revista fraude 9

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Publicação da nona edição da revista Fraude 9. Produto laboratorial realizado pelo Programa de Educação Tutorial da Faculdade de Comunicação da Bahia (Petcom), financiado pelo Ministério da Educação (MEC).

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  • FRAUDE 2011

  • FRAUDE 2011

    9Editorial

  • FRAUDE 2011

    Eis que surge uma nova Fraude. Sur-gir talvez no seja exato, pois d uma ideia de que tudo se organizou por von-tade de Deus e s dele. E no foi bem assim... Foram nove meses de gestao pensando no que traramos de novo (mes-mo sabendo que nada nunca to novo assim!) tanto para nossos fiis leitores quanto para os eventuais.

    Se o incio deste editorial parece com uma frase clich de convite de formatura no por acaso. s para justificar que essa foto no sinal de heresia. Frauda-mos tudo, no por mal, mas por necessi-dade. Nem a Santa Ceia nos escapou e ele tem de nos perdoar.

    Na nsia de querer mais e mais, tra-zemos trs reportagens mais longas que renderam experincias bacanas tanto aos

    reprteres quanto equipe. Foram elas: Body modification, Reduo de Danos e, claro, a matria (de capa) sobre o Caf Calypso. Em compensao, outras fica-ram mais enxutas.

    Falando nisso, publicamos um calend-rio de 2012 com fotos sensuais de uma das mulheres mais famosas do mundo. S no v destac-lo e colar na parede de sua casa, por favor! Extinguimos as cinco editorias que desde a quinta edio nos acompanhavam, afinal classificaes so boas at quando nos permitem fazer algo novo. Criamos o Selo Fraude de qualida-de, que este ano foi dedicado ao melhor arrumadinho da cidade. Contamos com a colaborao sempre bem-vinda de mui-tos ilustradores, que souberam expressar atravs dos seus traos exatamente aquilo

    que queramos dizer com nossas palavras. Como se no bastassem todos esses

    processos de realizao da revista, a Ma-caquicha sumiu. Inventou que nunca ne-nhum de ns demos real importncia a ela, alegou que nem a convidamos para a foto deste editorial e fugiu, sem leno e sem documento. Espalhamos cartazes de procura-se pela cidade, ligamos para a Polinter e pedimos ajuda aos amigos, mas at hoje no a encontramos. Antes de fugir, no entanto, pediu que pelo menos tivssemos a considerao de publicar uma entrevista com um amigo que ela costumava afogar desiluses perdidas pela internet.

    Aps tudo isso, s temos dois grandes desejos: no nos crucifique e aprecie a nona edio da Fraude sem moderao.

  • um guia para a fraude

    06Me pinte aqui pra Timbalada!A obra de Ray Vianna: da Timbalada s lojas de decorao

    08A forma fora da frmaBody modification: a arte estampada no corpo

    13O Zu o limiteEm entrevista, o artista multimdia fala sobre trabalhos, fragilidades e desafios

    16Antes de tudo, um forteO imaginrio sertanejo do artista plstico Juraci Drea

    19Um lugar do caralho!O Caf Calypso: saudoso e famoso inferninho de Salvador

    24No proibido fumarReduo de Danos: a estratgia de sade que respeita o uso de drogas

    29O lado B do jornalismoO encontro de dois personagens de fico que se mos-tram jornalistas de verdade

    30Barbie quer ser gente grandeUm ensaio sensual com a modelo que no envelhece nunca

    32Selo Fraude de qualidadeEm sua edio de estreia, o Selo Fraude avalia os arrumadinhos de Salvador

    34A arte chegou l!Tintas, cores, pincis, brilho, desenhos e... cera!

    37Oxe, uai!Conhea os culpados pelo inusitado e criativo Quadri-nhos Rasos e a dinmica por trs do blog

    E ainda: confira o material extra das matrias no site revistafraude.com

    08 1306

  • A revista Fraude uma publicao do Programa de Educao Tutorial da Faculdade de Comunicao (Petcom) da Universidade Federal da Bahia. O Pet um programa mantido pela Secretaria de Ensino Superior do Ministrio da Educao, e atravs do oramento anual destinado ao Petcom que paga a impresso da revista. As opinies

    expressas neste veculo so de inteira responsabilidade dos seus autores. Ano 8, nmero 9, novembro de 2011 Salvador - Bahia.Tiragem: 1000 exemplares. End.: Rua Baro de Geremoabo, s/n, Ondina, Salvador, Bahia - Brasil.Tel.: 3283-6186www.petcom.ufba.br | petcom@ufba.brwww.revistafraude.com

    quem faz a fraudeTutora Petcom: Graciela NatansohnEditora-geral: Marlia MoreiraSubeditores: Amana Dultra, Karina Ribeiro, Marcelo Arglo e Tais BicharaEditora de Fotografia: Amana DultraEditora Multimdia: Bruna CookDiretor de Arte: Wesley MirandaDiagramao: Amana Dultra, Marcelo Arglo e Wesley Miran-da, com colaborao de Karina RibeiroAssessoria de Comunicao: Bruna Cook, Daniel Silveira,

    agradecimentos grfica Cartograf, pela ajuda de sempre na impresso da revista. A Oliver Drea, pela ilustrao feita sobre a foto de Agnes Cajaiba e que deu um qu nossa capa. A Nancy Vigas, Vandex, Mauro YBarros, Ronei Jorge e Luciano Matos, frequentadores do antigo Caf Calypso, que dedicaram uma parte de suas manhs a posar para nossa foto de capa. Ao jornal Correio* por ceder uma foto de seu arquivo para matria sobre o Caf Calypso. s ilustradoras Marib e Luana Vellame. A Isabela Maranho, Guilherme Souza e Breno Costa por terem cedido as fotos do ensaio sensual da Barbie para compor o calendrio 2012 da nossa revista. Ao professor Rodrigo Rossoni, pelos conselhos fotogrficos. A Matheus Piraj pela gravao e edio dos vdeos de divulgao do evento. banda Expresso Libre, que aceitou o convite para animar o lanamento. Ao Pelourinho Cultural, Centro de Culturas Populares e Identitrias e Secretaria de Cultura por cederem a Praa Pedro Archanjo e toda infraestrutura necessria realizao do nosso evento.

