Trata--se de tema largamente discutido na doutrina e na jurisprudncia, haja vista a zona cinzenta existente na interpretao desses conceitos, a qual eivada de grande subjetividade. Em virtude de tal situao, necessrio que seja verificada as necessidades de cada contribuinte, suas caractersticas e perfil es-pecficos, pois a linha to tnue, para um determi-nado contribuinte, a mercadoria pode dar direito ao crdito, e para outro a mesma mercadoria no ser suscetvel de creditamento.

    Por tal razo, to importante a assessoria de profissionais militantes na rea tributria e empresa-

    Fernando Sol Soares, advogado, ps-graduando em Di-reito Tributrio pelo IBET - Instituto Brasileiro de Estudos Tributrios. Associado ao escritrio Amaral, Yazbek Advogados.

    Tailane Moreno Delgado, advogada, ps-graduanda em Direito Tributrio e Processo Tribu-trio pela Universidade Positivo. Scia do escritrio Amaral, Yazbek Advogados.

    Roberto Lavina, contador, ps--graduado em Gesto Financeira com nfase em Planejamento Tributrio, pela Faculdade SPEI e Especialista em Consultoria Con-tbil Financeira pela Universidade Federal do Paran.

    1 Anurio da Indstria Automobilstica Brasileira. Edio 2013, pgina 38. Disponvel em: 2 AMARAL, Gilberto Luiz do; VIEIRA, Isabel. Os riscos do planejamento tributrio atentatrio. Disponvel em: . Acesso em: 06 set 2013.

    Imagem de linha de produo em uma fbrica automobilstica.

    artigo tcnicorevistA Governana Jurdica

    rial, os quais possuem a capacitao necessria para minorar os riscos de um eventual aproveitamento de crdito indevido e, consequentemente, as autuaes dele decorrentes.

    Deve-se ter em mente que, com um planejamento tributrio de qualidade, possvel estipular quais insu-mos adquiridos pelas indstrias do setor automotivo podem ser objetos de aproveitamento de crdito de ICMS. Para que isso seja possvel, imperioso que se faa uma anlise da cadeia produtiva, observando-se como os insumos esto sendo utilizados no processo produtivo. Ademais, deve-se fazer o cotejo analtico das normas jurdicas que tratam do assunto, tanto em mbito nacional quanto no mbito Estadual, uma vez que cada Estado da Federao pode editar normas para regular essa questo.

    Em notcia veiculada pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributao (IBPT), abordou-se o tema Os riscos de um planejamento tributrio atentat-rio, e chamou-se ateno com relao s formas como so feitos esses planejamentos. Alguns acabam caindo na evaso fiscal, que consiste em fraudar a lei para pagar menos tributos. Porm, deve se fo-car na eliso fiscal, que visa mostrar ao contribuinte uma forma de pagar apenas os tributos devidos, ou seja, economizar, em termos fiscais, sem transgredir qualquer norma jurdica.

    Sabe-se que o nvel de profissionalizao das in-dstrias, nos dias de hoje, fez com que a qualidade dos produtos e servios e a agilidade na entrega se tornas-sem requisitos bsicos para o sucesso. Dessa forma, o preo final que aparece como um diferencial na hora de escolher uma ou outra empresa.

    Portanto, a diminuio do custo tributrio por meio de um planejamento dentro dos limites da lei indispensvel para se tornar mais competitivo e obter resultados financeiros positivos s empresas, especial-mente para aquelas do setor automotivo, em virtude da alta carga tributria nele incidente.

    A participao da indstria automotiva no PIB industrial foi de 18,7% no ano de 2012.

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    Especialista em direito empresarial e tributrio, explica o que as empresas devem levar em conta ao

    decidirem por essas operaes

    A perspectiva das fuses e aquisies

    Os processos de fuses e aquisies ganham cada vez mais destaque no mundo globalizado como grandes responsveis pela reorganizao dos recursos da economia e na execuo de estratgias corporativas, revelando-se como alternativas para a adequao do porte e da estrutura organizacional das empresas no mercado e na con-juntura econmica mundial.

    Esses processos so inerentes concor-rncia capitalista e possuem uma estreita rela-o com as condies do mercado de capitais, mas principalmente com grandes corporaes. So atividades empresariais de grande im-pacto que integram a estratgia empresarial, oferecendo s empresas a possibilidade de expanso rpida, conquista de novos merca-dos, maior racionalizao produtiva, econo-mias de escala, ativos complementares, entre outras oportunidades.

    De acordo com a especialista em Direito Empresarial e Tributrio e scia da Amaral, Yazbek Advogados, Letcia Mary Fernandes do Amaral, entende-se como fuso, pela legis-lao brasileira, a operao pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar uma nova, que lhes suceder em todos os direitos e obrigaes, extinguindo-se as sociedades anteriores. Todos os requisitos legais para que o processo de fuso ocorra esto discipli-nados na Lei das Sociedades por Aes (Lei n 6.404/76), em especial no artigo 268, e no Cdigo Civil (Lei n 10.406/2002), em especial nos artigos 1.113 e seguintes. J a aquisio, conforme Letcia, pode ser total ou parcial. A aquisio total feita mediante a compra de 100% das quotas ou aes de uma sociedade

    por uma ou mais pessoas fsicas ou jurdicas, mantendo-se ou no a identidade da socieda-de adquirida. Tambm pode se dar por meio de incorporao, ou seja, operao pela qual uma ou mais sociedades so absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obri-gaes. Nesse caso, a sociedade incorporada deixa de existir.

    A aquisio parcial, diz Letcia, se refere compra de parte das quotas ou aes de uma sociedade e pode ser majoritria, quando o ad-quirente compra mais do que 50% dos direitos a voto de uma empresa, passando a ter o seu con-trole societrio. Quando a aquisio se referir a menos que 50% dos direitos de voto na empresa adquirida, ela passa a ser minoritria.

    Segundo Letcia, os fatores que levam as empresas a realizar esses processos esto de acordo com as estratgias empresariais e merca-dolgicas. So elas que determinam a realizao de fuses e aquisies. Os fatores so diversos: ganho de participao de mercado; otimizao de custos e despesas; conjugao de esforos para alcance de objetivo estratgico comum, como a potencializao de seus produtos e ser-vios; diviso de riscos e de benefcios (nus e bnus) etc., enumera a especialista da Amaral, Yazbek Advogados.

    J para os empresrios que resolvem se desfazer de seu negcio, transmitindo-o por meio de fuso ou aquisio a outro grupo em-presarial, o motivo principal o desinteresse na continuidade da atividade empresarial, seja por insucesso na conduo do negcio, seja por sim-ples inteno de aposentadoria ou mudana de segmento de atuao.

    A legislao brasileira em especial a Lei n 6.404/76 (Lei das S.A.) e a Lei n 10.406/2002 (Cdigo Civil) regula todo o procedimento para a concluso de uma operao de fuso ou de aquisio. Alm disso, a depender da forma de operao societria entabulada, necessrio observar a legislao regulatria e anticoncor-rencial. Todo procedimento de fuso ou aqui-sio deve seguir etapas preestabelecidas, que envolvem documentos legais pr-contratuais e contratuais, due diligences (auditorias) legal, financeira, fiscal, trabalhista, ambiental etc., le-vantamento de balanos especiais, emisso de laudos de avaliao e pagamento de tributos.

    Alm disso, existem burocracias a serem seguidas em cartrios ou juntas comerciais, Receita Federal, Receita Estadual, Prefeitura e eventuais outros rgos pblicos ou agncias regulatrias, a depender do segmento de atua-o do negcio envolvido.

    Letcia alerta que altamente recomend-vel que os procedimentos de toda operao de fuso ou aquisio sejam executados por profissionais qualificados, como advogados em-presariais, tributaristas, trabalhistas, alm de contadores e economistas que possam auxiliar em toda a burocracia legal, contbil e financeira, inclusive na prpria avaliao do negcio.

    J aps a negociao contratual entre as em-presas, so necessrios todos os procedimentos burocrticos nos rgos governamentais, como juntas comerciais, Receita Federal, Receita Esta-dual e Prefeitura. A partir de ento a nova em-presa entra em operao.

    Quando os scios anteriores permanecem na operao, seja como minoritrios, seja como

    executivos, so necessrias mudanas na cultura para se adequar nova realidade empresarial, para que haja enquadramento nos pre-ceitos de governana empresarial, jurdica e tributria que venham a ser adotados pela nova empresa, esclarece a advogada.

    Em relao ao controle nas operaes de fuses e aquisies no Pas, vale destacar que recentemente foi aprovada a Lei 12.529/2011, que promoveu uma alterao significativa no sistema brasileiro concorrencial. Por meio dessa lei, o Conselho Administrativo de Defesa Econmica CADE e a Secreta-ria de Acompanhamento Econmico SEAE, do Ministrio da Fazen-da, passaram a fazer parte do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrncia.

    Pelos comentrios vistos at o momen-to, a meta de suprir as carncias do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrncia avanou no sentido de promover maior controle nas operaes de fuses e aquisies que apresentam risco de eliminar ou re-duzir sensivelmen-te a concorrncia de mercado, analisa Letcia. Contudo, ainda cedo para fazer uma avaliao mais precisa so-bre as benesses e obstculos da nova lei.

    Entende-se como fuso, pela legislao brasileira, a operao pela qual se unem duas ou mais

    sociedades para formar uma nova, que lhes suceder em todos os direitos

    e obrigaes, extinguindo-se as sociedades anteriores.

    M&ArevistA Governana Jurdica

    18 19

  • 2120

    A partir da implementao de melhores prti-cas de Governana Corporativa no Brasil, as empre-sas a cada dia vm se preocupando com a tica e a transparncia em suas relaes negociais.

    Isso porque a Governana Corporativa est baseada em quatro princpios fundamentais:

    disclosure (transparncia dos dados relativos s empresas, que evita a ocorrncia de informaes privilegiadas);

    fairness (justia e equidade nos relacionamentos entre os acionistas, evitando que os majoritrios sejam beneficiados em detrimento dos minorit-rios: tica);

    accountability (responsabilidade pela prestao de contas: consistncia); e,

    compliance (respeito ao cumprimento das leis).

    Nesse sentido surge a Governana Jurdica, que se caracteriza como uma parte importante da Governana Corporativa. O Advogado Cristiano Lisboa Yazbek, scio da Amaral, Yazbek Advogados, explica mais detalhadamente o tema nesta entrevista.

    Qual a definio de Governana Jurdica?

    Cristiano Yazbek Ela consiste em um conjun-to de procedimentos e ferramentas aplicado por profissionais da rea jurdica, visando solues aos desafios corporativos dirios enfrentados na atividade empresarial, de forma a orientar a em-presa nas reas societria, tributria, ambiental, trabalhista, propriedade industrial, contratual e re-gulatria, dentre outras estritamente relacionadas atividade empresarial.

    Existe algum tipo de prazo preestabelecido, desde a implementao at a concluso da Governana Jurdica?

    Cristiano Yazbek No h uma frmula pronta, com prazo padro, para que as pr-ticas voltadas Governana Jurdica sejam adotadas, pelo que tal expediente depen-der muito da organizao da empresa. crucial que os profissionais da rea jurdica envolvidos no projeto de governana man-tenham um canal de comunicao franco e aberto entre si e com outros colegas inter-nos e externos envolvidos na atividade da empresa com vistas ao estabelecimento das melhores prticas de governana jurdica caso a caso.

    A implementao de um projeto para ado-o das prticas de Governana Jurdica no ocorre de maneira imediata, pois ne-cessrio conhecer e mapear as principais atividades da empresa. Porm, o esprito de organizao interna que se cria na corpora-o j a partir do incio de tal projeto visto de imediato por agentes internos e externos.

    Como a Governana Jurdica pode evitar eventuais riscos empresariais?

    Cristiano Yazbek A efetiva integrao de setores da empresa na implementao de um projeto de Governana Jurdica me-dida extremamente salutar para fornecer prpria empresa elementos slidos e consis-tentes na soluo de seus desafios, oportu-nidades e riscos.

    Dentro do servio aplicado pela Amaral, Yaz-bek Advogados no que diz respeito Gover-nana Jurdica, como realizado o mapea-mento de riscos?

    Cristiano Yazbek O risco de natureza ju-rdica, em sua essncia, para fins de controle corporativo, deve ser entendido como aque-le relativo potencial ocorrncia de preju-zos econmicos empresa sob as formas, por exemplo, de: perda operacional (reduo de receitas ou lucros; aumento de custos ou passivos); aes cveis (custos com a defesa ou com a liquidao de acordos); sanes de natureza criminal; danos aos ativos tangveis e intangveis da empresa; e, danos reputa-o da empresa. O mapeamento inicial dos riscos se d com uma profunda integrao entre a equipe da Amaral Yazbek e do clien-te, na qual ferramentas de tecnologia so grandes facilitadoras nesse expediente.

    Qual a importncia e a funcionalidade da implantao de um Departamento de Gover-nana Jurdica dentro da empresa?

    Cristiano Yazbek Se algum componente de Governana Jurdica posto em prti-ca, o risco empresarial pode ser avaliado com mais preciso e o controle da ade-quao legal realizado de forma mais eficiente. No mbito da Governana Jur-dica, o corpo jurdico trabalha em estreita colaborao com equipes de executivos e com outros departamentos da empresa para alinhar seus objetivos e garantir uma comunicao adequada.

