revista camões #15_16 | marquês de pombal

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  • mbal

  • o Instituto Cames reinicia a publicao da sua revista em contexto de renovao e reestruturao. Com efeito, desde o nmero temtico sobre Timor Lorosa' e, vicissitudes e dificuldades de ordem vria, nomeadamente acertos e ajustes na gesto de meios humanos e institucionais, impediram-nos de manter a periodicidade desejada. Em tempo de crise generalizada e conteno de despesas pblicas, o Instituto Cames tem procurado ajustar os seus instrumentos e orgnica a uma maior eficcia na prossecuo dos seus objectivos primordiais: a defesa e a promoo da Lngua e Cultura Portuguesas no vasto espao geopoltico, onde quer que ela flores:a, resista ou teime em implantar-se. Os meios so escassos e as frentes, que vo da rede de docncia e investigao da insero (de pleno direito) nos organismos internacionais de gesto e deciso econmica e cultural, so mltiplos. O Portugus, lngua histrica de convvio entre naes e etnias, hoje tambm lngua geoestratgica, pela opo feita em pases de quatro continentes -onde j lngua viva ou incipiente, mais o ser por ter sido escolhida lngua oficial. As vastas possibilidades que da advm tornam-se responsabilidades acrescidas. Enterrar os mortos, cuidar dos vivos. Esta ter sido a firme injuno de Sebastio Jos de Carvalho e Melo, Marqus de Pombal, Ministro do Reino, confrontado com a catstrofe que assolou a capital e grande parte do pas em 1755. O zelo que ps na tarefa ainda hoje iguala a memria lisboeta do trauma. Menos se reflecte sobre a sua capacidade

    de transformar uma tragdia em pretexto de renovao da cidade e das suas infra-estruturas urbansticas, o que a iria transformar, ao menos no seu tecido recuperado, uma das mais modernas e luminosas cidades da Europa do tempo. O projecto de dedicar um nmero da Revista Cames ao estadista mpar e controverso, mais tinha a ver, ao incio, com a proximidade fsica da nova sede do Instituto Rotunda onde ele est em efgie. Uma espcie de aceno de boa vizinhana. O tempo, contudo, acrescenta reas de significao ao que nos pode parecer aleatrio: que outra figura mais adequada para tutelar a remodelao reflectida e urgente que estamos prosseguindo? Lendo o excelente acervo das contribuies que nos foram chegando sobre a obra e a figura do Marqus de Pombal e sobre a sua influncia na arquitectura, urbanismo e vida quotidiana, os dois eixos de reflexo interactuantes deste conjunto de textos, podemos fazer nossas as palavras finais da extraordinria pea de Agustina Bessa Lus: H s o homem e o enigma; e o nome escrito em papis. Mas homem e enigma que marcam at hoje a nossa identidade de cidados. Tentaremos num prximo nmero regressar enfim a Lus de Cames, sob cuja gide esta casa tem vivido desde o incio. Ser um nmero celebratrio da concertao de competncias, boas vontades e entusiasmos que subjazem ao fulgor e renovao de uma identidade cultural e lingustica peto mundo em pedaos repartida.

    Maria Jos Stock

  • 6 DIRECTORA

    Maria Jos Stock 17 DIRECTORA-ADIUNTA

    Ana Maria de Azevedo 22 DIRECTORA DE PRODUO

    Piedade Braga Santos 34

    DESIGN GRAFICO TVM designers (Lus Moreira)

    CAPA 42 Esttua de Joo Cutileiro Fotografia de Paulo Andrade

    ASSINATURAS 53 Clia Gomes Snia Bettencourt

    PR-IMPRESSO 75

    Antnio Coelho Dias S_ A.

    IMPRESSO 87 Antnio Coelho Dias S_ A.

    REDACO E ADMINISTRAO 102 Instituto Cames Rua Rodrigues Sampaio,

    117 n.O 113 1150-279 Lisboa Tel.:213109100 Fax: 213109182 128 Correio electrnico: geraJ@instituto-camoes.pt rev@instituto-camoes.pt 143

    TIRAGEM 10 000 exemplares 151

    DEPSITO LEGAL 124734/99

    166 DISTRIBUIO

    Sodilivros 179

    COPVRIGHT INSTITUTO CAMES ISSN: 0874-3029

    187

    198

    211

    218

    Memrias pombalinas do marqus de Bombelles AgustinG Bessa-Lu(s

    Marqus de Pombal: um governante controverso Ant6nio Pedro \/icellte

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    O Anjo da Guarda do Marqus de Pombal Jos Esteves Pereira

    Pombal e a aristocracia NUllo A'Iollteiro

    O Marqus de Pombal e as conturbadas origens da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (1756-1757)

    FerI/ando de Sousa -

    O Brasil pombalino Jorge COllto

    Pombal e os oratorianos Eugnio dos Santos

    A msica sacra no perodo pombalino Cristina Fernalldes

    - -

    O Teatro no perodo de Pombal: doutrina, prtica e ideologia Duarte Ivo Cruz

    Reflexo sobre a Lisboa de Pombal Jos-Augusto Frana

    Plano [de Lisboa] que sua majestade mandou ... Alolluel Filipe Canol/eira

    O Palcio dos Carvalhos da Rua Formosa Antnio lv/iranda e Helena Pinto JOlleiro

    - -

    A Razo na Selva: Pombal e a reforma urbana da Amaznia Renata Arajo

    Os quotidianos da vida na Lisboa dos sculos da modernidade Teresa Veiga

    -

    Do Passeio Pblico ao Parque da Liberdade Fralloise Le CI/II!!

