revista de sistematiza§£o 2015 - jovens gerando renda na agricultura familiar

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Nesta publicação procura-se expor os princípios e metodologias aplicados pela FASE Bahia na sua intervenção educativa com jovens agricultores familiares. Tendo como pano de fundo a implementação do Projeto "Jovens gerando renda na Agricultura Familiar", apoiado com patrocínio da Petrobras, a revista registra passos dados ao longo do processo, informações básicas sobre o contexto do Vale do Jiquiriçá, e do Baixo Sul; depoimentos de dirigentes de entidades parceiras e de alguns dos jovens que participaram da experiência.

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  • 1Um pouco da histria da FASE

    A FASE Federao de rgos para Assistncia Social e Educacional foi fundada em 1961. Organiza-o no governamental, sem fins lucrativos, de carter educacional, beneficente, e de assistncia social, atua hoje em 6 estados, com sede nacional no Rio de Janeiro. Desde sempre comprometida com organizao popu-lar e desenvolvimento local. Nos anos 1960, a FASE trabalhou com associativismo e cooperativismo, mas o golpe de 1964 imps redefinies. A resistncia ditadura e a formao das oposies sindicais e movimentos comunitrios passaram a ser o foco. Nos anos 1970, apoiou movimentos populares que enfrentaram a carestia, e as desigualdades econmicas e sociais. Teve presena junto ao campesinato no norte do Brasil; trabalhadores rurais do nordeste; operrios da construo civil e das indstrias metalrgicas do sudeste; e associaes de moradores no pas. Formando centenas de lideranas e apoiando-as em suas reivindicaes, a FASE chegou aos anos 1980 participando do processo de fortalecimento da organizao e das lutas populares que levou anistia, constituinte e s eleies diretas. Para aprofundar a transio democrtica dos anos 1980 e 90, a FASE qualificou metodologias educativas voltadas para o controle popular e a participao da cidadania na promoo e defesa de direitos, e nas polticas pblicas. O desenvolvimento social e ambientalmente sustent-vel, as lutas de movimentos de mulheres, afrodescendentes e indgenas, bem como, a exigibilidade de Direitos Humanos Econmicos, Sociais e Culturais, marcam sua atuao no enfrentamento das desigualdades.

    De 2000 em diante, a FASE integra redes, fruns e plataformas, visando derrotar polticas de carter neoliberal. Promovendo princpios e produzindo conhecimentos, a FASE executa projetos, e faz parcerias com universidades.

    Misso

    Contribuir para a construo de uma sociedade democrtica e atuante em favor de alternativas ao mo-delo de desenvolvimento vigente, com justia ambiental e universalizao de direitos sociais, econmicos, culturais, ambientais, civis e polticos, como condies iniciais para a incluso de grande parcela da popu-lao do pas ainda em condies de desigualdade, pobreza e discriminao.

    Objetivos

    Avanar na construo de um campo poltico crtico ao projeto desenvolvimentista dominante, de modo a contribuir na disputa coletiva por um Brasil fundado na democracia substantiva e na sustentabilidade scio-ambiental.

    Causas

    O plano trienal 2014-16 organiza a atuao da FASE em quatro causas, integrando suas equipes, e possibilitando leitura global das questes e impasses gerados pelo modelo de desenvolvimento adotado no Brasil. As Causas so: Direito Cidade com Justia Socioambiental; Promoo da Soberania, da Segurana Alimentar e Nutricional e da Agroecologia; Promoo da Justia Ambiental, defesa dos Bens Comuns e dos direitos territoriais; e Organizao de mulheres como sujeitos de direitos.

  • 2Esta publicao parte do Projeto Jovens gerando renda na agricultura familiar - Contrato de Patrocnio n. 6000.0083329.13.2 Petrobras / FASE Bahia; executado entre agosto de 2013 e agosto de 2015.Sua elaborao e contedo so de inteira responsabilidade da FASE Bahia.

    Coordenao da FASE Bahia:

    Jos Orlando Caldas Falco; Paulo Roberto Demeter (educadores populares)Coordenao Administrativa e Financeira: Joelma Arajo da Cunha Coordenao Executiva: Fernando Ferreira Oiticica Equipe Tcnica Estadual: Nadilton Almeida de Andrade; Roslia Batista de Melo; Veronice Santos Sousa. Auxiliar de Escritrio: Katiuscia da Silva Santos

    Entidades parceiras da FASE Bahia que contriburam para a execuo desta experincia

    Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Presidente Tancredo NevesSindicato dos Trabalhadores Rurais de LajeSindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de MutupeSindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de So Miguel das MatasSindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de JiquiriSindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de UbaraCentral de Associaes da Agricultura Familiar de Valena- CAAFPlo Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Regio de AmargosaFETRAF Bahia

    Expediente

    Endereo da sede em SalvadorRua General Labatut, 78 Barris;

    CEP 40070-100 SALVADOR BATelefone: (71) 3328-1083. Correio eletrnico: faseba@gmail.com

    Pgina na Internet: www.fase.org.brPgina na Internet dedicada a este projeto: http://faseb3.wix.com/faseba-provisorio

    Escritrio em Mutupe - Ba.Rua Santo Antonio, 26. Bairro Santo Antonio.