    Qual a essncia da Governana Jurdica no dia a dia das empresas?

    Cristiano Yazbek Ela reside na efetivida-de de sua prtica para reduzir a exposio da empresa aos riscos de sua atividade. Os procedimentos e ferramentas que a Gover-nana Jurdica proporciona representam uma abordagem complexa para identificar o estrito cumprimento dos encargos e das res-ponsabilidades previstas em lei, bem como as reas de risco empresarial, por meio da criao de procedimentos e polticas para mitigar tais riscos, e da instituio de con-troles que assegurem o respeito a polticas internas e do ambiente de mercado.

    Qual o pblico-alvo da Governana Jurdica?

    Cristiano Yazbek No s nas grandes empresas importante a Governana Cor-porativa e Jurdica, mas, igual e principal-mente, nas empresas de mdio porte, que geralmente no dispem de um departa-mento jurdico prprio. Atualmente, existem no Brasil mais de 6 mil empresas que esto na mira dos fundos de private equity. Esses fundos dispem de um caixa elevado e esto dispostos a ir s compras, ao passo que as empresas de mdio porte com melhor nvel de Governana Corporativa e Jurdica se tor-nam as preferidas.

    A adoo da prtica fornece elementos slidos e consistentes na soluo dos desafios, oportunidades e riscos corporativos

    Controle, transparncia e tica como instrumentos de

    Governana Jurdica

    Cristiano Yazbek, scio da Amaral Yazbek Advogados.

    entrevistarevistA Governana Jurdica

  • 2322

    O prprio Direito Administrativo prega que a responsabilidade civil do Estado nasce a partir do momento que, de uma ao ou omisso

    de agentes pblicos, decorra um prejuzo a outrem

    A responsabilidade do Estado nas operaes porturias

    No entanto, apesar da grande quantidade de ope-raes nos portos brasileiros, estes no dispem da infraestrutura necessria ao bom andamento dos pro-cedimentos, restando prejuzos aos prprios importa-dores e, consequentemente, onerando o preo final da mercadoria destinada ao consumidor.

    Apenas para fins estatsticos, segundo um levanta-mento feito pela empresa Maersk, em agosto de 2013, um navio espera, em mdia, 16 horas para atracar no porto de Santos, o maior do pas, e 21 dias para ser liberado. Segundo dados prestados imprensa, pelo MDIC, as embarcaes passam, em mdia, 87,4% do tempo de permanncia no porto apenas espera para atracar, o que resulta da inoperncia e ineficincia das operaes via martima.

    Desse fato surgem as despesas operacionais, o nus da operao e, por fim, a Demurrage, ou tambm conhecida como sobre-estadia, a qual caracteriza-se por ser uma indenizao paga pelo afretador, arren-datrio, exportador ou importador, conforme o caso concreto e o pacto firmado, ao dono do navio, devido quando do atraso na entrega do container ou, ainda, pela demora na devoluo do equipamento utilizado no transporte em questo.

    Isto , quando se fala em transporte de mercado-rias por via martima, o contrato tem prazo determina-do para que seja finalizada a operao e o interessado faa a retirada da carga, disponibilizando o navio, con-tainer ou equipamento utilizado.

    Ainda nesse sentido, h uma regra aplicada aos contratos de fretamento que dispe Once on Demurra-ge, Always on Demurrage, ou seja, uma vez em sobre--estadia, sempre em sobre-estadia. Essa regra significa que, para fins de contabilizao da Demurrage, no importa o grau de culpa do afretador, embarcador ou consignatrio, bastando o atraso na liberao do navio.

    Pois bem, excepcionando os casos fortuitos e de fora maior, havendo qualquer demora no prazo aven-ado entre as partes, ao fretador devida a taxa de sobre-estadia. Porm, se a infraestrutura porturia no suporta as operaes que ali so realizadas, como se pode cobrar uma indenizao de uma das partes que, na prtica, tambm est sendo prejudicada pela inefi-cincia operacional? como se estivesse sendo punida duas vezes, uma pela demora na finalizao do freta-mento e continuidade da operao negocial, restando seus inmeros reflexos pecunirios negativos, e outra pelo pagamento da Demurrage ao armador. Analisan-do sob esse prisma, verifica-se que a Demurrage no deveria, em todos os casos, ser imposta ao afretador, pois, na maioria das vezes de sua incidncia, no por culpa dele a sua origem. Se a estrutura porturia pos-sui uma operacionalizao deficitria, a ineficincia em atracao e desatracao no deve ser responsabilida-

    de do afretador, mas sim do prprio Estado que no d condies suficientes para o devido prosseguimento das operaes porturias.

    O prprio Direito Administrativo prega que a res-ponsabilidade civil do Estado se origina no momento que de uma ao ou omisso de agentes pblicos de-corra um prejuzo a outrem. Alm do qu, a responsa-bilidade do Estado objetiva, ou seja, independente de culpa ou dolo do agente, bastando a comprovao do dano e do nexo causal.

    Nesse sentido, muitas demandas judiciais surgem a partir de um ato coator de autoridade fazendria, a qual tem que, muitas vezes, apreender mercadorias a fim de verificar o correto pagamento dos tributos incidentes, gerando, assim, a inadimplncia do afreta-dor com relao ao contrato de frete, dando bice obrigao da Demurrage. Ainda, h situaes em que autoridades fiscalizatrias entram em greve, a fim de reivindicar melhores condies de trabalho, e acabam por paralisar o servio administrativo porturio, geran-do, tambm, prejuzos ao afretador. Cita-se, para fins de exemplificao, um trecho da deciso dos autos de n 2008.70.00.016029-6, da Quarta Turma do TRF 4 Regio, onde a Relatora, assim exps: O administrado tem o direito de obter do Estado a prestao do servio pblico contnuo, adequado e eficaz, o qual no pode ser frustrado ao fundamento da existncia de movimen-to grevista dos servidores pblicos.

    Verifica-se, na prtica, que muitas atividades que se desenvolvem no setor porturio acabam realizando tarefas que seriam de obrigao do Estado. Citam-se como exemplo as Praticagens, as quais, por sua conta e risco, fazem a batrimetria da regio em que atuam para melhorar suas condies de trabalho, alm de di-versas outras tarefas que executam a fim de amenizar os problemas da infraestrutura porturia.

    Dessa forma, os importadores, afretadores e demais que operam no setor porturio devem ficar atentos aos pre-juzos que sofrem em decorrncia da m prestao dos ser-vios pblicos ou da ineficaz operacionalidade porturia, visto que no justo arcar com custos que no tenham sido originados por sua atividade.

    Isabel Vieira, advogada, formada pela FESP-PR e ps-graduanda em Gesto Tributria, na mesma instituio.

    95% das importaes brasileiras so realizadas

    por via martima.

    A atividade porturia no Brasil tem relevante importncia a todo o desenvolvimento nacional,visto que, segundo dados obtidos por meio do Sistema AliceWeb do Ministrio de Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior MDIC, 95% das importaes brasileiras so realizadas por via martima.

    artigo tcnicorevistA Governana Jurdica

  • 24 25

    Entre o final de maio e o incio de junho foram lanados dois movimen-tos cujos principais objetivos so alertar a populao acerca do peso da carga fiscal no dia a dia do brasileiro e propor a simplificao da forma de cobrar impostos no Pas sem, num primeiro momento, reduzir o volume arrecadado.

    Estudos mostram que, desde a promulga-o da Constituio de 1988, os governos fe-deral, estaduais e municipais j editaram mais de 290 mil normas tributrias. Com isso, exis-tem 11,2 milhes de combinaes de impostos possveis no Brasil, afirma Edson Campagnolo, presidente da Federao das Indstrias do Para-n (FIEP), que, junto com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributao (IBPT) e outras 45 entidades, organizou o Movimento Simplifi-

    achaques de todos os tipos, completa Rabello.

    Uma conta simples mostra que, mesmo mantido o valor da cunha fiscal, sua simplifi-cao reduziria significativamente os custos de uma empresa. Segundo Edson Campagnolo, da FIEP, o emaranhado de regras tributrias cria enormes dificuldades para que as companhias consigam cumprir com suas obrigaes. Para en-tender todas as normas e no correr o risco de punies, elas montam grandes estruturas, com muitos funcionrios e altas despesas. Levanta-mento do Banco Mundial mostra que o Brasil o pas onde as empresas gastam mais tempo para o cumprimento de suas obrigaes tributrias: 2.600 horas por ano. Muito por culpa disso, a pesquisa coloca o Brasil na 130 posio em um ranking que mede a facilidade para fazer ne-gcios, numa classificao de 183 pases. Uma parte das propostas dos dois movimentos jaz

    ca J. Vivemos um manicmio tributrio. Ele organizado, tem enfermeiro, choques eltricos, mas no melhora a vida de ningum e inabilita o Pas a crescer suficientemente para ficar rico, diz o economista Paulo Rabello de Castro, coor-denador do Movimento Brasil Eficiente (MBE), idealizador da campanha Assina Brasil, que, a exemplo do Movimento Simplifica J, pretende amealhar mais de 1 milho de assinaturas para uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que aglutine paulatinamente diversos impostos at que se afunilem sobretudo no Imposto sobre Circulao de Mercadorias e Servios (ICMS) re-formulado, com a garantia Unio, aos estados e aos municpios de que continuariam recolhen-do o mesmo montante aos cofres pblicos para fazer frente a suas obrigaes. As diversas ca-tegorias tributrias existentes no Pas so ver-dadeiras jabuticabas, s ocorrem no Brasil, com-plicam a vida do contribuinte e do margem a

    Crescem os movimentos favorveis racionalizao do recolhimento de impostos e refluem as propostas

    legislativas com o mesmo propsito

    Simplificao complicada

    no Senado, ao qual a Constituio incumbiu de legislar sobre alquotas mnimas e mximas de ICMS. Nessa casa legislativa tramita o Projeto de Resoluo n 1, que visa reduzir e harmoni-zar valores interestaduais do tributo, ano a ano, at 2025, quando as operaes nas quais um produto produzido num estado e vendido a outro seriam todas taxadas sempre em 4% e no estado de destino da mercadoria. A tentativa acabar com a guerra fiscal e evitar a concesso indiscriminada de benefcios tributrios para atrair empresas. Levantamento da Secretaria da Fazenda do Estado de So Paulo calcula em quase 150 as aes diretas de inconstitucionali-dade (Adins) apresentadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra leis estaduais que provo-cam a guerra fiscal.

    Mas, em vez de comear a tornar menos ensandecido o manicmio tributrio citado por Paulo Rabello de Castro, o projeto do Senado trouxe mais celeuma questo. A manuteno de alguns benefcios aos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste e Zona Franca de Manaus pro-vocou um manifesto pblico contrrio s medi-das assinado por diversas entidades industriais. Secretrios de Fazenda de estados mais indus-trializados tambm chiaram. O governo federal, temeroso de que a proposta de reforma do ICMS sasse do Senado pior do que quando chegou at l, atuou para que a medida provisria que previa compensar eventuais perdas de estados nesse processo a ser conjugada com a reforma do ICMS perdesse a validade por decurso de prazo de votao. E tudo voltou estaca zero.

    Ivan de Souza, principal executivo das ope-raes da consultoria Booz & Company na Am-rica Latina e na sia, conta que no incomum as solues logsticas para a instalao de uma fbrica levarem em conta prioritariamente be-nefcios tributrios, em detrimento da melhor localizao para receber insumos e escoar os

    produtos e em prejuzo da qualidade da mo de obra, entre outros itens que podem fazer significativa diferena na competitividade da empresa no longo prazo, como a qualida-de dos sistemas de transportes.

    Premidos pela necessidade de obter re-sultados rapidamente, os dirigentes dessas companhias no se importam com as conse-quncias dessa deciso depois de dez anos, perodo em que essas ineficincias podem significar at o fechamento das indstrias

    que foram erguidas levando em conta somente os benefcios fiscais. O horizonte de planeja-mento das empresas hoje em dia no passa de cinco anos, diz Souza. O arcabouo jurdico, tri-butrio e trabalhista brasileiro, segundo o exe-cutivo da Booz & Company, ainda uma fonte de surpresas para conglomerados que estudam se instalar no Pas e um entrave expanso de investimentos de grupos que j esto no Brasil. O investidor privilegia regras claras e consisten-tes no longo prazo, explica Souza.

    Para Claudio J. D. Sales, presidente do Insti-tuto Acende Brasil centro de estudos voltado ao desenvolvimento de aes e projetos para aumentar o grau de transparncia e sustentabi-lidade do setor eltrico brasileiro , o resultado da guerra fiscal a corroso da capacidade de tributar as atividades econmicas cuja produ-o concentrada e que apresentam maior fle-xibilidade para se deslocar para outros estados. Para contrapor os efeitos dessa guerra fiscal, diz, os fiscos estaduais intensificam a tributao das atividades de menor mobilidade para evitar a reduo da arrecadao.

