revista de domingo nº 536

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Revista semanal do jornal de fato

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  • Jornal de Fato | DOMINGO, 28 de outubro de 2012

    ao leitor

    Edio C&S Assessoria de Comunicao Editor-geral Wil liam Rob son Dia gra ma o Rick Waekmann Projeto Grfico Augusto Paiva Im pres so Gr fi ca De Fa to Re vi so Gilcileno Amorim e Stella Smia Fotos Carlos Costa, Marcos Garcia, Cezar Alves e Marcelo Bento In fo gr fi cos Neto Silva

    Re da o, pu bli ci da de e cor res pon dn cia

    Av. Rio Bran co, 2203 Mos so r (RN)Fo nes: (0xx84) 3323-8900/8909Si te: www.de fa to.com/do min goE-mail: re da cao@de fa to.com

    Do MiN go uma pu bli ca o se ma nal do Jor nal de Fa to. No po de ser ven di da se pa ra da men te.

    Aproposta da Revista Domingo ser um suplemen-to semanal de variedades, ou seja, de assuntos diversificados, que atendam a toda a famlia. Mas, na edio desta semana, o tema central que permeia as trs principais matrias, por uma feliz coincidncia, tem a ver com msica. E no h quem no goste, seja qual for o esti-lo ou gnero musical.

    A edio desta semana traz uma entrevista com o pro-fessor e pesquisador Jeder Janotti, uma referncia para os estudiosos de Comunicao e Msica, que traz esclareci-mentos importantes sobre esse momento de profuso mu-sical em que se vive hoje. Na entrevista, ele coloca entre seus exemplos as aes realizadas pelo DoSol, que o destaque de capa.

    A matria de destaque uma conversa com Anderson Foca, um dos nomes que esto por trs da ampliao da marca DoSol, sobre a chegada do espao na cidade de Mos-sor e da realizao dos festivais de maior sucesso no Esta-do, agora tambm saindo pela primeira vez para So Paulo. Desafio!

    Mas, tambm tem a matria sobre o show Para sempre Elis do Diocecena, que se apresenta hoje no Teatro Dix-huit Rosado numa roupagem apropriada para a estrutura do teatro. Enfim, no era para ser uma edio temtica, mas importante falar do que bom e msica alegra, impulsio-na, gera identificao.

    Sem receios, aumenta o som!

    Bom incio de semana!

    editorial

    Aumenta, que isso Rock!

    Com

    o p

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    En

    tre

    vis

    taMsica

    traz o que h de melhor no roteiro gastronmico de Mossor

    A relao entre se alimentar bem e o bom desempenho do seu crebro

    Rafael Demetrius traz dicas para se efetivar no ambiente de trabalho

    Adoro comer

    Alimentao

    Coluna

    p4

    p14

    p7

    p 12

    2

    p8

    Toda a diversidade da cena musical do DoSol

  • 3Jornal de Fato | DOMINGO, 28 de outubro de 2012

    )( Envie sugestes e crticas para oe-mail: aristida603@hotmail.comNaquele tempo pobre muito pobre, quando morria, era levado a enterrar no caixo comum, geral. Da prefeitura. Meia dzia de carregadores bebendo cachaa no gargalo da garrafa, passando de mo em mo.

    Tinha vezes em que a polcia saa pelas ruas pegando gente pro enterro. Aquilo enchia de indignao o padre Adelino, um santo homem como era di-to entre os seus paroquianos. E o era, a bem dizer.

    No perdia ele um enterro de gente humilde, cumprindo todo o ritual fne-bre da igreja catlica, e ainda fazia dis-curso, comovido e comovente, beira da cova. Os enjeitados do mundo, di-zia.

    Era um homem de todo desapegado dos bens materiais. De seu, s possua a batina surrada. Alguns remendos. Era, podia-se dizer, um exemplo da imitao de Cristo. E era como o dizia, no s os fiis catlicos, como toda a cidade. Fei-es e cheiro de santidade, at.

    Recomendava sempre beata Maria da Glria ou Glorinha, que lhe cozia a comida, lavava a roupa, que era apenas

    Histria que ouvi contar

    JOS NICODEMOS*

    conto

    a batina, duas camisas e duas calas ro-tas, e cuidava da casa paroquial, que, se morresse primeiro que ela, o levasse a enterrar no caixo comum. Dos mortos da pobreza mais pobre. E em cova rasa.

    J bem entrado em anos, ali pelos oitenta e tantos, mas ainda exercendo o ministrio sacerdotal, s o deixaria com a invalidez para os ofcios religiosos ou com a morte, adoeceu gravemente. Aca-mou-se, at a morte. Os pulmes varados pela tuberculose.

    No havia cura naquele tempo. Mal terrvel. Era a condenao morte, en-tre hemoptises.

    A beata Glorinha sempre ali ao seu lado, de vez em quando limpando-lhe as flores de sangue que lhe brotavam da boca. Um vermelho vivo. Medo nenhum do contgio. O padre Adelino era um santo de carne e osso. E ela garantia-se com a misericrdia de Deus.

    Morreu, o padre Adelino, pelas duas horas de uma tarde de ar mstico. Ao pressentir a hora derradeira Glorinha,

    no deixe de fazer o meu desejo, ser le-vado pro cemitrio no caixo comum. Quero morrer com essa certeza. Disse e acrescentou.

