Revista Fale Mais Sobre Isso | 19 edio

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Uma revista dedicada aos universos da Sade e da Sade Mental.

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  • PSICOTERAPIASaiba mais sobre o trabalho do Psiclogo Clnico e como ele pode lhe ajudar a acender todos os

    maravilhosos potenciais que voc possui.

    Em tempos de redes sociais, o que traio virtual?

    pag. 38

    Traio virtual existe?

    O psiclogo pode lhe ajudar nesse caso.

    pag. 14

    Famlia Ampliada

    pag. 16

    Tolerncia frustraoEnsinamento precioso s crianas.

    edio 19 | 2015

  • falemaissobreisso.com.br edio 19 2015

    sumrio

    www.facebook.com/falemaissobreissorevistafalemaissobreisso@yahoo.com.br.

    www.youtube.com/user/falemaissobreissowww.falemaissobreisso.com.br

    Mais da Fale Mais Sobre Isso:

    Coordenao e Reviso Tcnica: Leonardo Abraho - Psiclogo (CRP/04 36232)

    Diagramao: Miguel Neto

    Comercial: 34 9966.1835 | 9221.6622

    Tiragem: 1.000 unidades

    Impresso e Pr Impresso: Grfica Brasil - Uberlndia/MG

    Distribuio: Entrega gratuita e dirigida | Udia/MG

    EXPEDIENTE

    10

    16 20

    4122

    Fontes

    Sade Mental

    Sade Ampliada

    Artigo

    Capa

    Consultrio

    05 Notcias, descobertas e contribuies da Internet

    NS, DA FALE MAIS SOBRE ISSO, estamos sempre preocupados em levar s pessoas as informaes capazes de fazer a diferena nas vidas delas. Somos todos sujeitos formados por contedos psquicos que, bem ou mal resolvidos, sempre esto interferindo em nossas vidas, em nossas sades e em nossos relacionamentos. Aprender sobre a nossa condio humana - condio biolgica, psquica, social e espiritual contribui para o desenvolvimento de pensamentos, sentimentos e comportamentos favorveis ao equilbrio existencial.

    Por isso, esperamos que os artigos, os depoimentos, as imagens e as questes levantadas por esta revista sejam bastante teis ao seu desenvolvimento como um ser humano plenamente capaz de significar e, se preciso, ressignificar a vida e todas as questes presentes nela. Caso sinta necessidade, no hesite em aprofundar o processo: procure um(a) Psiclogo(a) e descubra como esse(a) profissional pode fazer toda a diferena em sua vida. Boa leitura!

    32 Reflexo: o que pensa voc?38 Traio virtual existe, ou coisa da sua cabea

    22 Uma introduo Psicoterapia

    18 Cincia vira arte pelo olhar de Maria Ins Machado20 Livro busca amenizar ansiedade de quem tenta ter filhos28 Ciranda40 Ilustrao

    10 Os prejuzos da superproteo para a auto confiana da criana12 Quando consultar um psiclogo30 Sem voc no h Universo34 Afinal, o que so drogas?36 Veja o que diz quem fez psicoterapia

    14 Famlia ampliada e o papel da psicologia16 Tolerncia frustrao: ensinamento precisoso s crians

  • falemaissobreisso.com.br edio 19 2015

    Notcias, descobertas e contribuies da Internet

    Exerccio fsico: quanto mais diverso, mais fcil manter o hbito

    ATIVIDADES AJUDAM IDOSOS A MANTER A SADE MENTAL

    Fontes05

    ENFATIZAR OS BENEFCIOS EMOCIONAIS DO EXERCCIO mais efetivo para aumentar os nveis de atividade fsica do que elencar o quanto essas atividades fazem bem para a sade.

    Um estudo, feito pela equipe de Reema Sirryeh, pesquisadora da Universidade de Leeds, na Inglaterra, e publicado no British Journal of Health Psychology, mostrou que as pessoas que acreditam que a atividade fsica seja algo divertido se propem mais facilmente a praticar algum esporte ou exerccio. O estudo de Sirryeh focou especialmente jovens e adolescentes. Os participantes recebiam mensagens de texto via celular (SMS) todo dia, em um mesmo horrio, durante duas semanas. As mensagens podiam indicar um benefcio emocional como dizer que os esportes fazem as pessoas se sentirem mais alegres ou um benefcio fsico indicar que fazia bem ao corao. Um terceiro grupo recebia ambas as mensagens. A pesquisa mostrou, aps fazer a anlise dos resultados, que os trs grupos tinham adicionado, em mdia, mais de 30 minutos de atividades fsicas por semana em sua rotina.

    No caso dos jovens que recebiam mensagens sobre benefcios

    emocionais do exerccio fsico, essa mdia foi quase o dobro, chegando a adicionar 120 minutos de atividades fsicas extras no final das duas semanas de acompanhamento. Estatsticas na Inglaterra mostram que os nveis de exerccios entre jovens a partir dos 16 anos, especialmente entre as garotas, esto diminuindo acentuadamente. Esses padres de decrscimo no nvel de atividades esportivas se mantm na idade adulta, diz Reema. Os pesquisadores apontam que mudar esse comportamento na adolescncia pode levar a melhores nveis de atividade fsica ao longo da vida, auxiliando na manuteno de uma boa sade fsica e mental, alm de combater o estresse, a depresso, a ansiedade e contribuir positivamente para o controle da obesidade.

    UMA ROTINA DE EXERCCIOS FSICOS AERBICOs, usados como apoio ao tratamento da depresso em pessoas idosas, contribuiu tambm para melhorar os processos mentais de

    alta complexidade da memria e tambm as chamadas funes executivas cerebrais que incluem planejamento, organizao e habilidade para executar duas aes ao mesmo tempo. Esses processos

    estavam muito acima da mdia, apesar dos pesquisadores esperarem resultados bem menores.Foi impressionante descobrir os benefcios das atividades fsicas em reas especficas ligadas funo cognitiva, espanta-se James Blumenthal, autor principal do estudo publicado no peridico Journal of Aging and Physical Activity e pesquisador da Universidade de Duke, EUA. Outras funes cognitivas como ateno, concentrao e habilidades psicomotoras, no tiveram alteraes. Mas so necessrios mais estudos para entender que processos especficos no crebro foram afetados

    e o que h por trs dessa melhora. O pesquisador acredita que a melhora no funcionamento mental dos participantes da pesquisa se deve ao aumento do fluxo do sangue arterial rico em

    oxignio em regies especficas do crebro.Sabemos que, em geral, os exerccios fsicos melhoram a capacidade do corao de bombear de forma mais eficaz o sangue, assim como aumentam a concentrao

    de oxignio no corpo. E como nos idosos essa capacidade diminui, talvez isso seja a causa do declnio cognitivo, diz Blumenthal, justificando sua hiptese.

    A melhora no funcionamento mental se deve ao aumento do fluxo do sangue arterial - rico em oxignio em regies especficas do crebro

    E se isso tem incio na adolescncia, aumentam as chances de perdurar pela vida toda

    Fonte_British Psychological Society

    Fonte: Catraca Livre

  • falemaissobreisso.com.br edio 19 2015

    lcool mata mais que Aids, tuberculose e violncia,diz OMS

    O LCOOL causa quase 4% das mortes no mundo todo, mais do que a Aids, a tuberculose e a violncia, segundo a OMS (Organizao Mundial da Sade).

    O aumento da renda tem provocado o consumo excessivo em pases populosos da frica e da sia, incluindo ndia e frica do Sul. Alm disso, beber em excesso um problema em muitos pases desenvolvidos, informou a agncia das Naes Unidas.

    No entanto, as polticas de controle do lcool so fracas e ainda no so prioridade para a maioria dos governos, apesar do impacto que o hbito causa na sociedade: acidentes de carro, violncia, doenas, abandono de crianas e ausncia no trabalho, de acordo com o relatrio.

    O uso prejudicial do lcool especialmente fatal em grupos etrios mais jovens e beber o principal fator de risco de morte no mundo entre homens de 15 a 59 anos, afirma o relatrio.

    Na Rssia e na CEI (Comunidade dos Estados Independentes), uma em cada

    cinco mortes ocorre devido ao consumo prejudicial, a taxa mais elevada do planeta.

    A bebedeira, que muitas vezes leva a um comportamentos de risco, agora prevalente no Brasil, Cazaquisto, Mxico, Rssia, frica do Sul e na Ucrnia, e est aumentando entre outras populaes, segundo a OMS.

    Mundialmente, cerca de 11% dos consumidores de lcool bebem bastante em ocasies semanais; os homens superam as mulheres em quatro a cada uma. Eles praticam constantemente um consumo de risco em nveis muito mais elevados do que as mulheres em todas as regies, disse o relatrio.

    Em maio passado, ministros da Sade dos 193 pases-membros da OMS concordaram em tentar conter o consumo excessivo de lcool e de outras formas crescentes do uso excessivo por meio de altos impostos sobre bebidas alcolicas e restries mais rgidas de comercializao.

    O QUE CONCLUEM pesquisadores australianos aps uma reviso de 83 estudos, envolvendo 8.167 pessoas com doenas psicticas (como a esquizofrenia) que usavam maconha e 14.352 que no tinham o mesmo hbito.

    Matthew Large, um dos responsveis pela pesquisa, afirma que entre os jovens usurios de maconha a doena aparece em mdia 3 anos antes do que entre aqueles que no so usurios da droga.

    O Dr. Christoph U. Correll, do Zucker Hillside Hospital (EUA), defende que a maconha causa transtornos psicticos apenas naqueles que j possuam uma pr-disposio doena. Alerta ainda, que em alguns casos de pessoas que possuem pr-disposio a transtornos psicticos, a doena pode nem vir a aparecer sem o uso de nenhum tipo de substncia psicoativa ilcita.

    FONTES

    Fonte: folha.uol.com.br Fonte: www.redepsi.com.br

    Estudo joga por terra o argumento de que a droga no produz grandes consequncias

    a quem a usa

    Estudo joga por terra o argumento de que a droga no produz grandes consequncias a quem a usa

    06

    MACONHA PODE ACELERAR MANIFESTAO

    DA ESQUIZOFRENIA

  • falemaissobreisso.com.br edio 19 2015

    O que acontece quando voc fica elogiando a intelincia de uma criana

    Estudo sugere a possibilidade de, s vezes, os elogios feitos de maneira inadequada produzirem consequncias inesperadas na vida adulta das crianas

    Fonte: www.updateordie.com

    FONTES08

    GABRIEL um menino esperto. Cres-ceu ouvindo isso. Andou, leu e escre-veu cedo. Vai bem nos esportes.

    popular na escola e as provas con-firmam, numericamente e por escrito, sua capacidade.