    Segundo Sales, nesse jogo de alta volatilida-de, uma das maiores vtimas o setor eltrico, que pela legislao tributado somente no des-tino, o que o torna totalmente imune guerra fiscal e, consequentemente, alvo predileto dos fiscos estaduais para assegurar a arrecadao. Em sua opinio, isso explica a sobretaxao da energia. O setor eltrico responde por meros 2% do PIB, mas a sua participao na arreca-dao do ICMS excede 8,4%, nvel quatro vezes superior a sua participao no valor agregado, compara. O regime tributrio brasileiro com-plexo, regressivo e disfuncional. Aps anos de remendos, perdeu sua lgica, causando insegu-rana jurdica, distorcendo os preos relativos de bens e servios e atrofiando o crescimento econmico, continua. Os governantes sabem que as reformas so necessrias, mas tais mu-danas estruturais so sempre adiadas diante da eterna tentao poltica de elevao imedia-ta da arrecadao.

    Edson Campagnolo, presidente da Federao das Indstrias do Estado do Paran.

    Agncia Fiep

    Paulo Rabello de Castro, economista e coordenador do Movimento Brasil Eficiente.Fercomercio-SP

    Fonte: Conselho de Poltica Fazendria (Confaz) do Ministrio da Fazendaltima Atualizao: 29/5/2013(*) Valor provisrio.

    AcreAmazonas

    ParRondnia

    AmapRoraima

    Tocantins

    498.744*

    6.500.920*

    6,266,1222,623,797695,976417,1491,491,402

    MaranhoPiau

    CearRio Grande do Norte

    ParabaPernambuco

    AlagoasSergipe

    Bahia

    3,858,9282,395,3167,646,4103,690,5183,248,74510,601,7772,453,7542,301,42814,442,791

    Minas GeraisEsprito SantoRio de Janeiro

    So Paulo

    Valores em R$ mil, por regio e por estado.

    ParanSanta Catarina

    Rio Grande do Sul

    17,859,74012.719.389*

    21.378.209*

    Mato GrossoMato Grosso do Sul

    GoisDistrito Federal

    6,708,8306,005,12111,369,2855.693.957*

    5.7%

    9.1%

    15.5%

    15.9%

    53.8%SUDESTE

    R$ 175.892.764*

    SULR$ 51.957.338*

    NORDESTER$ 50,639,668

    CENTRO-OESTER$ 29.777.192*

    NORTER$ 18.494.110*

    Arrecadao de ICMS total em 2012, no Brasil, foi de aproximadosR$ 326.761.073*.

    32,100,0339,222,39025.466.802*

    109.103.539*

    reforma tributria revistA Governana Jurdica

  • 2726

    No incomum entre micro, pequenos e alguns mdios empresrios que, ao se depararem com uma aparente boa oportunidade de aquisio de empresa, queiram negociar os termos de compra sem antes fazer uma anlise cuidadosa da situao legal e tributria do empreendimento ou sem tomar cuidados jurdicos prvios e necessrios.

    Algumas vezes, a ansiedade leva os negociantes a concluir a compra apenas verbalmente, chagando at mesmo a antecipar parte do preo ajustado. Somente depois de passado o mpeto negocial que o adquirente se depara com a necessidade de formalizao da aquisio, o que o leva a

    consultar um profissional para que a transao seja urgentemente levada a cabo. No raro, o primeiro a ser consultado o contador. A conversa do empresrio quase sempre a mesma: Fiz um timo negcio, mas agora tenho pressa em formalizar a papelada para assumir a nova empresa. O contador questiona: Foram verificados os documentos societrios, contbeis e fiscais da empresa adquirida?. E a comeam os problemas.

    Obtidos os documentos bsicos, como con-trato social, demonstrativos contbeis e decla-raes fiscais, o contador faz uma breve anlise e j se depara com passivos que o seu cliente sequer tinha conhecimento: aes trabalhistas, dbitos tributrios declarados e no pagos, emprstimos de scios em valores muito acima do capital social da empresa, entre outros. Isso

    artigo tcnicorevistA Governana Jurdica

    Letcia Mary Fernandes do Amaral, advogada Scia da Amaral, Yazbek Advogados.

    Importante salientar que a lista acima apenas exemplificativa, contendo os principais itens a serem includos em due diligence. Tal verificao fundamen-tal para a correta avaliao do negcio e definio do preo de aquisio.

    Por parte do empresrio vendedor, igualmente re-comendvel que seja feita uma due diligence no poten-cial comprador para analisar sua situao financeira e capacidade para honrar o negcio a ser entabulado. Em ambos os casos, muito importante o acompa-

    Integrada a outros departamentos da empresa e com planejamento adequado, a Governana Jurdica garante uma anlise

    assertiva da situao empresarial

    Da aparncia certeza de um bom negcio: governana jurdica

    e aquisio de empresas

    acende a luz vermelha do empresrio adqui-rente, que passa a ver a necessidade de levar a questo para a anlise jurdica de um advogado.

    Contudo, uma vez j negociado o preo e pago parte dele, o adquirente agora se encontra em uma situao delicada. Sem contar o fato de poder ser responsabilizado pelos passivos (tra-balhistas, tributrios, ambientais etc) ocultos e aparentes do negcio recm-adquirido.

    Em meio a um ambiente empresarial em que muito se fala de due diligence ou auditoria, a situao acima retratada pode parecer irreal. Contudo, a experincia jurdico-tributria com muitos empreendedores ainda mostra o con-trrio. Justamente diante disso que se vem alertando empresrios sobre a importncia e a necessidade de uma governana jurdico-

    nhamento jurdico, no apenas societrio-empresa-rial, mas tambm tributrio, trabalhista e ambiental, alm do acompanhamento contbil, durante todas as fases da negociao.

    Isso porque, quando se fala em governana jurdi-co-tributria, fala-se igualmente em profissionalismo, transparncia, tica e preveno de riscos jurdicos de qualquer natureza. Tomando-se esses cuidados, o em-presrio poder ter a certeza de que o aparente bom negcio ser um negcio de grande sucesso.

    -tributria constante. Tal prtica, para os empresrios que j a adotam, tem se revelado muito eficiente tanto na manuteno e no crescimento do negcio quanto na preparao para uma futura venda. Da mesma forma, vem se mostrando a tcnica mais eficiente para empresrios em busca de novas oportunidades comerciais, constante-mente alertados sobre a importncia de no concluir transaes de forma precipitada e de sempre se precaverem por meio de auditorias prvias nas empresas alvo de aquisio.

    Alguns cuidados bsicos que devem ser tomados antes de se concluir um contrato de aquisio so os seguintes:

    Levantamento de todos os passivos tributrios, considerando-se sempre dbitos j constitudos ou no;

    Levantamento de todos os pas-sivos trabalhistas, levando-se em considerao no apenas as aes em curso mas tambm riscos de novas aes;

    Levantamento de todo o inventrio tcnico, comercial e patrimonial da empresa-alvo, incluindo eventual maquinrio e estoque, alm de li-cenas e garantias ainda em vigor;

    Levantamento de dvidas e pendn-cias financeiras, incluindo emprsti-mos feitos pelos scios empresa. Nesse caso, em virtude da aquisi-o, necessrio avaliar a melhor soluo a ser dada a tais emprsti-mos (quitao, mtuo, aumento de capital etc);

    Levantamento de possvel passivo ambiental, alm de conferncia da regularidade de inspees, vistorias e recolhimento de taxas ambientais;

    Levantamento de todos os proce-dimentos administrativos (fiscaliza-es, denncias etc) e aes judi-ciais em curso;

    Conferncia da regularidade de al-vars e outras burocracias regulat-rias do negcio;

    Conferncia de toda a documenta-o contbil e fiscal da empresa;

    Conferncia dos contratos vigentes com clientes e fornecedores; da documentao societria (inclusi-ve eventual acordo de scios) e de contratos de trabalhos (verificando--se a existncia de planos de cargos e salrios);

    Listagem das contas bancrias em nome da empresa;

    Por ltimo, verificao da existncia de dvidas contradas pelos scios ou empresas pertencentes ao mes-mo grupo econmico para verificar a possibilidade de atribuio de res-ponsabilidade empresa-alvo.

  • 28 29

    O sculo XXI h pouco comeou e j est trans-formando a realidade global. O mercado e as empresas esto cada vez mais dinmicos por conta dos avanos tecnolgicos. A velocidade da informao tem permitido que empresrios e poder pblico troquem informaes cada vez mais confiveis, com maior agilidade.

    A tecnologia da informao o conjunto de processos e solues que envolvem recursos eletrnicos para acesso s in-formaes. Rotinas, antes manuais, passaram a ser realizadas e automatizadas na frente das telas de computadores. Con-sequentemente, o acesso informao provido pelas redes e internet cada vez mais fortificou esse novo mtodo de trabalho.

    Com o passar das dcadas, a tecnologia da informao ad-quiriu novos recursos, permitindo o desenvolvimento de equi-pamentos, softwares e hardwares mais compactos e modernos. Esse elo entre empreendedorismo e tecnologia se tornou essen-cial, principalmente para os gestores, que perceberam a sua im-portncia e o veem como um processo fundamental para apoio s decises gerenciais.

    Para falar sobre a importncia da tecnologia no mundo empresarial, a Revista Governana Jurdica conversou com Ge-raldo Magela Fraga do Nascimento, advogado, especialista em tecnologia da informao e diretor de Tecnologia do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributao (IBPT).

    De que forma a tecnologia contribui para a competitivida-de das empresas?

    Geraldo Magela A parte tecnolgica se tornou uma ferra-menta bsica para uma empresa. O ambiente empresarial exi-ge profissionais capacitados, em qualquer profisso. A todo o momento somos colocados frente de novas ferramentas tecnolgicas. Para as empresas, a tecnologia da informao foi desenvolvida com o intuito de auxiliar na gesto empre-sarial, possibilitando que o gestor trabalhe grandes dados empresarias, atendendo s exigncias fiscais e tributrias de forma automatizada.

    gesto de negcios e tecnologia da informa-o com foco na otimizao dos resultados das organizaes por meio da melhoria dos processos de negcio.

    Existe algum trabalho diferenciado que o senhor realiza para a Amaral, Yazbek Advo-gados no que diz respeito governana ju-rdica?

    Geraldo Magela Dentro da Amaral, Yazbek Advogados foi criado um ncleo de discusso sobre governana jurdica focada no direito tecnolgico. Esse ncleo trabalha com o suporte tecnolgico do prprio grupo, alm de disponibilizar consultoria especiali-zada, proporcionando melhorias na gesto dos servios, acompanhamento dos pro-cessos e disponibilizao das informaes aos clientes. Outro trabalho poder prestar para os clientes um acompanhamento das contrataes de servios tecnolgicos, fa-zendo um levantamento dos sistemas atu-ais, verificando se esses softwares atendem aos padres de segurana a toda legislao, tanto em termos de segurana quanto em termos de confiabilidade.

    Estamos desenvolvendo tambm um sistema de segurana de dados para as empresas, garantindo que as informaes disponveis estejam em um ambiente seguro dentro de um escritrio, para que esses clientes no tenham nenhum tipo de risco em relao segurana dessas informaes. Alm disso, estamos trabalhando para melhorar e aper-feioar os trabalhos do prprio escritrio dentro da Amaral, Yazbek Advogados.

    De que forma os profissionais que no tm familiaridade com a tecnologia podem traba-lhar nessa nova tendncia?

    Geraldo Magela A necessidade para que as pessoas entendam a tecnologia passa pela prpria conscientizao. As empresas com um determinado porte ou um empre-endedor com um determinado tipo de for-mao j tm essa conscincia, em alguns casos, realizando um trabalho de incluso digital, pois o conhecimento tecnolgico to importante quanto o conhecimento especfico. importante cada profissional saber que conhecimento bsico no sa-ber ligar um computador apenas ou usar um programa de edio de texto. pre-ciso ir um pouco mais alm. A tecnologia est sendo desenvolvida para melhorar e aperfeioar o trabalho.

    Existe alguma novidade para o setor?

    Geraldo Magela Atualmente, tem se fala-do no Business Intelligence, que so tcnicas de anlise das informaes geradas pelo sis-tema para que sejam apresentadas ao corpo estratgico das organizaes de uma forma fcil e intuitiva, utilizando, inclusive, visua-lizaes grficas. Por meio dessas informa-es, cresce cada vez mais um novo conceito de grandes volumes de dados feitos inter-namente, ou seja, informaes geradas pela prpria organizao. Um dos diferenciais pegar essas informaes e poder cruzar com as informaes vindas do mercado, obter in-formaes estratgicas que iro auxiliar no processo de vendas.

    Como a tecnologia da informao pode con-tribuir para o controle e a fiscalizao da ad-ministrao pblica no Brasil?

    Geraldo Magela A tecnologia hoje implan-tada pelo poder pblico tem alguns aspectos interessantes. Todos os registros de atos da administrao, especialmente das despesas, so sistematizados, arquivados em formatos digitais, garantindo a permanncia desses dados, dispensando a necessidade de ocu-par um espao fsico. Podemos controlar de forma rpida os gastos pblicos realizados por vrios anos, analisando desde as despe-sas mais primrias at as mais agrupadas, aumentando a transparncia tributria.

    Quais as principais ferramentas tecnolgicas utilizadas hoje na governana jurdica?