    Marlia Moreira e Paula MoraisProduo do Lanamento: Daniel de Farias, Eduardo Coutinho, Flvia Santana, Karina Ribeiro e Tais Bicha-ra, com colaborao de Bruna Cook e Nelson OliveiraReprteres: Amana Dultra, Bruna Cook, Daniel de Fa-rias, Daniel Silveira, Eduardo Coutinho, Flvia Santana, Karina Ribeiro, Marcelo Arglo, Marlia Moreira, Paula Morais, Tais Bichara e Wesley MirandaFoto de Capa e Editorial: Agnes Cajaiba/LabfotoIlustrao de Capa: Oliver Drea

    16 19 24

  • FRAUDE 2011

    Se voc assistiu a Pa, , cer-tamente lembra dessa fala de Rosa, personagem de Emanuelle Arajo no filme de Mnica Gardenberg. Quem v as marcas tribais pintadas de tinta branca nos corpos que acompanham o trio eltrico puxado pela banda Tim-balada geralmente no tem noo de como a ideia surgiu. Inveno casual de Ray Vianna, a pintura dos timbalei-ros a principal obra do artista plsti-co, designer e cengrafo baiano, com cerca de trinta anos de dedicao ao trabalho artstico.

    Aos 15 anos, Ray Vianna j traba-lhava em decoraes do carnaval com os artistas plsticos Renato Vianna, seu irmo, e Juarez Paraiso, sua princi-pal influncia. Ainda na adolescncia, participou do grupo de cenografia do colgio onde estudou. A experincia despretensiosa com arte, carnaval e

    Me pinte aqui pra

    Timbalada!texto Daniel de Farias e Daniel Silveirafoto Lorena Vinturini/Labfoto

    FRAUDE 201106

    Ray Vianna artista plstico e transita entre suas origens na Timbalada e suas novas peas para decorao

  • FRAUDE 2011FRAUDE 2011

    cenrio influenciou decisivamente a trajetria profissional do artista.

    Ray conta que acompanhou a Timba-lada desde o incio. Participou da mon-tagem de trios, pinturas de instrumen-tos e de abads, ou seja, da produo da identidade visual da banda. O desenho tribal, por exemplo, nasceu de um en-graado acaso. Antes de um importan-te show, o figurino de um dos percussio-nistas no chegou e ele pediu para ter o prprio corpo pintado por mim. Pouco tempo antes de comear, tive a ideia de pintar desenhos tribais com tinta acr-lica branca. No dia seguinte, como a Timbalada estamparia a prxima capa da revista Isto , Carlinhos Brown pe-diu ao artista que ele refizesse a pintura, dessa vez em toda a banda.

    A pintura se tornou smbolo da Tim-balada. At hoje, quem se pinta com as marcas caractersticas reconhecido

    como timbaleiro. No entanto, os dese-nhos no ficaram s no corpo. Nas ca-pas dos trs primeiros discos da banda, produzidas por Ray, as marcas tribais so destacadas. A primeira, em que os seios de Patrcia na poca vocalista da banda aparecem pintados, rendeu ao artista o trofu Caymmi prmio dedi-cado aos destaques da msica baiana na categoria melhor capa de disco.

    A influncia da cultura afro-baiana no processo criativo do artista evi-dente no resultado final de sua obra. Tanto no trabalho com a Timbalada, como nas decoraes de carnaval e obras de artes plsticas, os elementos de matriz africana, que, nas palavras do artista, entram pelos poros, esto presentes. A escultura Odoy lo-calizada no bairro Rio Vermelho foi elaborada junto com a decorao da festa de Yemanj e expressa saudao

    ao orix, alm de reportar tradio pesqueira local.

    Atualmente, Ray tem dado priorida-de s artes plsticas, levando o reco-nhecimento da cenografia para o mer-cado das artes. O artista faz o que ele intitula de arte aplicada e suas obras mais atuais tambm so vendidas em lojas de decorao. Segundo ele, es-paos em galerias so muito difceis e Salvador tem um pblico que no cos-tuma consumir artes plsticas.

    Se alcanar a versatilidade e reali-zar trabalhos em diversas linguagens uma meta de muitos artistas, para Ray Vianna uma realidade. Difcil para ele parar de trabalhar. Quando no est no computador desenhando um novo produto, est no atelier pintando ou montando peas. Multifacetado, ele afirma com prazer que se sente feliz em fazer o que faz.

    07

    Ray

    Vian

    na/A

    rqui

    vo p

    esso

    al

    Sem ttulo, 2011 Alegria da cidade, 2010

    Oxum/Srie Orixs, 2009 Ody, 2008E MAIS...

    DE OUTRAS OBRASDE RAY VIANNA

    FOTOS

  • FRAUDE 201108

    Para contemplar uma pintura no mu-seu ou o lanamento de um filme ne-cessrio o deslocamento do espectador at o encontro dessas obras artsticas. No entanto, a arte em movimento e es-tampada no corpo, chamada de modi-ficao corporal ou body modification, no exige ser contemplada em um lu-gar especfico, afinal vista frequen-temente.

    A ideia de utilizar o corpo como su-porte da arte foi difundida na dcada