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Algumas páginas da edição de fevereiro de 2010 da revista CULT

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  • 143

    ano 13 r$ 9,90 www.revistacult.com.br

    A preciso do crtico literrio Davi Arrigucci Jr.

    perfi l

    Albert Camus e a lucidez da revolta

    homenagem

    A loso a pode transformar o sofrimento humano em potncia positiva?

    A loso a pode transformar

    Filoso a econsolao

    dossi

  • 06 do leitor

    08 cultura eM MoViMeNtoExposio Carlos Scliar Perfi l e Trajetria Araqum Alcntara O Teatro do Ornitorrinco Roupa de Artista Expedio Langsdorff Pela ordem

    12 eNtreVistaA escritora Beatriz Bracher aposta na banalidade surpreendente do clich para a reinveno da linguagem e da literatura

    38 HoMeNaGeM alBert caMusMorto h 50 anos, Camus resistiu, pela solidariedade da revolta, s promessas e utopias polticas de seu tempo

    18 literatura reseNHaEm seu primeiro romance, Dostoivski trouxe tona os sentimentos e infortnios dos excludos de So Petersburgo

    20 literatura reseNHaTerceiro volume da trilogia ntima, O Manto, de Marcia Tiburi, leva a cabo a vingana de Clitem-nestra contra Orestes e Apolo

    22Perfil

    28 literatura laNaMeNtoNovas tradues de seus romances consagrados e dois livros inditos no Brasil revigoram a obra do desconcertante escritor francs Andr Gide

    26 eNtreVista ricHard BourNeProfessor de estudos polticos da Universidade de Lon-dres, o ingls Richard Bourne lana biografi a sobre Lula

    34 eNsaioDo dinheiro e do amor, da beleza e do valor, da doena e dos remdios

    FrAncIsco Bosco

    12 eNtreVistaac

    ervo

    CU

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    l

    Leitor minucioso, Davi Arrigucci Jr. capaz de conviver longos anos com um texto literrio em busca da anlise precisa

    22 Perfil daVi arriGucci Jr.

  • 42 ciNcias HuMaNas laNaMeNtos

    dossi46

    colaBoradores desta edio

    66 oficiNa literria

    44 filosofiaMArcIA tIBurIO burro o outro

    46 dossiconsolAo e FIlosoFIA

    Para uma vida equilibradapor Luizir Oliveira

    A busca de unidade interiorpor Juvenal Savian Filho

    O riso de Montaignepor Silvana de Souza Ramos

    A fi losofi a e o consolo do tempopor Dbora Morato Pinto

    Uma vida sem consolaopor Jeanne Marie Gagnebin

    48

    55

    58

    62

    52

    Luizir Oliveira, professor de fi losofi a da Universidade Federal do Piau

    Silvana de Souza Ramos, doutora em fi losofi a pela USP, professora do Centro Universitrio So Camilo e atriz

    Dbora morato Pinto, professora de fi losofi a da Universidade Federal de So Carlos (UFSCar). Escreveu captulos para os livros Bergson (Vozes, 2008) e Atualidade de Bergson (Autntica, 2007)

    Rep

    rodu

    o

    Aurora F. Bernardini, professora de ps-graduao em literatura russa da USP. Traduziu Cartas a Suvrin (Edusp, 2002), de Anton Tchekhov

    Juvenal Savian Filho, professor de fi losofi a da Universidade Federal de So Paulo (Unifesp). Escreveu, entre outros, Metafsica do Ser em Bocio (Loyola, 2008), Deus (Globo, 2008), F e Razo: Uma Questo Atual? (Loyola, 2005)

    manuel da Costa Pinto, jornalista e autor de Albert Camus Um Elogio do Ensaio (Ateli), organizador e tradutor de A Inteligncia e o Cadafalso e Outros Ensaios, de Albert Camus (Record). editor dos programas Entrelinhas e Letra Livre (TV Cultura) e colunista da Folha de S.Paulo

    Jeanne marie Gagnebin, professora de fi losofi a da PUC-SP e da Unicamp. autora de Histria e Narrao em Walter Benjamin (Perspectiva, 1999) e Lembrar. Escrever. Esquecer (Editora 34, 2006)

    mrcio Seligmann-Silva, professor livre-do-cente de teoria literria na Unicamp e autor, entre outros, de O Local da Diferena (Editora 34) e Para uma Crtica da Compaixo (Lumme)

    Eduardo Fonseca, jornalista e ps graduando em fi losofi a pela PUC-SP

    moacir Amncio, professor de lngua e literatura hebraica na USP. autor de Os Bons Samaritanos e os Filhos de Israel (Musa, 1997) e Ata (Record, 2007)

    Annita Costa malufe, poeta e doutora em teoria literria pela Unicamp. autora de Como se Casse Devagar (Editora 34/PAC, 2008) e Nesta Cidade e Abaixo de Teus Olhos (7Letras, 2007)

  • n1438

    cultura eM MoViMeNto

    Carlos sCliar: uma referncia na histria da arte, j que conseguiu criar uma linguagem brasileira

    o Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, apresenta a exposio Carlos Scliar Perfil e Trajetria at o dia 28 de fevereiro. No local, os visitantes podem apreciar cerca de 150 obras do artista gacho, um dos smbolos do movimento mo-dernista brasileiro.