    Geraldo Magela O principal o sistema de gesto empresarial, conhecido como Enterprise Resource Planning (ERP) ou Sis-temas Integrados de Gesto Empresarial, uma ferramenta que cuida de operaes financeiras, contendo todos os registros dessas operaes, capaz de sistematizar e registrar toda a parte de movimentao de bens e servios, alm da parte contbil e fiscal e de recursos humanos. Outro sistema bastante utilizado pelas empresas o Cus-tomer Relationship Management (CRM) ou sistema de gesto de relacionamento com o consumidor, software desenvolvido com o objetivo de reduzir os custos operacionais, otimizando os resultados da empresa. H tambm o Business Process Management ou Gesto de Processos, ferramenta que une

    Desenvolvimentos tecnolgicos proporcionaram recursos essenciais para aperfeioar a gesto

    Servios de inteligncia da informao so chave de sucesso

    para as empresas

    Geraldo Magela, advogado, especialista em tecnologia da informao e diretor de tecnologia do IBPT

    entrevistarevistA Governana Jurdica

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    Geraldo Magela Fraga do Nascimento, advogado, formado pela Universidade Estadual de Londrina, especialista em Direito Tributrio e graduando em Anlise e Sistemas de Informao.

    Aline Pavelski, advogada, formada pela Universidade Positivo e ps-graduanda em Direito Tri-butrio e Processo Tributrio pela mesma instituio.

    Otvio Augusto Fernandes do Amaral, Advogado, formado pela Faculdade de Direito de Curitiba - UNICURITIBA, com especializao em Direito Tributrio e Processo Tributrio pela Uni-versidade Positivo. Associado da Amaral, Yazbek Advogados.

    Voc sabe o que a CIDE TECNOLOGIA?

    No mundo atual, onde a informao e o conheci-mento sustentam grande parte das transformaes que ocorrem na sociedade, cada vez mais a tecnolo-gia da informao vinculada ao direito.

    Isso porque o direito a unidade essencial dos ditames a serem socialmente seguidos e o mundo tecnolgico o mais efi-ciente meio de informao, produo e capacitao, consequen-temente se tornando um valioso bem econmico.

    Por conta disso, surgem diversas dvidas quanto s leis que regem as novidades trazidas pelo desenvolvimento tecnolgi-co. Um desses casos a Lei n 10.168/2000, a qual instituiu a contribuio de domnio econmico, devida pela pessoa jurdica adquirente de conhecimentos tecnolgicos (CIDE Royalties ou CIDE Tecnologia).

    Tal contribuio possui carter extrafiscal, com fi-nalidade regulatria, ou seja, tem ntidos instrumentos de planejamento a fim de atender ao Programa de Est-mulo Interao Universidade Empresa para o Apoio inovao, com o fito de fomentar o desenvolvimento tecnolgico brasileiro, mediante incentivo de pesquisas e de-senvolvimento do ensino, visando formao para o trabalho dos cidados brasileiros.

    Todo o montante arrecadado por meio desse tributo des-tinado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico FNDCT, tendo por objetivo final que os recursos sejam transformados em incentivos pesquisa cientfica nacio-nal, beneficiando o setor privado brasileiro, uma vez que sendo produzida a tecnologia no pas, a iniciativa privada no preci-sar buscar no exterior a tecnologia que necessita para suprir as suas necessidades.

    O sujeito passivo (quem

    paga o tributo) a pessoa jurdica detentora de

    licena de uso ou adquirente de conhecimentos

    tecnolgicos, bem como aquela signatria de

    contratos que impliquem transferncia de

    tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados

    no exterior.

    A CIDE Tecnologia cabe administrao

    da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB)

    e o pagamento se d mediante Guia DARF, pelo cdigo de receita n. 8741.

    A CIDE Tecnologia incide sobre as impor-tncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas por empresas situa-das no Brasil (a ttulo de royalties ou remunerao), em contrapresta-

    o aos servios de transferncia de tecnologia advinda do exte-

    rior (que tenham por objeto fornecimento de tecnologia,

    prestao de assistncia tcnica, servios tcnicos e

    de assistncia administra-tiva, cesso e licena de uso de marcas ou cesso e licena de explorao de

    patentes).

    A alquota do imposto de renda na fonte incidente sobre

    as importncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas

    ao exterior de 15% desde 1 de janeiro de 2002, conforme o art. 2-A da

    Lei 10.168 de 2001.

    A alquota de 10% e o pagamento poder ser

    efetuado at o ltimo dia til da quinzena subsequente ao

    ms de ocorrncia do fato gerador.

    Voc deve estar se

    perguntando Mas quem paga esse tributo?,

    Quando e quanto eu pago?, Onde e como eu pago?. Pois , caro contribuinte

    tecnolgico, a vo alguns esclarecimentos:

    05.

    03.04.

    02.

    01.

    Todo o montante arrecadado atravs deste tributo tem por objetivo final que os recursos sejam transformados em incentivos pesquisa cientfica nacional

    artigo tcnicorevistA Governana Jurdica

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    A Governana Jurdica Ambiental um dos temas centrais que nortearo as discusses globais nos prximos anos e tem ganhado destaque no que tange economia verde para definir os rumos do planeta em relao s questes ambientais.

    O tema refere-se ao desenvolvimento de aes e diretrizes de proteo ambiental, bem como de desenvolvimento socioeconmico, em que h distribuio de competncias e respon-sabilidades entre as entidades representativas do Estado, da sociedade civil e meio empresa-rial. Cabe ressaltar que, de forma geral, os en-volvidos devem buscar o mesmo objetivo, porm cabe ao governo criar e propiciar mecanismos de desenvolvimento e de proteo ambiental conforme os desejos da sociedade e a necessi-dade do setor produtivo, afirma Torvaldo An-tonio Marzolla Filho, advogado ambiental, ad-ministrador, consultor de empresas em fuses e aquisies, presidente do Instituto Brasileiro de Responsabilidade Ambiental ISBRA.

    Num cenrio em que vigora a cultura da exis-tncia de um meio ambiente de bens naturais inesgotveis, a degradao ambiental tem dei-xado sua marca por meio do crescimento eco-

    nmico a todo custo. Para Torvaldo, todas as

    polticas e aes a serem re-alizadas na busca de um

    desenvolvimento sustentvel devem estabele-cer um modelo de governana adequado para o seu xito. Para ele, algumas polticas devem ser priorizadas, principalmente as que tm relao direta com o desenvolvimento econmico do Pas. Nesse caso, pode-se citar o licenciamento ambiental como uma poltica prioritria.

    Atualmente, o discurso sobre governana ambiental no Brasil est bem alinhado e tem a clara compreenso dos atores envolvidos, porm sua aplicao prtica precisa avanar, diz Marzolla Filho. Ganhamos maturidade para entender os benefcios trazidos por uma governana socioambiental bem estruturada. Precisamos fazer com que o entendimento terico venha a se tornar ao para melhorarmos o desempenho socioambiental do nosso pas.

    No Brasil, existem diversos mecanismos jurdicos criados para o ordenamento e a pro-teo ambiental, mas muitas necessitam de atualizao, por serem instrumentos legais mais antigos, e outros precisam ser aperfei-oados para que se possa estabelecer um modelo de governana adequado, comenta o presidente do ISBRA.

    Sustentabilidade em normas, condutas e aes

    Algumas das maiores crticas do setor em-presarial com relao Governana Jurdica Ambiental, especialmente no tocante ao licen-ciamento ambiental, so referentes morosi-dade, complexidade e imprevisibilidade do processo. Uma pesquisa realizada no incio de

    2013 pela Confedera-o Nacional

    impacto regional apontam elevada subjetividade ao processo e precisam ser mais esclarecidos.

    Nesse sentido, h a emisso de licenas ambientais, que depende de atos adminis-trativos emitidos por outros rgos pbli-cos, provocando, por vezes, atrasos em todo o procedimento, principalmente devido o no cumprimento dos prazos de posiciona-mento/resposta por parte dos rgos p-blicos em sua maioria sediados em outras cidades - para obter a outorga de uso de recursos hdricos ou autorizao do rgo gestor de unidade de conservao. Esta uma questo ambiental que gera outro ponto de preocupao e que repercute no processo, conta Marzolla Filho, explican-do que a correo desses problemas passa pela integrao dos diversos procedimentos administrativos, inclusive com definio de prazos, de forma a permitir a criao de balces nicos para facilitar os protocolos e aperfeioar os trmites de anlise.

    Nesse sentido, o descompasso entre as normas dos diversos entes federativos origina outros problemas para o empreen-dedor, a exemplo da distoro no valor da compensao ambiental cobrada em alguns Estados, superior ao teto estabelecido na norma nacional, alm de outras questes relacionadas ao instituto previsto na Lei n 9.985/2000, que institui e regulamenta o Sistema Nacional de Unidades de Con-servao da Natureza SNUC. Conforme dispe a lei, o valor da compensao am-biental deve considerar o investimento feito pelo setor empresarial na rea ambiental, seja de forma compulsria ou voluntria, visando demonstrar o quanto efetivamen-te empregado no cuidado ao meio ambiente e quais os caminhos de maior eficcia. Por isso, de extrema urgncia a reformulao de polticas fundamentadas em restries legais de comando e controle, ratifica Marzolla Filho.

    Poltica Nacional de Resduos Slidos

    A Poltica Nacional de Resduos Sli-dos PNRS foi aprovada por meio da Lei Federal n 12.305/2010 e sua regulamenta-o se deu com o Decreto n 7.404/2010. A lei trouxe os princpios, objetivos e as principais diretrizes que so fundamentais para uma gesto adequada dos resduos slidos no Pas.

    Em minha opinio, a Lei n 12.305 tambm acarretou grandes desafios, tanto para o setor industrial quanto para o setor pblico, diz o presidente do ISBRA, que acredita que as indstrias precisam adequar seus planos de gerenciamento de resduos, criar siste-mas de logstica reversa, desenvolver produtos que propiciem a reciclagem no final de sua vida til e reduzir a utilizao de matrias-primas que gerem resduos perigosos. Os municpios so impactados medida que devem elaborar os planos de gesto integrada, estruturar e implantar os sistemas de coleta seletiva, eliminar os lixes e destinar adequadamente, somen-te rejeitos, para aterros, salientou.

    Marzolla Filho entende que a cooperao e integrao entre o setor pblico, o setor produtivo e a sociedade so fundamentais para o sucesso das diretrizes estabelecidas pela PNRS. uma lei complexa, mas que acarreta grandes avanos para a gesto de resduos do nosso pas.

    Licenciamento ambiental

    O licenciamento ambiental um instrumento que est cada vez mais sobrecarregado de exigncias e aes que, muitas vezes, no so relacionadas diretamente com o impacto do empreendimento. A Poltica Nacional do Meio Ambiente dispe de diversos outros instrumentos para a melhoria da qualidade ambien-tal, do bem-estar e de necessidades bsicas da sociedade. Para isso necessrio potencializar o desen-volvimento desses instrumentos, e no apenas trazer exigncias para dentro do licenciamento ambiental.

    indispensvel tambm padronizar o licenciamento e haver um entendimento uniforme desses instru-mentos em todos os Estados da Federao. Atualmente, temos taxas de licenciamentos diferenciadas nos Estados para mesmo porte e potencial poluidor de atividade ou empreendimento, prazos de licenas que variam de um a dez anos, estrutura e fluxos de licenciamentos e informaes que permitem maior agilidade em outros estados, entre outros, explica Marzolla Filho. Enquanto tivermos significativas diferenas entre os Estados para a realizao do mesmo procedimento administrativo, neste caso o licenciamento ambien-tal, continuaremos tendo esse instrumento como fator principal de tomada de deciso na escolha do local para aplicao de recursos, gerao de emprego, renda, arrecadao e impostos etc.

    Construo de uma sociedade sustentvel

    O principal fator de importncia da governana ambiental para as empresas e para a estruturao de uma sociedade sustentvel a participao do setor produtivo e da sociedade na construo dos mecanis-mos de proteo ambiental e desenvolvimento econmico. fundamental que as companhias participem das discusses sobre o tema, uma vez que elas so capazes de apresentar ao governo e sociedade as principais necessidades e pontos de melhoria em programas e polticas para que possamos construir um ambiente de desenvolvimento com o menor impacto ambiental possvel, afirma Torvaldo Marzolla Filho.

    Certamente, uma das melhores prticas que garantem uma atuao adequada para atingir objeti-vos e metas de uma organizao est voltada preveno da poluio, ou seja, tcnicas que visam mi-nimizar o impacto ambiental antes que este acontea, diz o especialista. Geralmente, essas ferramentas no ocasionam apenas benefcios na rea ambiental, mas tambm contri-buem para a reduo de custo e melhoria no ambiente orga-nizacional da empresa para seus colaboradores, e uma das ferramentas mais conhecidas, e que merece ser difundida em todas as organizaes, a aplicao da metodologia de produo mais limpa.

    Prximos passos

    A criao e implantao de um modelo de governana na-cional com o estabelecimento de competncias e responsabi-lidades entre as entidades representativas do governo, da so-ciedade civil e do meio empresarial um prximo passo a ser dado. Esse modelo nacional deve ser utilizado como base para o estabelecimento de modelos de governana locais.