    Esse menino inteligente demais, repetem orgulhosos os pais, parentes e professores. Tudo fcil pra esse malandrinho.

    Porm, ao contrrio do que po-deramos esperar, essa conscin-cia da prpria inteligncia no tem ajudado muito o Gabriel nas lies de casa.

    Ah, eu no sou bom para soletrar, vou fazer o prximo exerccio.

    Rapidamente Gabriel est apren-dendo a dividir o mundo em coisas em que ele bom, e coisas em que ele no bom.

    A estratgia (esperta, obviamente)

    a base do comportamento hu-mano: buscar prazer e evitar

    a dor. No caso, evitar e desmerecer as tarefas

    em que no um su-cesso e colocar toda a energia naquelas que j domina com facilidade.

    Mas, como infe-lizmente a lio de casa precisa ser fei-

    ta por inteiro, inclu-sive a soletrao, de

    repente a auto-estima do pequeno Gabriel faz

    um crack.

    Acreditar cegamente na sua in teligncia prova de balas, provo-cou um efeito colateral inesperado: uma desconfiana de suas reais ha-bilidades.

    Inconscientemente ele se assusta com a possibilidade de ser uma frau-de, e para proteg-lo dessa concluso precipitada, seu crebro cria uma me-dida evasiva de emergncia: coloca o rtulo dourado no colo, subestima a importncia do esforo e superestima a necessidade de ajuda dos pais.

    A imagem do Gabriel que faz tudo com facilidade , a do Gabriel inteli-gente (misturada com carinho), preci-sa ser protegida de qualquer maneira.

    Gabriel no est sozinho. So mui-tos os prodgios, vtimas de suas pr-prias habilidades de infncia e dos bem intencionados e sinceros elo-gios dos adultos.

    Nos ltimos 10 anos foram publica-dos diversos estudos sobre os efeitos

    de elogios em crianas.

    Um teste, realizado nos Estados Unidos com mais de 400 crianas da quinta srie (Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psycholo-gy / Mindset: The New Psychology of Success), desafiava meninos e meni-nas a fazer um quebra-cabeas, rela-tivamente fcil.

    Quando acabavam, alguns eram elo-giados pela sua inteligncia (voc foi bem esperto, hein!) e outros, pelo seu esforo (puxa, voc se empenhou pra valer hein!).

    Em uma segunda rodada, mais difcil, os, alunos podiam escolher entre um novo desafio semelhante ou diferente.

    A maioria dos que foram elogiados como inteligentes escolheu o desa-fio semelhante.

    A maioria dos que foram elogiados como esforados escolheu o desa-fio diferente.

    Influenciados por apenas UMA frase.

    O Malcom Gladwell tem um ti-mo livro sobre a superestimao do talento, chamado Fora de Srie (outliers). L aprendi sobre a lei das 10 mil horas, tempo necessrio para se ficar bom em alguma coisa e que j ensinei pro meu filho.

    Se voc tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, no diga que ele inteligente. Diga que ele es-forado, aventureiro, descobridor, fu-ador, persistente.

    Celebre o sucesso, mas no esquea de comemorar tambm o fracasso se-guido de nova tentativa.

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  • falemaissobreisso.com.br edio 19 2015

    10 SADE MENTAL | ARTIGO

    Os prejuzos da superproteo para a autoconfiana da criana

    MUITO COMUM receber no con-sultrio, pacientes com autoconfiana prejudicada, o que tem consequncias srias para a vida do indivduo. A auto-confiana o sentimento que o indiv-duo tem com relao a sua capacidade de desempenhar tarefas. Uma pessoa segura e confiante aquela que se v como capaz de realizar com sucesso suas funes e desafios cotidianos. Mas porque algumas pessoas so confiantes e outras no?

    A autoconfiana do indivduo de-senvolvida na infncia e isso acontece a partir de experincias que, por si s, geram bons resultados. Ela no depen-de necessariamente do elogio dos pais ou de outras pessoas, mas principal-mente do resultado obtido a partir do prprio comportamento. Ento, se ela tenta pegar um copo no armrio e con-segue alcan-lo, se sentir capaz de alcanar esse tipo de objetivo. Dessa forma, a tendncia que ela continue

    tentando realizar tarefas desafiadoras, uma vez que teve a experincia de tentar e conseguir.

    E o que os pais podem fazer para pro-mover o sentimento de confiana e se-gurana de seu filho?

    O papel dos pais criar as condies necessrias para que seus filhos pos-sam emitir os comportamentos que iro gerar bons resultados. E aqui que entra o problema da superproteo. Os

    Restringir as atividades do filho e fazer tudo por ele significa reduzir o seu nmero de oportunidades para desenvolver habilidades

    falemaissobreisso.com.br edio 18 2015

    TEXTO Carolina Faria ArantesPsicloga CRP 34041/04 | Mestre em Processos Cognitivos UFU | Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental UFU | Psicoterapeuta, professora e supervisora no Instituto Integrare Uberlndia/MG | www.psicologauberlandia.com | carolina@integraretcc.com.br

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    SADE MENTAL | ARTIGO

    pais superprotetores tm boa inteno. Como o prprio nome diz, seu intuito proteger o filho de algum mal, seja de um risco que ameace sua integridade fsica (como cair, bater a cabea, que-brar um membro) ou de qualquer coi-sa que possa lhe fazer sofrer (como a frustrao, a tristeza, o medo). Para isso, eles impedem a criana de se envolver em uma srie de situaes que pode-riam ser gratificantes para ela, uma vez que se tratam de oportunidades de emitir um comportamento e ter uma conquista como resultado.

    Restringir as atividades do filho e fa-zer tudo por ele significa reduzir o seu nmero de oportunidades para desen-volver habilidades. Isso ter como con-sequncia sentimentos de insegurana e medo diante de desafios, caracterizan-do a falta de autoconfiana. Alm disso, quando os pais superprotegem o filho, ocorre um apego exagerado entre eles e a sua separao, mesmo que seja por um

    curto perodo de tempo, se torna muito negativa para a criana.

    Solicitar e estimular o envolvimento da criana em atividades cotidianas, como guardar os brinquedos, colocar e tirar a mesa, fazer algum lanche, criar uma brincadeira, comprar algo sozinha, uma forma de expor o filho a situa-es nas quais diferentes habilidades podero ser desenvolvidas. A comuni-cao da tarefa deve ser clara para a criana, isto , os pais precisam dizer exatamente o que deve ser feito. Por exemplo: Filho, desa e compre po, leite e um docinho para voc, enquanto estaciono o carro.

    importante que os pais se aten-tem para as dificuldades que uma tarefa possui e analise se a criana tem habilidade suficiente para reali-za-la. No caso de tarefas complexas, indicado que os pais a dividam em partes e estimule o filho a realizar uma parte mais simples. Por exem-plo, quando a me for fazer um suco

    para a criana, ela pode solicitar que o filho adoce o mesmo; quando o pai for trocar o pneu do carro, pode pe-dir que o filho lhe entregue e guar-de as ferramentas. Quando a criana se envolve com tarefas como essas ela tem a oportunidade de ver o re-sultado de seus comportamentos, de perceber que seu esforo tem um re-sultado importante. Tambm neces-srio que os pais enfatizem o quan-to a ajuda da criana foi relevante, explicando-lhe o porqu (mostrar de forma clara qual foi o resultado da colaborao da criana).

    Estabelecer um equilbrio entre a exposio do filho a alguns desafios e a sua proteo pode ser complicado. fundamental que os pais adequem as dificuldades da tarefa s habilidades da criana e que estejam sempre dis-ponveis para prestar o auxlio neces-srio diante das dificuldades. Assim, a criana no se sentir sozinha e des-protegida e nem incapaz e insegura.

    11

    falemaissobreisso.com.br edio 18 2015

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    SADE MENTAL | ORIENTAO12

    Quando consultar um psiclogo:Uma coisa certa: de todos os profissionais ligados ao universo da Sade Mental, o Psiclogo o nico que dedica todo o tempo da sua formao acadmica ao estudo e entendimento dos mecanismos psquicos e comportamentais dos homens. Ningum mais do que ele se dedica a compreender, apaixonada e cientificamente, como os homens pensam, sentem, agem, se relacionam e se comportam como seres biopsicossociais e espirituais que so. Por isso mesmo, a gama de possibilidades de atuao dos Psiclogos muito grande, compreendendo, afinal, toda situao em que a presena humana significativa. Contudo, s vezes pode ocorrer de as pessoas no saberem, ao certo, quando que devem consultar um Psiclogo. Pensando nisso, a Fale Mais Sobre Isso vai lhe apresentar, agora, uma lista bsica mostrando quando consultar um psiclogo:

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    6.Quando os dias se sucedem e voc no v graa, nem sen-tido, em acordar, sair da cama e fazer as milhares de coisas que a vida, o mundo e as pessoas esperam de voc

    Quando voc percebe que seus sentimentos, pensamen-tos e/ou comportamentos esto lhe provocando preju-zos pessoais e/ou sociais, angstias, tristezas ou quais-quer outras sensaes desagradveis e das quais voc no consegue se ver livre

    Quando a sua relao com voc mesmo, com o mundo e/ou com as outras pessoas no ocorre mais de uma maneira saudvel, satisfatria e capaz de produzir bons sentimen-tos de realizao pessoal e social em voc

    Quando a sua relao com o trabalho gera angstia e sofrimento ao invs de orgulho e sensao de realizao profissional em voc

    Quando o seu relacionamento afetivo com a famlia tor-nou-se conflituoso, difcil e angustiante

    Quando as suas expectativas em relao ao seu futuro pesso-al e/ou profissional forem pessimistas e obscuras

    Quando a sua sexualidade e/ou desempenho sexual forem motivos de angstia e/ou ansiedade em sua vida

    Quando traumas, lembranas e memrias da sua prpria vida forem motivos de sofrimento no presente e desesperana em relao ao futuro

    Quando a famlia, ou o relacionamento afetivo, ou o trabalho ou qualquer outra situao da sua vida lhe exigir uma deciso muito difcil de ser tomada

    Quando inesperados e/ou dolorosos novos acontecimentos em sua vida deixaram-lhe com uma sensao interminvel de impotncia, tristeza ou angstia

    Quando voc se d conta de que todas as situaes anterior-mente apresentadas so passveis de ocorrer na vida de qual-quer pessoa e que, portanto, possvel prevenir-se conhecen-do-se melhor e trabalhando as suas prprias caractersticas

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  • falemaissobreisso.com.br edio 19 2015

    Famlia Ampliada e o papel da psicologia

    Durante o processo de divrcio e formao de novos lares e/ou ncleos familia-res, os filhos tendem a sentirem-se perdidos, desamparados e, nesse aspecto, o trabalho do psiclogo pode ser um importante diferencial

    ARTIGO | PORTAL (EN)CENA

    DE CONHECIMENTO COLETIVO a quantidade de problemas que um divrcio pode acarretar na vida dos filhos do casal, que certamente, so os primeiros a sofrer os impactos da separao conjugal, uma vez que so eles quem lidam diretamente com as consequncias da deciso de seus pais/cuidadores.