    CEP: 45.480-000 Mutupe BA.

  • 3Sumrio

    Apresentao ..............................................................................................................5

    Fortalecendo a Agricultura Familiar ............................................................................6

    Os 7 municpios onde se atuou ........................................................................... 10

    Aprendendo com a prpria caminhada ...............................................................12

    Reconhecendo a importncia das parcerias ........................................................13

    Jovens gerando renda na Agricultura Familiar ..........................................................22

    Depoimentos e entrevistas ......................................................................................... 28

    Falam dirigentes das entidades sindicais ............................................................ 29

    Jovens comentam suas experincias ..................................................................35

    Relao de jovens participantes ................................................................................73

  • 4Nossa homenagem s mulheres e homens que construram o movimento sindical dos trabalhadores na AgriculturaFamiliar no Baixo Sul, e no Vale do Jiquiri.

    Milhares de famlias se instalaram na regio, conseguindo sobreviver como agricultores, impedin-do a ampliao dos latifndios e suas monoculturas que tanto marcam a paisagem da Bahia, e do Brasil.

    Ocupando reas em pequenos lotes, com relevo acidentado, e sem infraestrutura pblica, essas fam-lias formaram comunidades, e se dedicaram a diversos tipos de plantios e criaes. O poder pblico jamais reconheceu a importncia social, econmica, cultural, ambiental, e poltica da Agricultura Familiar.

    As polticas pblicas eram inexistentes, e quan-do existiam, sua qualidade era muito ruim. Acesso sade, educao, previdncia social, saneamento e habitao, transporte e energia eltrica eram extre-mamente difceis. As condies de vida das famlias agricultoras eram precrias, cheias de dificuldades.

    Embora isoladas, as famlias encontraram meios de se informar, aumentaram as trocas de experin-cias sobre problemas vivenciados, e tiveram acesso a novos conhecimentos que lhes permitiram enten-der as causas de suas dificuldades. Amadureceram a conscincia coletiva do direito a ter direitos.

    Ativistas das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Catlica apoiaram este processo de organizao que viabilizou a criao, funcionamento e consolida-o de sindicatos de trabalhadores rurais, culminando com a fundao do Polo Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Regio de Amargosa, em 1989.

    Nos anos 1990, esses sindicatos se engajaram na construo da CUT Central nica dos Traba-lhadores. Fortalecendo lutas em defesa de direitos, e pela melhoria de sua qualidade vida enquanto

    agricultores familiares, se somaram na cria-o da FETRAF Bahia em 2004.

    O trabalho da FASE jamais teria alcan-ado a dimenso conquistada, sem a parceria e participao das associaes comunitrias, sindicatos, Polo Sindical, e FETRAF.

    A FASE presta homenagem memria dos homens e mulheres que construram o movimento sindical dos trabalhadores rurais e da Agricultura Familiar, lanando semen-tes que germinaram e vem dando frutos. Esses jovens agricultores familiares que se engajaram nas aes protagonizadas pela FASE, so exemplos vivos de um trabalho que comeou dcadas atrs, quando mili-tantes percorriam ramais, muitas vezes a p, promovendo pequenas reunies de esclare-cimento, estimulando as pessoas a conhece-rem seus direitos, e a se organizarem para lutar em defesa de dias melhores.

    Manifestao de Primeiro de Maio, convocada anualmente pelo Polo Sindical, e realizada a cada vez, em diferentes municpios do Vale do Jiquiri, e do Baixo Sul.

  • 5Esta revista mais uma etapa na caminhada as-sumida pela FASE Bahia, de contribuir para o for-talecimento da Agricultura Familiar, enquanto ator poltico, e sujeito de direitos.

    Este fortalecimento passa pela promoo da inclu-so social, econmica, poltica e cultural de jovens, pois sero eles os responsveis pela manuteno, ampliada e qualificada, das potencialidades inerentes Agricul-tura Familiar. Viabilizar melhores condies para que jovens agricultores tenham acesso renda, sem degra-dar o meio ambiente e nem explorar seus semelhantes, gerando valor a partir de seus conhecimentos, trabalho e recursos existentes em suas propriedades familiares, faz parte do conjunto de aes que soma para a defesa e promoo da Agricultura Familiar.

    A construo de um Brasil socialmente mais justo, economicamente vivel e ambientalmente sustentvel, exige a criao de condies mais fa-vorveis continuidade da existncia, e fortaleci-mento da Agricultura Familiar.

    A Agricultura Familiar representa uma alternativa de desenvolvimento que se contrape ao latifndio e suas monoculturas. na prtica cotidiana de centenas de milhares de famlias agricultoras que afloram ex-perincias de convivncia sustentvel com diversos biomas; de conservao dos recursos da agrobiodiver-sidade; de promoo de tecnologias ambientalmente mais sustentveis e socialmente inclusivas. O alimen-to saudvel e diversificado que ainda est disponvel para os milhes de brasileiros j urbanizados, depende