    A utilizao dessa ferramenta promove o desempenho de um sistema de gesto nas empresas mais eficiente e responsvel com o ecossistema

    Boas prticas com Governana Jurdica Ambiental

    da Indstria CNI, com as 27 Federaes da Indstria dos Estados e do Distrito Fede-ral identifica os principais problemas rela-cionados Governana Jurdica Ambiental. O levantamento mostra que o tempo mdio para a obteno de cada licena muito va-rivel, podendo chegar a 28 meses, incom-patvel com os custos de oportunidade da maioria dos investimentos.

    imprescindvel que haja reviso e aper-feioamento da operao do licenciamento ambiental, como ferramenta da Governana Jurdica Ambiental, de modo a conferir cele-ridade, racionalidade e eficcia ao processo, afirma Marzolla Filho. Atualmente, existem mais de 27 mil normas, federais e estaduais, que disciplinam o tema de alguma maneira, o que inviabiliza o conhecimento das regras e gera insegurana jurdica.

    A ausncia de padronizao de critrios de-finidores de porte e potencial poluidor no Pas gera distores na classificao de empreendi-mentos e atividades. Alm de porte e potencial poluidor, a Lei Complementar LC 140/2011 tambm estabelece a natureza da atividade ou do empreendimento como critrio para sua classificao, devendo ser adotado por todos os entes federativos. O estabelecimento desses critrios poder definir procedimentos diferen-ciados, em especial s micro e pequenas em-presas aos empreendimentos de infraestrutura. Podero ser consideradas ainda especificidades regionais e setoriais, como o licenciamento am-biental de atividades rurais.

    Considera-se essencial, ainda, a clara defi-nio de alguns conceitos que fundamentam as principais decises adotadas pelos rgos no mbito deste tema. Conceitos como significativa degradao ambiental, impacto local e

    Torvaldo Antonio Marzolla Filho, advogado ambiental, administrador, consultor de empresas em

    fuses e aquisies, presidente do ISBRA.

    meio ambienterevistA Governana Jurdica

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    O objetivo do criminal compliance analisar o momento anterior ao cometimento do delito

    Criminal compliance ganha espao no meio empresarial

    O termo americano compliance, amplamente difundido nos anos 90, tem sua origem no verbo to comply isto , agir de acordo com as regras, pedidos ou instrues.

    Foi inicialmente introduzido pelo mercado financeiro e hoje em dia utilizado por empresas privadas e tambm pela Administrao Pblica para dar segurana e transparncia aplicao de normas. O criminal compliance, ainda pouco examinado pela doutrina jurdico-

    penal brasileira, tem como base a proteo efetiva de pessoas, bens e direitos. Sua base de aplicao no Direito Penal Brasileiro tem origem na legislao especial complementar que versa sobre crimes contra as ordens tributria, financeira e especialmente econmica.

    Alm do Direito Penal proteger bens jurdicos que no apenas os individuais, tambm visa proteger as atividades estatais que intervm e regulam a parte tributria, econmica e financeira das empresas. Por meio de regras jurdico-penais, possvel a atuao

    dos operadores de com-pliance na neutralizao e diminuio dos riscos empresariais e corpora-tivos, se adequando a um conceito moderno de Direito e constituindo meio de equilbrio scio--econmico.

    O objetivo do criminal compliance analisar o momento anterior ao cometimento do delito, criando tcnicas e conceitos a serem adotados pelas empresas para que se evite a ocorrncia de qualquer conduta criminosa prevista na legislao vigente. Por certo que h inmeros benefcios em se investir na preveno, ou no momento ex ante do delito, ainda mais quando se trata de penalizao.

    A condenao criminal seguida da perda de bens e valores certamente causa danos imagem da empresa e de seus prestadores de servios de forma irreparvel, levando provvel perda de clientes, de credibilidade e competitividade no mercado.

    Com procedimentos de boa conduta e meios pre-ventivos de controle, tem-se como finalidade que a persecuo criminal estatal no seja iniciada, quer na fase administrativa por meio de investigao e instau-rao de inqurito policial, quer na fase judicial por meio de denncia do Ministrio Pblico, responsabili-zando penalmente o empresrio.

    O criminal compliance ganhou especial destaque com a Lei n 12.683/12, que alterou profundamente a Lei n 9.613/98, modificando os procedimentos e in-tensificando as formas de persecuo penal no com-bate s infraes penais de lavagem de dinheiro. Entre as inmeras inovaes, a nova lei previu a necessida-de de adoo de polticas, procedimentos e controles

    artigo tcnicorevistA Governana Jurdica

    Andr David Narche Salo-mo, escrivo de Polcia Civil do Estado de Santa Catarina, lotado em So Francisco do Sul.

    internos por pessoas fsicas e jurdicas que prestem, mesmo que eventualmente, servios de assessoria, consulto-ria, contadoria, audito-ria, aconselhamento ou assistncia, de qualquer natureza, em operaes de compra e venda de

    participaes societrias de qualquer natureza e de criao, explorao ou gesto de sociedades de qual-quer natureza (art. 9, pargrafo nico, XIV, a e d c/c arts. 10 e 11).

    Ou seja, com a nova lei, determinadas pessoas fsi-cas e jurdicas passam a ter a obrigao de colaborar com as investigaes de lavagem de dinheiro por meio da criao de controles internos. Alm disso, passam a ter a obrigao de prevenir prticas ilcitas, como sone-gao fiscal e corrupo, que poderiam implicar em sua responsabilizao criminal. Tais pessoas, o que inclui profissionais tcnicos como consultores e auditores, devem igualmente adotar medidas internas de criminal compliance com a finalidade de controlar o cumpri-mento de seus deveres legais, bem como de adminis-trar os riscos agora envolvidos em suas atividades.

    Tal inovao, por si s, j demonstra a necessidade legal de adoo de condutas de criminal compliance dentro da tica da governana jurdica, seja por em-presas e empresrios, seja por seus prestadores de servios (consultores, assessores, auditores etc.). Tudo para que no incorram em nenhuma violao nova lei de lavagem de dinheiro.

    A adoo de boas prticas de governana jurdico--tributria pelos administradores de empresas e por consultores e advogados implica igualmente no esta-belecimento de regras de criminal compliance para ge-renciar todas as operaes legais e fiscais com o intuito de oferecer transparncia e minimizar ou eliminar ris-cos de que certas prticas venham a ser enquadradas como sonegao fiscal ou qualquer outro ilcito penal. Isso fundamental pois, atualmente, empresrios e empresas que utilizam valores oriundos de ilcito penal, tal como a sonegao fiscal, para outras finalidades so responsabilizados criminalmente por lavagem de dinheiro. Sendo a sonegao fruto de qualquer acon-selhamento profissional, a responsabilidade criminal estendida aos escritrios e profissionais envolvidos.

    Diante desse cenrio, no h dvidas de que o criminal compliance, sendo uma das vertentes da governana jurdico-tributria, tende a, cada vez mais, ganhar espao no meio empresarial brasi-leiro, justamente por contribuir para a durabilida-de e lucratividade dos negcios, sempre de forma legal e tica.

    A condenao criminal seguida da perda

    de bens e valores certamente causa danos imagem da empresa e de seus

    prestadores de servios de forma irreparvel.

    Andr David Narche Salomo

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    Essas operaes viabilizam o ingresso a no-vos mercados, a verticalizao e a internaciona-lizao de procedimentos, a economia de escala, expanso de portflio, diminuio de endivida-mento, entre outros fatores.

    Depender das razes dos problemas finan-ceiros para uma empresa, que enfrenta dificul-dades financeiras, ser vendida a um comprador financeiro ou estratgico. Se essas dificuldades no so causadas por deficincias de produ-tos da empresa, a venda pode ser uma opo realista, mesmo que se encontre em problemas financeiros. As razes para a crise precisam ser analisadas cuidadosamente em primeiro lugar.

    Para Hermann Knott, advogado e scio do escritrio alemo Luther e vice-presidente s-nior do Comit de Gesto Firm Law da Interna-tional Bar Association IBA, em um contexto de pr-insolvncia, transferir as aes da empresa a opo mais comum, ao passo que, aps a abertura dos processos de insolvncia, o mais provvel que os ativos sejam transferidos para o investidor. O acordo de ativos envolve a van-tagem para o investidor de no precisar assu-mir responsabilidades resultantes de atividades passadas da companhia. Por outro lado, neste cenrio, os parceiros contratuais da companhia precisam aprovar a transferncia das relaes contratuais, disse.

    Outro aspecto a considerar se h vanta-gem de a empresa ser reorganizada sob o regime da insolvncia antes de ser vendida. A reestru-turao da dvida e as alteraes na fora de tra-balho so muito mais fceis de perceber nessa situao, assegurou Hermann.

    De acordo com Knott, os investidores em empresas em dificuldades precisam saber bus-

    car as razes desses problemas financeiros, se esto ligados aos produtos oferecidos

    pela empresa ou por outras razes, sem alterar o modelo bsico de negcios da

    empresa. Esta a ques-to-chave a ser anali-sada. Se a participao dos antigos acionistas no for completamente comprada, a governan-a da empresa pelos dois grupos tambm pode ser um problema que precisar ser resol-vido, explicou.

    Para os financiadores, as partes contratantes e outros

    As sadas que podem ser buscadas pelas companhias em processo de recuperao judicial

    Oportunidade para empresas com problemas financeiros

    acionistas, a forma mais desejvel de investi-mento , primeiramente, a eliminao dos dfi-cits de capital prvios chegada do investidor e, aps essa etapa, investir quantia semelhante para garantir um suporte maior na companhia do que na situao anterior.

    Ao comparar as reestruturaes na Alema-nha com a dos demais pases, Hermann Knott comentou que a legislao alem e brasileira compartilham o esforo para promover a rees-truturao de empresas no estgio inicial de crise. Para esse propsito, adotaram um modelo para enumerar os dbitos das empresas a fim de elaborar um plano de reestruturao com a maior parte dos seus credores. Este plano ento vinculado a todos os credores. Hoje, as diferenas entre reestruturaes na Alemanha e no Brasil so de natureza relativamente menor.

    O perodo de paralisao para a elaborao do plano de reestruturao, por exemplo, de ape-nas trs meses na Alemanha, enquanto aqui no Brasil a durao de seis meses.

    O advogado e membro da IBA esclarece que, enquanto o perodo de paralisao no Brasil pode ser comparado com os processos do cap-tulo 11 do Cdigo Federal de Falncia dos Esta-dos Unidos, a Alemanha segue uma abordagem mais restrita que exige um supervisor nomeado pelo Tribunal de Insolvncia para controlar o negcio do devedor. A nova legislao alem bastante recente e os tribunais ainda precisam se acostumar com a aplicao das novas regras, dando aos credores e devedores mais oportu-nidades de interagir em benefcio dos negcios da empresa.

    Brasil, potencial em investimentos

    Apesar das recentes dificuldades econmi-cas vividas pelo Pas, os fundamentos para o crescimento e as oportunidades de investimento continuam positivos. previsto que o Brasil seja at 2020 o quinto maior mercado consumidor mundial e as oportunidades de crescimento con-tinuam a ser imensas.

    O Brasil vem de um longo caminho para faci-litar a entrada no mercado para os investidores estrangeiros, mesmo nas circunstncias de uma crise financeira de uma empresa. Por exemplo, desde 2004, se prev a possibilidade de um pro-cedimento de reestruturao sem a necessidade de solicitar a superviso do tribunal no proces-so de insolvncia. Alguns aspectos do ambien-te regulatrio brasileiro, no entanto, ainda so considerados obstculos para os investidores estrangeiros. A legislao fiscal, trabalhista e da eficincia da administrao ainda parecem ser a razo para preocupao, exps Knott.

    O scio da Luther afirma que no se deve esquecer de que as transaes de fuso e aqui-sio no Brasil com participao de capital es-trangeiro duplicaram entre 2005 e 2011 e tripli-caram-se os investimentos estrangeiros diretos, at o valor de US$ 67 bilhes, dentro do mesmo perodo. Isto resultado de uma avaliao po-sitiva dos fundamentos da economia do Pas.

    Crise financeira

    A crise financeira iniciada em 2008 no teve efeito to forte no Brasil como em outros pases. Na realidade, o Brasil tem vivido a melhor alta de todos os tempos, com quase 800 transaes em 2010 aps dois anos de queda, declarou Hermann Knott.

    Durante a crise financeira, companhias no Brasil e em outros pases foram impulsionados por uma necessidade de consolidar o seu finan-ciamento. As companhias brasileiras utilizam uma moderna lei de falncias que foi adotada alguns anos antes da crise, em 2004, disse Her-mann Knott. Segundo o vice-presidente da IBA, essa lei proporciona s empresas o direito a um perodo de ajustes de seis meses, dentro do qual o qurum relevante de 60% dos credores pode aprovar um plano de reestruturao.

    Sob as condies da crise financeira, at mesmo empresas familiares comearam a for-mar alianas com os concorrentes, o que antes era raramente visto. Mas, enquanto os inves-tidores estrangeiros compraram empresas no Brasil, as empresas brasileiras tambm se torna-ram mais ativas na aquisio de empresas em todo o mundo, com um foco especial sobre o mercado norte-americano, revelou Knott, para quem a crise financeira, apesar de todos os seus contratempos, tambm trouxe novas oportuni-dades para a expanso dos negcios dentro e fora do Brasil.

    aquisio e reestruturaorevistA Governana Jurdicaa

    Em um mercado altamenteglobalizado e competitivo, as operaes de fuses e aquisies possuem um valor estratgico quecontribui para o desenvolvimentoe at mesmo para a sobrevivnciada companhias.