    Tem sido cada vez mais comum de-parar-se com ncleos familiares com-postos por membros de laos consan-guneos dispares, o que chamamos de Famlia Ampliada. Lares em que,

    devido a um divrcio, os filhos se veem divididos entres duas casas, duas vidas, duas famlias.

    Em geral, esses novos ambientes configuram-se pela presena de no-vos pais: seja padrasto ou madrasta e novos(as) irmos(s). Mas qual ser o verdadeiro impacto dessa mudana na vida da criana/adolescente e de que forma isso pode prejudic-lo na formao do seu carter?

    Muitas vezes o filho a ponte entre os pais separados. Durante o processo de divrcio, que atravessa toda a rela-

    o familiar, eles se veem numa corda bamba e, geralmente, so os interme-dirios de uma separao conflituosa, atravessada por valores anteriores ao prprio relacionamento.

    No raramente, os pais no tm pre-paro algum para lidar com o divrcio, se que h uma maneira segura e indolor de passar por isso. No pode-mos ser generalistas e querer privar os filhos de todos os sofrimentos da vida, afinal casais unem-se e sepa-ram-se por motivaes prprias.

    Contudo, um dilogo fundamentado

    14

    TEXTO Hudson Eygo Psiclogo | Coordenador do Servio de Psicologia SEPSI do CEULP/ULBRA | Coordenador da rea de Psicologia do Portal (En)Cena Colunista do Blog Psicoquhudsoneygo@gmail.com

  • falemaissobreisso.com.br edio 19 2015

    ARTIGO | PORTAL (EN)CENA 15

    numa relao slida e transparente pode favo-recer um ambiente onde essa transio entre lares/vidas possa ser vivida de forma menos conflituosa para a criana/adolescente e suas (agora duas) famlias. nesse aspecto que o trabalho do psiclogo pode ser um diferencial.

    Durante o processo de divrcio e formao de novos lares e/ou ncleos familiares, os filhos tendem a sentirem-se perdidos e desampara-dos. Comeam a surgir problemas, em geral de ordem social. A confuso gera na criana certa insegurana que ser expressada com agres-sividade ou isolamento, variando para traos maiores (ou no) de rebeldia ou introspeco.

    Claro, isso no regra. Estudos atuais mos-tram que justificar ou rotular problemas e des-vios de carter na criana/adolescente com o divrcio de seus pais, no mais aceito assim de forma to passional.

    fato que num primeiro momento, a sepa-rao pode ser traumtica para este indivduo, porm, o comportamento e a forma como os pais lidaro como esse novo dilema em suas vidas e na vida de seus filhos, o que deter-minar se estes partiro para uma atitude de carter mais positiva ou negativa ao longo de seu desenvolvimento biopsicossocial.

    Para a Psicloga Paulista Olga Ins Tessari, o comportamento agressivo em filhos de pais separados que no tinham dilogo em casa, em geral, est ligado a problemas futuros com uso abusivo de lcool e outras drogas. Em tais situaes, a psicloga pde constatar que al-gumas crianas sentiam-se aliviadas aps o divrcio dos pais, por se verem livres daque-le modo de vida, to traumatizante. J em fa-mlias onde a deciso do divrcio havia sido tomada de maneira passional, e transmitida aos filhos de forma clara, as crianas demons-traram mecanismos internos capazes de lidar com a dor desse trauma.

    Tessani afirma que nem sempre os filhos so contra o divrcio, alguns reconhecem que s por meio dele a famlia poder continuar uni-da e feliz.

    Famlias em que os pais depositam nos fi-lhos suas frustraes pela separao conjugal, tornam a criana piv da separao, o que defende a Psicloga e Terapeuta Familiar Ma-

    ria Cristina Milanez Werner. s vezes esses pais tentam criar na criana um sentimento de rai-va e repulsa pelo ex-marido/esposa o que j crime pelo cdigo penal brasileiro caracteri-zado como: Alienao Parental. O pai/me que comete essa infrao, pode perder a guarda legal do filho (a). Nestes casos a criana vai se sentir culpada pelo divrcio dos pais, o que gera nela um sentimento frustrao, podendo lev-la a uma depresso.

    A terapeuta defende o casamento acima de tudo, e vai alm do tema afirmando que (. . .) o ideal a criana viver num lar com dois adul-tos, sejam eles heterossexuais, homossexuais, juntados ou casados. A biologia, a sociedade e os costumes pedem isso (. . .).

    Famlias estruturadas so mais propensas, pelo menos espera-se que seja, a oferecer um lar saudvel para um bom desenvolvimento e maturao sadia do indivduo. Em lares equili-brados a criana tem mais chances de ter uma formao moral positiva, com carter altrus-ta e solidrio. Mesmo assim, isso no deve ser considerado como fator determinante, pois ex-cees sempre existem. Werner afirma que h casos em que o melhor que a criana seja educada apenas por um nico cuidador.

    Crianas so altamente resilintes. No po-demos esquecer que a capacidade da criana em amar, no est na relao conjugal dos pais, mas na intensidade como esses pais so capazes de demonstrar amor a essa criana. Mesmo em lares diferentes, quando bem cui-dada, a criana consegue lidar com essa du-plicidade de papeis, e certamente o dilogo aberto e sincero entre pais e filhos o que far a diferena na educao dessas crianas.

    Para saber maisGoogle: http://pt.shvoong.com/social-scien-ces/1725783-familia-na-constru%C3%A7%-C3%A3o-da-personalidade/

    Google: http://ajudaemocional.tripod.com/id235.html.

    Google: http://pt-br.facebook.com/topic.php?uid=144205978939296&topic=166

    Google: http://blog.diarinho.com.br/pai-ou-mae-que-jogar-o-filho-contra-o-outro-pode-perder-a-guarda

    No podemos esquecer

    que a capacidade da criana em amar, no est

    na relao conjugal

    dospais,

    mas na intensidade como esses

    pais so capazes de demonstrar amor a essa

    criana.

  • falemaissobreisso.com.br edio 19 2015

    Tolerncia frustrao: ensinamento precioso s crianas

    Dados de pesquisas nos mostram que muitos se tornam adultos com srias dificuldades de relacionamentos a partir do momento em que o outro na re-lao (amigos, amores, vizinhos, colegas de trabalho, pais) no os satisfazem em tudo ou de imediato.

    TEXTO Cntia Marques Alves Psicloga Clnica | CRP-25718/04NA FACULDADE, eu tive uma profes-sora que sempre repetia: precisamos ensinar as crianas a tolerar frustra-o. poca, isso significava pouco para mim, mas com os anos de prtica clnica, com as observaes sociais e at mesmo com algumas experincias na minha vida particular, isso tem sido cada vez mais marcante.

    Tolerncia frustrao a condio/capacidade de aceitar/de lidar com as circunstncias da vida e enfrent-las com uma atitude positiva, apesar de serem essas circunstncias, nem sem-pre as mais desejadas por ns.

    De modo geral, vivemos em busca daquilo que agradvel, bom, prazero-so e que nos gera bem estar. Por outro lado, evitamos entrar em contato com aquilo que nos aversivo: dor, medo, tristeza, ansiedade, chateao, desgas-te fsico, rejeio. Aprendemos isso no s pelas experincias de vida, como tambm pela evoluo da espcie: ain-da bem que muitos dos nossos ances-trais evitaram perigos extremos e com isso, mantiveram-se vivos e nos deram a chance de estarmos aqui, enquanto espcie humana!

    Mas infelizmente, temos selecionado excessivamente comportamentos de esquiva/fuga daquilo que nos aver-sivo: no queremos entrar em contato

    com o que minimamente desagra-dvel/chato/difcil. Skinner (1987) diz que aproximamo-nos de um estilo de vida livre de todos os tipos de coisas desagradveis. Relutamos em aceitar no somente as restries impostas por governos tirnicos e religies, mas tambm a aceitar cintos de segurana, capacetes e sinais de proibido fumar, etc. Fugimos no s de extremos do-lorosos de temperatura e trabalho exaustivo, mas tambm dos mais bran-dos desconfortos e incmodos.

    Com isso, no s perdemos a oportu-nidade de treinar habilidades para lidar com o aversivo, aumentando de modo adequado, em ns, a variabilidade com-portamental, como tambm refora-mos, em ns, as crenas de incompetn-cia e fragilidade frente s dificuldades e frustraes que nos cercam.

    Desde cedo os bebs aprendem comportamentos pelos quais conse-guem se livrar do desconforto, do in-cmodo, do NO! Em funo de no frustrar os filhos e mant-los felizes, a todo custo, alguns pais se perdem na tentativa de fazer muitas coisas por seus filhos, at mesmo, no lugar de-les; querem atender e satisfazer no s s demandas reais, como a todos os desejos dos filhos. Alguns pais com discurso de compensar, nos filhos, a prpria histria de privao e sofri-

    mento (aqui eu falo principalmente da satisfao material e da permissi-vidade para comportamentos quais-quer; e no da satisfao afetiva: que constri, educa e d sentido vida). claro que tentar dar uma vida feliz e confortvel aos filhos necessrio! claro que no querer ver o filho sofrer essencial! bvio! Mas h vida real desprovida de qualquer frustrao e sofrimento? E na aprendizagem to-lerncia frustrao no h possibili-dade de felicidade?

    Somada s questes individuais e fa-miliares, temos uma cultura que cria em ns necessidades irreais e fazem uma parcela grande da populao acreditar que Eu preciso disso agora para ser fe-liz. E essa crena instituda gera pes-soas intolerantes s frustraes quando o agora no chega. Queremos tudo para ontem, do nosso jeito, sem dificul-dades nem contrariedades.

    As regras do consumo excessivo e da satisfao imediata como proposta de felicidade acabam sendo ensina-das s crianas, que no se conten-tam mais com presentes simples e em datas especficas, ou com brinquedos construdos por elas, na interao com os pais. Muitas delas passam a exigir que seus pais as atendam e comprem o brinquedo, a roupa, o sa-pato, o smartphone, o videogame da

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    SADE MENTAL | ARTIGO 17

    moda. E muitas dessas crianas so atendidas constantemente.. .

