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  • REVISTA BRASILEIRA DE ZOOWGIA

    Revta bras. Zoa!., S. Paulo 4(4): 307-317 31.iii.1988

    ALGUNS DADOS SOBRE A REPRODUO DO GARIBLDI,AGELAIUS R. RUFICAPILLUS (ICTERIDAE, AVES)

    EM LAVOURAS DE ARROZ NO RIO GRANDE DO SUL

    Maria Alice Bello Fallavena

    ABSTRACT

    Agelaius r. ruficapillus is gregarious, being found in large flocks inRio Grande do Sul during most of the year; they nest in natural marshesor rice fields. This bird is accused by farmers ofcausing damage to rice atali stages of its growth and Belton, 1985, be/ieves it may now be the mostabundant bird in the state.

    Its reproductive biology in rice fields in southem Rio Grande do Sulwas observed from 1981 to 1983, with more emphasis from november1982 to march 1983. Capture and banding of 16 birds with aluminumand plastic colored bands were made; nine nests were marked with steelstakes. It was found that the male is responsible for the construction ofthe nest, which the female /ines inside. The clutch varies from three tofour eggs, three being more frequento The female broods the eggs andleaves the nest to feed. The male stays near the nest, defending the terri-tory. The young hatch after 13 days of brooding, and arefed arthropodsby the parents. After fledging they receive grains ofdehulled rice. Repro-duction is synchronized with rice growth. It begins with flowering andends at harvest time. Adult birdsfeed on rice during the entire growth pe-riod, taking the "milk" of green rice and eating ripe grains after dehul-ling them.

    INTRODUO

    O gnero Agelaius constitudo por nove espcies (Howard & Moo-re, 1980); destas, sete se reproduzem em zonas de banhados (Post, 1981).Cinco so espcies sul-americanas e apenas duas destas tiveram sua bio-logia estudada at o momento: A. icterocephalus (Wiley & Wiley, 1980) eA. thilius (Orians, 1980). As outras trs espcies so muito pouco conhe-cidas.

    A. ruficapillus apresenta duas subespcies: A. r. ruficapillus e A. r.

    I. Museu de Cincias Naturais da Fundao Zoobotnica do Rio Grande do Sul. Bolsis-ta do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnolgico (CNPq).

  • 308 Revta bras. Zoa\.

    jrontalis. Segundo Pinto, 1944 e Paynter, 1968 a subespcie tipo a queocorre no Rio Grande do Sul, tendo estes autores feito seus registros so-mente para o oeste e sudoeste do Estado, respectivamente. Belton, 1985amplia a sua distribuio para todo o centro-sul, concluindo que a ocu-pao do leste e centro deve ter ocorrido apenas no presente sculo, vistoque estudos anteriores a 1900 no a registraram nestas regies; no en-controu correlao entre o aumento das reas de lavouras de arroz e o darea de distribuio do garibldi. Acredita ser esta a ave atualmente maisabundante no Rio Grande do Sul.

    O garibldi gregrio, podendo ser encontrado em grandes bandosna maior parte do ano. Separa-se em pequenos grupos durante a repro-duo, que ocorre em banhados naturais ou nas lavouras de arroz. acusado, pelos agricultores, de causar danos a esta cultura em todo o ci-clo de desenvolvimento.

    Na Argentina, onde existe em grande nmero, causa grandes preju-zos s lavouras de arroz, segundo Bucher & Bedano, 1976. Conforme es-tes autores, a ave sofre combate por parte dos rgos governamentais,com emprego de redes de captura e fogo nos pouseiros e substratos dosninhos. Esta ao j refletiu uma diminuio populacional.

    No Rio Grande do Sul no so empregados mtodos oficiais de con-trole; os lavoureiros e empregados que cuidam das culturas quebram osovos ou destrem manualmente os ninhos.

    DESCRIO DA REA DE ESTUDO

    O local de estudo foi uma lavoura de arroz na Vila do Taim, munic-pio de Rio Grande (3234' - 5232'), Rio Grande do Sul. Nesta culturaexistiam pequenos banhados de vegetao natural, em meio ao arroz.Para o presente estudo foi escolhido um destes banhados, que apresenta-va 9 ninhos, em diferentes estgios. A vegetao predominante era: Sa-giltaria montevidensis, Echinochloa crusgalli, Axonopus jissijolius,Cynodon dactylon, Paspalum dilatatum, Panicum decipiens, Setaria ge-niculata, Digitaria cf. sanguinlis, Agrostis montevidensis e Leersia he-,xandra, dentre outras. O banhado estava cercado de arroz e valosd'gua. Apresentava aproximadamente 600 m2 e os ninhos esta,vam dis-postos conforme a figo I.

    MTODOS DE ESTUDO

    O trabalho de acompanhamento de 9 ninhos fi realizado de 27 defevereiro ao final do ms de maro de 1983. No entanto, vrios registrosforam feitos nos anos de 1981 a 1983, em locais diverSi:>s, usados para darmaior suporte aos dados numricos e de mdias.

  • Vol. 4(4),1988 309

    Fig. I: Esquema da rea de estudo, local dos ninhos e da torre de observao (T).

    No foi encontrada concentrao de ninhos nos campos de arroz.Estes acham-se muito esparsos. Apenas nestes banhados naturais o n-mero mximo de ninhos foi de 15, em fevereiro de 1982.

    Uma torre de quatro metros de altura, de canos galvanizados des-montveis, foi colocada beira da lavoura, para as observaes de com-portamento efetuadas com binculo 8x30 e telescpio 1O-30x.

