revista fraude #7

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Revista produzida pelo grupo Petcom - UFBA

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  • No d mais para pensar apenas nas mdiastradicionais. Em sintonia com as novastecnologias, que trazem possibil idadesdiferenciadas para as organizaes, est aPaperCliQ. Alinhada s ltimas tendncias emcomunicao e marketing, a agncia surgiu paraauxiliar o mundo corporativo a se posicionarestrategicamente no universo digital.

    Desafie as velhas ideias...

    Posicione-se!

    Com tantas transformaes em jogo, precisose reinventar, descobrir novas possibilidades e, claro, garantir bons resultados. Saiba mais,acesse:

    www.papercliq.com.br

    ww

    w.quartetodecinco.com

    .br - contato@quartetodecinco.com

    .br Telefone: (71) 9601-2009

  • Apesar de sua linha editorial e seus objetivos bem definidos falar de cultura em Salvador a revista Fraude no pode ser destacada do lugar em que produzida, o Programa de Educao Tutorial (PET - MEC), nem de quem a produz, os doze bolsistas e a tutora, alm de seus colaboradores. A cada ano o projeto Fraude incrementado e cresce com a contribuio daqueles que chegam, passam e transitam pelo PET. As pginas da revista so expresses individuais e coletivas do que pensam, sonham e projetam seus criadores.

    E essa edio expresso clara disso. Continuamos nossa j tradicional aproximao com as histrias em quadrinhos e estampamos em nossas pginas uma HQ ficcional. A literatura est presente de novo, mas agora em udio! E alm disso, tratamos do que est acontecendo nas ruas de Salvador e do mundo: jornalismo, moda e publicidade espalhados pelas cidades.

    A Fraude #7 est a, feita por ns e para vocs. Leiam, comentem, critiquem. E at a prxima edio.

    Editorial 7

  • FRAUDE 2009/10 04

    um guia para a fraude

    editorias da fraude

    agradecimentosA todos que colaboraram com texto, imagem, foto ou ilustrao. A Quarteto de Cinco e DJ OX pelo som, ao

    Coletivo Muito Barulho por Nada pela performance e ao River's Pub pelo espao de lanamento. Ao artista Paul Stride-Noble por ter nos permitido ilustrar nossa capa com sua pixeltown. A Fabiane Oiticica pelos 13 retratos feitos

    naquela manh corrida. A Bruno Marcelo por desenhar e colorir uma de nossas pginas com seu criativo trao. A Mariana David por expor na revista uma de suas imaginativas fotografias. E ajuda de Rodrigo Lessa, que continuou

    fraudando mesmo quando no era mais sua obrigao.

    Economia da Cultura: Quando a cultura de consumo recria o consumo de cultura.

    pgina 08

    Cotidiano: No dia-a-dia da cidade h histrias que passam quase despercebidas... quase.

    pgina 20

    Imaginando: Ler histrias, ouvir histrias... Agora hora de tambm v-las.

    pgina 39

    Preliminares: Comece por aqui.pgina 06

    Ciber: -arte, -tecnologia e -cultura.pgina 29

    FragmentosFraes de histrias com um pouco de san-gue e divagaes sentimentais. p.06

    Costurando uma profissoO perfil de Seu Andrade, um alfaiate que sobrevive s condies do mercado. p.11

    O grande artistaComo trabalham os curadores, responsveis pela montagem de exposies artsticas. p.08

    Atravs do Quarto MundoConhea o coletivo de quadrinhistas que est movimentando o mercado editorial de revis-tas independentes. p.13

    Mais fcil que aprender japons em brailleApesar de ainda ocupar um tmido espao nas livrarias, o audiolivro comea a criar um mercado de fiis leitores ou seriam ouvintes? p.17

    Sex in the cityOutdoors de motis espalhados por toda Salvador atraem clientes e causam polmicas. p.20

    Acaraj s com saladaEm busca do acaraj perfeito: as desventuras de uma vegetariana em Salvador. p.25

    Cultura do desencantoNo histria, doutrina, cincia, seita ou religio: o que , ento, a Cultura Racional? p.23

  • A revista Fraude uma publicao do Programa de Educao Tutorial da Faculdade de Comunicao (Petcom) da Universidade Federal da Bahia. O PET um programa mantido pela Secretaria de Ensino Superior do Ministrio da Educao, e atravs do oramento anual destinado ao Petcom que paga a impresso da revista. As opinies expressas neste veculo so de inteira responsabilidade dos seus autores. Tiragem: 1000 exemplares. Ano 6, nmero 7, Salvador - Bahia. End.: Rua Baro de Geremoabo, s/n, Ondina, Salvador, Bahia - Brasil. Tel.: 3283-6186. E-mail: petcom@ufba.brwww.petcom.ufba.brwww.revistafraude.blogspot.com

    FRAUDE 2009/10 05

    quem faz a fraudeTutora Petcom: Graciela NatansohnEditora-geral: Paula JanayEditor Ciber: Samuel BarrosEditor Cotidiano: Joo Arajo Editora Economia da Cultura: Carolina GuimaresEditor Imaginando: Marcelo LimaDiretora de arte: Jssica PassosDiagramao: Caio S Telles, Jssica Passos, Matheus Santos, Renato Oselame, Rodrigo Lessa, Samuel BarrosAssessoria de comunicao: Joo Arajo, Lus Fernando Lisboa, Nelson Oliveira, Verena Paranhos Produo do lanamento: Carolina Guimares, Elaine Morgana, Flvia Santana, Leonardo Pastor, Marcelo LimaRedatores e colaboradores: Alana Camara, Caio S Telles, Carolina Guimares, Elaine Morgana, Jssica Passos, Joo Arajo, Jlio Landim, Leonardo Pastor, Lus Fernando Lisboa, Marcel Ayres, Marcelo Lima, Nelson Oliveira, Paula Janay, Rodrigo Lessa, Samuel Barros, Tiago Canrio, Verena ParanhosColaboradores de imagem: Andr Leal (p.39, 40, 41), Bruno Marcelo (43), Fabiane Oiticica (3), Kelvin Oliveira (34, 35, 36), Mariana David (42), Thcio Faria (8, 9, 10), Lus Fernando Lisboa (11), Arquivo pessoal (29). Capa: Paul Stride-Noble (ilustrao) e Renato Oselame (montagem).