    Aproveito para brincar com as pala-vras: se I pad e I ganha, ento I pen-sa que I pod!. E se podem tudo, ficam intolerantes ansiedade de querer e no ter ou no conseguir. No s para o aspecto material, como tambm, podem generalizar (e generalizam!) essa intolerncia para outros con-textos da vida: dificuldade em dividir ateno; recusa em emprestar o brin-quedo ou em ir casa da vov onde no tem internet; intolerncia em ouvir quando o outro est falando; recusa em comer alimentos saud-veis; dificuldade de engajar-se em si-tuaes difceis e que demandam es-foro, como escola, esporte, trabalho, relacionamento a dois; dificuldade para abster-se de comportamentos inadequados, mas que geram prazer imediato; dificuldade em obedecer s regras e normas sociais existentes e principalmente, desrespeito com a figura do outro, at mesmo com a fi-gura dos pais: queles que se desdo-braram para atend-los!

    Muitas destas crianas aprendem que satisfao e felicidade vm sem grandes esforos. Assim, crescem in-felizes, sentindo-se tradas e injus-tiadas quando a vida se apresenta com restries. Quando percebem

    que felicidade conquista individual e diria e que isso, exige esforo, dis-ciplina, trabalho, respeito ao outro. Exige abrir mo de algumas coisas em prol de outras. Exige saber que para algumas coisas e conquistas acontecerem, preciso esperar muito tempo e se empenhar muito at l! Exige de ns, aquilo que temos evi-tado, com tanta frequncia: que dei-xemos as crianas e os adolescentes enfrentar as tais situaes aversivas e que se frustrem, vez ou outra!

    Dados de pesquisas nos mostram que muitos se tornam adultos com SRIAS dificuldades de relaciona-mentos, a partir do momento em que o outro na relao (amigos, amores, vizinhos, colegas de trabalho, pais) no os satisfazem em tudo ou de imediato. Tudo vai bem at que o ou-tro se oponha, contradiga, no aceite suas caractersticas ou seu jeito de viver. So adultos que se zangam e rebelam-se quando descobrem que no meio do caminho tinha uma pe-dra e que tal pedra no ser retira-da por algum para que eles passem pelo caminho livremente! E o pior de tudo: eles no aprenderam a reti-rar essa pedra do meio do caminho, adequadamente!

    Nestes casos, a intolerncia pode gerar emoes intensas (raiva, ira,

    dio) e diante delas, muitos adultos, por no conseguirem as controlar, acabam adoecendo e se comportan-do, para com o outro, com agressivi-dade (verbal, fsica, psicolgica) sem capacidade para pensar em alterna-tivas e consequncias dos seus atos violentos e desrespeitosos para com as pessoas. Tendem a acreditar que esto sempre certos e que o mundo que um lugar cruel, na medida em que ele barra/impede com que seus objetivos sejam alcanados. Vrios transtornos de personalida-de, transtornos depressivos e de an-siedade, uso e abuso de substncias qumicas podem ser frutos, dentre outras variveis, das tais tolerncias no aprendidas.

    Precisamos pensar sobre o tema, considerando que isso uma rea-lidade nossa volta: estamos vi-vendo em meio s vrias intole-rncias, que alm de tudo, agora so virtuais! Precisamos rever nossos comportamentos! Preci-samos amar muito nossos filhos, mas dando-lhes noes adequa-das de limite. Falar no e permi-tir que as crianas sejam frustra-das, tambm so grandes formas de am-las e educ-las para uma vida mais feliz.

    Minha professora tinha razo! Rsrs

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    ATRAVS DO TRABALHO DA CIENTISTA VISUAL, Maria Ins Machado, podemos perceber o quanto Cincia e Arte andam de mos dadas. A afirmao do artista txtil, Edmar Almeida, uma das pessoas que conhece bem a obstinao desta Doutora em Cincias pela USP (Uni-versidade de So Paulo), que agora brinda Uberlndia com o resultado de anos de experimentaes.

    Nos ltimos anos, ela vem se dedicando Arte com o mesmo empenho sistemtico com o qual se dedicou por 40 anos pesquisa cientfica. Movida por uma poderosa intuio, ela abre portas para um mundo absolutamente novo, diz Edmar, ao falar de Maria Ins e da exposio ARTE FOTOMICROGRAFIA, que apresenta 50 peas foto-micrografadas e impressas em tecidos finos e leves.

    Leonardo da Vinci, nas suas anotaes visionrias so-bre a Arte, dizia que o micro ampliado ao macro produ-ziria imagens reveladoras. E, assim, Maria Ins Machado, com seu olhar perscrutador, busca nas primeiras manifes-taes da Vida, numa gota de sangue, numa semente, no fragmento de uma pata de inseto, numa limalha de ferro, numa lgrima humana ou animal, uma existncia alm dos vus do mundo visvel, pontua Edmar.

    Para a prpria cientista visual, a exposio ARTE FOTOMICROGRAFIA resultado de seu encantamen-to com a Fotomicroscopia. uma mostra que, assim como o mundo real no visvel, nos permite ir alm do nosso sentido comum. tambm uma forma que encontrei de divulgar a Fotomicrografia experimen-tal, sua ressignificao esttica e incluso na cultura visual contempornea. Espero assim colaborar para a construo de novos pblicos e novos olhares, afirma Maria Ins.

    Cincia vira Arte pelo olhar de Maria Ins Machado

    Exposio ARTE FOTOMICROGRAFIA est em cartaz na Casa da Cultura em Uberlndia at 19 de maio. Imagens tambm podem ser conferidas no site www.mimartefotomicrografia.com.br

    SADE AMPLIADA | EXPOSIO

    TEXTO Michele Borges (Ciclo Assessoria de Imprensa)

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    Arte de vestirComo artista, Maria Ins Machado desfruta da liberdade

    daqueles que ousam adentrar territrios inexplorados ao remodelar a experincia cientfica, construindo seu pr-prio contedo potico-micro-esttico.

    Ela est inaugurando uma nova maneira de ver as coi-sas, e nos pega de surpresa. Est fazendo uma Arte do futuro, uma Arte para as prximas dcadas. Arte, em que a Vida se superpe morte, rasgando os limites da nossa finitude humana, refora o artista txtil, Edmar Almeida.

    Nesse percurso, permeado de imagens, interferncias e formas topogrficas inditas em suportes originais, como tecidos leves e finos, Maria Ins Machado busca dialogar com as transformaes da sociedade. As peas de sua ex-posio so objetos de arte usveis, acessrios de moda exclusivos pela beleza e singularidade das surpreenden-tes imagens que trazem tona.

    Sobre Maria Ins MachadoAps quatro dcadas de docncia e pesquisa cient-

    fica nas instituies USP, UFU e UNIMINAS, Maria Ins Machado ingressa em 2011 no curso de Graduao em Artes Visuais da UFU, e mesmo impossibilitada hoje de frequent-lo devido a um Cncer de Mandbula pelo qual j passou por seis cirurgias, decide dedicar-se prtica da Fotomicrografia Experimental e atuar nas interfaces da Arte-Cincias.

    Em 2012, cria o seu ateli laboratrio, ALEF - Ateli La-boratrio de Experimentao em Fotomicroscopia, insta-lado em Uberlndia onde realiza estudos experimentais em fotomicroscopia tica. A produo intensa da cien-tista visual inclui desenhos e intervenes em imagens de nanotecnologia demonstrando a transversalidade de dilogos da Fotomicrografia com diferentes prticas das Artes Visuais.

    O processo criativo e a concepo no cientificista desta prtica em Fotografia esto divulgados juntamente com os contedos tericos prticos, os fundamentos operacio-nais e as tecnologias disponveis no site www.MIMarte-fotomicrografia.com.br. E ainda: sua produo cientifica e acadmica est disponibilizada em http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787866D9

    Servio:O qu: Exposio ARTE FOTOMICROGRAFIA

    Visitao aberta ao pblico: at 19 de Maio 12h s 18h

    Onde: Casa da Cultura Praa Coronel Carneiro, n 89 Fundinho - Uberlndia (MG)

    Mais informaes:Michele Borges - Ciclo Assessoria em Comunicao(34) 3235-7826 / 9630-8242 | www.cicloascom.com

    SADE AMPLIADA | EXPOSIO 19

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    Livro busca amenizar ansiedade de quem tenta ter filhos

    Livro procura ser uma espcie de conselheiro dessas pessoas, buscando acalmar suas angstias e ajud-las a perceber que outros casais tambm passam por situaes semelhantes.

    SADE AMPLIADA | FAMLIA

    TEXTO Fernanda Drummond (Agncia USP de Notcias)

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    LILIANA SEGER, psicloga colaboradora do Instituto de Psiquia-tria (IPq) do Hospital das Clnicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), escreveu o livro Cad voc, beb?, lanado re-centemente pela editora Segmento Farma. A pesquisadora, duran-te seu doutorado no Insituto de Psicologia (IP) da USP, diagnosti-cou que os casais que estavam tentando ter filhos no possuam ningum com quem conversar ou algum apoio para dividir, com-partilhar e at ouvir frustraes semelhantes. Isso a motivou a encontrar algum meio que pudesse suprir essa necessidade.

    Liliana colheu depoimentos tanto de pacientes, quanto de outras pessoas passando pelo problema, e identificou o que trazia mais dor nos diferentes momentos do processo, des-de a deciso de ter um beb, passando pela descoberta da infertilidade do homem ou da mulher, os tratamentos, at a maternidade ou adoo.

    Segundo a psicloga, as questes que os entrevistados, princi-palmente as mulheres, enfrentam so das mais variadas: O que est acontecendo?, Por que comigo?, culpa, raiva, o sentimento de ser menos homem ou menos mulher, a procura de vrios mdicos, a sensao de ser diferente de todo o mundo. Durante o processo, quem est tentando ter filhos passa por momentos de ansiedade ao procurar os diferentes tratamentos: insemina-

    o artificial, fertilizao in vitro, ovulao, busca por doao de smen. A impresso de que a pessoa s v fetos, mulheres grvidas com barriga, carrinhos de beb.

    Durante toda sua vida profissional e acadmica, Liliana notou que atualmente os casais esto procurando ter filhos mais tar-de, aps a formao universitria, conquista da casa prpria e estabilidade financeira. As mulheres, aps os 35 anos, tm um decrscimo de ovulao. Os vulos, na data do nascimento, j esto todos formados no corpo feminino e vo envelhecendo conforme os anos. A dificuldade para engravidar, portanto, au-menta depois dessa idade. A pesquisadora explica que, apenas aps um ano de tentativas, o casal deve procurar ajuda mdica, j que as chances de gravidez, em um ms, so de somente 18% quando no h problema nenhum.

