revista aka arte om duplo sentido

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  • www.numdiaperfeito.com

  • DUPLO SENTIDO

    A Arte no veculo que marche em sen-tido nico. Como no tem fim ou objeti-vo, move-se na direo que aprouver aos seus autores, ao sabor das suas reflexes, gestos e tambm das prprias possibilades que uma tela em branco, um pedao de barro ou pedra, ou um Mundo em aberto emancipam.Nestes caminhos no h obstculos que no possam ser transpostos, atravessa-dos ou vergados sob a fora da iniciativa criativa, mas tambm no podemos dizer que no existem rotas definidas.So as rotas dos processos lingusti-cos, da semitica das manifestaes e criaes em artes visuais, da histria dos saberes e dos fazeres. nestas rotas, sob o mote e pretexto da Mostra Duplo Sentido, que nos movimen-tamos de trs para a frente, em sentidos opostos muitas vezes, nas linguagens do desenho, da pintura e da fotografia.Fazemo-lo sem objetivos, mas de olhos postos no profundamente Humano, na Pessoa, na sua dignidade, diversidade, pluralidade e complexidade.Esperamos, secretamente, tocar e ser tocados, amar e ser amados, trocar um momento de intimidade e cumplicidade, numa rua com dois sentidos.Esta segunda publicao Aka Arte , no fundo, um mapa de roteiros para estes encontros.

    Evoca tambm outros momentos em que, enquanto coletivo de autores, mul-tiplicmos a nossa ao e movimento para os despoletarmos.A ti, leitor, agradecemos esta presena continuada e disponibilidade para par-ticipar. Como no existem livros quando no existem leitores, no h obra sem es-pectadores e Aka Arte tambm a vossa existncia e expectativa.

    FICHA TCNICA

    Direo: Aka Arte

    Design: Nuno Quaresma

    Colaboraes: Ana Fernandes, Jorge Franco, Jorge Moreira, Ana Fina, Artur Simes Dias, Pedro Afonso Silva, Simo Carneiro, Clo Bourgard, Sara Silva, Hugo Alexandre, Elisabete Gonalves, Tania Estrada, Mariana Ado da Fonseca, Cata-rina Vieira Pereira, Antnio Maria Sousa Lara, Ricardo Raposo, Jack CJ Simmons

    Impresso: C.C.Alfragide

    Tiragem: 100 exemplares

    Junho 2015

    www.numdiaperfeito.com

    A Arte no vecu-lo que marche em

    sentido nico.

    TODOS OS HOMENS SE

    NUTREM MAS POUCOS

    SABEM DISTINGUIR

    OS SABORESConfcio

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  • OM, Aum, o som do movimento do Universo, o eco do seu incio distanteVivo na era da descoberta do Boso de Higgs, do pleno, seguro e consolidado funcionamento do Acelerador de Partculas do CERN, j numa poca ps Relatividade Geral de Einstein, nos tempos da elaboradssima complexidade matemtica da Teoria das Cordas.No meu ntimo, no fundo da minha alma (ser que esta existe?)procuro contudo e apenas ouvi-lo: este silncio que tambm um rumor sem fim.Quando me concentro, respiro-o, sinto-lhe, por momentos, essa nesgazinha de grandiosidade de que todos somos parte.J me explicaram que mas o conseguiria integrar se tivesse o copo menos cheio. mais fcil encher um copo vazio do que fazer entrar o que seja numa malga (amlgama!) a transbordar.A dura tarefa que tenho hoje pela frente esvaziar-me desse caudal.

    minha essa tarefa apenas porque a escolho.No sei se sou capaz, se estou altura da complexa exigncia do seu postulado.Sigo com a simplicidade, humildade e receios de uma criana (talvez at com um pouco da sua indisciplina e irreverncia).Por isso comeo por desenhar e pintar.No me levem a mal. No sou capaz de o fazer de outra forma agora.Vou pintar o que no compreendo, pintarei tudo o que me dis-tra o pensamento, para ver se a pintar desmistifico e desmistif-icando exorcizo essa fora magntica que me agarra obsessiva-mente forma das coisas.Pensando menos sentirei talvez mais. Mais perto estarei talvez do essencial, do contedo. Mais perto da verdade, quem sabe, da conscincia, do corao de Ti!

    Aka OM (Aum), no decurso de 2015, com o apoio Tailored e AKA Art Projects.

    PREFCIO

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  • LINDMUNDODedicada eterna memria de Letcia da Conceio Bicho, Grande Me e Grande Apreciadora de Arte.

    Como Lindo o Mundo, pensamos os dois enquanto debruamos em conjun-to o olhar sobre a beleza distintiva desta Vila.Nesta topografia singular, grandiosa, mais fcil entrar em contacto com a histria comum que nos une e que nos traz hoje ao MUSA.A amizade entre um Escultor e um Pintor, uma tambm ela singularidade no es-pao e no tempo, aglutinou a vontade e a oportunidade sob o auspcio e teto cul-tural no Municpio de Sintra e o resultado este: LindMundo.No Algarve dizemo-lo assim, em dialeto, e se nos perguntarem, provavelmente responderemos Lind porque Linde, no precise outras justificaes.