    - - -

    Marqus de Pombal - uma rotunda, uma praa, um lugar de memria(s) Gabriela Carualllo

    Rotunda do Marqus: a cidade em si no cabia j ou a monumentalidade (im)possvel

    Jos de MOllterroso Teixeira

    Cronologia Patrcia Cardoso Correia

    Bibliografia temtica Patricia Cardoso Correia

  • Memrias pombalinas do

    marqus de Bombelles

    Agustina Bessa -Lus

    SEBASTIO JOS MORREU EM POMBAL, FOSSE DE pedra biliar, fosse de edema dos pulmes, ou da simples nostalgia em que a corrupo fsica se baseia. Morreu talvez como Horcio, a quem os pressentimentos de Mecenas fizeram com que dissesse: Um mesmo dia trar a ambos a runa. E nesse momento o pas retomou a sua inevitvel inclinao ao comodismo tribal, fechado nas suas fronteiras e guardando pelas velhas alianas uma espcie de preferncia que prescinde das afinidades, para respeitar a lei do parentesco. Isso acontecia com a Inglaterra, que vinte anos de ms relaes com Sebastio Jos no influram muito na sua posio face sociedade portuguesa, capaz de certa dedicao pelos tratados, quanto mais caducos eles se tornassem.

    A obstinao britnica acondicionava-se ao feitio letrgico do cidado luso, para quem as inovaes so sempre maneira de arruinar o melhor da experincia humana, que o sabor doce da mediocridade, urea mediania , grata ao latino de raiz pastoril. Este pas voltado para a sua vocao domstica, que se eleva s vezes proporo da epopeia sem lhe atribuir, no entanto, a sndroma trgica, levantava objeces na conjuntura europeia. Em 1786, Mm'c-Marie, marqus de Bombelles, recebeu de Versailles a misso do embaixador de Frana em Lisboa. Mas, secreta, era a incumbncia de afastar Portugal da sua aliana com a Inglaterra, fazendo-o participar do Pacto de Famlia que unia o ramo dos Bourbons instalados em diversos tronos. Em 26 de Outubro de 1786, o senhor de Bombelles, com mulher, filhos, cunhada, confessores, secretrios, lacaios e cozinheiros, chega ao Tejo e ao famoso bout du monde em que a diplomacia encalha nobremente. Descendente possivelmente de portugueses, de linha marrana, Bombelles talvez sentisse por este pequeno pas retirado do concerto das naes uma simpatia que, ao entrar na Corte de Lisboa, sofreu um certo choque. A rainha, que tinha a distino da sua boa alma

  • Retrato do Marqus de Pombal, desenho de Peregrino Parodi, c. 1759. Bibl ioteca Nacional de Lisboa

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  • e a inteligncia dessa distino, dava o tom a uma sociedade que passava o tempo sem se divertir, e para quem a intriga de famlia era a mais apaixonante das distraces. Encontrou Bombelles, petit maftre intelectual e homem do sculo XVIII, dotado da civilidade do corao, um clima reservado mas vivel e uma srie de sales ainda habitados pela sombra de Sebastio Jos. Alguma coisa o ligava ao ministro desaparecido h dez anos, porque, no seu dirio, Bombelles sempre mostra pertencer ao partido do velho ministro e defender a sua posio contra as diabruras dos seus inimigos. E quem eram os inimigos pstumos de Sebastio Jos? Por exemplo, Alornas e Tvoras, que durante o cativeiro tinham claramente pedido a proteco de Pombal para suavizar as condies de vida, e depois da sua morte, ou mais exactamente depois do Libelo Famoso, passaram a usar um tom acerbo e at violento. certo que essa hostilidade parece mais ser produzida pelo contraste das duas famlias, os Pombal nadando na opulncia e os Tvoras

    empobrecidos ou pelo menos cados na precria condio de noblesse manque. Bombelles traa o retrato da ladina literata que foi a marquesa de Alorna, Alcipe, e no deixa dvidas quanto ao carcter dessa gente, inteligente e espirituosa' mas pouco edificante.

    Diz, por exemplo, que a filha da marquesa de Tvora nova usava em pblico as jias magnficas que foram presente de D. Jos para sua me. M. le de Tvora est laide - acrescenta. Mas as outras netas da velha D. Leonor de Tvora, a supliciada, mantinham a tradio das mulheres da famlia, porque eram muito belas.

    A terceira filha da Alcipe e do conde de Oeynhausen foi amante de Junot, e considerada uma das mais formosas mulheres do seu tempo. Foi a famosa condessa da Ega, a quem os portugueses dispensaram um dio bastante saudvel, mas que ela ultrapassou com a sua veia aventureira e pouco escrupulosa. Sua me era uma das

    Retrato do marqus de Bombelles in Journal d'un ambassadeur de France au Portugal, org. por Roger Kann, Paris, 1979. Biblioteca Nacional de Lisboa

    Retrato a leo da 3.' marquesa de Tvora, D. Leonor Tomsia, 1700-1759, de J . B. Gerard. Coleco Biblioteca Condes Castro Guimares

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  • D. Jos I, gravura Jean Charles Franois. Biblioteca Nacional de Lisboa

    Retrato do Prncipe do Brasil. Biblioteca Nacional de Lisboa

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    mais renitentes inimigas dos Pombal, que ocupavam na sociedade um lugar to estimvel quanto era garantido por uma grande fortuna. Henrique, o marqus novo, possua a educao primorosa dos filhos dos adventcios de gnio; estudara em Paris, e sua mulher conservava em Lisboa os penteados que se imaginam audaciosos, provavelmente M.le Mars, com m

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