    ANSIEDADEEntretanto, por desconhecer essa informao, as pessoas acre-

    ditam que devem engravidar nas primeiras tentativas sem o uso de mtodos contraceptivos. Isso provoca uma alta carga de an-siedade quando, muitas vezes, no h nada de errado. A psic-loga abre exceo apenas para mulheres mais velhas, que para ela devem procurar um mdico antes desse perodo, com vistas a

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    SADE AMPLIADA | FAMLIA 21

    ganhar tempo. A autora afirma que 40% das questes de inferti-lidade so das mulheres, 40%, dos homens e 20%, mistas. Quan-do um homem no produz espermas, tem pouca quantidade ou baixa mobilidade, ele pensa que menos potente ou viril, o que no tm relao com a fertilidade. Psicologicamente, porm, a ligao muito forte e h aqueles que ficam debilitados emo-cionalmente quando descobrem. Contudo, no geral, as mulheres se abalam mais com a descoberta.

    O livro no fez parte de nenhum projeto acadmico da pes-quisadora. Foi um projeto voltado para leigos, que desconhe-cem os tratamentos ou no possuem dinheiro para uma te-rapia. A sua diagramao e seu contedo so leves e de fcil acesso para no parecer algo acadmico. Eu queria que esse livro fosse o conselheiro dessas pessoas, que pudesse acalmar suas angstias e elas percebessem que outros tambm passam por situaes semelhantes. E, neste aspecto, o objetivo est sendo atingido, diz a psicloga, ao mencionar que j recebeu uma mensagem de uma leitora que no tinha condies finan-ceiras, passava pelo processo com muito sofrimento e utilizou as informaes do livro como terapia.

    O Sistema nico de Sade (SUS) fornece tratamentos de re-produo humana assistida no HC e no Hospital Prola Bying-

    ton, em So Paulo. Entretanto, existe uma seleo muito rgida para receber o atendimento incluindo, entre outros critrios, idade e tempo de tentativa. Normalmente somente os procedi-mentos mais baratos so oferecidos, e a medicao tem preo muito elevado. A pesquisadora considera que, nesse aspectos, as mulheres esto desassistidas: Infelizmente, no Brasil, para a sade pblica, o no poder ter filhos no considerado um problema o problema ter filhos demais.

    Segundo Liliana, os casais costumam escutar de amigos e mdicos para desencanar, focar suas atenes em outras coi-sas porque pode ser coisa da cabea dela e sugerem para ado-tar um cachorro e at mesmo uma criana para amenizar o estresse entorno do assunto. Isso, para ela, a pior coisa que se pode falar para algum que est tentando. Adoo no um vale-brinde para engravidar. A fala adote um que depois vem o seu comum e surpreende a pesquisadora: Se voc adotar um filho ele o seu.

    Esses argumentos tambm podem deixar a pessoa ainda pior, porque ela supe que no consegue engravidar por sua culpa, por conta de seus problemas emocionais, quando no isso. O estresse causa alteraes hormonais importantes, mas no se trata s de parar de ficar preocupado.

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    CAPA | SADE MENTAL

    TEXTO Artur ScarpatoPsiclogo Clnico

    www.psicoterapia.psc.br

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    Uma introduo Psicoterapia

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    Por meio da Psicoterapia, o Psiclogo Clnico usa de conhecimentos, tcnicas e metodologias capazes de auxiliar seu cliente (ou paciente) na descoberta, compreenso e resoluo de questes contributivas ou

    impeditivas para a sua realizao como indivduo e ser social.

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    CAPA | SADE MENTAL

    A PSICOTERAPIA um mtodo de tratamento, uma aplicao dos co-nhecimentos da Psicologia e da Psi-copatologia na clnica psicolgica, sendo tambm chamada de Psicolo-gia Clnica.

    A psicoterapia um valioso re-curso para lidar com as dificuldades da existncia em todas as formas que o sofrimento humano pode as-sumir como transtornos psicopato-lgicos, distrbios psicossomticos, crises existenciais , estados de so-frimento, conflitos interpessoais etc.

    A psicoterapia tambm um espa-o favorvel ao crescimento e amadu-recimento, um lugar/tempo/modo pri-vilegiado de criar intimidade consigo mesmo, de estabelecer dilogos cons-trutivos e transformar padres estere-otipados de funcionamento, restabele-cendo o processo formativo e criativo de cada um.

    A Psicoterapia oferece uma opor-tunidade de compreender e mudar os padres relacionamento interpessoal. Os problemas vinculares so fonte de incontveis sofrimentos, favorecendo a ocorrncia de inmeras doenas.

    Em alguns casos, a Psicotera-pia cumpre tambm uma funo de educao para a vida, oferecen-do um espao de aprendizado, com instrumentos e conhecimentos que

    podem ajudar na orientao e con-duo da vida. Esta funo torna-se fundamental em situaes de de-sestruturao decorrente de crises ou casos de imaturidade psicolgi-ca, quando a pessoa se sente verda-deiramente inapta para lidar com os enfrentamentos e dificuldades em sua vida.

    ALGUMAS APLICAES DA PSICOTERAPIA

    A psicoterapia um processo que permite transformaes profundas da pessoa, com re-sultados evidentes em diver-sas situaes como:

    Tratamento de transtornos psi-colgicos como transtorno do pnico, fobias, transtorno disso-ciativo, depresso, anorexia, es-tresse ps traumtico etc.

    Tratamento de transtornos de personalidade como transtorno borderline, transtorno esquizide, transtorno paranide etc.

    Trabalho sobre conflitos pessoais, conjugais, familiares, interpesso-ais e grupais que podem produzir ou contribuir para o sofrimento psicolgico.

    Elaborao de crises existenciais, de transies difceis (luto, crises profissionais, etc) e dificuldades

    nas mudanas de fases de vida (puberdade, adolescncia, vida adulta, menopausa, envelheci-mento etc.)

    A Psicoterapia pode trazer enormes benefcios como:

    Desenvolvimento da capacidade de autogerenciamento, apren-dendo a dialogar com os estados internos, a regular os estados emo-cionais e adquirir autonomia.

    Desenvolvimento da capacida-de de auto-observao e autoreflexo

    Sair dos padres estereotipados e criar novas narrativas de si, novos modos de compreender e condu-zir a prpria vida.

    Desenvolver algumas habilidades interpessoais como capacidade em-ptica - saber se colocar no lugar do outro -, capacidade de comunica-o, assertividade, resoluo de conflitos etc.

    Fortalecimento psicolgico - ampliao da resilincia - para aumentar a tolerncia e a capa-cidade de crescer com as difi-culdades que a vida apresenta.

    Favorecer a sade integral, fsica e psicolgica

    Busca de sentido existencial

    Amadurecimento psicolgico

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    A Psicoterapia cumpre tambm uma funo de educao para a vida, oferecendo um espao de

    aprendizado, com instrumentos e conhecimentos que podem ajudar na orientao e conduo da vida.

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    Cada ser humano psicossomtico por natureza - vive uma histria de interaes, encontros e acontecimentos em que as doenas, quer se manifestem mais no corpo

    ou na "mente", sofrem forte influncia dos desequilbrios existenciais e de solues inadequadas de vida.

    CAPA | SADE MENTAL24

    UMA ABORDAGEM INTEGRADAA Psicologia Clnica ocupa um lu-

    gar fundamental na rea da sade, por oferecer uma viso integrada do ser humano, incluindo as dimenses psquica, orgnica, social e espiritual agindo conjuntamente na produo da existncia humana, assim como de seus equilbrios e desequilbrios.

    No possvel hoje se falar em "doenas orgnicas" sem uma consi-derao pela dimenso psicolgica e emocional, sendo evidente a natureza psicossomtica da existncia humana.

    J h algum tempo as pesquisas cientficas tem demonstrado que as ex-perincias de vida influenciam direta-mente o processo de ativao gentica, assim como influenciam as mudanas estruturais que ocorrem no crebro. Deste modo torna-se cada vez mais ar-tificial a distino entre doenas men-tais e doenas orgnicas (1).

    Cada ser humano - psicossomtico por natureza - vive uma histria de in-teraes, encontros e acontecimentos em que as doenas, quer se manifestem mais no corpo ou na "mente", sofrem forte influncia dos desequilbrios existenciais e de solues inadequa-das de vida. Os aspectos psicolgicos participam no somente da formao de muitas doenas como tem um pa-pel fundamental na sua recuperao. A psicoterapia oferece recursos impor-tantes para uma compreenso mais

    ampla do processo de adoecimento assim como estratgias para uma vida mais saudvel e integrada.

    AS ABORDAGENS TERICASH diversas escolas tericas na Psi-cologia que podem ser agrupadas em cinco principais perspectivas, com seus ramos e derivaes:

    Psicodinmica (Psicanlise, Psicolo-gia Analtica, etc)

    Humanista (Gestalt e Psicodrama)

    Corporal (Reichiana, Bioenergti-ca, etc)

    Cognitivo-comportamental

    Sistmica

    A diversidade decorre tanto da complexidade do tema - a psique humana - como da origem e desen-volvimento da Psicologia a partir da influncia de diferentes ramos do co-nhecimento, da Filosofia, da Medicina, das Religies, etc.

    No geral, as diferentes abordagens tericas apresentam alguns elementos bsicos, como: (1) uma teoria sobre o funcionamento mental, (2) uma teoria do desenvolvimento, (3) uma explica-o sobre a origem do sofrimento (psi-copatologia) e (4) uma viso sobre o processo teraputico.

    Ultimamente tem sido comum que terapeutas de uma abordagem terica utilizem tcnicas originadas em outras escolas. A busca de melhores resul-

    tados na clnica parece estar promo-vendo estes intercmbios. Talvez isto indique um movimento na Psicologia de integrao entre as diferentes abor-dagens tericas.

    OS TIPOS DE PSICOTERAPIAH alguns tipos de psicoterapia, con-forme as necessidades e a configura-o dos problemas, sendo os princi-pais:

    Psicoterapia Individual para crian-as, adolescentes, adultos e idosos.

    Psicoterapia de Grupo

    Psicoterapia de Casal

    Psicoterapia de Famlia

    Psicoterapia Institucional

    OS PRAZOS VARIAM COM OS OBJETIVOS

    Um sculo de pesquisas e desen-volvimento permitem que a Psicotera-pia alcance resultados cada vez maio-res e mais significativos.

    No geral, os prazos de tratamento so relativos aos objetivos almejados e gravidade do problema.

    H vrios desenvolvimentos recen-tes em psicoterapias breves, que so focadas em objetivos especficos. Atu-almente possvel atingir resultados significativos em perodos de 6 a 12 meses e h processos teraputicos mais profundos que se encerram satisfatoria-mente em prazos inferiores a 3 anos.