    As companhias brasileiras utilizam uma moderna lei de falncias que foi adotada alguns

    anos antes da crise, em 2004

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    A implementao desse departamento permite que os responsveis pelo desenvolvimento tcnico-jurdico estejam mais focados em desenvolver teses,

    elaborar pareceres e atender com maior disponibilidade aos clientes

    Controladoria jurdica: de tendncia a necessidade para melhores negcios

    Com a atual situao de abarrotamento do Poder Judicirio brasileiro e as constantes mudanas na legislao aplicvel para seu ramo de negcios, a cada dia as empresas precisam aumentar a seguran-a e a estratgia na gesto jurdica e administrativa de seu consultivo e contencioso.

    A grande inovao a Controladoria Jurdica, cuja imple-mentao vem se tornando imprescindvel aos que precisam parametrizar e aumentar a qualidade de desempenho do de-partamento jurdico interno ou terceirizado. Sua razo de ser separar com objetividade as tarefas tcnicas propriamente ditas das de suporte, organizando o fluxo de informaes e processos por meio da unificao estratgica de toda a carteira jurdica empresarial.

    artigo tcnicorevistA Governana Jurdica

    Integrada a outros departamentos da empresa e com planejamento adequado, a Controladoria Jurdica garante

    uma anlise concreta de potencialidades e riscos.

    Marcella Marinho Vicentini, advogada, formada pela Faculdade de Direito de Curitiba - UNICURI-TIBA. Cursando Ps Graduao em Processo Civil pela Universidade Cndido Mendes e MBA em Gesto Empresarial pelo Grupo OPET. Con-troller Jurdico da Amaral, Yazbek Advogados.

    A implementao desse departamento permite que os res-ponsveis pelo desenvolvimento tcnico-jurdico estejam mais focados em desenvolver teses, elaborar pareceres e atender com maior disponibilidade aos clientes internos e externos. Assim, en-quanto o departamento tcnico dispe melhor de seu tempo, a Controladoria, pautada em uma viso estratgica e de qualidade, passa a dar amplo suporte para a produo jurdica. Muito alm da simples organizao e apoio com documentos, esse setor foi concebido para trazer informaes cruciais e relatrios objetivos que permitem uma viso mais clara a respeito da demanda que cada ramo empresarial e advocatcio enfrenta. Dessa forma, ga-rante que as falhas sejam minimizadas e o controle da relao demanda versus capacidade produtiva, efetivamente realizado.

    A anlise das estatsticas d empresa a capacidade de acompanhamento peridico de seus relatrios de resultados,

    com indicadores qualitativos e quantitativos acerca da carteira de processos e de suas consultas jurdicas. Possibilita a comparao com perodos anteriores e, inclusive, a padronizao de teses.

    Auxilia, tambm, na formulao de metas e objeti-vos como, por exemplo, a diminuio do contencioso ou a mudana de estratgia e a aplicao de nova regra oriunda da anlise de entendimentos sobre determinado produto ou servio. Isso porque oferecer indicadores que tragam maior qualidade anlise sistmica de pro-cessos ou de resultados comparativos, sem interfern-cias de impresses pessoais, auxilia tanto nas decises estratgicas quanto na prpria anlise de desempenho da equipe e de prestadores de servio terceirizados.

    Vale ressaltar que, no processo de escolha de um escritrio de advocacia terceirizado, de suma rele-vncia que se verifique a existncia da Controladoria Jurdica, visto que hoje tal departamento j se tornou uma necessidade, ou seja, um requisito na garantia de uma excelente prestao de servios legais.

    Essa exigncia se explica por se tratar de setor in-terno altamente especializado em garantir a eficincia nas atividades decorrentes do acompanhamento pro-cessual, do controle de prazos e pareceres, da obten-o de certides e demais documentos necessrios instruo de demandas, elaborao de guias, manu-teno de um banco de dados e ao controle de tempo dos prestadores de servios.

    Da mesma forma, de suma importncia a exis-tncia de uma Controladoria Jurdica dentro da pr-pria empresa. Alm de tudo o que foi dito at aqui, tal departamento tem como objetivo gerir de maneira centralizada os servios jurdicos internos e tambm os terceirizados. Consequentemente, a Controladoria Jurdica coordena resultados empresariais por meio de estatsticas e estudos que indicam a tendncia da car-teira de aes judiciais e a evoluo do entendimento dos Tribunais e da legislao a respeito de temas rele-vantes para determinado ramo empresarial.

    Integrada a outros departamentos da empresa e com planejamento adequado, a Controladoria Jurdi-ca garante uma anlise concreta de potencialidades e riscos, aumentando a segurana da empresa em suas tomadas de decises. Mais que uma tendncia, hoje a Controladoria Jurdica j uma necessidade.

    Marcella Marinho Vicentini

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    H vrios aspectos que caracterizam uma aquisio de empresa por um investidor estratgico. Em geral, o que prevalece como alvo da compra uma companhia que atua em linha similar de negcio para o vendedor, mas tambm se observam objetivos como a procura de novos servios/produtos para oferecer aos clientes.

    Denomina-se investimento estratgico quando uma empre-sa adquire outra relevante do ponto de vista estratgico, a fim de ter acesso tecnologia, novos produtos ou servios. O investimento financeiro se d quando as aquisies so realizadas por investidor, fundo de venture capital ou pri-vate equity (investimentos em participaes em empresas).

    Na Amrica Latina, muito comum a presena de familiares e conhecidos na administrao das empresas. Por consequn-cia, na maioria das vezes, as questes emocionais atrapalham o processo de fuso e aquisio. As decises dos acionistas podero ocasionar um efeito potencialmente negativo para o futuro da empresa. Quem estiver envolvido precisar ter um extremo cuidado ao lidar com essas situaes e saber equilibrar razo e emoo ser primordial, alertou Nanete C. Heide, scia da Duane Morris LLP, empresa com 26 escritrios localizados na Europa, sia e Amrica Latina, voltada s transaes corpo-rativas e consultoria em geral.

    Ao contextualizar as operaes de fuso e aquisio no uni-verso das diferentes combinaes estratgicas, Nanete expli-cou: Quando uma famlia decide vender o negcio, por exem-plo, o que acontecer com os funcionrios que trabalharam por um longo tempo? Tero seu emprego garantido? O que acon-tecer com a empresa em si, uma vez adquirida por investidor estratgico, fundo de private equity ou investidor financeiro?, comentou Nanete C. Heide, dizendo ainda que esses fatores prevalecem no mercado da Amrica Latina. Na Frana ou nos Estados Unidos, os vendedores so mais reclusos, de modo que esto interessados em obter o valor de sua companhia cons-truda ao longo dos anos. Para ela, a questo emocional que envolve empresas familiares poder dificultar o enfoque e a ob-jetividade de todo o processo das modalidades de fuso e aqui-sio, sendo a causa dos principais motivos de fracasso nesse tipo de transao. O fator-chave do sucesso nessas operaes quando h equilbrio emocional na gesto do negcio tan-to por parte do proprietrio da empresas quanto das pessoas que as gerenciam.

    A maioria dos pequenos e mdios empreendimentos de empresas familiares, e nas suas diversas modalidades de servi-os e produtos ocupam um espao importante em economias industrializadas e em crescimento, tanto no Brasil quanto no restante do mundo.

    Embora grande parte dessas empresas esteja sujeita s ameaas externas decorrentes de alteraes nos modelos de concorrncia dos mercados em que operam e nos regimes eco-nmicos que as cercam, evidente que enfrentem, mais dia, menos dia, uma problemtica prpria, envolvendo motes como sucesso, gesto profissional e abertura de capital.

    Nesse sentido, o investidor estratgico que adquire outra empresa tem a finalidade de ter acesso ao produto ou servi-o, com maior apetite por empresas de pequeno e mdio portes. Seu racional de investimento com o propsito de escala, visando aumentar a atual capacidade ou faturamento e/ou penetrar em novos mercados, em menor nmero, mas de grande relevncia.

    Dentre as opes de investimentos para as pequenas e mdias empresas PME comentadas pela especialista Nanete C. Heide, esto os fundos de private equity, que versam essencialmente na criao de um fundo de investimentos por meio de um grupo de investidores que obtm importantes participaes em PME, com as quais desenvolvem parcerias ativas, compartilhando a adminis-trao e acrescentando valor empresa. Ao alcanar maior grau de desenvolvimento, o fundo de private equity aliena a partici-pao que comprou da empresa, obtendo os retornos financeiros objetivados em seu investimento.

    Conforme Nanete Heide, quando esto lidando com as empre-sas menores, os vendedores tendem a ter uma crescente expecta-tiva quanto ao valor da companhia, ao contrrio das empresas de maior porte, que conhecem bem a sua posio no mercado, pois j esto na ativa h mais tempo. Mas aquelas pequenas empresas que esto comeando, e esto na primeira ou segunda rodada de investimentos, podem no entender o que a proposta de valoriza-o traz ao seu lugar no mercado, destaca.

    Desafios

    Para a especialista, o maior desafio para os compradores atualmente , s vezes, ter de competir com um fundo de private equity ou com um investidor financeiro para adquirir o vendedor. O investidor estratgico vai olhar para um vendedor em particular: aquele que tiver uma viso no valor futuro das companhias, disse a scia da Duane Morris LLP. Para ela, um investidor financeiro ir direcionar sua ateno para um vendedor que tenha um retorno de investimento. O desafio se torna a competio pelo vendedor, bem como a estruturao correta da transao para que a estra-tgia possa obter o melhor valor para o vendedor na aquisio de sua empresa, complementa.

    Nanete acredita que o ambiente atual de operaes produziu uma srie de mudanas nos ltimos trs ou quatro anos devido crise financeira no mercado mundial. Ns tivemos que repen-sar a maneira como o private equity e os fundos de investimento participam do mercado. Acho que o investidor estratgico repen-sou o mercado e como ele participa dessas transaes tambm. Ento, todos ns estamos ainda nos ajustando e fazendo nos-so trabalho de forma diferente do que nos anos anteriores. E o mercado ainda est res-pondendo contnua incer-teza da forma como as coisas iro progredir, afirmou.

    Ainda continuaremos vendo alguma lentido nas negocia-es que esto em andamento e as que sero feitas, mas, ao mesmo tempo, comearemos a sentir otimismo de ambos os lados, tanto os vendedores como os compradores, e as transaes comearo a ser realizadas, conclui.

    Segundo especialista, o fator equilbrio emocional

    poder agregar maior eficincia no processo de fuso

    e aquisio, sobretudo em empresas familiares

    As razes para equilibrar

    as emoes

    investimentos estratgicosrevistA Governana Jurdica

    Nanete C. Heide, Scia da Duane Morris LLP.

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    anliserevistA Governana Jurdica

    Mais de 8,5 milhes de empresas brasileiras de todos os portes desembolsaram a incrvel quantia de R$ 111 bi-lhes para ajuizar ou dar andamento, no ano retrasado, a 74,4 milhes de processos judiciais.

    Esses dados fazem parte do estudo que foi divulgado em fevereiro de 2014 pelo escritrio Amaral, Yazbek, sociedade de advogados de Curitiba que h 28 anos se dedica ao direito empresarial e tributrio e, mais recen-temente, atuao na rea de governana jurdico-tributria. O escritrio,

    Falta de gesto jurdica adequada compromete a lucratividade de empresas de todos os portes, aponta estudo indito do escritrio Amaral, Yazbek Advogados

    Gasto anual com processos judiciais chega a R$ 111 bilhes

    por meio de seu fundador, Gilberto Luiz do Amaral, tambm o respon-svel pela criao e manuteno do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributao (IBPT).

    Para os pouco afeitos a grandes somas em dinheiro, algumas compa-raes podem ajudar a entender o que representa R$ 111 bilhes. Esse o valor aproximado do supervit primrio consolidado das contas do setor pblico que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, gostaria de ter regis-trado em 2013 mas que ficou abaixo do esperado. Ele tambm quase

    OBJETO DE ESTUDO

    Para chegar a essas concluses, Gilberto e Letcia Amaral reuniram-se ao tambm scio Cristiano Lisboa Yazbek. Juntos, os trs dedicaram mais de 300 horas anlise amostral de aproximadamente 22 mil processos judiciais, disponibilizados no relatrio de 2013 do Conselho Nacional de Justia (CNJ), de-monstrativos financeiros de quase 7,5 mil empresas, arrecada-o tributria e avaliaes de comportamento do faturamento empresarial realizadas pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributao, IBPT, entidade do qual os organizadores do estudo tambm so diretores.

    A anlise mostrou que, em 2012, 83% das aes em trmite envolveram pessoas jurdicas. O valor mdio anual gasto com a atividade judicante para cada ao foi de R$ 1,5 mil, porm, as maiores gastaram bem mais. Elas despenderam cerca de R$ 2 mil por ao, enquanto as mdias arcaram com R$ 1,3 mil e as micro e pequenas com R$ 618.

    Em mdia, o valor de causa discutido por demanda foi de R$ 51,3 mil. No entanto, h valores menores e bem maiores que essa mdia. Tambm aqui funciona a proporo segundo a qual quanto maior o porte da empresa, maiores os valores envolvidos. Assim, somadas, as demandas das micros e pequenas organi-zaes empresariais respondem por R$ 157,3 bilhes (3,8% do total); as mdias, por R$ 724,8 bilhes (17,4%); e as maiores por R$ 3,29 trilhes (78,9%).