    Uma pessoa de 8bitPixel art, Chiptune Music, Creative Commons, coletivos de artistas organizados na internet. De Manhattan a So Paulo, minusbaby. Pixel por pixel. p.29

    Meu nome Gal e desejo me corresponder com um rapaz que seja o tal Conhea quem prefere os papis de carta, selos e envelopes comodidade e facilidade das mensagens instantneas da internet. p.27

    A sua sorte hojeQuem disse que o Orkut no pode mudar a sua vida? p.33

    Jornalismo direto do celularNotcias na palma da mo. Os usos jornalsticos do celular para fazer e consumir notcias em qualquer hora e local. p.34

    Moda de rua na rede Da passarela para as ruas, das ruas para os blogs, dos blogs para o mundo. Veja como a internet interfere no circuito da moda. p.37

    Uma histria de muitas cidadesA Fraude desmonta em HQ os quebra-cabeas que so nossas cidades. p.39

    FernandaUma criana do interior do serto baiano sob a lente da premiada fotgrafa Mariana David. p.42

  • Era uma noiva. E trazia na mo duas chaves. Uma delas ela sabia que abriria as portas para as novida-des casamenteiras, todos diziam que feliz ela seria. A outra, j diria sua av, selaria os convites malvados e pervertidos de homens que a dilace-ravam em beijos. Sobre esses beijos, ningum da famlia sabia.

    Ento, a menina aguardou por mais alguns momentos, e preferiu ficar sentada ali, at decidir qual das chaves usaria. No seu quarto era um burburinho s e, enquanto ouvia todas as moas se preparem no seu quarto, a sua mo suava de aflies.

    Era melhor assim, pensou a noiva.

    Uma msica de Cole Porter diz: Let's do it, let's fall... a, que alguns vo se apressar e se arriscar a dizer que no

    pode ser in love. Afinal de contas, em tempos como esses, ningum pode se apaixonar. S que Caetano e mais alguns se perguntam, por que fazem sempre tanta cano de amor? Est, ento, dado o problema. O melhor no discutir sobre essas contradies e deixar que todos fiquem somente no do it? Porque, apesar de tudo, o do it mais fcil e a melhor forma de conseguir deixar duas pessoas, ao menos temporariamente, satisfeitas.

    Entretanto, no h escapatria, as palavras vm tona e preciso perguntar: por que tanta cano de amor, se hoje no se pode mais amar? Explicao: vai ver que, se escrito com letras cheias de formas poticas, o amor consiga rimar com quase tudo, inclusive com casal. Mas, o que combina mesmo com o dia-a-dia das relaes qualquer coisa que rime com corpreo. En-to, j que os cidados no Japo fazem. L na China um bilho fazem. Faamos, vamos amar.

    O que rima com amor?

    Vestido de Noiva

    FRAUDE 2009/10 06

    texto Lus Fernando Lisboa e Elaine Morgana

    Fragmentos

  • Fragmentos Para meu comparsa GonzoEm Vaca Profana, Caetano Veloso j dizia: De perto ningum normal. Com certeza, minha excentricidade exala pelos bares e becos soteropolitanos, pelos corredores do meu apart hotel e at mesmo por entre os computadores dessa redao. Drogas, sexo e rock n' roll. Dos entorpecen-tes, aspirei at o ltimo p. Da luxria, ah... a luxria. Dessa sacie-me at a ltima gota em lugares proibidos e com as figuras mais inusitadas. E de nada valeria tudo isso se Girls, girls, girls, do Mtley Cre, Sister Morphine, dos Rolling Stones ou O tempo no para, de Cazuza no dessem a sonoplastia do meu viver.

    Mas hora de parar. 48. Oito anos depois dos 40. Oito a mais do que eu precisava ou queria. Chega de jogos. Che-ga de bebidas. Chega de escrever. Uma filosofia diz que o homem completo aquele que tem um filho, planta uma rvore e escreve um livro. No deixo o legado de minhas anormalidades. No sou ecologista. Escrevi livros, mas s em delrios possvel compreend-los. Completo ou no, parto satisfeito. No porque quero passear na taverna de Alvares de Azevedo ou na Pasrgada de Manuel Banderia. Pre- f i ro o inferno de Dante Alighier. E como a qumica de Lavoisier explica a fraude, que as homenagens a Hunter Thompson e Robespierre sejam parafrase-adas em meu epitfio: Passante, no chores mi-nha morte. H uma promoo no Bar do Nando: De luto por Antnio Pierreson, jornalista e escritor. 10% de desconto em todas as biritas fortes'.

    Aja seu velhao. Coragem. No vai doer.

    Enquanto todos me esquecem, eu me es-queo de todos. Rasgou um pedao daqui-lo que lhe entregaram e chamaram de vesti-do, e com o seu batom (ela no podia deixar barato) escreveu em letras garrafais: Peguem o meu sapato embaixo da cama. No me enterrem sem o vestido de noiva, porque a famlia morreria de ve