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    H casos que demandam um tra-balho teraputico mais demorado, ge-ralmente com problemtica mais sria, envolvendo traumas precoces, desor-ganizao psicolgica, problemas vin-culares, imaturidade psicolgica etc. Estes trabalhos podem exigir anos de trabalho contnuo, compensados por mudanas significativas que o trabalho psicoteraputico pode propiciar.

    Algumas pessoas encontram na terapia um ambiente fundamental de acompanhamento de seu processo de vida, de autoconhecimento e desenvol-vimento pessoal, onde so trabalhadas transformaes profundas ao longo de vrios anos. So situaes em que o processo teraputico no tem um pra-zo definido, em comum acordo entre o profissional e o cliente.

    Apesar de poder parecer, primei-ra vista, um tratamento oneroso em termos de tempo e dinheiro, a psico-terapia tem se mostrado, na realidade, um modo econmico de tratamento. Pesquisas indicam, por exemplo, que a psicoterapia diminui os ndices de consumo de medicamentos e de inter-naes hospitalares(2). A psicoterapia tem se mostrado tambm um trata-mento economicamente compensador por prevenir e tratar problemas psi-colgicos que, quando no tratados, trazem enormes prejuzos financeiros para as pessoas, as famlias e mesmo para a economia do pas (3).

    Os tratamentos psicolgicos de-monstram uma grande potncia de transformao das vidas, compensan-do os investimentos realizados.

    O VNCULO NA PSICOTERAPIAO ser humano nasce, cresce e vive

    em ambientes vinculares . Destes am-bientes depende seu bem estar e suas realizaes na vida. Os problemas vinculares - da primeira infncia ter-ceira idade - afetam profundamente a capacidade que as pessoas tm de amar, trabalhar e viver. A psicoterapia um espao para se esclarecer e trans-formar estas dificuldades vinculares. Este processo ocorre atravs de uma relao saudvel com um profissional eticamente comprometido e tecnica-mente qualificado.

    A base de uma boa terapia est na relao teraputica. A boa terapia se de-senrola num enquadre clnico com um vnculo que favorece este processo. A est um dos segredos desta arte e ci-ncia: criar um ambiente que permita a revelao do mundo interno e favorea o desenvolvimento do processo singu-lar de cada um. Neste clima possvel que o ser mais oculto e amedrontado se mostre, seja ouvido e se transforme, que o processo formativo possa prosseguir formando vida.

    POR QUE A PSICOTERAPIA FUNCIONA ?

    As pesquisas demonstram uma

    grande eficcia da psicoterapia (4).Mesmo as recentes tecnologias de mapeamento cerebral tm permitido demonstrar como o tratamento psico-lgico age transformando o funciona-mento cerebral. A eficcia do tratamen-to psicolgico, que j era conhecida h vrias dcadas, tem sido corroborado recentemente pelos novos conheci-mentos das neurocincias (5).

    Existem centenas de livros e pes-quisas explorando e explicando por-que a psicoterapia funciona. Porm, como simples exerccio de compreen-so, vamos listar alguns motivos para tentar entender um pouco sobre a efe-tividade da psicoterapia.

    No incio da lista, organizada num continuum que vai do mais simples ao mais complexo, temos aqueles motivos que so comuns a outras relaes de ajuda, mesmo no profissionais, como uma conversa ntima com um ami-go, uma conversa sobre um problema pessoal com um professor, um mdico, etc. Avanando na lista vamos chegan-do aos motivos que so prprios da psicoterapia, at aqueles que lhe so exclusivos - possveis pelo meticuloso treinamento terico e tcnico adquiri-do pelo psiclogo em sua trajetria de formao profissional.

    Eis alguns motivos pelos quais a psicoterapia funciona:

    Ao dividir um problema voc passa a ter "meio" problema. Compartilhar

    CAPA | SADE MENTAL

    A psicoterapia pode lhe ajudar a desfazer ns e a encontrar o fio da meada em vrias situaes da sua vida.

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    ajuda a aliviar a carga emocional e o sofrimento

    Os vnculos de ajuda tm um poder curativo. mais fcil superar as do-res atravs de uma relao autn-tica de respeito mtuo do que so-zinho. A relao teraputica uma relao de ajuda, de compreenso e apoio.

    O psiclogo clnico (psicoterapeu-ta) um outro , com o olhar e a perspectiva de um outro, o que lhe ajudar ver a sua vida de um modo diferente, lhe fazer perguntas dife-rentes, ajud-lo a perceber as coisas de um ngulo que voc no tinha visto antes e nem suspeitava ser possvel. Assim, a psicoterapia faz voc parar para refletir sobre a pr-pria vida. Parar, observar e refletir permite muitas mudanas de orien-tao, sentido, rumo e aprofunda-mento da experincia de vida.

    O psicoterapeuta conhece teorias psicolgicas que ajudam na com-preenso do que ocorre com voc, auxiliam a identificar o que pode estar errado em sua vida, a direo que voc est seguindo e as mudan-as de rumo necessrias. A partir de seu conhecimento, o psiclogo pode apontar o que olhar, como olhar e o que fazer com o que se descobre, para que estas descobertas possam ser construtivas em sua vida.

    O psicoterapeuta conhece mtodos de investigao que tornam poss-vel descobrir aspectos da sua per-sonalidade que seriam inacessveis a uma observao no treinada ou a uma conversa comum. H um amplo espectro de tcnicas de in-vestigao psicolgica que permi-

    tem esclarecer problemas de modo extremamente eficaz.

    O psicoterapeuta domina tcnicas teraputicas que ajudam a realizar mudanas psicolgicas profundas.

    O psicoterapeuta est preparado para te compreender a partir do-vnculo que voc estabelece com ele, das respostas emocionais que voc suscita nele. Em seu trei-namento ele afinou a si mesmo como instrumento de trabalho para reconhecer pequenas nuan-ces do que voc mostra na rela-o com ele (e consequentemente com "os outros") e assim poder compreender seus modos de vin-culao e suas dificuldades nos relacionamentos.

    O psicoterapeuta capaz de ofe-recer uma presena autntica no vnculo com voc. Esta relao funciona como catalisador de pro-cessos de mudana necessrios em sua vida, incluindo a superao dos efeitos de traumas de relaciona-mentos anteriores.

    O psicoterapeuta passou por to-dos estes passos anteriores, tendo estado em todos os papis, como cliente, como profissional e como observador, o que o habilita a "sen-tir-se em casa" em situaes dif-ceis, poder caminhar por terrenos inspitos, cheios de sofrimento e problemas emocionais e saber ajudar seu cliente a encontrar um caminho de melhora.

    O psicoterapeuta inicia seu clien-te num caminho de transformao pessoal. Isto possvel porque o psicoterapeuta tem um know-how,

    um saber fazer que vai alm do conhecimento formal, da teoria e da tcnica. um saber baseado na experincia, experincia de vida e expericnia da clnica.

    Esta lista poderia ser estendida e apro-fundada, mas pretendemos com ela dar uma idia ao pblico leigo da na-tureza do trabalho da Psicologia Clni-ca numa linguagem diferente daquela do universo terico, tcnico e cientfico habitual na Psicologia.

    UM CAMINHO DE MUDANA O processo teraputico como

    atravessar um tnel. Neste tnel voc vai rever muitas cenas da his-toria da sua vida de um ngulo com-pletamente novo, fazendo conexes inusitadas entre os eventos e per-cebendo a potncia do passado para moldar quem voc hoje e a potn-cia do presente para construir novas possibilidades de vida.

    Na travessia deste tnel voc vai aprender a reconhecer os seus pa-dres de comportamento que levam voc a se comportar de modo pare-cido em situaes diferentes, muitas vezes "repetindo os mesmos erros". Voc vai aprender a reconhecer o "como" do seu comportamento, como voc age, como se relaciona, como pensa,como sente e vai aprender caminhos para poder influenciar e transformar estes padres.

    Esta uma travessia acompanha-da, acompanhada de algum que pode ajudar voc a se compreender. Algum que pode te ajudar a transformar o seu jeito de ser, a mudar e a se conhecer profundamente. uma travessia que pode mudar profundamente a sua vida.

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    falemaissobreisso.com.br edio 19 2015

    A partir de seu conhecimento, o psiclogo pode apontar o que olhar, como olhar e o que fazer com o

    que se descobre, para que estas descobertas possam ser construtivas em sua vida.

    CAPA | SADE MENTAL26

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    SADE AMPLIADA | CIRANDA

    Uberlndia uma cidade que no para de realizar eventos e de trazer novidades para os seus cidados. Veja o que o ms de maio trouxe de novidade...

    Fale mais sobre isso comigo. michele@cicloascom.comFotos Douglas Luzz

    Ciranda

    falemaissobreisso.com.br edio 18 2015

    Michele Borges

    Dezenas de empresrios locais e nacionais participaram de uma deliciosa feijoada no Praa Uberlndia Shopping. Com instalaes sendo concludas, o novo shopping de Uberlndia, que est localizado entre o Parque do Sabi e o Aeroporto, impressionou pelo porte, localizao e conceito inovador. Confira imagens feitas pelo fotgrafo, Douglas Luzz.

    1 Griffe Show Uberlndia

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  • Dezenas de empresrios locais e nacionais participaram de uma deliciosa feijoada no Pra-a Uberlndia Shopping. Com instalaes sendo concludas, o novo shopping de Uberlndia, que est localizado entre o Par-que do Sabi e o Aeroporto, im-pressionou pelo porte, localiza-o e conceito inovador. Confira imagens feitas pelo fotgrafo, Douglas Luzz.

    Uberlndia tem provado que merece, cada vez mais, grandes espetculos teatrais. Em Maro, a pea Incndios com Marieta Severo, e em Abril o espetculo Doidas e Santas com Cissa Guimares, lotaram, cada um, quatro sesses no Teatro Municipal. Em Julho, a vez de Pau-lo Betti nos dar a honra de prestigiarmos na cidade o monlogo AUTOBIOGRAFIA AUTO-RIZADA, que o ator realiza em comemorao aos seus 40 anos de carreira. Mais informa-es podero ser encontradas em breve no blog e redes sociais da Ciclo Assessoria em Comunicao, responsvel pela Assessoria de Imprensa de todos estes grandes eventos.

    Um sonho de arte e educao atravessa o continen-te! De 23 a 25 de Maio, o grupo mineiro EMCANTAR se apresenta pela primeira vez fora do Pas, em um encontro que promete reunir milhares de brasilei-ros. Trata-se de um convite da ABRACE Associa-o Brasileira de Cultura e Educao, fundada por brasileiros na capital dos EUA. Alm do espetculo musical, preparado pelo Grupo especialmente para este momento, com canes e brincadeiras popu-lares da nossa cultura, EMCANTAR ainda ministrar oficina e palestra para toda comunidade da ABRA-CE. Acompanhe pelo facebook.com/emcantar.

