revista de domingo nº 530

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Revista semanal do jornal de Fato

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  • Jornal de Fato | DOMINGO, 16 de setembro de 2012

    ao leitor

    Edio C&S Assessoria de Comunicao Editor-geral Wil liam Rob son Dia gra ma o Ramon Ribeiro Projeto Grfico Augusto Paiva Im pres so Gr fi ca De Fa to Re vi so Gilcileno Amorim e Stella Smia Fotos Carlos Costa, Marcos Garcia, Cezar Alves e Gildo Bento In fo gr fi cos Neto Silva

    Re da o, pu bli ci da de e cor res pon dn cia

    Av. Rio Bran co, 2203 Mos so r (RN)Fo nes: (0xx84) 3323-8900/8909Si te: www.de fa to.com/do min goE-mail: re da cao@de fa to.com

    Do MiN go uma pu bli ca o se ma nal do Jor nal de Fa to. No po de ser ven di da se pa ra da men te.

    to difcil descobrir o que se quer ser. Al-gumas pessoas passam a vida inteira sem saber, mudando de tarefas e funes em busca da prpria realizao pessoal e profissional. Mas, algumas pessoas definem isso muito cedo, ain-da na infncia, sem que haja uma presso dos pais para essa escolha.

    o caso de Laura Vasconcelos, natalense, 12 anos, que foi a nica no Estado neste ano selecionada pe-la Escola Bolshoi do Brasil, sediada em Joinville (SC). Diga-se de passagem essa foi a sua segunda apro-vao para a escola, pois na oportunidade anterior ela desistiu por no ter condies de se manter. Ago-ra, alm da seleo, a pequena bailarina ganhou bol-sa para estudar bal. A me dela, Lidiane, entende sua escolha e sabe que deve deixar a filha seguir seu caminho.

    O exemplo de Laura o tema de capa desta se-mana, para inspirar crianas, adolescentes e at mesmo adultos que tm dificuldades de encontrar o seu caminho. A entrevista com o professor Pedro Fernandes outra forma de inspirao, porm, atra-vs da Literatura e das particularidades das obras de Jos Saramago.

    Tem ainda informao para os homens que sofrem com ejaculao precoce, dicas de como conquistar o primeiro emprego e muito mais!

    Leia com calma, reflita. Bom Domingo pra voc!

    editorial

    Na trilha do prpriosonho

    Com

    o p

    rofe

    ssor

    Ped

    ro

    Fern

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    de

    Jos

    Sa

    ram

    ago

    En

    tre

    vis

    taCapa

    Davi Moura preparou uma coluna supersaborosa.

    O trabalho da Cia A Mscara junto a jovens infratores

    Rafael Demetrius ajuda como conseguir seu primeiro emprego

    Adoro comer

    Social

    Coluna

    p4

    p14

    p7

    p 12

    2

    p8

    A determinao de Luana que seguir para o corpo Bolshoi de bal em Joinville

    Foto: Fra

    nkie Mar

    coni

  • 3Jornal de Fato | DOMINGO, 16 de setembro de 2012

    )( Envie sugestes e crticas para oe-mail: aristida603@hotmail.comEra conhecido por atacar (no fisicamente) mulher que en-contrasse em rua deserta, fosse de dia, fosse de noite. Trata-se de um manaco sexual, de apelido Franjinha, devido ao modo de pentear o cabelo, e cujo prazer ertico consistia em abrir a braguilha e exibir o membro ereto a mu-lheres sozinhas em rua deserta.

    Morava com a me viva, uma velhi-nha muito querida por todos, no s ali na vizinhana, e que morria de vergonha desse comportamento anormal do filho. Rezava, aconselhava, rogava, at de jo-elhos, e no tinha jeito que desse jeito.

    Muitas surras eram-lhe prometidas, mas nunca acontecidas, seria isso um sofrimento para a pobre me, uma ve-lhinha bondosa e sofrida que vivia da solidariedade de pessoas de bom cora-o. Pelo qu, Franjinha ia escapando, escapando, escapando, e j nem dava mais ouvido s ameaas rotineiras. .

    Cadeia; era sair num dia e voltar no outro, apesar da peia de corda da polcia, O jeito que tem deportar esse nojen-to, dizia o delegado s queixas de qua-se todo dia. Fez correr um abaixo-assi-nado a ser entregue ao juiz da comarca, pedindo a deportao de Franjinha, a bem do pudor das famlias.

    CORTOU O MAL PELA RAIZ

    JOS NICODEMOS*

    conto

    Mas que a grande maioria tinha pe-na de a velhinha me dele ficar sem sua nica companhia naquele casebre de fim do mundo, seria aumentar-lhe o sofri-mento. Quem haveria de cuidar dela? Pelo menos, para isso, o desgraado do filho servia.

    Das suas vtimas mais frequentes, Donana era uma; gostava de andar pelas casas. E sempre, com seu jeito de mu-lher sem os escrpulos morais do tempo, ia ao encontro dele, Franjinha, jeitosa-mente fingida Deixe eu pegar, meu filho, e ele, escabreado, desabava na carreira, at desaparecer no primeiro beco que encontrasse. E os havia em to-das as ruas. . .

    Sim, Donana passara a andar prevenida

    com uma navalha por dentro do suti, lhe cortaria o membro na primeira oportunida-de. Era uma mulher alta, corpulenta, bra-os de lutador de sum, valente. Franji-nha, um tico de gente, e no mais, mofino de apanhar at de calas curtas. . .