    EMPRESA MAIOR, GASTO MAIOR

    Empresas de maior porte, tambm aponta o estudo, so par-te em maior nmero de aes judiciais corporativas. Cada uma tem seu nome envolvido em 186 processos, enquanto as mdias ficam com 10,5 e as micro e pequenas com 2,5 demandas. A m-dia entre as trs de 8,7 demandas por empresa.

    Segundo Letcia Amaral, entre os principais motivos dessas aes esto a cultura litigante do brasileiro em seus tratos co-merciais e laborais, a voracidade do fisco e a falta de cuidados prvios no fechamento de contratos. Falta a cultura da negocia-o amigvel. E completa: Elas no consideram que, em muitos casos, melhor pagar o valor tido como injusto de um tributo exigido do que levar a questo para os tribunais. Por conta dis-so, acabam gastando mais dinheiro, com custas e administra-o das aes. Na esfera tributria, as demandas responderam em valores, quantitativamente, por 43% e por 63% do total de aes em 2012.

    nesse ponto que entra a governana jurdica e sua impor-tncia. Segundo Cristiano Yazbek, essa ferramenta permite a correta mensurao de riscos jurdicos e anlise em optar-se, ou no, pela litigncia como estratgia de negcios. Isso porque, mais do que dar suporte s empresas nos tribunais, a GJ atua preventivamente, mostrando alternativas sa aes judiciais.

    O IMPACTO

    Os representantes das empresas que optam pelo embate judicial precisam estar conscientes de que cada fase processual envolve gastos, por menores que possam parecer. O estudo mostra que foram despendidos mais de R$ 23 bilhes em custas judiciais e extrajudiciais, R$ 17 bilhes em honorrios advocatcios, R$ 2,1 bilhes em percias, R$ 65,8 bilhes em multas, R$ 530 milhes em viagens e hospedagens das partes e seus advogados at as sedes dos tribunais e R$ 2,5 bilhes

    quatro vezes o valor previsto para as obras da polmica usina de Belo Monte, no Par, que exigiriam cerca de R$ 30 bilhes. J os estdios re-formados e construdos no Brasil para a realizao da Copa do Mundo de 2014 j absorveram R$ 26,5 bilhes menos da quarta parte do valor somado dos gastos com todas as demandas.

    Isso mostra o quanto faz falta maioria das empresas o supor-te permanente em governana jurdica, que nada mais do que agir preventivamente, sempre usando o intrincado universo de normas do direito brasileiro em seu favor, comenta a advogada Letcia Mary Fernandes do Amaral, scia do escritrio e uma das coordenadoras do estudo. Juntas, as aes em questo somam R$ 4,17 trilhes a serem liquidados to logo permita a agenda dos tribunais - sendo otimista, em aproximadamente 10 anos.

    Valor das demandas judiciais em trmite por porte de empresas.

    com acompanhamento dos processos em andamento. Todo esse gasto pode parecer pouco quando comparado aos R$ 6,6 trilhes de faturamento anual de todas as empresas litigantes R$ 733 bilhes das micro e pequenas, R$ 1,25 trilho das mdias e R$ 4,6 trilhes das grandes empresas.

    No entanto, ele significa nada menos que 1,69% do faturamento mdio das mesmas dinheiro que poderia ser aplicado em de controladoria e governana jurdica, alm da expanso do empreendimento.

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    anliserevistA Governana Jurdica

    Est em vigor desde julho de 2013 uma norma tributria que interessa muito s empre-sas brasileiras: o art. 20 da lei federal 12.844, que altera do art. 73 da lei 9.430/96, relati-vamente restituio e com-pensao de tributos pagos indevidamente ou a maior.

    Concebido para dar amparo jurdi-co a uma prtica recorrente da Receita Federal, introduzida via norma infra-constitucional a Instruo Normati-va n. 1.300, de novembro de 2012, em seu art. 61, pargrafo primeiro re-ferida lei j nasce ilegal. Isso porque tenta dar validade a um artifcio h muito usado pela Receita Federal (RF) para, ao arrepio do Cdigo Tributrio Nacional (CTN), dificultar o acesso do contribuinte que possua regular parce-lamento de dbito resti-tuio de tributos pagos indevidamente.

    Segundo o CTN, em seu art. 151, VI, o parcelamento de dvida suspende a exi-gibilidade da cobrana do dbito por parte do fisco. Em outras palavras, a d-vida reconhecida e negociada com o fisco equivaleria a um pagamento em prestaes, no podendo impedir o contratante do financiamento - o con-tribuinte - de receber crditos a que tenha direito. Para o art. 20 da nova lei 12.844, no entanto, no assim que funciona a relao com o contribuinte.

    o que ilustra a experincia de um empresrio paranaense que no teve

    Demora em pagar crdito reconhecido sugere desrespeito hierarquia legal

    CompensaoLei Ordinria Federal desafia o CTN

    outra alternativa seno procurar aju-da especializada. H 2 anos, Devon-sir Reinaldo Wisniewski Jnior detec-tou que sua empresa a Source One Consultoria e Assistncia Tcnica, h 18 anos no mercado de insumos para informtica - tinha direito a um crdito, sobre o recolhimento a maior de contribuies previdencirias, de aproximadamente R$ 70 mil. Solici-tou, ento, junto RF a restituio da importncia correspondente. Sua expectativa era receber a quantia em pouco tempo, uma vez que seu direito era legtimo. E isso j havia acontecido em situao semelhante, em outubro de 2010, quando reque-reu outra restituio e a obteve rapi-damente. Assim como hoje, naquela poca o empresrio tambm tinha

    um parcelamento de dvida tributria em dia com o fisco.

    Dessa vez, no entanto, no foi isso o que aconteceu. Passou-se o primeiro ano da formulao do pedi-do prazo em que a RF, por lei, deve-ria ter se pronunciado e nenhuma resposta. Quando faltavam alguns meses para completarem-se 2 anos de silncio do rgo, o empresrio

    saiu em busca de amparo jurdico. Imediatamente, foi feito e deferido um pedido liminar para apreciao do requerimento do contribuinte em at 30 dias.

    A RF analisou o pedido e o deferiu em sua quase totalidade. Porm, veio a surpresa: a despeito do que determina o CTN, o rgo emitiu deciso no sen-tido de que a empresa no teria direito a receber o crdito porque parte dele seria destinada a compensar o valor de outra dvida que est parcelada e sendo paga em dia.

    Os advogados do empresrio j es-to tomando as providncias jurdicas para garantir que o direito do contri-buinte, previsto no CTN, norma com

    hierarquia superior Lei 12.844, seja respeitado. necessrio arguir a ilegali-dade da lei 12.884 e garan-tir que esse contribuinte receba a importncia a que tem direito, resume a ad-vogada e consultora tribu-tria Letcia Mary Fernan-des do Amaral, da Amaral, Yazbek Advogados.

    O empresrio est an-sioso para que sua empresa resgate o dinheiro. uma situao muito estranha, frustrante e desagradvel, que retarda o investimento na empre-sa, desabafa. Em valores corrigidos, o montante a receber a ttulo de res-tituio no nada mau: Wisniewski estima que, corrigidos, os R$ 70 mil originalmente pagos a maior hoje che-guem a at R$ 120 mil.

    ... a dvida reconhecida e negociada com o fisco

    equivaleria a um bem adquirido em prestaes: nada impede o

    contratante do financiamento de acessar crditos a que

    tenha direito.

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    va Reynolds, citando como exemplo outro pas emergente, a ndia.

    No entanto, afirma o especialista, um dos maiores desafios neste processo, especialmen-te aos pases que no possuem esta cultura, o quo rpido essa adaptao pode acontecer, apesar de questes desafiadoras como o sis-tema tributrio, no caso do Brasil. No Reino Unido, tambm temos um sistema tributrio in-crivelmente complexo, assim como na Frana e outros pases europeus. Claro que esta questo nos impe alguns desafios, mas no determi-nante para impedir a instalao de um mecanis-mo apropriado de governana.

    Corrupo

    Outra questo que tem ganhado maior aten-o dos empresrios brasileiros que fazem parte de um grupo estrangeiro ou realizam negcios com companhia de outros pases so os meios de evitar as prticas de corrupo na adminis-trao das empresas.

    A advogada espanhola Marta Arias Diaz in-forma que, em pases como os Estados Unidos, a legislao acerca destas prticas muito rgi-da e j estabelece multas pesadas para aes como a facilitao de pagamentos. No Brasil, a questo tem ganhado maior importncia, uma vez que foi sancionada em 1 de agosto de 2013 a Lei n 12.846, a chamada Lei Anticorrupo, que estabelece penalidades s empresas envol-vidas em aes de suborno, propina e outras prticas dessa natureza. Alm de afetar o cres-cimento das empresas, tais prticas iro, com a aprovao da lei, imputar responsabilidade criminal s pessoas fsicas, executivos e empre-srios das companhias. Alm das penalidades,

    esses artifcios podem comprometer seria-mente a imagem e reputao das empresas no mercado, alerta a advogada Marta Arias Diaz, que atua no escritrio de advocacia Ronaldo Martins & Advogados.

    Por este motivo, tem crescido a procura das empresas pelo compliance, ou seja, o treina-mento do corpo diretivo das companhias, com o objetivo de implantar um cdigo de tica nas empresas. Muitas matrizes de grupos estran-geiros (chamadas parent companies) esto exigindo este treinamento no Brasil, pois caso pertena a um grupo americano ou europeu, a empresa brasileira est sujeita s leis do pas de origem do grupo, alerta a especialista.

    Na Amrica Latina, o pas com menos risco por prticas de corrupo o Chile. O Brasil, apesar de ainda ser um dos pases considera-dos de alto risco, suas empresas tm buscado se adaptar cultura de compliance. um de-safio, porque uma nova cultura para os ad-ministradores brasileiros. Questes que esto bastante enraizadas no Brasil precisam deixar de ser prticas habituais e serem vistas como crimes, afirma, lembrando que a aprovao da lei poder significar at 10 anos de priso, alm das elevadas multas aplicadas s empresas que a descumprirem.

    Alm de passar pelo treinamento, o processo de compliance deve ser aliado criao de um cdigo de tica, divulgado a todos os funcion-rios da empresa e o monitoramento peridico, para comprovar o sucesso das novas prticas.

    Especialistas internacionais apontam importantes questes a serem avaliadas pelas empresas que fazem negcios ou so adquiridas

    por companhias estrangeiras

    Empresas brasileiras na mira dos estrangeiros

    aquisies internacionaisrevistA Governana Jurdica

    Com a significativa presena das pequenas empresas, muitas de origem familiar, no mercado nacional, a maio-ria delas precisa, em um determinado momento, definir quais os prximos passos da companhia, seja a venda do empreendimento a grupos estrangeiros ou a sua ampliao, atravs de nego-ciaes com empresas internacionais.

    Com o intuito de levantar as diversas ques-tes que devem ser levadas em considerao neste processo, a International Bar Associa-ton IBA, reconhecida organizao mundial que contempla escritrios, advogados e profis-sionais da Amrica Latina e Europa, realizou a Conferncia Grow or Sell: Private Companies at the Crossroads, em So Paulo, no ms de junho de 2013. Na ocasio foram exploradas as experi-ncias de empresas de diversas nacionalidades com relao as prticas de governana empresa-rial, compliance, due dilligence, private equity e aquisio das empresas por investidores estra-tgicos, entre outros aspectos.

    De acordo com o presidente da IBA, o bri-tnico Michael Reynolds, o processo de adoo das prticas de governana jurdica tem sido uma crescente preocupao de todos os pases, medida que est diretamente ligada econo-mia e aos investimentos financeiros realizados pelas empresas. No Brasil, vejo que j h um encorajamento adoo das prticas. A co-munidade jurdica neste pas, de forma geral, tem se movimentado nesta direo, em razo dos investimentos de empresas estrangeiras e o avano da economia do Pas, num momento em que as pessoas precisam de previsibilidade e sistemas adequados de governana, obser-

    Ao mesmo tempo em que as em-presas aperfeioam os seus procedi-mentos de compliance e boas normas de governana, os rgos fiscaliza-dores aprimoram os mecanismos de apurao e recolhimento de tributos por meio de sofisticados sistemas de tecnologia.

    A grande revoluo no cenrio fiscal ocor-reu a partir de 2007, quando o governo federal lanou o Sistema Pblico de Escriturao Digi-tal SPED, uma iniciativa da Receita Federal do Brasil RFB para racionalizar e uniformizar as informaes contbeis e fiscais de todas as companhias, envolvendo todos os tributos em escala federal, estadual e municipal.

    De um modo geral, o SPED versa na moderni-zao da sistemtica atual do cumprimento das obrigaes acessrias, transmitidas pelos con-tribuintes s administraes tributrias e aos rgos fiscalizadores, utilizando-se da certifica-o digital para fins de assinatura dos documen-tos eletrnicos, garantindo assim sua validade jurdica de sua forma digital.

    O sistema abrange, entre outros projetos, a Escriturao Fiscal Digital EFD-ICMS/IPI, a Es-criturao Contbil Digital ECD, a EFD Con-tribuies, e integra as administraes tribut-rias nas trs esferas governamentais: federal, estadual e municipal.