    Feijoada no Praa Uberlndia Shopping

    Grandes espetculos teatrais

    EMCANTAR na capital dos EUA

    SADE AMPLIADA | CIRANDA

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    SADE MENTAL | ARTIGO

    Sem voc, no h Universo

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    TEXTO Leonardo AbrahoPsiclogo | leonardoabraopsi@yahoo.com.br

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    QUANDO SE SENTIR SEM SENTIDO, lembre-se que somos parte de um projeto maior: somos tanto o que reconhecemos como ns mesmos, mas, tambm, partes de um sistema infinito. Caso se sentir sem sentido, lembre-se que parte do sentido de tudo o que existe est na relao com todas as demais partes do sistema. Somos indivduos, mas seres sociais, seres cosmolgicos, seres de um universo. Somos indivduos, mas filhos de um sistema - parte de um sistema maior do que todos ns.

    Se se sentir sem sentido, pense no sistema e na sua relao com as demais partes desses sistemas a que chamamos sociedade e a que chamamos universo: como voc se relaciona com voc mesmo, com a sua famlia, com os seus amigos, com os seus colegas de trabalho e o prprio trabalho, com as pessoas pelas quais voc sente amor, com as pessoas pelas quais voc sente desejo, com o seu prprio desejo, com as instituies que lhe rodeiam, com a natureza - a natureza do seu corpo e a natureza dos planetas -, com as ideias que existem e as que povoam a sua mente, com todas as coisas que os homens descobriram ou todas as outras que os homens inventaram.

    Lembre-se que no existimos por conta prpria, no somos independentes e, sim, interdependentes, interconectados, intercomunicantes: os ares comunicam-se com os nossos pulmes assim como os rios comunicam-se com os mares; os ares alimentam os nossos pulmes, assim como os rios alimentam os mares; os

    ares frequentam os nossos pulmes, percorrendo-os como correias de transmisso, percorrendo-os em movimentos contnuos que, ininterruptamente, nos ligam atmosfera, nos ligam s ventanias, nos prendem aos movimentos perptuos dos ciclos interminveis das correntes areas.

    Se se sentir sem sentido, lembre-se: no h um "eu" que no seja um "ns", mesmo que o "ns" seja "eu e os ventos", "eu e as guas", "eu e o sol, a lua e as luzes". H, desde sempre e para sempre, um "voc e a natureza", um "voc e a humanidade", um "voc e a eternidade". Ningum nasce s, ningum vive s, ningum morre s. Somos sempre um "ns" - com os ares e os mares, pulmes e atmosferas, os nossos olhos e as luzes, as cores e as coisas, os homens e as palavras, os ouvidos e os sons em eternos movimentos de ondas sonoras e repercusses sensitivas em nossos nervos auditivos, nossas peles e os ventos, os calores e os frios que nos acolhem, nos afetam e com os quais interagimos tendendo ao equilbrio.

    Se se sentir sem sentido, no pense que no haja sentido nas coisas, na vida ou nas provas que, s vezes, nos alcanam por que nos relacionamos com os sistemas dos quais elas tambm fazem parte: o que hoje no compreendemos, amanh respeitaremos, aceitaremos e agradeceremos. Mas preciso que haja o amanh - o tempo da compreenso, do respeito e da gratido. Do aprendizado da gratido. Mas o que o amanh seno os desdobramentos do hoje,

    do hoje e do agora? Ento, no o espere - produza-o; no o deseje - concretize-o; no o idealize - materialize-o pelas suas prprias aes, as suas prprias atitudes, deciso aps deciso. Decida-se. Descubra-se.

    Conhea-se ao ponto de ser quem se - e seja a parte melhor de um sistema maior. A melhor parte. A parte que faz o sistema melhor. O melhor sistema e o sistema que nos torna partes melhores. Respire. Se os ares percorrem os seus pulmes, voc pode percorrer os ares. Percorra. Movimente-se. Se as luzes percorrem os seus olhos, voc pode percorrer as luzes. Percorra. Veja alm da viso tornando-se luz. Ilumine as luzes - seja fonte de luz e alimente as luzes que alimentam sua luz. Se se sentir sem sentido, lembre-se: onde h um "eu", h um "ns" - um "ns" que envolve a todos e a tudo, aos cus e aos horizontes, s terras e aos oceanos, s luzes e aos sons, s peles e s temperaturas, aos gostos e aos paladares, aos passados, presentes e futuros. Se se sentir sem sentido, lembre-se: ningum est sozinho. Onde h partes, h sistemas, como pontos de um desenho, letras de um livro, notas de todos os sons que povoam o universo - o nosso universo, o universo que, do infinito da sua objetividade, liga-se ao infinito da nossa intimidade, da nossa subjetividade, aonde se funda e ganha todo o sentido. Se sentir sem sentido, lembre-se: em voc que o universo ganha sentido, sabe-se sentido e pode ser sentido. Se sentir sem sentido, lembre-se: sem voc, no h universo.

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    Se sentir sem sentido, no pense que no haja sentido nas coisas, na vida ou nas provas que, s vezes, nos alcanam por que nos relacionamos

    com os sistemas dos quais elas tambm fazem parte: o que hoje no compreendemos, amanh respeitaremos, aceitaremos e agradeceremos.

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    Reflexo: o que pensa voc?

    Quando vamos fazer algo sem esperar nada em troca. . .

    Quando deixaremos de criticar a ns mesmos sem metas. . .

    Quando no nos permitiremos a julgar os outros. . .

    Quando apenas colocaremos os interesses que so comuns a todos. . .

    Quando no mais criaremos os conflitos, mas sim a fluidez. . .

    Quando nos livraremos da atitude de preocuparmos. . .

    Quando de fato viveremos o instante presente. . .

    Quando nos libertaremos do medo e agiremos com espontaneidade. . .

    Quando admiraremos o simples com mais frequncia. . .

    Quando nos sentiremos ligados a tudo e a todos naturalmente. . .

    Quando o sorriso e a alegria acontecerem do nada. . .

    Quando sentiremos uma grande vontade de no ter o controle de mais nada. . .

    Quando perceberemos que segurana pura iluso. . .

    Quando?

    Agora. . . Sempre Presente. . .

    Pela Eternidade afora. . . .

    CONSULTRIO | SADE MENTAL32

    Rongno R.RodriguesPsicoterapeuta / Consultor

    rongnorr@hotmail.com

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    Afinal, o que so drogas?

    O TEMA USO DE DROGAS um assunto polmico e geralmente associado a conceitos pejorativos. Em linguagem comum, droga est associada a algo ruim, sem qualidade. (Ah, mas que droga ou esta droga no vale nada!). A maioria das pessoas associa drogas s chamadas substncias ilcitas, como por exemplo: maconha, cocana/crack, ecstasy, LSD (cido lisrgico), etc. Porm, esquecem que o lcool, o tabaco e os medicamento tambm so drogas.

    Mas, afinal, o que so drogas? De acordo com o Centro Brasileiro de Informaes sobre Drogas Psicotrpicas (CEBRID) droga pode ser definida como qualquer substncia que atua no sistema nervoso central (basicamente no crebro), provocando uma mudana no comportamento de quem a consome, alm de ter potencial para desenvolver dependncia.

    Apesar de estarmos conscientes sobre os riscos do desenvolvimento de dependncia, por que as pessoas usam drogas? A resposta simples: drogas proporcionam prazer. Mas como evitar possveis problemas relacionados ao consumo de substncias psicoativas? A primeira atitude no negar o prazer proporcionado pelas drogas. Por isso, ineficaz quando a mdia utiliza propagandas amedrontadoras em que se fala que droga no bom,

    algo ruim, j que, caso a pessoa (principalmente os adolescentes) tenha feito uso de alguma substncia, ela questionar a veracidade de tal mensagem ao perceber que droga algo bom no sentido de causar prazer aps seu consumo.

    Alm disto, importante informar que o uso de qualquer droga, independente de ser ou no legalizada, envolve riscos e conseqncias e estar consciente disto o primeiro passo para a preveno, visto que, quando se esclarece tais riscos e consequncias, evita-se o surgimento de novos usurios e se responsabiliza aqueles que j fizeram o uso e continu-am a consumir, no sentido de que usar drogas um processo de escolha, ou

    seja, as pessoas podem escolher entre usar ou no uma determinada substncia. Por ltimo, encontrar outras fontes de prazer que no estejam relacionadas ao uso de drogas fundamental. Atividades de lazer, prticas esportivas, trabalho voluntrio, grupos de referncia (famlia, amigos) so timos exemplos para buscarmos satisfao, bem-estar e gratificao. Investindo-se nessas referncias aumentamos a possibilidade de no termos problemas relacionados ao uso de drogas. Mais do que saber sobre os prejuzos relacionados ao consumo de drogas importante discutir sobre o que so essas substncias, de forma a esclarecer seus riscos e conseqncias sem julgamentos, amedrontamento e preconceitos.

    Apesar de estarmos conscientes sobre os riscos do desenvolvimento de dependncia, por que as pessoas usam drogas?

    SADE MENTAL | ARTIGO

    Elson Kagimura Psiclogo na Clnica Integrare em Uberlndia CRP: 04/22769 Especialista no tratamento da dependncia qumica | Terapeuta Cognitivo-comportamentalProfessor do Centro Universitrio de Patos de Minas - UNIPAM

    elsonkagimura@yahoo.com.br

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  • falemaissobreisso.com.br edio 19 2015

  • falemaissobreisso.com.br edio 19 2015*nomes fictcios, depoimentos enviados por leitores da revista.

    Veja o que diz quem fez psicoterapia

    DEPOIMENTOS | SADE MENTAL

    Lourdes*, 37 anosFui abusada pelo segundo marido da minha me quando era criana. Demorei 25 anos para contar isso a algum e esse segredo fez dois casamentos meus acabarem antes de completarem 5 anos cada um. Meus maridos sofreram com a minha recusa toda vez que me procuravam para oferecer amor sexual a eles. Uma amiga sabia do medo em relao ao sexo, mas no sabia dos abusos que sofri. Mesmo assim, me indicou o seu psiclogo e foi com ele que me abri depois de quase 6 meses de sesses. (. . .) Depois de contar meu trauma a ele, permaneci em psicoterapia por quase um ano e meio, conseguindo me ver livre dos medos e dos traumas pouco antes de sair das sesses. Hoje vivo melhor e resolvida em relao s violncias que me fizeram perder anos e casamentos. J consigo ter uma vida sexual tranquila e sei que dessa vez estou segura para me entregar ao projeto de um casamento feliz e completo.