    Eis que um dia, Franjinha, correndo disparado de Donana, rua afora, o sexo de fora, acertou de tropear num cachor-ro que lhe atravessou na frente, espar-ramando-se no cho, com todo o corpo, a cara num ruma de areia.

    Ora, ora, foi o fim do miservel; Do-nana, navalha em punho, desvirou-o, pelo amor de Deus no me mate, ps-lhe o p pesado de lenhador no pescoo fininho, e, num s golpe cortou o mal pela raiz.

    Das suas vtimas mais frequentes, Donana era uma; gostava de andar pelas casas. E sempre, com seu jeito de mulher sem os escrpulos morais do tempo, ia ao encontro dele, Franjinha, jeitosamente fingida

  • 4 Jornal de Fato | DOMINGO, 16 de setembro de 2012

    entrevista

    Pedro Fernandes nasceu em Lajes e, atualmente, aluno do Doutorado em Literatura Com-parada pelo Programa de Ps-Graduao em Estudos da Linguagem (PPGEL) da Universi-dade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). mestre em Letras pelo Programa de Ps-Graduao em Letras (PPGL) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e graduado em Letras com habilitao em Lngua Portuguesa pela Faculdade de Letras e Artes na mes-ma instituio. Prximo dia 5 de outubro, vai publicar o ensaio acadmico Retratos para a construo do feminino, pela Editora Appris, resultado de suas pesquisas sobre as obras de Jos Saramago. Alm disso, autor de Palavras de pedra e cal, um e-book de poesia produzido independentemente em 2009, e Sertanices e Bardos, outros dois livros de poesia, ainda inditos. editor do caderno-re-vista 7faces, um peridico eletrnico publicado semestralmente e com foco em poesia.

    PEDRO FERNANDES

    redao@defato.com | Twitter: @defato_rn

    As mulheres nas obras de Saramago

    DOMINGO Como se deu a sua aproximao com as obras de Jos Sa-ramago?

    PEDRO FERNANDES Muito bem lembrado de me perguntar isso, porque uma das coisas que mais fao questo de sempre dizer aonde vou como isso aconteceu. Enquanto professor de Lite-ratura somos formadores de leitores, e falar da experincia de leitor me parece ser ainda a forma mais apropriada de le-var o outro a ter curiosidade em ler. Diria que a coisa aconteceu por mera curiosi-dade de leitor. Na poca eu estava cur-sando licenciatura em Letras na Uern e, por volta do quinto semestre, meio que

    obra de algo para desenvolver minha pesquisa para monografia de concluso do curso. Sabia que seria em Literatura, mas quem ou o que estudar ainda no. quando numa das muitas tardes na biblioteca setorial dou com a lombada de um livro em que se lia O evangelho segundo Jesus Cristo. Peguei o livro e foi este o primeiro romance de Jos Sa-ramago que tive oportunidade de ler. Mas, no foi uma aproximao fcil. Li pelo menos umas trs vezes as primeiras pginas desse livro para entender afinal diante do que estava. Eu gosto de leitu-ras que me desafiam. Foi assim com Os sertes, de Euclides, com Grande serto,

    de Guimares Rosa, Dom Quixote, de Cervantes, enfim, gosto dessa coisa do desafio. E foi isso que me pareceu ao ler o Evangelho. E foi isso o que me disse este o autor que vou estudar. Na poca, eu no sabia de nada de quem era esse Saramago. E olhe que j tinha sido pu-blicada muita coisa dele no Brasil e at j havia ganhado o Prmio Nobel de Lite-ratura, mas no sabia de nada. Sarama-go era-me um desconhecido, que s fui me dar conta da figura quando fui para a Internet saber mais da vida do autor. Mas, a histria da aproximao foi essa: um encontro casual numa tarde na bi-blioteca.

  • O QUE te chamou a ateno no con-junto de obras desse escritor e quais suas caractersticas marcantes?

    A PRIMEIRA reao minha foi com a forma de escrita. Essa necessidade do es-critor em se aproximar do flego da orali-dade como se quisesse colocar a simulta-neidade da fala na escrita. Mais adiante, e estou me referindo ao Evangelho, nas cenas de dilogos, a ausncia da forma-tao comum da narrativa, essa coisa do tudo organizadinho, fala de personagem com travesso, anncio de fala com dois pontos, a ausncia disso que me deu ou-tro prazeroso trabalho, que no princpio era ficar martelando mentalmente onde que o narrador findava para o incio do pensamento ou da voz da personagem, esse processo, que chamo de pro-cesso de apropriao do leitor adequado, foi o que, e sempre digo isso, talvez seja o que primeiro chame ateno, lidas algumas pginas de qualquer um dos romances mais conhecidos de Saramago. E quan-do conheci biograficamente o escritor, a sua formao pessoal e intelectual e sua posio diante de assuntos caros huma-nidade que fui perceber o tom mais po-ltico, sem o panfletismo, verdade, que h na sua literatura. O que constitui uma grande obra sua capacidade de tocar em assuntos que dizem respeito humanida-de, porque por mais diferenas culturais que tivermos, h coisas que so univer-sais, como a poltica, a religio, a histria, o amor, o medo, e isso tudo est na obra saramaguiana. Acho que ele um dos poucos escritores da contemporaneidade que soube engendrar na medida certa o esttico com o poltico na obra de arte, fazendo, com isso, que a obra de arte lite-rria no seja um apndice do social, mas um elemento que quer refletir sobre.