    Os ninhos foram numerados e marcados com estacas de ferro a 30em dos mesmos. Medies de ninhos e ovos foram feitas em vrios lo-cais; apenas dois ninhos foram medidos no local do estudo. Para talutilizou-se paqumetro Mitutoyo e trena. Nos ninhos foram consideradosdimetro interno e externo; altura (externamente, da parte superior at amais inferior) e profundidade (da borda superior at o fundo do ninho,internamente).

    Dezesseis individuos capturados com redes de neblina foram marca-dos (10 fmeas e 6 machos) com anilhas numeradas de alumnio do CE-MAVE (Centro de Estudos de Migrao de Aves) e plsticas coloridas.Destas aves, apenas 4 pertenciam ao grupo reprodutor em observao.

    Para a determinao do contedo estomacal, 27 aves foram coleta-das em locais diversos na mesma lavoura e 9 aps a colheita do arroz. Foirealizada a separao do material com o auxlio de microscpio estereos-cpio Olympus. As sementes foram identificadas pelo Instituto de Pes-quisas Agronmicas da Secretaria da Agricultura do Estado do RioGrande do Sul; o material vegetal da rea foi determinado pelo Ncleode Vegetais Inferiores e Superiores do Museu de Cincias Naturais daFundao Zoobotnica do Rio Grande do Sul.

    Peles taxidermizadas do Estado foram comparadas com peles j

  • 310 Revta bras. Zool.

    classificadas de A. r. jronta/is do Museu da Universidade Federal de BeloHorizonte e Fundao Museu de Gois. Para a classificao de coresutilizou-se a tabela ISCC-NBS Color Names Chart illustnited with cen-troid colors", de Kelly & Judd, 1,955.

    RESULTADOS E -DISCUSSO

    1. Escolha do local dos ninhos e defesa de territrio:

    A movimentao das aves na lavoura, nos meses de dezembro de 1982e janeiro de 1983, apresentava-se grande, com pequenos bandosalimentando-se em toda a rea. O arroz encontrava-se com as espigasflorescidas ou j com os gros leitosos. Machos adultos comearam a seconcentrar em ~equenos banhados naturais no meio do arroz e a defen-der o territrio contra outras aves. Para isto ficam bastante conspcuos,pousados em hastes altas na vegetao, distantes uns dos outros c~rca de4 metros. Expulsam, atravs de vozes e posturas, outros machos que seaproximam do local. Cortejam e seguem fmeas que passam por seus ter-ritrios.

    O movimento comeou a diminuir com o amadurecimento do arroz,no ms de fevereiro, quando foram ento vistos apenas pequenos bandosde sexo indeterminado (fmeas e jovens apresentam plumagem seme-lhante). Spe-se que sejam fmeas que necessitam se acasalar. Nesta fa-se inicial do processo, todas as fmeas cortejadas pelos machosretiravam-se para longe.

    A defesa do territrio realizada por meio de vozes e posturas agres-sivas, contra machos da mesma espcie, outras espcies de aves (tiran-deos, garas, etc.) e, quando acasalado, contra fmeas de sua espcie.

    2. Construo do ninho e acasalamento:

    Cabe ao macho a construo dos ninhos. No gnero Age/aius sabi-do que a fmea constri o ninho nas espcies A. phoeniceus e A. tricolor(bibliografia abundante), A. thilius (Orians, 1980) e A. xanthomus(Post, 1981). Wiley & Wiley, 1980, registraram que o macho de A. ictero-cephalus o responsvel pela construo do ninho.

    De novembro de 1981 a abril de 1983 foram observados 48 machosconstruindo ninhos. Duas fmeas colocaram uma forrao interna, apsos machos terem construdo os ninhos. Klimaitis, 1973 afirma que as f-meas constroem o ninho nesta espcie, que observou em Buenos Aires.Belton, 1985 tambm constatou que esta tarefa cabe aos machos.

    Para a edificao do ninho os machos utilizaram; no local do estu-do, a vegetao aqutica ou folhas de arroz. O material preferido foi Sa-gittaria 'montevidensis, vegetal abundante na rea. Esta planta apresenta

  • VoI. 4(4),1988 311

    talos fibrosos e grossos, que aparecem freqentemente quebrados e espa-lhados por cima da gua. Os machos desfiam as hastes quebradas com obico, segurando-as com os ps e batendo as asas para manter o equil-.brio. As tiras obtidas desta maneira so levadas at o lugar escolhido eentrelaadas a diversas hastes do substrato vegetal. Este varia, podendoser o prprio arroz, Sagittaria montevidensis ou Echinoch/oa crusga//i.Neste local havia 7 ninhos no arroz, 1 em S. montevidensis e 1 em E.crusga//i.

    O ninho apresenta a forma de uma taa, semelhante ao das demaisespcies de Age/aius (Pefia, 1979; Post, 1981), sempre sobre a gua (Tab.1). Nas plantaes de arroz, sua altura varia de 20 a 60 em; em juncos de

    Tabela 1

    Medidas de 5 ninhos com ovos

    N9 ovos dimetro externo dimetro interno altura profundidade

    1 10,0 6,5 12,0 10,03 10,0 8,0 10,0 9,03 10,0 7,0 8,0 9,03 12,0 6,5 11,0 8,03 9,5 6,5 12,0 9,0

    Mdias 10,3 6,9 10,6 9,0

    banhados naturais varia de 100 a 200 em. Medidas de ninhos em constru-o (Tab. 2) mostram que estes so maiores que os prontos, devido aomaterial molhado

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