    Mas deu-se que um ricao da cidade, tambm homem da igreja, achou isso fora de propsito, sei l, e quis dar-lhe caixo decente, modesto, mas um cai-xo digno. Tratava-se de um sacerdote. Que a comunidade, catlica e no, ia di-zer da igreja?

    No que teve a concordncia geral dos fiis, bem, l uma ou outra divergn-cia.

    Venceu a opinio da grande maioria. De acordo com o dito ricao, que por si-nal ajudava o padre Adelino em suas obras de caridade.

    Seja isto lenda ou no, o fato, nunca desmentido, que, segundo testemu-nhos insuspeitos, e respeitveis, na ma-nh seguinte ao dia do enterro, que foi ainda naquela tarde, o caixo amanheceu vazio em cima da cova do santo sacerdo-te. E ficou pro uso geral.

    Era um homem de todo desapegado dos bens materiais. De seu, s possua a batina surrada. Alguns remendos. Era, podia-se dizer, um exemplo da imitao de Cristo.

  • 4 Jornal de Fato | DOMINGO, 28 de outubro de 2012

    entrevista

    Estudar as cenas musicais a temtica de interesse das pesquisas de Jeder Janotti, professor-doutor em Comu-nicao Social e bolsista de produtividade CNPq vincu-lado ao Programa de Ps-Graduao em Comunicao Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Durante passagem rpida por Mossor, Jeder Janotti realizou palestra para estudantes e professores no miniauditrio de Comunicao Social da Uern e falou sobre "Trajetrias Comunicacionais: An-lises Culturalistas e Experincia em torno da Cultura Miditica das Cenas Musicais". Numa conversa menos acadmica e mais descontrada, ele fala sobre suas pesquisas e como observa as misturas de elementos regionais cada vez mais presentes na produo musical de bandas.

    JEDER JANOTTI

    Por Izara ThalitaPara a Revista Domingo

    Msica e identificao

    DOMINGO Seu trabalho tem mostrado a relao da identidade do pblico em relao ao consumo de msica. Como entender que gneros como o rock, e diante das inovaes que se v hoje, ainda gerem essa iden-tificao?

    JEDER JANOTTI A gente vive numa poca de relaes muito diver-sas. Porque no mundo da msica, no s nestes gneros mais globalizados como rock e nos subgneros como he-avy metal, a gente vai perceber que ao mesmo tempo em que se tem um pro-cesso de internacionalizao e globali-zao muito forte, h ao mesmo tempo uma busca, um resgate nesse proces-

  • 5Jornal de Fato | DOMINGO, 28 de outubro de 2012

    entrevista

    so, de elementos regionais. Por exemplo, no mundo do Rock hoje em dia, mais do que ser uma ban-da em pases como o Brasil, ou em pases que emergiram nesse mun-do da msica como na Argentina, mais interessante dialogar com o que est acontecendo l fora tendo caractersticas locais, por-que isso te d um diferencial, do que ser simplesmente mais uma banda, um clone daquilo que est acontecendo l fora.

    E A mdia ainda tem influn-cia como tinha antes em dizer e tornar sucesso algo que surge no cenrio musical ou isso j no se percebe com a mesma fora que antes?

    TODO aquele modelo das grandes gravadoras que perdurou at os anos 90 ele no se extin-guiu totalmente, at porque as grandes gravadoras que dominam o mercado no mundo continuam a existir. Ento, o que acontece que h outras possibilidades, outras formas de se circular no mundo da msica hoje. Essa a contribuio que enquanto comunica-dores temos a dar, para entender o que est acontecendo, para contribuir com as polticas pblicas de cultura, enten-der a msica no s como um produto esttico, mas tambm como um pro-duto de mercado, e o que ocorre hoje que, ao lado de estratgias de visi-bilidade em grande escala, como es-tar presente em uma trilha sonora de novela, ou de um filme hollywoodiano, voc tem outras possibilidades, pois h todo um circuito menor que antes era mais difcil naquele modelo. No se depende mais do produto fsico, do disco. muito mais fcil circular isso hoje. Por exemplo, numa cidade como Mossor voc ter um espao e o evento como o Festival DoSol mostra uma transformao radical desse circuito porque se tem condies de hoje numa cidade de mdio porte, como Mosso-r, ver bandas de pequeno porte, com um pblico pequeno e que circulam o Brasil inteiro. Alis, o Brasil hoje um mercado to importante que ele j est sendo um pas de circulao de msi-cos em nichos de outros lugares alm da fronteira do Brasil. Por exemplo, re-centemente num festival como o Ma-cei Lab a principal atrao foi um msico uruguaio. Ento j est aconte-cendo com uma certa frequncia, j se tornou lugar comum. L em So Paulo no s temos algumas casas que rece-bem semanalmente msicos de toda a

    Amrica Latina no s naqueles estilos que a gente conhece tradicionalmente como a msica popular brasileira, ar-gentina, africana, mas dentro destes estilos globalizados como o Rock... O mundo dos DJs bem isso, eles cir-culam muito para tocar para 300, 400 pessoas na pista. Ento isso uma re-alidade muito diferente do que a gente vivia at o final da dcada 90 do sculo XX. O festival DoSol agora vai ter uma banda da Sucia e outra do Uruguai aqui em Mossor, ento isso.

    ESSAS misturas que surgem nos g-neros musicais podem ser consideradas como algo novo, diferente dessa poca?