    Rafael*, 44 anosMinha insegurana em relao fidelidade das minhas namoradas acabou com vrios relacionamentos que tive aps a adolescncia. Eu era extremamente indeciso sobre o quanto uma namorada gostava de mim e infernizava a vida delas com perguntas sem fim sobre seus desejos de permanecerem comigo e viglias escondidas dos seus comportamentos. Eu tinha cimes de parentes, colegas de trabalho e ex-namorados, causando brigas e discusses em todas as festas ou eventos que amos. (. . .) Eu era infeliz, inseguro e imaturo. Fui em uma psicloga aps fazer uma namorada perder o emprego e ela ter terminado comigo no dia do seu aniversrio (que estraguei). J nas primeiras sesses, a psicloga mostrou muitas questes para mim, fazendo-me pensar em coisas e condies s quais eu nunca tinha me atentado e ningum nunca tinha me falado. Nosso mundo muito pobre em reflexes e muito rico em idiotices na moda. A psicloga abriu a minha cabea e me fez olhar para dentro da minha prpria insegurana coisa que tinha a ver com a minha relao com os meus pais e a relao do meu pai com a minha me. (. . .) No fosse esse trabalho, acho que eu ainda seria um problema na vida de quem apenas queria viver comigo.

    Ana Luiza*, 34 anosPrecisei da ajuda de uma psicloga para poder passar pelo tratamento em busca da gravidez. (. . .) Como eu no conseguia engravidar, comecei a ficar muito ansiosa toda vez que menstruava e via perdida a minha chance de ser me. Suportei bem os primeiros anos, mas precisei da psicoterapia para enfrentar a imprevisibilidade do tratamento em outra cidade e longe da minha famlia. (. . .) At hoje no consegui realizar meu sonho, mas tenho aprendido a lidar com essa questo de uma maneira mais equilibrada e compreensiva, entendendo que ningum tem controle sobre a vida e nem sobre os acontecimentos que nos felicitam ou entristecem temos controle apenas sobre o que pensamos e sentimos, e, s vezes, nem sobre isso mesmo, j que somos parte consciente e parte inconsciente na relao com os nossos contedos psicolgicos. (. . .) Graas a Deus e a minha psicloga, estou me sentindo mais conformada com a luta que travo h anos em busca de uma gravidez, mas ciente de que ser me no o objetivo nico da vida de uma mulher mesmo que o mundo todo force a barra dizendo que esse o nico objetivo da nossa existncia.

    Luiz Henrique*, 48 anosMinha vida sexual era sofrvel e pobre. Todas as pessoas que me interessavam no aceitavam as minhas fantasias sexuais e eu era obrigado a abrir mo dos prazeres que tomavam conta da minha mente e do meu corpo. Durante muitos anos, perdi tempo tentando ajustar meu comportamento sexual aos preceitos da sociedade, aceitando as limitaes impostas pelas pessoas com quem eu me relacionava sexualmente. (. . .) O acmulo de frustraes e carncias sexuais me levou a procurar a ajuda de um psiclogo (. . .) em busca de fim ao meu sofrimento. (. . .) No comeo, meu propsito era tirar de meus pensamentos os desejos que me faziam ser diferente das minhas parceiras, mas, durante as sesses, fui descobrindo que meu futuro era mudar de parceiras em busca da minha realizao sexual. Isso foi muito importante para a concretizao da minha felicidade como homem e hoje me sinto realizado me relacionando com pessoas que possuem mais afinidade com o meu jeito de ser, pensar e desejar. Sou muito grato aos dois psiclogos que frequentei (o primeiro teve que mudar de cidade e me indicou um outro profissional amigo dele).

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    Traio Virtual existe ou coisa da sua cabea?

    A pergunta acima pode parecer brin-cadeira, mas existe, ou ser que no? O fato que a cada dia as pessoas esto colocando suas vidas nas plataformas digitais, e apostando no resultado. Com o surgimento das redes sociais, surge tambm uma nova preocupao para os casais, os meios digitais podem interferir de forma negativa nos relacionamentos?

    Para responder este e outros ques-tionamentos, o (En)Cena, parceiro da Revista Fale Mais Sobre Isso, convidou a sexloga, Glcia Neves da Costa Quei-roz, para falar um pouco sobre o tema.

    (En)Cena - O que pode ser considerado traio em um relacionamento?Glcia Queiroz - A relao conjugal fei-ta pela livre vontade das duas partes, ou seja, a escolha de estarem juntos, essa deciso tem como fundamento a renuncia, confiana e fidelidade. Quan-do h qualquer tipo de envolvimento com terceiro que quebre um desses fundamentos uma traio.

    (En)Cena - O que traio virtual?Glcia Queiroz - Hoje estamos acostu-mados com a justificativa que diz, todo mundo faz! Ento se todos fazem dei-xa de ser considerado errado? Qual a necessidade em se envolver com outra pessoal no mundo virtual? Se fosse algo permitido e aceito no relaciona-mento no era feito as escondidas, no haveria senhas de acesso, nem conte-dos deletados. Traio virtual quando voc tem cobia, conversas intimas ou desejo por algum no mbito virtual.

    (En)Cena - Para quem mais difcil per-doar uma traio, homens ou mulheres?

    Glcia Queiroz - Acredito que pela pr-pria cultura implantada de que todo homem faz, as mulheres acabam rele-vando com mais facilidade as deslizadas masculinas. A questo o desgaste para o relacionamento, que mesmo depois do perdo e da reconciliao fica uma inse-gurana em relao ao comportamento

    do outro. Isso um fardo muito pesado para se manter um relacionamento.

    (En)Cena: E quando bate a insegurana, o que fazer?

    Glcia Queiroz - A insegurana muitas vezes motivada pelo comportamento do outro. Quando a insegurana bater, se fortalea, pergunte-se por qual mo-tivo esta insegura, se for pelo compor-tamento do outro, converse e pontue os motivos que a deixam insegura, se for por falta de atitude sua, veja o que pre-cisa melhorar e comece agora mesmo.

    Quais os principais problemas no relacio-namento podem acarretar uma traio?

    Glcia Queiroz - Falta de dialogo, falta de companheirismo, falta de sexo, gros-serias constantes, magoas reincidentes, normalmente so relados pelas pesso-as que traem, mais acho que o principal problema a falta de respeito pelo ou-tro, pela famlia, pelo amor e por si. Pois se o relacionamento esta precisando ser ajustado, converse sobre o que pre-cisa melhorar, procure ajuda, se no conseguirem separe. Envolver mais al-gum no relacionamento em crise, no uma forma de resolver os problemas.

    (En)Cena - O que fazer para evitar que o mundo virtual atrapalhe na relao real?

    Glcia Queiroz - O que no quero para mim, no fao com o outro, acho que simples. O que no acrescenta em mi-nha vida eu descarto, ento o melhor filtrar as coisas que fazem bem para voc e para o seu relacionamento.

    (En)Cena - Terapia de casal, consultas com sexloga, tratamento mdico, qual o melhor caminho para se recuperar a confiana no parceiro aps uma traio virtual?Glcia Neves - Ajuda profissional be-nfica, pois consegue ajudar a resgatar a confiana em si. Agora a confiana no parceiro, uma conquista do pr-prio parceiro, que ter que demonstrar

    atravs de suas atitudes que digno de confiana novamente. Isso pode ser rpido, demorar ou nunca mais aconte-cer. Confiana no algo imposto, e sim conquistado diariamente.

    (En)Cena - Quais as suas dicas, como profissional, do que pode ser feito para melhorar o relacionamento entre os casais e impedir que esses fatores virtuais possam prejudicar futuramen-te a relao?

    Glcia Queiroz - As relaes hoje ini-ciam e concretizam muito rpido, antes mesmo de conhecer um pouco mais os costumes e defeitos do outro. Ento procure conhecer melhor seu parceiro, suas preferncias, conversem muito sobre tudo, sejam companheiro um do outro, aprendam com os erros e saibam perdoa.

    Amar uma deciso, ento se quer estar com algum real, viver o rela-cionamento de forma saudvel, pra-zerosa e feliz, faa essa escolha todos os dias. Um dia de cada vez. Demons-tre esse amor atravs das atitudes, palavras e aes.

    CONSULTRIO | SADE MENTAL38

    TEXTO Hrica Rocha | Acadmica de Jornalismo do CEULP/ULBRA

    Em tempos de redes sociais e contemporaneidade, o que traio virtual?

    Glcia Personal e Professional Coach; Sexloga; Educadora Sexual com Qualificao em Sexo, Histria, Cultura e Sade; Especialista em Orgasmo Feminino; Consultora de Relacionamento; Consultora Sexual; Palestrante em Cursos, Workshops, e Empresria.

  • O Reanima um Programa de Orientao Psicolgica que ajuda as pessoas a (re)encontrarem o sentido de suas vidas, resgatando o nimo e a energia com que podem se dedicar aos seus sonhos, projetos e desejos. Sua metodologia de trabalho dividida em trs etapas: Autoconhecimento, Autotransformao e Autorealizao.

    VOC PODE PARTICIPAR DO REANIMA - PROGRAMA DE ORIENTAO PSICOLGICA USANDO A INTERNET, PELO SKYPE OU POR EMAIL. O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA REGULAMENTOU ESSE SERVIO ATRAVS DA RESOLUO CFP N0 011/2012.

    Leonardo Abraho | Psiclogo | CRP 36232/04

    Av. Santos Dumont, 174 | Centro | Uberlndia/MG34 9966.1835 | reanima@yahoo.com.br

    Ou voc ganha tempo cuidando da sade ou perde tempo cuidando da doena.

  • falemaissobreisso.com.br edio 19 2015

    O artista coreano Puuung se inspirou em aes simples como essas para criar suas ilustraes a respeito do que considera o seu ideal de Amor

    SADE AMPLIADA | ILUSTRAO40

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    SADE AMPLIADA | ILUSTRAO

    AMOR VERBO,AMAR ATITUDEAmor" verbo-conceito que no passa de uma palavra bonita se no for acompanhada e concretizada por meio de escolhas, decises e atitudes no dia a dia. Quer exemplos? Inspire-se nas ilustraes.

    TEXTO Leonardo AbrahoILUSTRAES

    Puuung

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    Nas palavras do artista, o amor algo com que todo mundo pode se identificar. E o amor vem em maneiras que ns podemos facilmente negligenciar em nossas vidas dirias. Ento, eu tento encontrar o sentido do amor em nossas vidas dirias e torn-lo em arte.

    SADE AMPLIADA | ILUSTRAO42

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    SADE AMPLIADA | ILUSTRAO 43