    Outro mestre estava a tomar ch com dois dos seus alunos quando, subitamente atir-ou o leque para um deles, dizendo o que isto? o aluno abriu-o e abanou-se. No mau, foi o seu comentrio. Agora tu., continuou, passando-o ao outro aluno, que imediatamente fechou o leque e coou o pescoo com ele. Feito isto, abriu-o nova-mente, colocou um pedao de bolo sobre ele e ofereceu-o ao mestre. Este foi consid-erado ainda melhor, porque, quando no existem nomes, o mundo deixa de estar classificado dentro de limites e frontei-ras.In O Caminho do Zen, de Alan Watts

    Esta mostra, sobretudo porque no se classifica dentro de limites ou fronteiras, est integrada na iniciativa associativa AKA OM dedicada aos temas Mudana |Movimento |Crise |Criatividade - e a ex-posio desta coleo de Obras de Jorge Moreira e Nuno Quaresma antecipa uma srie de outras atividades e iniciativas que decorrero em 2015 e que podero ser acompanhadas em www.numdiaper-feito.com .

    Num dia perfeito pinta-se, esculpe-se, alimenta-se o corpo e a alma, ama-se e ensina-se a amar.

    No te iludas. O ontem j se passou, o amanh ainda no existe. Vive, pois, a nica certeza que tens agora: este dia! Augusto Branco aka Nazareno Vieira de Souza

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  • Aum (or OM) is a mantra, or vibration, that is traditionally chanted at the beginning and end of yoga sessions. It is made up of three Sanskrit letters, aa, au and ma which, when com-bined together, make the sound Aum or Om. It is believed to be the basic sound of the world and to contain all other sounds. It is said to be the sound of the universe. What does that mean? Somehow the ancient yogis knew what scientists today are telling usthat the entire universe is moving. Nothing is ever solid or still. Everything that exists pulsates, creating a rhythmic vibration that the ancient yogis acknowledged with the sound of Aum. We may not always be aware of this sound in our daily lives, but we can hear it in the rustling of the autumn leaves, the waves on the shore, the inside of a seashell. Chanting Aum allows us to recognize our experience as a re-flection of how the whole universe movesthe setting sun, the rising moon, the ebb and flow of the tides, the beating of our hearts. As we chant Aum, it takes us for a ride on this universal movement, through our breath, our awareness, and our phys-ical energy, and we begin to sense a bigger connection that is both uplifting and soothing.

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  • MARIA JOO

    A respirao dilata-se no ar pesado do interior cores esbatidas, vidraas molhadas, sonhos que pingam beijos inaudveis, olhar no vazio, corao menos pesado hlito carnal, mos que se tocam, corpos que se fundem

    O silncio a linguagem dos amantes. No sabes o meu nome, no conheo a tua histria, no interessa quem somos.

    As fotos das crianas que fomos culminam neste momento presente; tudo este segundo que vivemos todas as gotas do oceano esto dentro destas paredes

    as rugas que ambos escondemos brilham na sua solido ns somos tudo, por saber ser nada

    acolhes-me nos teus braos como se fosse o teu nico filho recm regressado Abro-te os meus como se fosse um porto de abrigo para um navio que no navega.

    No me chegaste a dizer qual o preo Tambm no te perguntei, ser verdade

    Abri-te a porta e limitaste-te a entrar no te disse o destino, no saberamos por onde querer ir

    Encalhmos por breves momentos neste canto esquecido com vista para o nada por segundos fugazes no existimos; desaparecemos no frio da noite

    olhas-me antes de fechar a porta, no sorris, no falas olhas-me simplesmente; sei que vais partir e nunca mais me ver;

    Sinto-te a entrar nas minhas veias, a matar as minhas defesas Pouco a pouco possuir-me s, tomo a tomo

    definharei este corpo efmero e vazio de significado sucumbirei ao cheiro da doena

    finalmente pertencerei ao teu abrigo Por toda a eternidade que esta noite no pode dar.

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  • SOBRE A BELEZA E A SUA PROCURA

    Procurmo-la em tudo.Procuramos no imaterial da atmosfera, no volume leitoso das nuvens, nos contornos das montanhas e vales, nas curvas da paisagem.Procuramos nas linhas de um rosto, na textura das mos, na volumetria intrincada de uns longos cabelos.Nesta procura de conservao em imagem do belo, somos com-pelidos a congelar singularmente numa obra intemporal, o fu-gaz, o momentneo, o irrepetvel.O voo de um pssaro, o rebentar de uma onda, a queda de uma estrela, o levantar de um brao ou o dobrar de um torso.De lpis na mo procuramos assim esquiar a Liberdade, dar esboo Fora da Natureza ou um segundo corpo pictrico ao

    Amor e ao Desejo.E nas asas desse amor e desejo que por vezes geramos uma nova forma de beleza despojada, singela.Uma modalidade feita de linhas e pinceladas, claro e escuro, modelao de cor, textura grfica.Uma interpretao dimensional feita s de altura e comprimen-to, de linhas de composio, horizontais, verticais, diagonais, e um infinito conjunto de estruturas geomtricas.No meio tambm ests tu. Completa, complexa, outra em ex-istncia legtima fora de mim. s Bela