    A primeira etapa desse sistema foi a criao das Notas Fiscais Eletrnicas NF-e para ope-raes comerciais, dando prioridade ao controle do ICMS e do IPI, alm de eliminar os antigos talonrios de papel, como notas fiscais frias ou espelhadas. Hoje, a Receita est empenhada em implantar a obrigatoriedade da EFD-Contribui-es, considerada a mais completa e abrangente obrigao acessria digital criada pela RFB.

    Para atender s exigncias do SPED e en-

    tregar com agilidade e, ao mesmo tempo, cor-retamente todas as novas informaes que o Fisco exige, as empresas tm investido muito em tecnologias e servios de consultoria. Com esse sistema, os erros e as inconsistncias nas informaes fiscais so automaticamente envia-dos ao Fisco, o que tem preocupado a gesto tributria das empresas.

    De acordo com o professor, escritor, conta-dor e advogado tributarista Miguel Silva, o SPED veio a contribuir. Antes no havia um rigor maior de auditorias, de conciliaes e de audi-

    torias preventivas. Com a instituio do SPED, agora h um layout oficial.

    Hoje existe um de para (de contabilidade da empresa para a Receita Federal), comentou Silva, dizendo que juridicamente o sistema veio para cooperar com a governana jurdico-tribu-tria porque os responsveis pela parte fiscal da empresa tomaro cuidado e sabero das in-consistncias do pensamento da empresa com o da Receita j de imediato.

    Essa nova realidade fiscal cria nas empresas processos de gesto fortemente apoiados em tecnologia, para garantir que as informaes fiscais, a apurao de impostos e todos esses

    dados que sero entregues ao Fisco, estando consistentes e dentro da legislao, garantam a melhor economia tributria para empresa.

    o caso do IBPTax, sistema desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tri-butao (IBPT), que faz uma profunda anlise tributria de todas as operaes da empresa, visando identificar eventuais erros e inconsis-tncias fiscais.

    A simples validao do arquivo que transmi-te a EFD ou sua elaborao no layout da RFB no garantia para o processo ser bem-sucedi-do. O fato evidencia a importncia dos profis-sionais de tecnologia e dos especialistas na rea tributria nessa tarefa, pois so fundamentais para garantir a integridade das informaes que sero enviadas.

    Por meio do trabalho desses profissionais, a Governana Tributria, que nada mais do que a coordenao, elaborao de estratgias, con-trole e reviso dos custos tributrios, permitir s empresas um eficaz gerenciamento dos seus tributos, conclui Miguel Silva.

    Envio digital de dados fiscais s administraes tributrias reduz possibilidade de erro e espelha melhor a situao da empresa

    Realidade virtual, porm precisa

    spedrevistA Governana Jurdica

    Miguel Silva, professor, escritor, contador e advogado tributarista.

    Antes no havia um rigor maior

    de auditorias, de conciliaes e de

    auditorias preventivas. Com a instituio do

    Sped, agora h um layout oficial. Hoje existe um

    de para.

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    Tradio e expertise em Governana Jurdico-

    Tributria

    A Amaral, Yazbek advogados nova denominao da Ama-ral & Advogados Associados j nasce com a tradio e exper-tise de quase 30 anos na advocacia tributria. Meio ampla modernizao da atividade advocatcia, a Amaral, Yazbek, ou simplesmente AY, torna-se pioneira em aliar sua alta especiali-zao na rea tributria elementar a qualquer estrutura em-presarial s peculiaridades de outros ramos do direito, e de determinados setores econmicos.

    Assim, a AY se notabiliza na prestao de servios de go-vernana Jurdico-Tributria. Ou seja, na advocacia tributria

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    institucionalrevistA Governana Jurdica

    voltada igualmente minimizao de riscos e ganho de eficincia em relao a aspectos aduaneiros, ambientais, contratuais e so-cietrios, econmicos, internacionais e de propriedade intelectual, envolvidos em estruturas empresariais. Alm disso, ao estudar as peculiaridades de setores econmicos, a AY tem o diferencial de entender e se comunicar na mesma linguagem de seus clientes, buscando solues jurdico-tributrias especficas a cada setor.

    Calcada na legalidade, moralidade e tica, a equipe de advoga-dos de primeira linha da AY oferece servios personalizados.

    CONSuLTORIA JuRDICA E TRIBuTRIA ESPECIALIzADA

    A Amaral, Yazbek Advogados, utilizando-se sempre dos preceitos da Governana Jurdico-Tributria, se diferencia dos demais escrit-rios de advocacia tributria por prestar servios que aliam o direito tributrio aos seguintes ramos do direito:

    Econmico

    Leis anticoncorrenciais, medidas antidumping, normas regulatrias de atividades econmicas, por gerarem grande impacto na ativida-de empresarial, igualmente demandam profissionais qualificados na rea jurdica para prestar o correto aconselhamento. Ademais, como atualmente j pacfica a anlise econmica do direito (law and economics) e a influncia da economia no direito tributrio, principalmente no que tange ao propsito negocial de operaes que gerem reduo fiscal, a AY mostra-se altamente capacitada para atender qualquer demanda assim relacionada.

    Empresas estrangeiras que pretendem investir no Brasil assim como brasileiros que querem expan-dir suas atividades para o exterior se preocupam muito com questes tributrias e contratuais para que seus investimentos sejam lucrativos e apresentem risco jurdico reduzido. justamente no aconselhamento desses clientes que a AY vem adquirindo expertise nos ltimos anos.

    Internacional

    FOCO EM SETORES DA ECONOMIA

    A AY tambm inova na manuteno permanente de grupos internos de estudo de setores da economia. Atualmente, tem focado de forma especial no estudo de questes tributrias e jurdicas estratgicas para os setores porturio, automotivo e de tecnologia da informao.

    Isso porque so setores econmicos muitssimo relevantes para o crescimento nacional e que tm, atualmente, passado por importantes reformas e inovaes legislativas, que impactam em seu crescimento e tributao.

    Fazem parte de nossos servios de consultoria tributria: anlise, orientao e coordenao da insero da empresa aos padres contbeis interna-cionais; anlise, reviso e adequao dos procedimentos contbeis e fiscais adotados pela empresa, no intuito de garantir a menor carga tributria legal e eticamente possvel; e realizao de due diligences contbeis e fiscais.

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    Transferncia de tecnologia e o in-tangvel empresarial, como marcas e patentes, por exercerem grande impacto tributrio, tambm neces-sitam de aconselhamento jurdico especializado. A AY conta com pro-fissionais que estudam constante-mente aspectos do direito da pro-priedade intelectual para assessorar seus clientes de forma estratgica.

    Propriedade Intelectual

    O direito aduaneiro est intrinsica-mente conectado ao direito tribu-trio em relaes a operaes de comrcio exterior, que hoje repre-sentam 20% do PIB brasileiro. Dian-te dessa realidade, a AY se preocupa na qualificao da sua equipe tam-bm no direito aduaneiro para que possa prestar auxlio jurdico-tri-butrio completo aos seus clientes ligados ao comrcio exterior.

    Aduaneiro

    Toda operao contratual e societ-ria gera reflexos tributrios, assim como toda operao de eliso fiscal tem reflexos contratuais e societ-rios. Diante disso, a AY vem conso-lidando sua expertise no assesso-ramento a operaes de fuses e aquisies, alm de outras formas de alianas estratgicas, sempre com foco no melhor resultado tribu-trio possvel, em atendimento aos princpios da governana tributria.

    Contratual e societrio

    Manter uma relao responsvel com o meio-ambiente tem especial importncia quando o assunto empresa. Cada vez mais a chamada tributao verde vem ganhando fora entre profissionais e o fisco. Nesse contexto, a AY presta asses-soramento jurdico visando a utili-zao da tributao de forma a be-neficiar iniciativas que sejam scio e ambientalmente corretas.

    Ambiental

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    Advogado, formado pela Universidade Federal do Paran - UFPR, especialista em direito tributrio e processual pela Pontifcia Universidade catlica do Paran (PUC-PR); contador, graduado em cincias contbeis pela FAE Faculdade Catlica de Administrao e Economia PR.

    Consultor de empresas nacionais e multinacionais; professor de ps-graduao em direito, planeja-mento e gesto tributria de inmeras instituies em So Paulo e no Paran; coordenador de estudos do IBPT Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributao e scio do IGTAX Instituto de Governana Tributria. Coordenador, autor e coautor de diversos livros, estudos e artigos jurdicos e tributrios.

    Gilberto Luiz do Amaral

    gilberto.amaral@ayadvogados.com.br

    Advogado, formado pela Universidade do Vale do Itaja (Univali), especialista em Legislao e Planejamento Tributrio pela Universidade Positivo e mestrando em Direito Econmico e Socioambiental pela Pontifcia Universidade Catlica do Paran (PUC-PR).

    Autor de artigos, pareceres e estudos jurdicos, dentre os quais: Juros e o Judicirio (Dirio Catarinense, 2003), Aspectos destacados sobre a execuo hipotecria (Revista da OAB/SC, 2004), ICMS e energia eltrica: demanda reservada de potncia (Unicenp, 2006), e PIS-importao e Cofins-importao (IBPT, 2008); diretor do IBPT Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributao e scio do IGTAX - Instituto de Governana Tributria

    Cristiano Lisboa Yazbek

    cristiano.yazbek@ayadvogados.com.br

    Advogada, formada pela Faculdade de Direito de Curitiba - UNICURITIBA e Ps-graduanda em Direito Tributrio e Processo Tributrio.

    Autora de artigos e estudos jurdicos, dentre os quais: Critrio Espacial da Regra-Matriz de Incidncia Tributria do ISS (UNICURITIBA, 2008), Modalidades de Alianas Estratgicas entre Empresas: da Simples Intermediao s Fuses e Aquisies (Guia Prtico Alianas Estratgicas com Empresas Brasileiras: uma Viso Legal, Lex Magister, 2011) e As Ressalvas na Excluso das Empresas do Programa de Parcelamento Especial (Jornal o Estado do Maranho, 2012).

    Tailane Moreno Delgado

    tailane.delgado@ayadvogados.com.br

    Advogada, formada pela Faculdade de Direito de Curitiba - UNICURITIBA. Mestre em Direito Internacional e Europeu de Negcios pela Universit de Sciences Sociales Toulouse (Frana), reconhecida pela Universidade de So Paulo/USP, com experincia profissional na Grays Inn Tax Chambers em Londres/UK e especialista em Direito Tributrio pela Academia Brasileira de Direito Constitucional . Professora em cursos de ps-graduao e de aperfeioamento na rea tributria, scia do Instituto de Governana Tributria IGTAX, vice-presidente do IBPT, coordenadora, coautora e autora de livros, artigos jurdicos e de estudos sobre a carga tributria brasileira. Membro da IBA - Internacional Bar Association.

    Letcia Mary Fernandes do Amaral

    leticia.amaral@ayadvogados.com.br

    O conjunto da tributao brasileira renda/consumo/patrimnio o mais alto do mundo, o que dificulta o crescimento da economia. Gilberto Luiz do Amaral, scio da Amaral, Yazbek Advogados, presidente do Conselho Superior e coordenador de Estudos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributao IBPT

    So necessrias mudanas na cultura para se adequar nova realidade empresarial, para que haja enquadramento nos preceitos de governana empresarial, jurdica e tributria que venham a ser adotados pela nova empresa. Letcia Mary Fernandes do Amaral, especialista em Direito Tributrio e scia da Amaral, Yazbek Advogados

    A tributao Socioambiental uma manifestao contempornea impulsionada por uma crescente presso em torno do assunto Cristiano Lisboa Yazbek, scio da Amaral, Yazbek Advogados em entrevista para a Revista Amanh

    Antes de fecharmos o ano superamos os melhores resultados das movimentaes. Isso s pode ser alcanado atravs da constante busca pela excelncia nos servios. Luiz Henrique Dividino, superintendente da Administrao dos Portos de Paranagu e Antonina (Appa), sobre o recorde de movimentao nos portos em 2013

    imprescindvel forjar uma governana internacional representativa e transparente, capaz de dar respostas coletivas e duradouras para os desafios e tambm de partilhar as oportunidades que se apresentam no sculo 21 Presidente Dilma Roussef, em artigo da revista LHumanit Dimanche sobre as estratgias de governana

    A substituio dos produtos importados no se dar numa velocidade muito grande que possa alavancar [a produo] a um nvel muito grande Luiz Moan, presidente da Associao Nacional de Fabricantes de Veculos, sobre o crescimento da indstria automotiva em 2014 para a Folha de So Paulo

    Primeira coisa a ser feita corrigir a tabela nos mesmos percentuais de inflao. Isso j ajustaria essa defasagem e esse problema seria sanado Airton dos Santos, coordenador do Dieese, sobre a defasagem da carga tributria no Brasil

    Capital como gua, sempre flui por onde encontra menos obstculos Antnio Delfim Netto, economista e poltico brasileiro

    O regime tributrio brasileiro complexo, regressivo e disfuncional Claudio J. D. Sales, Presidente do Instituto Acende Brasil

    A Governana Tributria nada mais do que a coordenao, elaborao de estratgias, controle e reviso dos custos tributrios Miguel Silva, professor escritor e advogado tributarista

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    sciosrevistA Governana Jurdica virou notcia

    revistA Governana Jurdica

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    Seja um profissional completo.Saiba usar inteligncia tributria como estratgia de negcios e destaque-se no mercado.

    41.3015.5559mbagovernancatributaria.com.br contato@infoeducacao.com.br