    Ele sofreu a influncia do expressionismo alemo e acho isso muito curioso, pois a maior parte dos modernistas tem in-fluncia francesa, diz Marcus Lontra, curador da exposio. Ao contrrio de artistas como Vincent van Gogh, Scliar (1920-2001) primeiramente organiza e determina espaos para posteriormen-te colocar a tinta em sua obra. Ele o artista do mtodo e da mtrica. Nesse sentido, a linha essencial, pois permite a criao de espaos diferenciados, explica Lontra.

    Scliar, entretanto, foi criticado por Portinari, que disse que seu trabalho no era pintura e lhe apresentou conceitos da Escola de Paris. Com as crticas, o garoto abandonou as artes e passou a frequentar um curso de engenharia. Em 1939, ele voltou a pintar para nunca mais abandonar essa rea. Apesar de seus pais serem

    traos de artista

    imigrantes, Scliar era bastante nacionalista e buscava valorizar a temtica social em suas obras. Alm disso, conseguia ressaltar a beleza de objetos e aspectos cotidianos singelos, como velas, flores, bilhetes e lamparinas.

    Percorrendo seis dcadas da vida artstica de Scliar, a exposi-o apresenta desde seus primeiros trabalhos at as produes finais de sua vida, nos anos 1990. Lontra expe que a proposta mostrar como ele foi enriquecendo com o passar do tempo, sem perder esse compromisso com a base grfica. Por isso, Scliar uma referncia na histria da arte, j que conseguiu criar uma linguagem brasileira, conclui.

    Quando 20 de janeiro a 28 de fevereiroonde Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro (RJ)Quanto entrada franca

    Carlos sCliar Perfil e trajetria

    Imag

    ens:

    Div

    ulga

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  • n143 9

    o vesturio tem grande importncia como fator de definio da identidade da pessoa, desde o comeo dos tempos. Como dizia Flvio de Carvalho (artista e arquiteto), o ser humano no precisa colocar uma roupa por conta de condies climticas, ele a usa como invlucro psicolgico, diz a historiadora da arte Cacilda Teixeira da Costa, autora do livro bilngue e ricamente ilustrado Roupa de Artista O Vesturio da Obra de Arte.

    A relao entre arte e vestimenta antiga e sofre influncias histricas. Segundo Roland Barthes, a moda tem como aspecto fundamental ser uma novidade regular imitada coletivamente. Diante das transformaes histrico-sociais, a indumentria adquiriu importncia como elemento integrado ao conjunto de fatores de definio da linguagem visual.

    Roupa de Artista O Vesturio da Obra de Arte Cacilda Teixeira da CostaImprensa Oficial do Estado de So Paulo/Edusp312 pgs.R$ 120

    Serto sem FimAraqum AlcntaraTerra Brasil176 pgs.R$ 120 ou R$ 140 (edio de luxo)

    relao intrnseca

    Mundo em extinoa busca por um mundo virgem sempre foi o principal estmulo de Araqum Alcntara. Famoso por suas fotografias que revelam a natureza, aos 57 anos resolveu empreender mais uma entre as muitas peregrinaes de sua carreira como fot-grafo. Com uma velha cmera Leica R 6.2 nas mos, e com o olhar voltado ao tem-po que insiste em se congelar diante do dinamismo da vida moderna, Araqum registrou fragmentos da vida sertaneja, onde tudo parece estar no seu prprio lugar e ali pertencer.

    O resultado dessa viagem pelo Brasil ocre, seco e espinhoso, que se estendeu pelas estradinhas de terra do norte de Minas Gerais ao Piau, pode ser visto no livro Serto sem Fim. Acompanham as 90 fotografias um texto de Walnice Nogueira Galvo, batizado de O Imaginrio do Serto. Nele, a professora de teoria liter-ria da USP disserta sobre as caractersticas que tornam o serto um universo nico, uma regio bravia e indmita cheia de mistrios e de enigmas, por fim, um local incivilizado, fora do alcance do brao da

    lei, cujos habitantes so reconhecidos co-mo uma personificao de coragem e es-toicismo diante de condies adversas.

    Nesse lugar rico em histrias, fonte de inspirao para inmeros escritores, de Euclides da Cunha a Guimares Rosa, pas-sando por Ariano Suassuna, Joo Cabral de Melo Neto e Graciliano Ramos, Araqum afirma que registrou um mundo em via de extino. Tais ecossistemas vivos so cada vez mais raros. Cheguei a testemu-nhar todo o esforo de ex-vaqueiros or-gulhosos de sua armadura de couro. Hoje, em muitos lugares, os vaqueiros preferem motocicletas para tocar o gado. Os vilare-jos esto sendo consumidos por cartazes de baixa qualidade, pelo plstico. Procurei registrar o que ainda restou desse ataque cultural desenfreado.

    Div

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  • n14312

    eNtreVista Be At r I z Br A c h e r

    redescoberta do clichA escritora Beatriz Bracher aposta na banalidade surpreendente do clich para a reinveno da linguagem e da literatura

    Mo A c I r AM n c I oFo t o s : Al e s s A n d r A Pe r r e c h I l

    Uma das ciclistas que passam de manh pela Pedroso de Morais, regio do Alto de Pinheiros So Paulo (SP), a escritora Beatriz Bracher rumo ao escritrio onde trabalha, nas imediaes. L, concebe suas histrias, l Kafka, Beckett, Nuno Ramos, Coetzee, Rubens Figueiredo, Joo Gilberto Noll, Flannery OConnor, Faulkner, Graciliano Ramos (o grande, entre os brasileiros). Depois de ter sido editora (foi uma das fundadoras da bem-sucedida Editora 34, com um catlogo em que figuram, por exemplo, cnones da literatura russa em novas tradues), ela tem ministrado cursos div